Dia de Finados: cinco anos depois o que ficou para trás..

Hoje é Dia de Finados.

Para quem acredita, como eu, é uma data de enorme significado. Um momento de reafirmar nossa fé na vida eterna, na certeza de que a morte não é o fim, porque há vida em Deus por meio de Cristo.

Mas também é um dia para refletir sobre aquilo que deixei para trás.

E não falo apenas das pessoas que partiram. Falo dos hábitos que abandonamos, das convicções que revejo e até da importância que um dia atribui a determinado bem material.

No dia 2 de novembro de 2021, publiquei um texto chamado iPhone — Lei da procura sem oferta.

Cinco anos depois, a mudança se confirmou.

Hoje, utilizo um MacBook e um iPhone, mas meu trabalho também funciona com dois computadores Windows e um telefone Android.

No campeonato dos computadores, a Apple, que antes ganhava por três a zero, agora perde por dois a um.

Curioso, não?

Enquanto a empresa anuncia sucesso, minha experiência individual como consumidor conta uma história diferente.

Isso não significa que seus resultados estejam ruins… mostra que os números não contam necessariamente a história de cada cliente.

Tudo é uma questão de perspectiva.

E talvez seja essa uma das reflexões que o Dia de Finados me proporciona: compreender que existem ciclos que terminam, valores que mudam e coisas que deixam de ocupar o lugar que antes tinham em nossas vidas.

Mas, acima de tudo, hoje é dia de reafirmar aquilo que permanece.

Os bens materiais passam. As preferências mudam. A própria vida se transforma.

A esperança na vida eterna, em Cristo, permanece.

Simples assim.

https://pedrolvaz.com/2021/11/02/iphone-%f0%9f%93%b2-lei-da-procura-sem-oferta/

Dez anos depois: o que realmente evoluiu na democracia brasileira?

Era 30 de outubro de 2016.

Naquela data, escrevi um texto intitulado Mais uma etapa da democracia brasileira.

Dez anos depois, volto àquela reflexão e me pergunto: o quanto realmente evoluímos?

Novas eleições, velhos governos, novas promessas e incontáveis discursos sobre democracia.

O calendário avançou. Mas será que o país avançou na mesma proporção?

Ainda que a abstenção tenha diminuído e mais brasileiros tenham comparecido às urnas, isso não significa, necessariamente, que estejamos vivendo melhor.

O clima político me parece mais hostil. A confiança nas instituições continua sendo objeto de disputa.

E segurança, educação e qualidade de vida permanecem no centro das nossas insatisfações.

Isso me leva a uma contradição.

De um lado, observo a capacidade de mobilizar milhões de pessoas durante o processo eleitoral.

De outro, percebo uma enorme dificuldade de transformar essa mobilização em um projeto duradouro de país.

A cada eleição, parece que recomeçamos do zero.

Mudam os slogans, mudam as promessas, mudam os personagens. Mas muitos dos problemas fundamentais permanecem.

Hoje vivo num Brasil que não imaginava encontrar quando escrevi aquele texto, em 2016.

E o que mais me preocupa não é exclusivamente a política.

É a dificuldade de convivência entre pessoas que pensam de maneira diferente.

É perceber como o debate público pode se tornar hostil, mesmo numa sociedade que tanto fala em democracia, pluralidade e respeito.

A evolução que eu esperava como cidadão não se mede apenas pelo número de eleitores nas urnas.

Também se mede pela qualidade das instituições, pelo respeito às diferenças e pela capacidade de transformar decisões coletivas em melhorias concretas.

Não questiono o direito de cada pessoa fazer suas escolhas.

Questiono a responsabilidade de viver com as consequências delas.

A apuração dos votos não encerra o processo democrático.

Depois dela, continuam existindo a oposição, a fiscalização, a obrigação de cumprir as promessas e o dever de prestar contas.

E também existe a responsabilidade de quem votou.

A democracia não pode se resumir à celebração de uma vitória ou à lamentação de uma derrota.

Ela exige acompanhamento, participação e cobrança permanente.

Em 2016, eu tinha expectativas sobre o futuro do Brasil.

Em 2026, continuo fazendo perguntas semelhantes.

Não porque ignore o valor das eleições, mas porque considero insuficiente uma democracia que se limita a reproduzir disputas sem enfrentar seus problemas estruturais.

Dez anos depois, minha pergunta permanece:

Será que estamos construindo um país melhor ou apenas aperfeiçoando a forma de nos manter no poder?

Simples assim.


Este texto retoma uma reflexão publicada originalmente em 30 de outubro de 2016.

Leia o artigo original — Mais uma etapa da democracia brasileira

Tcha tchan. Dormir não significa descansar…

Há alguns anos, escrevi um texto chamado Tcha tchan!. Era uma brincadeira com Jackie Chan e o Stilnox, medicamento que eu utilizava para conseguir dormir.

Na época, achei engraçado.

Hoje, nem tanto.

A reflexão é sobre o uso do zolpidem e o que parecia ser a solução se tornou um problema.

Confira no video

O Brasil da fila dupla

Domingo passado, fui tomar café da manhã num estabelecimento que frequento há aproximadamente dez anos.

O que deveria ser apenas um momento tranquilo acabou se transformando numa reflexão sobre o Brasil.

Saí daquele café pensando que talvez as pequenas cenas do cotidiano revelem tanto sobre a sociedade quanto os grandes acontecimentos noticiados.

Uma fila desrespeitada. Um carro estacionado irregularmente. Outro motorista repetindo a mesma conduta.

E a naturalidade com que tudo isso acontece.

Não é preciso um grande escândalo para perceber a distância entre aquilo que cobramos dos outros e aquilo que estamos dispostos a fazer.

Uma sociedade não se organiza apenas com leis. Organiza-se quando as pessoas compreendem que também estão sujeitas a elas.

Essa é a reflexão que levo daquele café da manhã.

Esse foi o teor da reflexão e do video que gravei

Assista

Sete minutos. Para todos?

Tem gente que diz que Flávio Bolsonaro fugiu.

Eu já entendo que ele resistiu.

Mas o que realmente chama a atenção não é a escolha dessas palavras… São os sete minutos.

Sete minutos depois da confirmação do resultado eleitoral, já havia um pedido de medida restritiva contra ele.

Curioso, não? Quantos outros poderiam surgir?

Num país em que a Justiça pode levar anos para decidir, descubro que o Poder Judiciário e algumas outras instituições conseguem funcionar com uma velocidade impressionante.

Entendo que rapidez não é ilegalidade.

A pergunta e: essa eficiência está disponível para todos?

Porque, estranhamente, as instituições democráticas, justas e imparciais parecem funcionar vinte e quatro horas por dia para uns e para outros, nem tanto!

Como advogado, o que me incomoda não é a existência das leis. É a forma de aplicação casuística delas.

Tudo e tecnicamente fundamentado em dezenas de paginas . Lei, doutrina, jurisprudência. Uma construção jurídica aparentemente impecável.

Mas será que os mesmos critérios são utilizados para todos?

A minuta de escritura encontrada na mesa de cabeceira, sem assinatura, pode ter seu valor discutido.

Emendamos a Constituição, alteramos suas disposições, flexibilizamos suas normas. Tudo pelos instrumentos que ela própria prevê.

Isso pode.

Mas quando alguém propõe mudança, quantas vezes o debate deixa de ser sobre o conteúdo e passa a ser sobre as intenções atribuídas a quem propõe?

Eu realmente tenho dificuldade em compreender.

Parece que até a interpretação de texto depende de quem o lê, de quem o noticia e de quem será atingido por suas consequências.

E me lembro daquela velha máxima: aos amigos do rei, tudo; aos indiferentes à lei e aos inimigos medidas 24 horas por dia até se chegar a prisão.

Hoje, minha preocupação é ainda maior: que até a aplicação da lei possa ser percebida como parte dessa distinção.

Não é esse o Brasil que imaginei viver.

Mas é o Brasil cujas escolhas coletivas precisamos enfrentar.

Que cada um seja responsável por suas escolhas e arque com as consequências.

Inclusive aqueles que, em nome da lei, têm o poder de aplicá-la.

Porque não basta que a Justiça seja rápida.

Ela precisa ser igual.

Simples assim.