Depois de muito refletir sobre a questão do tempo aos 50, concluí que a vida deixa de pedir pressa. Quem pediu e errou fui eu.
O que o viver pede, é clareza.
Termo simples de compreender, mas de descrição complexa. Algo que só fui alcançar depois de algum tempo.
Por que demorei? Onde errei?
Sabotei a mim mesmo ao confundir amadurecer com suportar. Achei que crescer era aguentar mais, ceder mais, criar mais, explicar mais, movimentar mais, enfim, ir levando.
Hoje percebo que não.
Amadurecer é diminuir. É entender que menos é mais. Diminuir o ruído, as expectativas, as concessões. Aliviar o peso desnecessário.
O tempo não ficou mais curto. Ele apenas ficou mais valioso. O que mudou foram as… escolhas!!!
Em uma retrospectiva breve e apertada da minha vida, percebo que algumas escolhas fiz cedo demais, por medo. Outras, tarde demais, por hábito. Só depois de muita terapia consegui olhar para esse campo das escolhas sem me maltratar, sem fazer de mim mesmo o alvo do erro. Ainda sinto o peso delas ao amanhecer.
No período que antecedeu os 50, algo mudou silenciosamente: passei a escolher não para agradar, não para provar, mas para preservar. Preservar a energia, coerência, paz. Talvez por isso tenha conseguido construir tantos vínculos pessoais e profissionais verdadeiros e que mantenho ate hoje.
Escolher, aos 50, também é aprender a renunciar sem culpa. É dar às pessoas aquilo que desejaram para si e, ainda assim, permanecer ao lado delas depois e sem julgamento.
A vida, através das escolhas, aproxima, e também afasta.
Renunciar a relações que só existiam pela memória foi necessário para, à distância, manter a serenidade.
Cheguei aos 50 renunciando. Renunciando a papéis que visto bem, mas que deixaram de me representar, por fazerem parte de enredos que, por algum tempo, me sabotaram.
Duro? Sim.
Honesto também.
Descobri que dizer “não” não fecha porta, organiza o caminho. Aprendi que limites não afastam quem importa. E que permanecer onde não há reciprocidade cobra um preço alto demais, quase sempre pago em incompreensão, raiva e silêncio e ingratidão.
Aos 50, escolhi estar inteiro onde estou, com tudo ou nada, e também ausente onde já não faz sentido permanecer.
Talvez essa seja a maior mudança: entender que escolher a mim mesmo não é egoísmo, é responsabilidade.
Com o tempo que me resta nessa curta e insignificante passagem pela vida, preciso escolher quem caminha ao meu lado. E, sobretudo, com quem, e com o quê, ainda desejo construir.
O futuro já não é uma promessa distante. É uma decisão diária, feita no passado de hoje para viver o amanhã.
Choices. Choices.






