Não raras vezes olho para trás. É um exercício que faço para seguir em frente com a bússola calibrada pelas experiências do passado. Durante algum tempo acreditei que para ser maduro deveria aprender a conviver com todos.
Por isso me obriguei por vezes, e a força, a tolerar mais, explicar mais e relevar mais. Tudo para sustentar aquele filme do que sou, onde e com quem estou e o que faço na linda, leve e bela história da vida. Conto de fadas como a tia ensinou na escola.
Sem tempo para pensar, confundi convivência com permanência.
Hoje, aos 50 percebo que permanecer é escolher. Todos os dias acordo escolhendo edificar o amor que construi la em casa. É tao genuíno que transborda e escuto de muitos como é lindo e boa a energia.
Nada embora natural, é fácil. A escolha exige critério, consistência e permanência. Logo, por obvio e trivial, vejo que nem toda relação atravessa o tempo intacta. Algumas envelhecem mal, outras se transformam.
Cada uma no seu tempo e complexidade, creio ser verdadeira a percepção que muito poucos amadurecem junto com você.
Há quem goste da minha versão antiga, mais disponível, menos criteriosa, mais tolerante, conivente, e porque não, conveniente.
Tudo certo exceto o fato que mudei. Foi quando percebi e me dei conta que o desconforto aparece, a seleção acontece, tudo de forma velada e não declarada. É um processo silencioso e omisso. Derrepente a gente se vê sob ataque.
Coisa de maluco ter que encontrar aquela voz para impor limite e deixar de ser util. Circunstância que ensina.
Ensina que existem pessoas que se dizem próximas e ao mesmo tempo omitem informações, situação que degrada o vinculo. O amadurecimento revela que lealdade não é conveniência.
Sou leal a quem ja foi embora ou permaneceu por habito na tendo saído. Na fase atual, já não insisto e não diminuo quem sou para caber na vida de alguém. Porque? A troca deteriorada desequilibra a relação a ponto que não faz sentido buscar.
Decidir e seguir importa afrontar o medo da ruptura.
Creio por isso muitos vínculos que tenho não vão acabar, e não é pelas relações que fiz e sim pelo caráter através do qual enfrento as questões.
Mesmo em conflito, essa fase decisória acaba com o silencio, me deixa mais sereno e consciente de algumas verdades nisso tudo.
Aos 50, quem fica agora, fica por escolha. Não por dependência, costume e/ou obrigação. Fica porque há verdade.
E talvez essa seja a grande diferença desta fase da vida: Menos gente e ruído, mais profundidade e clareza.
Aos 50, não me preocupo mais em ser aceito por todos. Preocupo-me em ser inteiro com poucos.
E isso basta!!



