O lanche não é de graça

Não é de hoje que fico surpreso ao perceber certos exageros de alguns prestadores de serviços em nosso dia-dia.

Fato é que nos acostumamos muito rápido a receber qualquer benefício.

E como vivemos um período de muito egoísmo nas relações pessoais e pobreza de espírito de outros, nesse tiroteio cego muitas vezes contra a humanidade, quem tem olho reina.

Se não quiser olhar também não tem problema, toma aí um lanche, aceite esse mimo e não reclame.

Assim foi que pedi um teste de Covid para um laboratório que agendou o exame aqui em casa e tomei alguns sustos.

O primeiro foi com o valor, próximo de meio salário mínimo. Me pergunto quem da classe trabalhadora e que tem seus proventos sem correção consegue arcar com esse valor?

Segundo quando recebi a profissional, super prestativa, educada e organizada a ponto de registrar atendimento, prestar informações e trabalhar por planilha – e não celular – confirmei que de fato não há tecnologia que substitua nossos processos neurais de assimilação, processamento da informação e execução.

O maior deles foi quando ao final do exame recebi em uma caixa de papelão dura e personalizada um lanche contendo 1 suco, 1 sanduíche pão de miga misto, 1 pacote de torrada marilian, 1 polenguinho e 1 goiabinha.

Este pacote me foi entregue pela profissional com grande entusiasmo e satisfação. Como se fosse merecimento e compensação pelo exame que acabara de realizar ou mesmo compensação pelo que havia acabado de pagar.

Recebi a caixa surpreso, tão surpreso quanto fiquei ao receber a profissional de prope, uniforme coberto por um avental do pescoço ao braço, face shield, máscara e touca. Já adianto que a diferença dela para as mulheres que vivem nos Emirados Árabes é nenhuma.

Quando desperdício.

Quem faz esse lanche? É algum terceirizado? Quem determinou a compra das embalagens duras de material acartonado? quem contabiliza o custo de ter que comprar e fornecer isso para toda a rede de diagnóstico? Esse lanche é de graça?

Se não for porque existe esse tipo de demanda e gasto até para exames que não tem sentido?

Me recordo quando pequeno cansei de fazer exame de sangue em laboratório particular e naquela época, ou seja, 35 anos atrás, ainda que em jejum, não recebia qualquer tipo de brinde.

Provavelmente naquela época não haviam muitos prestadores de serviços terceirizados, os funcionários assim por dizer eram contratados e ainda que naquele tempo não havia o reconhecimento de direiro e proliferação de classe de trabalhadores e sindicatos, tudo funcionava melhor ainda que com menos pessoas, estas tinham poder, gestão e responsabilidade.

Há cerca de 25/30 anos atrás os gerentes de agências bancárias tinham mais autonomia do que os sistemas de hoje. A fila do banco era maior porém os problemas eram resolvidos naquela hora. Hoje canso de ser atendido rapidamente e submeter os pedidos para alguém e esperar ate o sistema processar, ou seja, alguém em um cargo maior apertar o enter.

De um tempo para ca parece que a sociedade se estruturou em torno de agregar valor ao serviço ainda que seja pela falta de gestão ao assumir custo pelos terceirizados do que fazer contas.

E por ai vai, o laboratório distribui lanche a torta direita e esta normal.

Não fico feliz pelo lanche, o que me impressiona é a eficiência e baixo preço e decisões racionais. Quem faz exame em casa, ainda que estivesse de jejum, não precisa de lanche, afinal esta em casa.

Também me perguntei se a exigência de lanche seria por força de alguma resolução da ANS e decisões do Conselho Regional de Medicina. Ainda que não saiba a resposta, espero que não seja esse o caso.

Ainda que estejamos vivendo um tempo estranho, em que o Governo achaca os empresários para consecutar seu projeto de cidadão, no programa que finge dar o mínimo de estrutura, e por ela gasta bilhões de reais sem que esse dinheiro realmente chegue em forma de serviços eficientes a população, esse tipo de normatização não é atribuição do Estado e de Agência Reguladora, quanto mais do Conselho de Medicina.

Ontem li um tweet do secretário municipal de educação desejando melhor estudo as crianças com acesso a cultura e esporte.

A ideia é politicamente correta porém a execução é pessima. O dia que um político e secretário entender que dinheiro com obra não é educação; que a proliferação de cursos e congressos de atualização não é educação; que merenda não é educação; que transporte escolar não é educação; que educação não é tempo integral e atividade escolar e sim professor valorizado e escola sem ideologia, nos vamos em frente.

Vamos viver um tempo em que as pessoas serão valorizadas e não as instituições, e vamos perceber que essa fidelização pela forma primaria de oferecimento de serviços inúteis e gestão estrutural disso não é merito e sim burrice, daí porque muitos não aprendem a pensar, somente seguir o criador.

Perceberemos que o lanche não é de graça. Ate quando?!

Midia social… não, é sentimental mesmo!

Nunca antes imaginei que seriam as emoções o principal arsenal e vilão do mundo moderno.

É por elas que vejo muitos se desconectarem do cotidiano para imergir no que outros estão fazendo e sentindo.

A cobiça a vida alheia vem aos poucos avançando para englobar também a felicidade alheia.

Em comum reparo que muitos quando perguntados o que é isso, que felicidade é essa, respondem sem titubear “ah é instagram” e por aí vai.

Se antes o Facebook me chamou atenção e me impreesionei com a quantidade enorme de sentimentos disponíveis para descrever quem, como e onde estava sendo/fazendo/sentido no dia dia.

Hoje vejo o quanto retrocedemos. De lá para ca tivemos a invasão dos emoticons, dos stickers e até mesmo de tik tok onde tudo é liberado. É ser ridículo sem barreira. Isto é felicidade ou padrão de comportamento?

Aqui nenhuma crítica a quem usa, vale sempre lembrar que isto é uma observação a forma pela qual estamos mudando a forma de expressar senão pelas palavras vamos pelos sentimentos.

Me diga o que voce sente ao ver um vídeo daqueles… não diga, faça um e se engaje, sinta que pertença a este mundo fazendo nada menos do que o que todo mundo faz.

Porque no fundo todo mundo é infeliz e não achou outro meio de evoluir e expressar essa infelicidade? Ou porque faz parte da evolução tocar menos e sentir mais.

Evoluir não é ligar para ouvir sua voz, cuja escuta processa outra emoção ao vivo, instantânea e que requer portanto conteúdo para estabecer, manter e terminar o diálogo.

Não, interações pessoais são coisa do passado. Coisa de quem não usa autocorretor em texto, de quem ainda tem dicionário impresso em casa, ou se quem reluta ter carro elétrico simplesmente porque não valoriza interface e software sobre o que a maravilha da engenharia produziu.

A cada dia que passa sinto que sou menos desse mundo, ou ao menos da geração que ai esta e tenho dúvida se a minha percepção e opinião são mesmo enriquecedoras ou retrato do período que vivi.

A que chamamos a cooptação da emoção sobre qualquer experiência ou ate mesmo sua valorização exacerbada como meio de vida?

Parece burrice, ou mesmo o padrão atual de vida, engajamento, like e por ai vai.

Uma pergunta: da para ser feliz com tantos pensamentos complexos e sem resposta? Claro. Tanto por dentro quanto por fora. E ainda consigo amar, cuidar dos filhos, escutar musica ao passo que escrevo esta reflexão de domingo.

Boa semana!

Tem algo (estranho) no ar

Hoje pela manhã respondi de forma dura o tweet do secretário de saúde que informou não haver problema com Covid no Rio exceto por 2% das pessoas que não vacinaram.

Ele não se importa.

O alerta esta no fato que pessoas 100 por cento vacinadas em 2-3 doses estão com Covid e isso não esta legal. Nesse contexto em que é normal ter Covid sem sintoma mais grave não descarto o surgimento de nova variante cujo nome ja sugiro: variante paes.

A propagação do virus não tem sido bem aceita. Diz o mundo que isso não esta legal. Vários países se fecharam por conta do alto grau de contágio. Nenhum tem por base a mortalidade ou internação.

Enquanto isso, estamos bombando, o Rio esta aberto as festas e recebendo turistas.

Não há distinção entre o alegado negacionismo do presidente com o liberalismo do governador e prefeito do Rio de Janeiro.

Comum entre eles, ambos são coniventes com a transmissão comunitária para tentar criar a imunização de rebanho.

No Rio fiquei estarrecido com a forma pela qual o setor hoteleiro pressionou para manter a cidade aberta no Reveillon e Carnaval. Porque? Qual o interesse desse setor? O que representa em número? Tem dinheiro na mesa? São alertas e perguntas que ficam no ar a partir do momento em que a política pública se volta para esse setor. Outra coincidência, disseam que este ano seria pautado o projeto de Lei que autoriza Bingo.

Fato que ano passado, enquanto a guarda estava alta, e as pessoas mais isoladas, não havia papo de gripe, nem preocupação com a transmissão.

Hoje é comum ouvir relato de pessoas que estão gripadas, algumas sem querer saber se tiveram ou não Covid.

Porque?

Sera porque se deram conta, dois anos depois, que tomaram vacina e isso não resolveu a questão do Covid? Ou talvez porque nem mesmo depois de vacinados estão dispensados de usar máscara?

Bom lembrar que contra essa doença estamos em guerra. Somos soldados de guerra cujo inimigo é invisível.

A percepção que muitos estão cansados da batalha é visível. Não estou nem a considerar os que usam máscara com a napa para fora. Ainda que os ignore porque talvez tenham bafo, ou sejam mal educados, é alarmante o fato que nossos soldados cansaram.

No caos aumenta ainda mais o efeito Bird Box daqueles que, vacinados ou não, de direita ou esquerda, conclamam os outros a sair, viver e sentir a realidade. Vem ca. Saia de casa. Vem ver. Que lindo. Não tenha medo. Esta tudo bem…. Até você pegar, entender que não vai embora rápido, que demora, que parou de sentir cheiro e/ou gosto, se não tiver outro pehengue até melhorar.

O tweet da minha amiga e reporter adaptando a expressão segura peão para segura Covid em comemoração a cidade que esta cheia e bombando é infeliz. De extremo mal gosto. Mal colocado. Por outro lado reflete a forma perdulária pela qual aqueles que estamos habituados de ver e ouvir falar do dia-dia estão cansados, botando o povo as ruas.

Lamentavelmente a TV Globo estabeleceu, ao que parece, um pacto com os governos no sentido amplo. A par da comum reclamação do Bolsonaro, que se tornou rotina, o unico foco é falar da internação dos que não foram vacinados. Nenhum juízo de valor no aumento das internações, da contaminação, e dessa política de normalização do contágio.

Estamos na contramão do mundo nesse foco.

Senti bem o aumento de casos quando fui repetir meu exame de sangue no Richet de Botafogo que é sempre vazio.

Desta vez, lotado! Em sete dias a calmaria virou um caos, cenário de guerra. Gente chegando reclamando de febre, visivelmente abatida. Gente aparecendo com e sem marcação. Eu demorei 2h de espera para fazer o cadastro diante de tantos agendamentos e 30 minutos para fazer o exame.

E as seguradoras são perversas, testemunhei a espera de 40 minutos de uma senhora cuja seguradora estava demorando para autorizar. Fiquei pensando, a que ponto chegamos! O agendamento de exame via seguro requer o prévio envio de documentos e solicitação médica. Nem assim a seguradora foi rápida.

Em comum todas as seguradoradoras parece aprenderam bem a lição Prevent Senior relatada na CPI do Covid. Aprovem o básico, apenas o básico. Demorem para fazer uma triagem da manada eficiente e represando a demanda temos uma suposta eficiência ao dosar o gasto.

A senhora com o filho e uma mãe com 91 anos disse que liberou geral depois da terceira vacina, que não tinha sentido se preocupar.

Então porque estava fazendo o exame indaguei se não tem qualquer tipo de precaução em relação a doença.

Só para comprovar se tem ou não para avisar a mãe.

Ou seja, a consciência pesa! talvez a consciência das pessoas seja a única lembrança do dia de hoje na salvação da cidade quando instados a votar, porque os políticos do Rio tanto do executivo quanto do legislativo estão impunes na autorização dessas grandes festas. E alguém precisa ser responsabilizado por isso. Além do cidadão que se prestou a ser idiota util na consecução dessa política pública.

Enquanto isso, do que adianta ter um protocolo de um número que não é chamado? O que ganhamos na fila do sistema quando o sistema não nos chama? Isso porque não dependo do sus. Se dependesse seria muito pior.

De bom agradeço a Deus por estar superando essa doença vivo. Não sei dizer se a vacina ajudou. Tomei porque não vejo nada de ruim e errado em vacina qualquer que seja. Da mesma forma que muitos não morreram sem vacina, outros vacinados estão morrendo.

Minha crítica não é com isso, e sim com aqueles que eventualmente transmitem sem a qualquer exame moral da história. Afinal fosse uma doença venérea tipo siflis ou hiv todo mundo sai correndo para fazer o exame. Porém no Covid a reação é diferente. Ainda que seja crime passar doença a outro voluntariamente, se for covid parede que isso não se aplica.

Considero que isso é decorrente da falta de instrução e educação, vem desde o berço, quando os pais cansados optaram por dar um tablet ao filho com uso irrestrito. Hoje adolescentes/adultos estão acostumados a viver sua realidade, somente o que lhe interessa e nada mais.

Resumo da ópera: ninguém quer morrer por ninguém, que vergonha, de pensar que Deus morreu para nos salvar.

A (triste) realidade de serviços delivery no Rio

Tem gente que faz de tudo na vida. Outros preferem de cara um conforto. Eu até esses dias nunca me vi numa situação de ter que depender dos outros.

E como tudo tem a primeira vez, uma coisa aprendi nessa luta contra o Covid (afora a irresponsabilidade pessoal, ética e moral de quem me passou e sequer teve a dignidade de uma vez comunicado ir testar) é pedir e aceitar ajuda.

E o supermercado passou a ser o meu primeiro desafio!

Entrei no site/app do Zona Sul, para minha surpresa só poderia comprar até 30 ítens! Como assim? Não escolhi ficar doente a vespera do ano novo. Nem eu, nem ninguém. Ainda que pudéssemos escolher o período para adoecer, o que historicamente numa relação de emprego acontece na segunda-feira feira, certamente após o time preferido ganhar ou ter feito aquele programa auspicioso de domingo, creio ser unanimidade que no ano novo, em especial não.

Ainda que exista quem não gosta, este geralmente posta dizendo que dorme. O fanfarrão ta lá abraçado com alguém no bar, ou na festa. Em comum tem aquele papo que todo mundo usa uma cor, da superstição de santo e por aí vai.

Ninguém escolhe ficar doente na véspera de ano novo, nem de covid, nem de gripe ou qualquer outra doença tipo cancer.

Na impossibilidade de fazer uma longa lista de compras para eliminar esse problema, o impulso do jeitinho criativo (brasileiro) deu um jeito e fiz duas listas de compras.

Isso depois do pehengue de conseguir que o app do mercado aceitasse meu cartão, afinal não havia outra alternativa de pagamento e não sei porque razão estava recusado.

Essa tarefa exige tanta paciência quanto tenho de cuidar dos efeitos colaterais e esperar esse virus passar.

Qual não foi a minha surpresa, das duas compras que fiz, a primeira demorou 4 horas para chegar e a segunda demorou 30 minutos.

Não entendi a lógica do zona sul de fracionar a lista de compras. Percebi que não existe ordem de chegada e de montagem da lista. Os itens mais complexos e que em tese exigem mais tempo chegaram antes dos mais óbvios. Nenhum entregador sabe dar informação de qualquer natureza que seja.

Fato: serviço no Rio de Janeiro é ruim mesmo.

Tudo começou quando a cidade se deteriorou a ponto de banalizar sob o rótulo de cultura a educação. Perdemos a chance de capacitar pessoas com uma ferramenta capaz de lhes dar algo que vai muito além da autonomia de trabalhar para ganhar dinheiro e pagar contas. Tiramos deles talvez a única chance de fazer pensar fora da caixa, entender e lidar com as questões complexas do dia-dia e solucionar de modo eficiente através da tecnologia.

Isto não acontece no Zona Sul. A máquina geradora de tarifa que cobra 15 reais para alguém trazer da esquina o pedido funcionou muito bem. Só que o conteúdo do pedido é tão ruim quanto a falta de instrução.

Se antes da covid tarefas simples como a formação de uma fila para uns ja é quase impossível, agora então fila é coisa do passado.

Fila? Ninguém faz fila. O que precisa ta aqui na telinha do celular, voce da um click, joga para cima no instagram, adiciona no carrinho, taca-lhe pau e vai.

Pena que o mundo não gira na vontade, na foto e nos conceitos do virtual. Ler e opinar sobre um serviço, se não for no reclame aqui ou em ação judicial para buscar um trocado esta em falta.

Os efeitos nocivos dessa falta de instrução são por hora permanentes. Em comum se replicam no efeito pandemia nas múltiplas plataformas. Ja pedi no Rappi e meu entregador se perdeu do Jardim Botânico ao Flamengo acabou em Santo Cristo.

Só depois entendi porque muitos me telefonaram para oferecer ajuda na questão do mercado. É senso comum que nenhum desses meios digitais de compra são eficientes. É tudo ruim, para pior. E para azedar, no Rio de Janeiro, comparado a São Paulo por exemplo é um abismo… para pior.

E não esta ok.

Uma tarefa simples quanto receber uma lista por ordem de chegada e separar produtos solicitados independente do contato para substituição em caso de ausência esta exigindo muito de determinadas pessoas e suas instituições, quem dela faz precisa ler, interpretar, seguir o script, no futuro tarefa de iluminati.

Sinto que assim como na vida, na política e na turma do nhem nhem nhem existe um propósito de desconstruir a sociedade através desse comportamento erratico, da polarização tanto da esquerda quanto direita desse lutas em detrimento de assuntos importantes.

E o reflexo da falta de educação e instrução é uma responsabilidade política de todos os grupos. Até então os projetos pedagogicos fracassaram, as ideias foram ótimas no papel e agora o que se tem é gente escrevendo menine, fazendo interpretação literal e pregando pela constante luta e ampliação de direitos sob qualquer bandeira.

Que náusea, vou parar e me recuperar.

To gripe, or not to gripe, that is the question. A resposta aqui é Covid.

Tanto se fala em gripe na cidade que acordei pela manhã e resolvi fazer um teste, ja que ontem ao longo do dia fiquei congestionado.

Para minha surpresa, 10 minutos depois, veio o resultado a seco enquanto aguardava o Paulo no laboratório.

A atendente passou e falou, voce que é o Pedro né? Acabamos de fazer o exame duplo… então vai para casa, esta positivo.

Como assim? Positivo? Será que o exame não falhou?. Não respondeu a atendente, esta positivissimo. Cerca de 5 minutos depois retornou dizendo que o Paulo também está covidado.

Modo covid ativar: o que parecia uma simples gripe agora é simplesmente Covid.

E isso não é nada legal.

Mal chegamos ao ano novo, tanta propaganda de vacina, tanta máscara 3M nova, tantas viagens mundo afora e deus quis que eu enfrentasse isso no Brasil, ao lado do meu amor.

E na falta de noção de onde veio tenho como marco o fato que domingo dei carona para alguém que depois revelou estava gripado.

Agora entendo o potencial risco que essa gripezinha pode trazer. Também entendi, quando relatei o que passei a todos que ao longo da semana encontrei, a falta de importância em torno do tema.

Eata muito na moda um filme em cartaz horrível que fala do final do mundo. Tem uma galera de esquerda na imprensa querendo se apropriar da história para fazer um paralelo com o governo.

Hoje tenho convicção que tal paralelo não existe.

Se existe culpa nisso é a falta de amor de pai para filho que começa quando o pai opta por entregar um tablet ao filho ao invés de dar amor, educação e instrução.

Isso criou uma massa de pessoas sem dimensão do alcance da mente e que vivem uma teoria da relatividade segundo a qual tudo pode desde que lhe é relativamente legal, animado e conveniente.

Não é legal ter que confrontar esses fatos para escrever estas palavras enquanto felizmente nenhum sinal maior apareceu. Porém o dever se vigilância impõe que sejam escritas, digeridas por todos.

Agora veja so, ontem comi um sanduíche na rua, ainda que assintomático tirei a máscara para comer e beber. Quantas pessoas podem ter sido postas em risco por isso?

Era minha intenção? Claro que não.

Aconteceu…. E tem gente que defende o reveillon e o carnaval… poderia dizer muito sobre isso porém agora vou pensar na nossa recuperação, pensando no meu companheiro.

É sobre isso.

O lado bom da vida 2021

Em meio a tantas dificuldades e desafios no trabalho volto para casa sabendo que o ano esta terminando e apesar de tudo, estou feliz.

Não sinto culpa por essa felicidade apesar do covid e de toda a problemática que este trouxe a humanidade.

Pior do que este vírus são os movimentos sociais criados em torno dele, que julgam e polarizam a questão.

A par desse fato resta hoje a única certeza que cura não há, vamos todos pegar e se muito, uma máscara vai nos ajudar a retardar o avanço até a ciência achar um meio de nos confortar.

Não vislumbro que haverá superação disso. Infelizmente na visão do hoje, teremos que conversar e conviver com isso no dia-dia por muito tempo. E o surgimento de variantes nos faz pensar que isso, de fato, nunca vai acabar.

De tudo o que vi e li com o passar dos anos, restou a percepção que faltou cabeça para pensar fora da caixa como enfrentar essa guerra considerando as peculiaridades da cidade.

Não consigo entender o racional de estabelecer uma faixa de vacinação por idade sem considerar também a faixa de renda da população, afinal os trabalhadores que mais dependem do estado e pagam seus impostos indiretos nos produtos que estão absurdamente caros, essa massa de trabalho ficou para trás. E o aposentado que via de regra fome não passa foi colocado em situação de risco justamente por força da necessidade de estar em contato com pessoas de outras faixas etárias.

O ano passou, o vírus não. Custou. Ainda custa, deprime, causa mal estar e indigestão a qualquer pessoa que tenha sensibilidade de amar, se por no lugar do próximo e compreender a angústia e luta dos que vivem.

Compreendi que home office é bom, nem tanto. A talta de liturgia em torno de tarefa profissional fora do escritório acabou fazendo com que pessoas trabalhassem mais em suas casas do que no local de trabalho.

Porque? Isto é bom? Saudável? Claro que não. Não custa? Claro que sim. Porque o mundo vai girar em torno do tempo de determinadas pessoas em detrimento de normas e regras estipuladas no passado? E porque seu tempo fora do trabalho deve ser valorizado e privilegiado em torno do que o senso comum estipulou por horário de trabalho.

Chamou atenção em uma recente visita a portugal a aglomeração de pessoas em torno da mesa de livros usados na rua. Olhei e me perguntei, se fosse no Brasil o que fariam as pessoas? Porque elas estão agindo dessa forma? É falta de respeito ou excesso de liberdade em relação a responsabilidade que temos com as gerações futuras.

Parece que uma parcela da população esta a deriva, outra cansou de viver e tem aqueles que não tem a menor chance, e aguarda a pátria mal gentil assistir com o pouco de casa, saude e comida porque no Brasil é assim.

O Brasil esta a busca de um grupo de improváveis para ressucitar o que perdemos ao longo de décadas nos mais variados regimes. Se uma coisa todos os regimes implementados ou ao que se submeteu o Brasil tem em comum é que o projeto educacional, de saúde e habitação piorou, e o dinheiro desvalorizou.

Vivemos um sistema de mal feito, corrupto de welfare que se alimenta do assistencialismo em todas as esferas políticas e de poder.

Não importa a instituição pública que trabalha a única certeza que temos é que historicamente são relutantes a corte de cargo e salário. Enquanto na iniciativa privada vejo cliente quebrando e funcionários sem pagamento no setor público tem aumento, e se congelar salario o servidor vira uma máquina antidemocrática. Se for organização social então nem se fala.

O regime é esse, a pessoa para ser compreendida em sua unidade precisa se reunir em comunidade para ter voz na sociedade e fortalecer em última análise sua classe.

E aí vem a grande pergunta: como a percepção de tanta dificuldade pode contribuir um post com o lado bom da vida.

Fácil ainda que o caminho seja difícil. A par das dificuldades no trabalho muito prejudicado pela falta de confiança no poder judiciário que modernamente pela cabeça de alguns mediocres que estão no topo do poder e baseiam suas decisões na comoção social, repercussão internacional como justificativa pessoal para enviezar texto plano de Lei, procurei sair da caixa e organizar a vida atento ao que ela me traz.

Assim como Tom Hanks no filme o Naufrago me vi só. Ao longo do ano procurei no tempo livre reconectar com pessoas que me entendem, ou me respeitam, concordando ou não com o que leio e escrevo. Isto esta bem.

Cultivar o respeito a opinião do próximo é enriquecedor. Tenho vivido meus pais e minha família intensamente. Ainda que o senso comum nos diga que toda família é igual, sim, vivemos todos o imponderável na vida e suas emoções, sinto que sou amado e compreendido por aqueles que me amam, e isso vai além da tolerância e aceitação.

E para estes meu erro é amor da mesma forma.

Aprendi a receber, lição essa que por anos me foi negada aprender e posterior difícil compreensão por sempre ser proativo, sem horário e dotado de uma visão de vida singular, pelo meu lado amoroso e acolhedor feminino.

Não vou ficar de braços cruzados não. Procurei driblar as dificuldades como pude, rodei 50-60 mil kilometros de carro em viagens de 10-12 horas enquanto tinha medo do virus e estava sem vacina, ainda que estritamente necessário. Sou para o meu trabalho, e para aqueles que de mim dependem, pelo que meu trabalho significa ao cliente, o mesmo que o médico foi em hospital de campanha: trabalhador e lutador.

Tenho a felicidade de gerenciar um pequeno grupo de advogados que estão comigo ha mais de 10 anos, todas as dificuldades pessoais e processuais em torno disso, minhas, da justiça e deles.

Consegui com muito esforço e luta devolver a sociedade um pouco do meu trabalho através da associação Amparo na padaria social que faz pão para quem tem fome e da emprego para quem precisa. Através dela me reconectei a cidade, suas diferenças e desigualdades pelas pessoas em alto grau de vulnerabilidade.

Consegui reconstruir minha vida amorosa ao Paulo que entrou no bonde andando, terceiro casamento, cachorros, minha vida e vida dele para cuidar. Por mais que eu faça, melhor, tudo que eu fizer a ele será insignificante diante do que ele representa, faz e me fortalece. E tenho consciência dos meus problemas e soluções tanto na esfera pessoal quanto profissional.

Ate mesmo Alice minha amada e idolatrada filha teve uma doença que durou exatos 10 meses para ser curada conseguimos tirar ela dessa com muito carinho, amor e cuidado.

Me reencontrei com Deus pela terceira vez, quando uma situação de saúde alarmante me incapacitou por um mês ele veio por alguem me dizer “meu filho como esta sua fe diante disso”

Oh Deus não sou digno de sua graça e peço misericórdia pelos meus atos. Milagre em minha vida não se tornou recorrente a toa, tenho consciência embora não saiba a dimensão do que ele tem planejado para mim.

Uma vela para amigos, familia, pessoas especiais e para a humanidade.

Exceto pelo fato que a par de tudo, de todos, menines e por ai vai, como bem cantou e definiu Elton John, estou de pé com a fe, força e sorriso inabalável para o final de 2021. Esse sou eu.

E vivi os 50 anos de casados dos meus pais. Tem felicidade maior do que essa?!

E isso é o que desejo a todos. Prosperidade no sentido amplo da palavra. Foi isso que esse ano tenebroso também me trouxe e mostrou, o lado bom da vida.

Não é nada fácil não, também não é impossível, bora tentar?!

App vilão, falso ou verdadeiro

Parece que chegou no Brasil o que reparo vem sendo tendência mudial de cobrar e oferecer servico sem responsabilidade, porque ao final o tomador é apenas uma interface entre quem contrata e entrega e exime-se da responsabilidade.

Então voce chama um carro no Uber que não de responsabiliza pelo motorista nem pelo transporte apesar de descontar uns centavos da corrida.

A inversão na transferência de responsabilidade de aplicativos para usuários é uma nova constante. Tão perversa quanto a falta de personificação dos que nos respondem via app.

Derrepente a PJ assina tudo sem e as mensagens, e-mails chegam sem que por trás disso haja um responsável. Parece ser normal esse atendimento ineficiente, e ja digo que não é.

Pior do que o serviço é depender da tecnologia para reparar os erros que acontecem.

Nessa viagem em lua de mel reservei um hotel pelo Booking. Tudo certo, data certa, quarto escolhido, cartão cadastrado e na hora de apertar o “confirma” recebi uma mensagem de débito no cartão e uma caixa de texto no app dizendo que o quarto selecionado não mais existia, para procurar outro.

Como assim? Você debitou do meu cartão o valor não reembolsável da estadia e agor, Como fico?

Me dei conta do risco da operação quando derrepente vi o dinheiro ir embora sem que haja no booking canal direto para retorno.

Estranho ne? Existe no aplicativo uma area de suporte que tem como pre requisito selecionar o hotel objeto do suporte. Bem, no meu caso não existia vez que a reserva não foi feita portanto os itens iniciais do pedido de suporte como confirmação da reserva, e-mail com os dados e pagamento não existem e não se aplicam a mim.

Derrepente a experiência de reservar um quarto e ser o senhor do meu destino virou um caos. Porque não liguei para o hotel pessoalmente e marquei o quarto sem aplicativo.

Essa tarefa no passado delegada a agente de viagem hoje renegada aos usuários de aplicativos esta longe de ser bem realizada.

Sem qualquer auxílio pelos menus que me assistem no aplicativo e depois de perceber que estava chegando à exaustão, localizei uma caixa de suporte que abria uma interface similar a do SMS.

E naquela pequena caixa de texto disse que estava em trânsito, havia selecionado um quarto no hotel tal e depois da confirmação e debito pelo booking recebi uma mensagem via app informando que estava cancelada.

Depois de algum tempo recebi uma mensagem dessa vez do customer center solicitando, em prosseguimento ao atendimento, que fosse informado o codigo de reserva.

Sera que não leram? (Nao) havia dito que não recebi codigo de reserva apenas fui debitado do valor da estadia pelo booking.

A resposta seguinte, passado uma hora concluiu que como o hotel havia recebido R$ 0,00 não haveria o que restituir.

Nesse momento a paciência ja vai sendo perdida, posto que ninguém realmente leu a mensagem e assinou o e-mail. Respondi pela terceira vez informando que por óbvio o hotel não havia recebido valor pois o debito e cancelamento veio do booking.

Nessa resposta tive o insight de pegar o e-mail de resposta que parece uma chave criptográfica @sabe-la-quem-e-qual-dominio e colei a foto do debito do cartão.

Quando então veio outra mensagem dizendo que não se tratava de debito e sim pre autorização. Como assim? O valor consta la na fatura meu limite foi comprometido portanto paguei essa estadia.

Somente então recebi um e-mail horas depois dizendo que pena o hotel não aceitou a reserva, quer tentar novamente.

Não! Quero sair correndo gritando cade o meu dinheiro. Dedo no cu e gritaria. Chute porrada e bomba. Ainda que nenhum desses desejos se pudessem realizar a resposta assinada “booking” encaminharam outro e-mail informando que dariam início ao procedimento de estorno e que o valor retornaria de 7 a 12 dias.

Perverso isso, então ele cobra pela venda do que não existe, segura o dinheiro por um tempo sem qualquer ônus e responsabilidade.

Voltando a caixa de mensagem do primeiro atendimento escrevi que a resposta não era satisfatoria. Poderiam até creditar o valor na carteira do app (e todo mundo ta criando uma wallet) ou me devolvam de IMEDIATO, afinal estava em trânsito e contava com o estorno para fazer frente ao novo hotel.

Precisei encaminhar outros 7 emails, colocar o ecadeamento das mensagens ate receber um código de devolução para informar o cartão e solicitar por lá a devolução.

O que consegui em horas com muito desgaste tem gente que não consegue.

Final do dia somos muito prejudicados pela falta de responsabilidade dos aplicativos que se monetizam as custas dos outros, pessoas e empresários.

Ate quando? Vamos repensar?!