Menos trabalho,  mais ilusão.

Não é facil ser voz dissonante em temas de grande repercussão social.

No Brasil, parece que o mais facil é viver a favor da maré, exatamente como fazem alguns políticos, influencers, comentaristas e jornalistas do que pensar as causas que realmente causam problema.

Venho acompanhando a discussão sobre a PEC que busca alterar a constituição para o fim de reduzir a jornada de trabalho.

Pois é. O que diria Ulysses Guimarães, deve estar se remexendo no caixão.

Esse debate, que mais é uma imposição do que discussão, foi a forma que o governo encontrou para se esquivar do verdadeiro problema convenientemente ocultado.

Em outras palavras, fazem do limão uma limonada cujo resultado, parafraseando a grande filosofa Dilma, quem perde e quem ganha nem perde nem ganha, todos perderão ao final.

Decadas apos a edição do Plano Real, nossa moeda perdeu significativamente o poder de compra. Os juros venceram.

Uma parcela grande da população vive de algum tipo de auxilio (do leite, gas e até recentemente veículo de aplicativo) muitos sem perspectiva de saida.

Comum a todos que usam, estão cansados, endividados, perdem horas em transporte público quando precisam se locomover e enfrentam, como eu, a fila do SUS.

Ocupados não nos damos conta do absurdo que é mudar a constituição para o trabalhador ter menos tempo de trabalho e mais tempo para a familia como se isso realmente fosse acontecer.

Justo seria, ao inves dessa “mea culpa” pelo caos social instaurado,  pensar nas garantias constitucionais ate hoje não conferidas ao trabalho.

Seja qual for o trabalho e função, tenho certeza absoluta (tipo aquela que os comentaristas do globonews tem e afirmam para embasar e impor suas próprias conclusões) que nenhum trabalhador ganha um salario capaz de atender necessidades basicas como aquelas enumeradas no artigo 7 da constituição. Algumas as quais garantem a todos o direito a moradia, alimentação, lazer, saúde, educação, transporte, tudo isso com dignidade.

No Brasil, com moeda fraca, juros altos, serviços públicos caros e ineficientes, ficar mais um dia em casa vendo a erosão do poder de compra todos os meses, não vai rolar.

Fica mais barato deixar o povo com o pouco que tem mais um dia em casa, aumentar a carga tributária do empresário taxando ate mesmo os dividendos do que olhar para o próprio umbigo.

Isto é uma vergonha.

Quando a discussão sobre a criação de uma nova carteira de trabalho com menos encargos apareceu foi logo abafada porque era ruim para o trabalhador.

Ele nada ganhou, paga imposto indireto altissimo então vamos fazer o seguinte, aumenta o valor de isenção de IR, deixa ele mais um dia em casa para ser feliz e vamos seguir em frente com a plateia.

Não ha lanche de graça. Trabalhar um dia a menos acarretará invariavelmente em algumas alternativas, dentre elas, o aceleramento da automação que vai gerar desemprego (cujo vilão hoje é a IA), inflação, aumento de preço e ate redução de vaga, fora a contratação informal.

E o destino todo mundo ja conhece, o de cima sobe o de baixo desce.

Me espanto ao ver advogados fazendo posts defendendo esse absurdo, simplesmente para surfar a onda da midia e repercussão, ao inves de pensar e cobrar do Estado onde estão errando.

Empresas existem para dar lucro,  politicos existem para gastar mal e alguns ainda roubam a máquina publica, todos eles estão sempre ganhando… e trabalhador existe para seja qual for o turno ganhar dinheiro que dignifique seu trabalho e sacrifício em prol da coletividade. Tudo isso equivocadamente ignorado, e muitos se reajustarao a escala reclamando da falta de pagamento de hora extra.

Ate quando?

Um dia de cada vez

Como você lida com o medo e a insegurança?

Ao final da Serie 50 percebi um certo vazio. Junto com ele também vieram muitas perguntas. Praticamente todas, sem resposta.

Isso acontece sempre que tento prever algo futuro e que no presente é inconstante.

Logo em seguida vem o cansaço.  A lucidez em relacao a indefinicao do presente amplifica o peso acumulado. E não ha nada de bom aí não. 

Para alem do cansaço mental, tenho insônia. 

Esse é o preço que pago por sempre querer assumir responsabilidade ao longo da vida como se fosse o único meio de caber em alguma caixa.

Ahhh Pedro,  isso lhe causa tremendo desgaste. Novidade,  não é só em você não,  vale para qualquer pessoa.

O problema acontece quando essa situação se prolonga e rodo em ciclo. Essa circunstância fomenta inúmeras perdas,  seja de energia,  confiança, perspectiva e por ai vai.

Logo percebo que a confiança em mim diminui na medida em que busco evitar pessoas e situações.

A interpretação disso não é boa, pode significar fraqueza e dai surge o medo.

Como sair disso?

Que tal parar com as previsões emocionais. Independente do que penso, melhora quando não mais me dou ao trabalho de racionalizar “o que vai dar errado” e “do que estou sem saida”.

Ao fundo do poço,  consigo reduzir o tamanho do problema e pensar qual é o próximo passo.

Também tento alimentar meu ego com as eventuais grande ou pequenas vitórias. Isso ajuda a retirar do pior momento aquela sensação que ele representa quem eu sou.

Isso tudo é importante para reduzir o cansaço emocional e me levar a crer que a vida importa. Os problemas importam. A sensação de não ter saída não é eterna.

E tem um ponto importante.  Se o ocio me gera medo e insegura,  é porque sou responsável e lúcido.

Quanto mais lucidez tenho das consequências de minhas atitudes,  naturalmente maior sera o medo e isso é normal para quem vive em pressão constante.

Ainda que a fala seja mansa.

A ideia de que hoje não preciso provar, explicar, viver com menos ilusão e mais postura diante das situações ajuda.

Porque assim consigo separar o cansaço de ter que performar para viver.

Hoje continuo, sentindo ou não o medo. Creio que seja essa a forma mais madura de viver a vida com coragem.

Serie 50 | Capitulo 20 – O homem que me tornei | fim.

Somos desde pequenos instruídos por nossos pais e pela sociedade a acreditar que dias melhores virão. A noção que o bem deverá prevalecer sobre o mal vem desde o primórdio da civilização, também em inúmeras passagens bíblicas.

Talvez por isso, a julgar pela enorme quantidade de textos alguns podem ter sido levados a pensar que o ultimo capitulo poderia concluir, como o final de novela ou aquela sequencia gostosa de filme, a historia.

Assim o farei de forma leve, embora as conclusões sejam pesadas.

Aqui estou, cinquentão ha quatro meses. Muitas lições aprendidas que realisticamente não significam que tenha eu entendido tudo.

Não entendi.

Cheguei a essa idade sem muitas respostas à questões vividas ao longo do tempo. Isso é difícil de assimilar. Por outro lado é fácil perceber que hoje vivo com menos ilusão. A lente limpa e a realidade tem demasiado peso.

O fim dessa serie não significa o fim da vida, e como muitos não faço ideia de como irei terminar. Apenas sei que estou tentando.

Foi um relato de duvidas e situações importantes vividas no lado pessoal e no profissional que moldaram a pessoa que me tornei.

Não a toa estou na terapia, como se fosse um pedido de ajuda na organização dos pensamentos, alguns os quais não enfrentei ao longo dos anos por estar justamente no modo de sobrevivência emocional.

Isso não é legal nem glamoroso. As vezes me sinto cansado.

Das poucas certezas que tenho, depois de tudo o que vivi até chegar aqui, me tornei um homem que busca todos os dias funcionar enquanto meu interior esta a reorganizar alguns passos da vida, as vezes pedindo, outras gritando: Para!

Sigo resiliente.

A percepção que muitos que um dia seguraram a minha mão e que agora também precisam da minha presença enche de esperança e felicidade o coração.

Mal sabem que até estabilidade emocional me dão, seja por me ocupar nas coisas bobas, ou ate mesmo o que poderia ser complexo e de difícil decisão.

Especialidade da casa: decidir.

O vinculo com a religião me fez entender que mesmo cansado, confuso, sem força e sem alarde, consigo seguir uma diretriz minima de existência e sobrevivência.

Me orgulho de honrar meus pais.

Não é simples essa vida, principalmente quando voce vive percebendo a ausência de pessoas que nunca imaginou ver tao longe.

A distancia de muitos foi uma lição aprendida com dor, de forma silenciosa que não costumo verbalizar.

Busco suprir com a percepção que o homem que me tornei, ou estava a me tornar para viver a vida adulta, lidaria com o afastamento de pessoas na mesa.

Hoje sei, ser adulto significa aceitar essas maldades discretas.

Nem o amor de hoje é permanente. Ja bem dizia Vinicius de Moraes que o amor é como chama, que seja eterno enquanto dure.

Felizmente a chama aqui nunca apagou, apesar de abalada pela desilusão ao descobrir que algumas pessoas que juravam estariam ao meu lado, agora sei, não estarão.

Sem ressentimentos (mentira).

Tenho por perto improváveis, e através deles, aprendi a enxergar uma fração do homem que me tornei.

Concluindo. Não venci tudo, não sou plenamente resolvido apesar de bem decidido, e me situo cada vez mais longe de alguma luz e solução definitiva.

Ainda tenho alguma lucidez (espero) e através dela formulei a teoria que viver a maturidade dos cinquenta significa não ter todas as respostas. Me faltam muitas.

Imagina so, hoje consigo viver, mesmo sem resposta.

A serie hoje terminou, não com a celebração da perfeição, conquista e alegria do que fiz ate aqui.

Me despeço com esse registro honesto e verdadeiro de alguém que continuou.

Ate ja, Pedro

Serie 50 | Capitulo 19 – Recomeçar sem barulho.

Não da para começar esse capitulo sem pensar no que o Pedro do inicio da vida retratada nessa serie guardou e construiu ao longo dos anos para si.

E a consequência de tudo: um recomeço.

Foi difícil me guardar, me amar em primeiro lugar, viver sem saber e ter o que fazer, buscar lucidez como norte, dar mais ao proximo do que a mim mesmo.

Sabe la porque fiz isso. Apenas fiz. E para alguns faco isso ate hoje.

Hoje tenho notado que ando em silencio. Um dos motivos se da ao fato que, hoje não preciso ser entendido.

Essa percepção facilitou uma especie de recomeço sem barulho.

E a consequência disso? O que mudou?

Cinquenta anos depois, não mais preciso me explicar, logo canso menos. Me desapeguei da validação externa. Adotei na pratica a mudança não discursada para conduzir minha vida.

Quando o momento não esta legal, a estratégia é não falar.

Hoje eu não preciso avisar nada a ninguém, e não é porque gosto de um segredo. Pelo contrário. Hoje quem precisa saber… sabe. E quem não percebe, nunca faria a diferença para inicio de conversa.

Recomecei sem buscar reconhecimento, sem provar nada a ninguém.

A mudança sem pedir licença, justificar e aguardar validação, em silencio foi difícil, porem necessária a minha evolução.

Reorganizei a vida sem plateia.

E assim, sigo.

Nunca foi sorte

5 anos atrás, lá estava eu no aeroporto, à espera do que viriam a ser os melhores dias da minha vida: o encontro com o Paulo.

A pessoa que acompanhei pelo Instagram por alguns meses e que, depois de tanto ouvir sua voz, conheci o coração. Logo pensei: não é sobre o quanto gosto dele… será que ele vai gostar de mim? Sou bom o suficiente para ele?

Numa sociedade moderna, em que muitos se pautam por influenciadores, aparência e sobretudo estilo de vida, o que teria eu a oferecer? Foi com a melhor das intenções e coragem que entrei nessa relação.

Hoje, cinco anos depois, vejo o quanto construímos todos os dias. Nosso entorno floresceu. Nossa vida se frutificou.

Ao lado dele, percebi o quanto meu coração estava petrificado. A vida me ensinou, de forma muito dura, que amar não é seguir um roteiro para conviver com alguém. Amar é se entregar da cabeça aos pés. E disso eu já estava decidido: vou ficar mais perto dessa pessoa.

Com ele, dei as mãos e recomecei. Melhor, recomeçamos. Com a graça de Deus, cujo amor promoveu esse encontro, esse amor, livres de convenções, passamos a viver um para o outro. Amor, a sua presença já basta para me dizer o que sente, sem precisar de palavras.

Em meio a tantas reflexões no ano em que completei 50 anos, hoje, apesar dos problemas, estou melhor do que já estive. Hoje consigo sentir o seu amor, olhar para o entorno e me doar.

Nunca foi sorte.

Tudo aconteceu quando comecei a seguir o meu propósito. E que bom que você está nele. Que bom que é com você que partilho uma união plena, feita de amor, devoção e verdade.

Já não conto mais os dias.

Não tenho medo.