Percebo algo comum de muitos ao perguntar sobre a minha história: porque demorei tanto a entender e assumir a natureza afetiva que tenho?
Hoje percebo que veio do fato que passei a vida inteira tentando caber.
Queria muito suprir as expectativas depositadas em mim. Obviamente não deu certo, e cansei.
A dificuldade que tive de me entender, portanto conviver e socializar na infância, me tornou adaptável ao ambiente. Adaptar não é uma virtude. Não há mérito nisso.
Hoje percebo que o adaptado nunca sera um profissional pleno, marido presente ou homem forte que resolve as questões do dia-dia. Essa flexibilidade não gera maturidade. Nem o silencio sobre mim foi elegante.
Essa virada de chave dos 50 anos me fez refletir que o importante mesmo é ser quem eu sou, ocupando o próprio espaço sem pedir desculpas.
Isto, ao contrário do que no passado pensei, não é ser arrogante. É presença.
O que aprendi depois de muita dor e do peso que as circunstâncias recaiam sobre mim, é que eu me diminuí, me menosprezei para manter o equilíbrio de situações e problemas que… não eram meus.
Quero viver, se assim Deus permitir, o espaço que ocupo.
Ou seja, não quero ser entendido a força, nem falar ou convencer quem ja decidiu a não escutar. Cada um é o senhor do seu destino. Também não vou disputar espaços que exigem energia demais para pouco sentido. Se você quiser por favor passe a frente e bom caminho.
Hoje, no espaço que ocupo, escolho onde sento, onde falo, onde invisto tempo, com quem falo e também onde me silencio.
São decisões reais provenientes de um alinhamento interno. A presença surge sem ser anunciada, competência, aparece sem ser proclamada. Simplesmente sou, dentro do meu quadrado, percebido.
Saber quem sou, e principalmente quem não mais sou, trouxe uma calma incrível. To be, or not to be, that is the question.
Aquela ideia conquista que no passado que significava mais trabalho, mais responsabilidade, mais compromisso hoje não é vista da mesma forma.
Ouso dizer. Me parece meio raso.
Hoje, aos 50 ocupo meu espaço sem tirar o de ninguém. Pelo contrário, crio relações honestas simplesmente porque não quero mais caber.
Quero viver e ocupar meu espaço sem imposição, sem medo e se possível, sem excessos.
Com postura.
E sigo!



