Porque não confio em revista de automóvel.

Desde pequeno leio revista de carro. Lembro-me a época que elas continham muito texto, alguns gráficos e poucas fotos. O conteúdo era rico em detalhes, e a extensão do teste grande.

Com o passar dos anos, em razão da evolução dos veículos, os testes mudaram. Se de um lado a tecnologia nos auxiliou a obter informações mais precisas de consumo e velocidade, a cooptação por todas de marketing deixa a desejar.

E pensando bem, talvez a simplificação ocorra pela falta de pessoas aptas a avaliar, situação que exige conhecimento e vivencia. Avaliar um produto exige isso, e liturgia.

Isso que percebi ao fazer uma viagem que rotineiramente faço de carro do Rio para São Paulo.

Parti cedo, animado, com a perspectiva de ter uma viagem tranquila, segura e agradável. No entanto, logo após os primeiros kilometros roados logo entendi que a viagem não seria nada fácil.

Inconcebível no dia de hoje uma marca renomada vender um carro que exige constante correção na estrada após ultrapassagem, seja de carro, pior com o onibus e caminhão.

Apesar da propaganda, da roda grande, percebi que nem mesmo a tecnologia foi suficiente para manter o carro na estrada em linha reta nas ultrapassagens.

Superado essa dificuldade veio outra em seguida. Aparentemente o velocímetro não registra a velocidade do veículo considerando a roda de tração, e sim a potência. O resultado prático disso foi uma espantosa imprecisão que aumenta progressivamente com o embalo do veículo. Em baixas velocidades a diferença foi de 5km o que acho tolerável. Porém 120 km/h de velocidade real implicava 135 no velocímetro, diferença muito grande, imperdoável. Notei que a sensação de velocidade uma vez corrigida a distorção e muito maior do que em outros carros, o que me leva a crer que o consumidor padrão dirige o carro sem saber da real velocidade. Este veículo torna-se arisco, passa uma sensação de insegurança quando de fato esta andando na velocidade real que supostamente esta marcando.

Também não consegui me adaptar ao câmbio cvt que apesar das 8 marchas, entra no modo ECO automaticamente. Não da para desligar, ele sempre força a ultima marcha no menor giro. Isto num sedan fraco não é possivel. No trecho da estrada sinuoso e com aclive foi difícil. Perdi velocidade rapidamente, foi necessário certa pressão no acelerador para aumentar o giro de forma a compensar rapidamente essa perda. Com o aumento do giro parece que o câmbio privilegia uma faixa barulhenta, inconveniente para manter-se em velocidade ou sair da inércia. Resultado pratico dessa zona foi um carro cujo consumo é pior na estrada do que na cidade.

Bem nem tudo foi ruim, o plastico duro, o aco escovado fake, o banco duro, todos os barulhos na carroceria que existem por evidente falta de isolamento acustico não foram ofuscados pelo ar condicionado, excepcional. Herói unico num ambiente que nem o rádio salvou. Apesar de antigo e contar com um cd player, que muito me animou, tem na qualidade do som agudos sibilantes e graves. Não existe no som apesar da integração com o celular blah blah blah qualidade.

Pois é, depois da viagem fiquei com muitas dúvidas, não entendo como o Toyota Corolla caiu no gosto das pessoas, porque é tão caro, tão sem sal, tão ruim e inacreditavelmente mal acabado, inseguro de dirigir.

Voltando as revistas, a avaliação de todas enfatiza a segurança, durabilidade, qualidade, multimídia e gosto do consumidor. Ja o carro, é outra história. E a revista, de opinião tornou-se uma peça publicitária.

Para as revistas vale tudo. Compara-se pera com banana como se igual fossem, e de pensar que tem gente que não percebeu e pagam por esse absurdo comprando revista ate hoje.

O preço da liberdade é a eterna vigilância

Esta frase, de Thomas Jefferson, presidente dos Estados Unidos e o principal autor da declaração da independência daquele país traduz o momento que sinto.

Nesses dias que antecedem feriado nacional de proclamação da república, hoje tão conturbado em razão de movimentos convocados, estou vigilante.

Mais do que nunca estou atento ao fato que hoje esta cada vez mais difícil obter informação de governo sem viés de incitação.

A forma como a sociedade se desenvolveu hoje no Brasil é nociva ao convívio das pessoas, ao livre exercício e pensamento sobretudo a cobrança dos responsáveis de nossos direitos.

A proliferação de cargos, e o inchaço na administração pública chegou ao ponto que hoje é muito difícil apontar o dedo e responsabilizar o agente por sua promessa, falta e omissão.

Na hora de divulgar uma realização a logica se inverte, não faltam interessados em se dar o credito da participação do feito…

A midia social outrora telegráfica, como o twitter embora tenha permitido a utilização de um número maior de palavras continua o grande vilão da história.

Chego ao cúmulo de ver a retransmissão de um agente público tirando a foto de um poste pelo prefeito, como se fosse uma coisa boa, quando na realidade não passa de uma tentativa barata de obter engajamento para ignorar aquelas perguntas sem respostas, e sem responsabilidade ate hoje.

Moro numa cidade sem legado olimpico, que só não quebrou antes dos eventos porque contou com um quarteto fantástico de políticos, direita e esquerda, que privilegiaram torrar dinheiro na venda desse até então sonho em detrimento de hospital, escola e da ordem urbana.

Cada um com seu clube e sua turma, empreenderam de forma leviana no gasto de dinheiro. E a realidade esta ai. Sem hospital, sem escola, o que fazer? Aprovaram uma emenda constitucional para incorporar o gasto do transporte e Manutencao, da merenda como se fosse educação.

Isso para mim é o suficiente para dizer não. Na minha opinião deveriam todos ir a cadeia não sem antes andar no BRT e na ciclovia para início de conversa, e utilizar o hospital público que os mesmos se louvam na eleição e esquecem na operação.

E o que isso tem haver com o dia de amanhã?

Tenho sobre esse sistema uma vantagem que adquiri justamente da minha natureza afetiva. Ser gay não é facil, palavras como bisha, viado, homossexual e atos de exclusão, censura e cerceamento de opinião, ate mesmo perseguidores de fake news estão aí, e os vivi ha mais de dez anos.

Viver essa condição ruim para a sociedade até os dias de hoje, e que não tem amparo em nenhuma igreja por exemplo não é para fracos.

No final do dia entendo que existem pessoas insatisfeitas com a casuística dos tribunais, que estão cansadas desse poder que vive no debate ineficiente da dialética um mando e desmando, que prejudica a vida das pessoas em igual ou maior proporção dos gestores, ainda que seja na defesa da lei e suposta ordem.

Vinte anos na profissão e a pirâmide do judiciário esta invertida, temos poucos juizes, muitos processos, um numero exponencial de auxiliares que trabalham na condução do processo e para cumprir estatística, classificam, minutam as decisões que se convalidam na base da autenticação pelo token.

Essa é a principal crítica que faço ao Brasil. Isto não os torna criminosos, embora gostaria que fossem. Não vejo no CNJ nenhuma atuação real no combate a incompetência dos magistrados. Quando fui la reclamar recebi por resposta que a reclamação deveria ser feita no juiz de origem.

Porém não confundo a minha indignação com a politização de pessoas. Por ela não divulgo, não divulgarei. Não participo nem irei a evento político.

Acompanho a doutrinação em rebanho pela midia e por aqueles que esperam por isso influenciar o próximo, e torço por melhores dias que virão.

Boa semana, boa leitura, bom dia ao próximo e bom feriado!