Nunca foi sorte

5 anos atrás, lá estava eu no aeroporto, à espera do que viriam a ser os melhores dias da minha vida: o encontro com o Paulo.

A pessoa que acompanhei pelo Instagram por alguns meses e que, depois de tanto ouvir sua voz, conheci o coração. Logo pensei: não é sobre o quanto gosto dele… será que ele vai gostar de mim? Sou bom o suficiente para ele?

Numa sociedade moderna, em que muitos se pautam por influenciadores, aparência e sobretudo estilo de vida, o que teria eu a oferecer? Foi com a melhor das intenções e coragem que entrei nessa relação.

Hoje, cinco anos depois, vejo o quanto construímos todos os dias. Nosso entorno floresceu. Nossa vida se frutificou.

Ao lado dele, percebi o quanto meu coração estava petrificado. A vida me ensinou, de forma muito dura, que amar não é seguir um roteiro para conviver com alguém. Amar é se entregar da cabeça aos pés. E disso eu já estava decidido: vou ficar mais perto dessa pessoa.

Com ele, dei as mãos e recomecei. Melhor, recomeçamos. Com a graça de Deus, cujo amor promoveu esse encontro, esse amor, livres de convenções, passamos a viver um para o outro. Amor, a sua presença já basta para me dizer o que sente, sem precisar de palavras.

Em meio a tantas reflexões no ano em que completei 50 anos, hoje, apesar dos problemas, estou melhor do que já estive. Hoje consigo sentir o seu amor, olhar para o entorno e me doar.

Nunca foi sorte.

Tudo aconteceu quando comecei a seguir o meu propósito. E que bom que você está nele. Que bom que é com você que partilho uma união plena, feita de amor, devoção e verdade.

Já não conto mais os dias.

Não tenho medo.

Serie 50 | Capitulo 18 – O preço da lucidez

Ja ouvi muito de algumas pessoas, à época adultos, que se pudessem voltar no tempo gostariam de ser mais jovens com a cabeça de hoje.

Existe uma falsa sensação de lucidez, geralmente atribuída a quem consegue expressar com clareza suas ideias, como se isso fosse suficiente para lhes atribuir noção de boa compreensão do presente.

Nem tudo é perfeito.

Ainda que discorde em parte dessa premissa, porque conheço muita gente articulada que não compreende bem o que esta a sua frente, a consequência da lucidez não é explorada.

Porque?

A lucidez afasta as pessoas.

Ver demais não agrega, pelo contrário, separa. Quem muito bem vê e consegue enxergar com a lente limpa não consegue ter muitos amigos ao redor.

Pato que mergulha raso não se da com o que mergulha fundo. Simples assim. Nem todos conseguem acompanhar a nossa evolução. Obvio, não temos o habito de descreve-la a quem esta perta.

Resta somente a interpretação dos fragmentos.

A imagem que a lucidez passa é de menos excesso, menos erro. Concordo.

A partir do momento que consigo interagir lúcido, ja me antecipo a determinados movimentos quando percebo determinado padrão.

Isso não vem de graça.

É preciso ter coragem para enfrentar as questões diárias, disciplina para tomar decisão que não é fácil e firmeza para sustentar o limite e a consequência das escolhas.

Por isso a lucidez afasta. Nem todos acompanham nem todos conseguem enxergar. Isso acaba gerando uma solidão seletiva porque não temos paciência para sujar a lente e viver a imagem do passado.

Afinal perder a ilusão daquele tempo dói. Não seria lúcido voltar ao sentimento pela falta de companhia.

Por isso digo que viver é violento e crescer não é fácil, a vida cobra um preço.

Serie 50 | Capitulo 17 – O que eu não negocio mais.

Muito recentemente minha vida tomou uma mudança súbita de direção. Meses depois percebi a serie de elos quebrados, que juntos formaram o enredo para tomada da decisão.

Se uma coisa aprendi com o meu pai que é cirurgião foi tomar decisão. Assim é que de certa forma me destaco na advocacia, por decidir melhor ou pior as questões e ter capacidade de reavaliar.

Não foram os elos culpados. Claro que não. A decisão tomei após observar um conjunto de atitudes que retiraram a minha paz.

Foi um conjunto de atitudes, gritos, reclamações, afirmações e ações cujo enredo, pelo que ja escrevi ate agora na reflexão dos cinquenta anos, pouco a pouco sinalizou que eu deveria me afastar, privilegiar a paz, ter confiança no escolher, sobretudo recusar.

Ao privilegiar a paz enterrei tudo que não deu certo.

Passei a negociar apenas o essencial.

Isso incluiu algo que antes parecia impossível. Abrir mão de discutir tudo. Sair em silencio. Atitude bem diferente daquele Pedro de anos atrás.

Evolui.

Pelas reflexões que começaram antes dos cinquenta anos percebi momentos da vida que me fizeram evoluir em questões relacionadas a temas importantes de minha vida, como escolha, limite, relações, silencio, desapego e o que fica.

O que fiz ano passado?

Observei os sinais e parei de reagir a tudo. Isso não significa não negocie. Aprendi a respeitar meus limites.

Apenas, não negocio mais a paz.

Serie 50 | Capitulo 16 – O que fica não é por acaso

Todos os dias acordo cedo por volta das 5 horas da manhã para em seguida viver aquela que para mim é a melhor parte do dia.

É o momento que paro para tomar um cafe com Paulo e rezar antes de começar o dia.

Aprendi que uma dose pequena de religião todo dia muda a gente. Mal comparando a religião em doses homeopáticas proporciona a longo prazo um resultado.

A lucidez aumenta quando aprendo e passo a identificar fatos e circunstâncias que somam.

De igual forma, o que vai embora não deveria ser motivo de tristeza. Se foi é porque Deus quis. Não é mal.

O efeito pratico disso no dia dia é obvio. Hoje em dia não corro atrás de tudo, ha muito ja disse que o importante não era abraçar o mundo e sim viver com qualidade ainda que seletivamente.

A adoção desse critério cria a percepção de que hoje o que existe é o que me faz bem. O que não fazia foi embora.

Logo o que fica nao é por acaso! esta ai porque te respeita, soma e constrói sem invadir. Talvez seja esse o maior sinal de lucidez.

So fico com o que for verdadeiro!

Como por exemplo o momento que escrevo esse capitulo

Serie 50 | Capitulo 15 – O peso que fica

Não foi nada fácil porem consegui entender que viver nāo é so acumular experiência. É saber descartar também.

Tema bom e oportuno para escrever sobre durante a o período da Páscoa.

Afinal, a percepção que por um dia dormimos com o deus morto, ainda que depois de ressuscitado, para mim ja é o suficiente para pensar.

A reflexão que gira em torno da noite de sono nas trevas é também de enterrar tudo o que não é bom e também o que precisamos desapegar.

O peso das discussões, da reação as inúmeras injustiças, precisa ir embora. Aproveito e descarto até mesmo a culpa de coisas que nem são minhas, a propósito leva embora o que falam de mim também.

Vou segurar o que me ensina, o que constrói e me fortalece.

Para quem acredita os sinais sempre aparecem de onde menos esperamos. E quando a gente percebe deus nos cercou de pessoas que nos fazem bem, ajudam, acrescentam.

Eu não preciso de tudo para seguir em frente, so o que me sustenta.

Hoje acordei assim