O Brasil da fila dupla

Domingo passado, fui tomar café da manhã num estabelecimento que frequento há aproximadamente dez anos.

O que deveria ser apenas um momento tranquilo acabou se transformando numa reflexão sobre o Brasil.

Saí daquele café pensando que talvez as pequenas cenas do cotidiano revelem tanto sobre a sociedade quanto os grandes acontecimentos noticiados.

Uma fila desrespeitada. Um carro estacionado irregularmente. Outro motorista repetindo a mesma conduta.

E a naturalidade com que tudo isso acontece.

Não é preciso um grande escândalo para perceber a distância entre aquilo que cobramos dos outros e aquilo que estamos dispostos a fazer.

Uma sociedade não se organiza apenas com leis. Organiza-se quando as pessoas compreendem que também estão sujeitas a elas.

Essa é a reflexão que levo daquele café da manhã.

Esse foi o teor da reflexão e do video que gravei

Assista

O Rio sonha e as escolas fecham.

Brasileiro é resiliente, sobrevivente e também sonhador.

E como sonha!

Hoje entendo, tão importante quanto acordar e dormir é sonhar.

Através desses preciosos minutos temos habilidade de nos refazer, descansar, ganhar energia para recomeçar e fazer planos para o futuro.

Novo dia, todo mundo tem um sonho para falar. E ate mesmo quem não sonhou comenta.

Ainda que pouco me surpreenda, a leitura matinal trouxe uma notícia de tirar o sono e sabe la qual sera o reflexo no sonho.

Se estou aqui para escrever essas linhas, certamente assim o faço por ter sido instruído e educado.

A escola, longe de ser boa, também não era ruim. Na deficiência acadêmica aprendi muito sobre a vida lições como essa que estou a escrever.

Foi o estudo, e o aprendizado do meio que estava, que me fez aprender a perguntar e refletir. A ordem dos fatores não importa.

A fórmula magica para o desenvolvimento pessoal passa necessariamente pela repetição do ato de ir a escola.

Isso esta sob risco.

Outro colégio fechará suas portas em botafogo.

A bola da vez é o colegio sao vincentino que anunciou o encerramento em 2027.

Me parece que a educação esta fora de moda.

Rebaixada a um produto ruim para o dono da escola e paradoxalmente rentavel para o empresario investidor e captador de aluno como negócio.

A gestão escolar não deveria ser mais importante que ensinar português e matemática. Hoje me parece que é.

E alguns professores acostumados a reclamar sem conseguir viver dos seus salários.

Se não tiver tamanho e escala, poucos sobreviverão. Melhor também não deixar pensar.

A Zona Sul do Rio de Janeiro definitivamente parece ter virado a página da educação.  Jacobina, Princesa Isabel, São Patrício, GIMK e tantos outros  fecharam as portas.

Importante na atualidade é fazer campanha de educação, reclamar do autopropelido, da calçada obstruída, da fila, do motociclista e dizer que vai consertar.

Nenhum candidato fala em estudar. Logo não há como mudar. Assunto chato, melhor divulgar agenda de show, premiação em feira de inovação, e segue o baile.

Alguns políticos e cidadãos optaram por levantar a bandeira da educação na forma genérica.

Educação publica  por muitos que no passado foram educados, se resume hoje a subsídio para obra, custeio de transporte, ar condicionado, merenda… parafraseando João Gomes, é o que esta tendo! E tem uns professores para administrar ja que os alunos não podemos reprovar.

Educação hoje esta na metamorfose para ser a Efrustracao de amanhã. O ideb do Rio ja revela que existem alunos nota 10 nesse quesito, sem parabéns e pirulito.

Vamos resolver o desafio da educação?

Permitir que as escolas não sejam obrigadas  a adotar como politica de inclusão o material medíocre do MEC. 

Que tenham foco exclusivo no aulo e não em seus pais e na politicagem.

A mudança da atual politica de tolice educacional precisa mudar.

Os sonhos para o Rio, a julgar pela futura cooptação do estado e prefeitura pelo mesmo grupo politico, tendem a piorar.

Realidade imposta pela abstenção exposta.

Vamos votar?!

Tirar essa malvadeza do ar e o fim da especulação imobiliária cuja vítima da vez são.. as escolas.

A verdade que ninguém quer enfrentar

Serie 50 | Capitulo a parte…

Há muito tempo percebi o aumento da violência na cidade. Se alguém ainda tem duvida, basta acordar e ligar o RJTV.

Na falta de notícia, o telejornal virou boletim de trânsito e policial. Quando muito, sobram os serviços da prefeitura que por óbvio não funcionam e do Estado, que parece existir mais como ideia de democracia do que como realidade concreta na vida de qualquer cidadão brasileiro.

Curioso é que saber do trânsito importa a quem está nele, não a quem está em casa. A informação que, por lógica pertencia ao rádio, hoje foi apropriada pelo telejornal. Melhor falar muito sobre nada do que não ter o que noticiar. E ali, entre uma ocorrência e outra, os comentários se misturam com uma leveza deslocada da gravidade do que se anuncia que vai a tragédia quando resolvem dar sua opinião pessoal.

Voltando ao Big Brother Brasil 26, assisti desde o início uma tentativa de crime contra mulher algo que o jornal noticia materializado todos os dias. Não é ficção. É espelho.

Houve disputa eivada de trapaça na corrida por um telefone. E sejamos francos: não há nada mais humano do que competir mal. Basta assistir a uma partida de futebol qualquer. Todo dia alguém empurra, simula dor, faz fita para ganhar vantagem. A diferença é que, hoje, qualquer empurrão ganha proporção moral absoluta. La no jogo é competência, so que não.

O problema não está na disputa. Está na incapacidade de conter o excesso. Na impunidade sobretudo falta de educação que propicia consideravelmente o aumento dele.

O bicho pega quando olho para o lado e vejo mulher agredindo mulher. Patético. Incrédulo. Triste. As ofensas não param por aí. Na violência cotidiana, que todo mundo diz repudiar, não é novidade ver alguém perder a cabeça numa discussão acalorada.

O álibi é sempre o mesmo:

“Você não me conhece.”

“Você não sabe de onde eu vim.”

“Você não sabe da minha história.”

Particularmente, não sei mesmo. E depois do que assisti, confesso, não me interessa como justificativa. História explica. Não absolve!!

Essa depressão coletiva que se tornou a existência de qualquer brasileiro surfando discursos prontos de vida e de classe só interessa à televisão quando vira comoção. Quando dá audiência. Quando cabe na narrativa. E também ao governo que se empenha ao máximo fazer politica publica de patrocínio a igualdade para se esquivar do básico.

Infelizmente é nesse ponto que estou. E o BBB não é muito diferente do dia a dia de muitos.

Ah, e teve um que passou mal. O serviço médico não funcionou. Ele passou mal de novo. Melhor tirar. Essa realidade de hoje não comporta quem atrapalha o ritmo do espetáculo.

É duro escrever isso aos cinquenta.

Porque aos cinquenta eu aprendi que maturidade não é suportar tudo. É escolher o que não se tolera. É entender que limite não é frieza é proteção.

Talvez o que mais me incomode não seja o empurrão, nem o grito, nem a expulsão. É a naturalidade. É perceber que não houve surpresa genuína. Apenas torcida organizada, análise de narrativa e posicionamento estratégico.

O reality passa, a irritação fica.

E se não aprendermos a diferenciar disputa de agressão, história de justificativa e dor de licença para ferir, vamos continuar vivendo como se o país inteiro fosse uma casa vigiada por câmeras onde gritar dá mais resultado que argumentar.

Aos cinquenta, percebo que o verdadeiro luxo não é vencer a discussão. É não precisar entrar nela.

É sobre isso…

Quando o Espetáculo Substitui o Estado Vivemos uma Política de Fachada.

Desde sempre tive como verdadeira a ideia de que um dos pilares centrais da democracia é o respeito institucional entre os poderes e as autarquias. Sem isso, não há respeito mínimo, não há segurança jurídica e, muito menos, democracia.

O que vivemos hoje se assemelha a uma democracia de fachada, com práticas cada vez mais autoritárias. Basta observar o noticiário: manchetes que alternam entre o “número de presos em suposta trama golpista” e ministro do STF batendo boca com delegada em investigação bancária. O espetáculo substituiu o institucional. O ruído tomou o lugar da sobriedade.

Enquanto isso, a atenção do governo ao seu próprio povo — se é que ainda se trata de prioridade — parece inexistente. A proposta de o Brasil ceder à China a cota de carne de países que não conseguirem cumpri-la é emblemática. Revela muito mais do que uma política comercial: revela desprezo estratégico.

Ao invés de exportar menos, valorizar o produto e lucrar mais, como fazem países maduros, opta-se por inundar o mercado externo para manter margens artificiais. Tudo isso enquanto o preço da carne continua distante do prato do brasileiro médio. Afinal, alimentar o povo nunca foi prioridade quando há um seleto grupo disposto a capturar os ganhos da democracia para agir em causa própria.

O que une quase tudo o que há de errado é a propaganda institucional positiva. A violência cresce, mas o Réveillon é “o maior do mundo”. Talvez também seja um dos menos seguros. A criminalidade “cai” enquanto cresce a frota de veículos blindados — não por mérito do Estado, mas por falência dele. O pobre, por sua vez, segue lutando para pegar um ônibus com ar-condicionado inexistente, enquanto a culpa nunca é do cartel que sustenta a concessão, mas sempre da empresa multada — e jamais substituída.

É curioso, para não dizer perverso, ver empresa pública de transporte patrocinando eventos culturais, como se essa fosse sua vocação. Estamos na contramão da Europa e de países das Américas que postergaram subsídios a veículos elétricospor razões fiscais e estruturais. Aqui, incentiva-se praticamente uma única fabricante — que, por coincidência conveniente, abriga ex-político em seu conselho.

Esse Brasil do faz-de-conta, que simula evolução enquanto distribui privilégios, produz uma sequência interminável de injustiças contra quem quer apenas trabalhar, produzir e viver sem depender da política ou do lobby.

Talvez seja mesmo mais fácil aumentar o orçamento das empresas de cenografia. Transformar a existência do povo em uma sucessão de eventos: Ano Novo, Carnaval, “Todo Mundo no Rio”, carnaval fora de época e afins. Festa como política pública. Espetáculo como anestesia social.

Até quando?