O Brasil da fila dupla

Domingo passado, fui tomar café da manhã num estabelecimento que frequento há aproximadamente dez anos.

O que deveria ser apenas um momento tranquilo acabou se transformando numa reflexão sobre o Brasil.

Saí daquele café pensando que talvez as pequenas cenas do cotidiano revelem tanto sobre a sociedade quanto os grandes acontecimentos noticiados.

Uma fila desrespeitada. Um carro estacionado irregularmente. Outro motorista repetindo a mesma conduta.

E a naturalidade com que tudo isso acontece.

Não é preciso um grande escândalo para perceber a distância entre aquilo que cobramos dos outros e aquilo que estamos dispostos a fazer.

Uma sociedade não se organiza apenas com leis. Organiza-se quando as pessoas compreendem que também estão sujeitas a elas.

Essa é a reflexão que levo daquele café da manhã.

Esse foi o teor da reflexão e do video que gravei

Assista

Sete minutos. Para todos?

Tem gente que diz que Flávio Bolsonaro fugiu.

Eu já entendo que ele resistiu.

Mas o que realmente chama a atenção não é a escolha dessas palavras… São os sete minutos.

Sete minutos depois da confirmação do resultado eleitoral, já havia um pedido de medida restritiva contra ele.

Curioso, não? Quantos outros poderiam surgir?

Num país em que a Justiça pode levar anos para decidir, descubro que o Poder Judiciário e algumas outras instituições conseguem funcionar com uma velocidade impressionante.

Entendo que rapidez não é ilegalidade.

A pergunta e: essa eficiência está disponível para todos?

Porque, estranhamente, as instituições democráticas, justas e imparciais parecem funcionar vinte e quatro horas por dia para uns e para outros, nem tanto!

Como advogado, o que me incomoda não é a existência das leis. É a forma de aplicação casuística delas.

Tudo e tecnicamente fundamentado em dezenas de paginas . Lei, doutrina, jurisprudência. Uma construção jurídica aparentemente impecável.

Mas será que os mesmos critérios são utilizados para todos?

A minuta de escritura encontrada na mesa de cabeceira, sem assinatura, pode ter seu valor discutido.

Emendamos a Constituição, alteramos suas disposições, flexibilizamos suas normas. Tudo pelos instrumentos que ela própria prevê.

Isso pode.

Mas quando alguém propõe mudança, quantas vezes o debate deixa de ser sobre o conteúdo e passa a ser sobre as intenções atribuídas a quem propõe?

Eu realmente tenho dificuldade em compreender.

Parece que até a interpretação de texto depende de quem o lê, de quem o noticia e de quem será atingido por suas consequências.

E me lembro daquela velha máxima: aos amigos do rei, tudo; aos indiferentes à lei e aos inimigos medidas 24 horas por dia até se chegar a prisão.

Hoje, minha preocupação é ainda maior: que até a aplicação da lei possa ser percebida como parte dessa distinção.

Não é esse o Brasil que imaginei viver.

Mas é o Brasil cujas escolhas coletivas precisamos enfrentar.

Que cada um seja responsável por suas escolhas e arque com as consequências.

Inclusive aqueles que, em nome da lei, têm o poder de aplicá-la.

Porque não basta que a Justiça seja rápida.

Ela precisa ser igual.

Simples assim.

A Dior, os bárbaros e uma sociedade que desaprendeu a pensar!

Cerca de dez anos atrás li um livro muito interessante. Chama-se a invasão vertical dos bárbaros. É uma reflexão filosófica de Mario Ferreira dos Santos sobre a deterioração dos valores culturais e do empobrecimento intelectual de uma sociedade.

Ja estava incomodado com esse duelo que fazem as marcas. Pessoas consumindo ostensivamente objeto com logo como se fosse melhor. Isso se tornou um estilo de vida, a meu ver equivocado.

Uma camiseta pode ser melhor do que a logomarca.

Questiono esse estilo de vida não é de hoje.

Me espantei com a enorme quantidade de Brasileiros espantados e tristes por conta dos ataques a Dior, que a propósito ja deixou de ser uma marca francesa ha muito tempo.

Meu deus!!!

Resolvi portanto sintetizar o que senti no vídeo abaixo.

Confira

Aprender renunciar é também uma conquista.

Hoje fechei o ciclo de mais um aprendizado na minha vida. Veio de forma improvável. Tudo bem, tudo certo. Aconteceu.

Decidir é um processo muitas vezes solitário.

Talvez por isso tenha por consequência aprimoramento pessoal e aprendizado.

No fim do dia estou mais leve.

Isso é o que importa.

A responsabilidade começa em nos

Alfred Nobel deixou um prêmio dedicado à paz.

No Brasil, minha preocupação é que continuemos concedendo reconhecimento político a pessoas e estruturas sem exigir delas a correspondente prestação de contas.

Estamos efetivamente defendendo a democracia ou apenas protegendo aqueles que falam em nome dela?

Essa pergunta não se dirige exclusivamente aos políticos. Também exige coerência de quem critica.

É por isso que mantenho meus textos, minhas falas e meus parágrafos.

Não significa que eu jamais tenha errado ou mudado de opinião. Significa que considero mais importante reconhecer minha trajetória do que tentar apagá-la.

Não apago minha história. Eu a vivo todos os dias.

Simples assim.

#Democracia #Nobel #PolíticaBrasileira #Justiça #Transparência