Dia especial! Nasceu a padaria social.

Há dois anos atrás quando conheci o Carlos e falei sobre esse projeto, não sabíamos como iria acontecer nem como fazer.

No início, procurei nas padarias existentes por maquinário. Não funcionou. Tentamos o mercado de usados e também não vingou.

Ai veio a pandemia. E Deus tocou no coração de muitos que vieram nos procurar querendo ajudar. Primeiro veio a ajuda com a entrega de alimentos que iriam estragar e a produção de quentinha acelerou. Depois veio a confiança para ajudar e acreditar o quanto se pode fazer bem ao próximo com tão pouco.

Ajudar o próximo é um ato de amor. Matar a fome é uma benção. Ajudar essa corrente de bem não é fácil quando temos aí tanta propaganda e tanta gente descompromissada.

Então resolvi agir, e conseguimos fazer a comida chegar a quem mais precisa. Com muito pouco. Essa é a multiplicação dos pães, como rende, como é barato, como é mais fácil do que parece e quanto tabu existe para dificultar ajudar o próximo.

Superamos essa dificuldade juntos. Obrigado a quem me ajudou. Nesse projeto descobri que existe carência de profissionais na área da panificação. Espero poder ajudar. Também descobri que existe igual dificuldade para conseguir confeiteiros.

Derrepente tive a ideia de expandir e fazer a confeitaria social. Enquanto isso vamos produzindo pães para todo mundo. A venda de uns financiará a produção daqueles que tem fome.

Estamos aceitando pedidos!

Talibã e o contorno político previsível

Derrepente o Talibã é para o mundo a volta dos que não foram.

Dias atrás enquanto pensava alto e escrevia sobre o que não sabia e os motivos pelos quais a ordem não poderia ser cumprida em hipótese alguma, adotei como uma das justificativas a explicação que a decisão não se baseava no meu desejo, e sim que haveria uma barreira geografica e política para tomar a decisão.

Entendi que aquele lugar também simboliza disputa de poder de presumido interesse de outras nações. Afinal como conseguiram se financiar por tantos anos para comprar aquelas armas?! Tecnologia de guerra e armamento não vende na esquina na economia organizada. É item de guerra. Isto os impede de serem livres, pois sempre sujeitos ao controle político e econômico de alguém.

Eis que surge um artigo na folha de São Paulo que discorre sobre um comunicado de um líder para que este regime que renasceu para o mundo faminto, e com sede, seja moderado.

Rótulos a parte é difícil conceituar sob qual outro regime a solução desta equação vira. Ainda que sem informação, entendo que o traço comunista histórico daquele país que cedeu ao capitalismo que impulsiona o mundo pelas relações de consumo esta se mostrando como uma saída ou interesse.

De forma muito crua e rudimentar, tchau estados unidos, pare de impor a conversão ideológica de sua democracia de forma compulsória. Esse povo vive assim e assim viverá. São meus vizinhos, viverão assim.

A nós restam fragmentos de notícias e relatos que vão desde violência e intransigência, morte, fuga e medo. Basicamente pela notícia acerca do quanto é ameaçador o fundamentalismo islâmico.

O Brasil historicamente se alinha aos Estados Unidos na política e na economia. Ate cede para a economia americana. Porém depende igualmente e agora muito mais da chinesa e asiática.

Existe certo e errado nisso? Qual a nossa posição?

Em meio a essa questão do Talibã e as negociações que sucederão com a Russia, o que estamos fazendo com o Brasil violento? Que mata de fome? Não oferece serviço público decente, enxuto e eficiente contudo critica e opina rapidamente.

Uma nação cujos trabalhadores não vivem bem do salário apesar dos amplos direitos estabelecidos na constituição.

Precisamos entender um pouco mais as motivações, as vezes pelas matérias que leio parece que vivemos geograficamente uma guerra de poder na formação de um bloco e reafirmação de regime similar ao que seria uma guerra mundia, fomentada não apenas com munição e sim com artigo e mídia de jornal/pessoal.

Se isso fosse ruim porque o congresso e senado aprovaram a possibilidade de estrangeiros adquirirem no CPF terras nacionais? Em qual ponto e posição estamos cedendo aos efeitos reflexos dessa guerra. O que somos?

Mistério.

O que não sabemos sobre a questão do Afeganistão.

São a tantas as notícias da tomada de poder pelo Taliban em Cabul e de seus desdobramentos, que não tem sentido sobre isso relatar.

Contudo interessa, em razão do que considero ser um interesse velado de terceiros, sejam esses pessoas e/ou paises comentar.

Sou da opinião que a ordem de retirada, que não é novidade, apesar de ter sido emitida pelo presidente anterior, que teve presença e atuação conturbada do início ao fim de seu governo, não poderia em hipótese alguma ser cumprida.

Entendo perfeitamente o interesse legítimo do atual presidente dos Estados Unidos de não querer deixar para o próximo a responsabilidade e o custo dessa guerra. Sou também ideologicamente a favor do fim da guerra. De modo que é fácil endossar qualquer ação nesse norte.

A dinâmica dos fatos que ocorreram após a tomada de poder em Cabul, independente de terem sido rapidas demais ou não me fizeram refletir.

Como pode uma nação que há vinte anos é guerreada ressurgir tão rápido com armas tão sofisticadas? Uma guerra não se luta com boa vontade tampouco se ganha com equipamentos velhos. Alguém esta ali financiando isso. E não acredito que seja a economia local, não.

Ficou claro que faltou articulação política dos Estados Unidos com o resto do mundo em relação a isso. E porque faltou? Talvez porque os únicos parceiros estratégicos que tem capacidade de ajudar, penso rapidamente na Russia e na China, não estão interessados.

As barbaridades estão ai. As fotos são chocantes. Os ditos direitos e garantias conquistadas de igualdade e liberdade entre homens e mulheres em relação as suas famílias e trabalho foram extintos de imediato.

A fuga do antigo presidente e demais membros integrantes do governo a jato so comprova o muito que ali existe não sabemos.

E o que não sabemos sobre aquele povo, aquela terra e aquela guerra? Minimamente que não era novidade a volta do regime. Realisticamente que o regime é explicitamente financiado por outras nações.

A partir daí compreendo que estamos diante de uma questão muito complexa. Vai muito além do que entendo por desculpa o suposto vínculo de osama bin laden. Esse conflito permanente simboliza a disputa de poder traduzida por uma guerra local. Sangrou uma nação em soldados, tempo e dinheiro em uma luta sem vencedores. Consolidou o isolamento dos Estados Unidos de outras nações.

Qual será de fato o desdobramento disso, quem viver verá!

Eu VOTO e você ?

Esse mes todos nós vivenciamos a polêmica questão inerente a justiça eleitoral no que concerne o voto. De um lado, sob a bandeira do voto auditável, um grupo pleiteou que a reforma agregasse ao dispositivo eletrônico o voto impresso. Em oposição, líderes partidários e magistrados disseram, em resposta, que o sistema atual é seguro o suficiente para se manter sem mudar.

Posto em votação, aqueles que nos representam decidiram por nós manter a votação na forma que esta, ou seja, totalmente eletrônica. Ao que parece, e paralelamente estão debatendo a reforma do sistema eleitoral para retornar a coligação. Por fim, li também que cogitaram mudar o sistema de votação para o chamado distritão.

Fato é que chegamos a um impasse. Ainda que o tema tenha criado entre muitos conhecidos animosidade, não fomos sequer ouvidos ou convocados a refletir sobre o tema. Esse assunto foi tudo, menos delegado ao povo para opinar e indicar a quem nos representa qual caminho a seguir. A questão da urna não foi democrática.

Confesso não tinha muita esperança que nossa opinião faria a diferença. Afinal, não somos muitos quando o assunto diz respeito a votação. Isto se prova pelo crescente número de abstenção de voto. O candidato abstenção tem chegado em segundo lugar em todas as eleições.

Imagina uma coligação do abstenção com branco e nulo. Muitos eleitos perderiam no primeiro e no segundo turno, ainda que o foto fosse impresso ou não.

Estamos nos consolidando como uma nação que muitos elegem seus representantes por delegação dos poucos que votam. Isso é preocupante na medida em que o único dever imposto ao cidadão brasileiro pela constituição é votar. E quanto menos se vota, maior a chance de ter em poucos candidatos a definição do pleito. Em outras palavras, se todos votassem a eleição não seria uma mera escolha de representantes, claro que não. Representaria a consolidação do processo democrático em pleno funcionamento.

Defender o sistema eletrônico não é facil. Tão dificil quanto isso é repudiar. No Brasil tudo é mais difícil porque toda hora a gente tem que votar. Decidiu-se intercalar eleições para atribuir a uma delas a característica de ser majoritária.

Talvez essa questão seja junto com o tema polêmico da urna o primeiro e principal problema a enfrentar. Estamos cansados de ter que votar a cada dois anos. Essa obrigação gera uma militância constante, eterna busca por poder. Dificulta os que foram eleitos a governar, e gera uma instabilidade tremenda na composição das casas. Gera politicagem.

Ideal seria que uma vez eleito o time funcionasse – ou não – ate a próxima eleição. Até la senta e trabalha, ou reclama, agora não enche o saco com eleições que não vai rolar.

E se um dia alguém me perguntar eu digo que não sou contrário a impressão de meu voto e consequentente deposito do mesmo a urna.

Evidente que não estamos preparados para mudança do sistema. 20 anos depois da invenção da urna eletrônica vejo muitos indignados com o custo da eleição aos cofres públicos. Em meio a lava jato no passado em plebiscito a maioria proibiu o financiamento privado de campanha. Agora o processo eleitoral é público. E ainda que seja grande talvez seja uma Rubrica pequena em relação as obrigações do tesouro, ja é o suficiente para gerar desconforto e briga. Imagina se tivesse a que contemplar a contratação de equipes para uma vez impresso o relatório da urna comparar com a urna?!

Moro no Estado do Rio de Janeiro, notoriamente dominado por milícias e me pergunto, será que roubo de urna, voto fantasma voltará a surgir? Como fazer com que isso seja contado descentralizado de forma confiável e segura.

Essa é a grande questão. Porque o Estado não emite cédulas e permite a votação antecipada ao pleito? Porque deixamos tudo para o último dia? Se uma coisa esse debate me deu foi a reflexão que em termos de voto esse serviço esta bem defasado, estagnou-se num sistema do passado retrógrado em relação a evolução das pessoas. Quanto maior for o meio de voto maior o engajamento das pessoas, e com isso aumente o número de novos parlamentares pela pulverização do voto. Para mudar tem que votar. Não existe solução mágica.

E por trás disso pouco importa se a urna é ou não eletrônica. É preciso votar, acompanhar e cobrar. Vamos as urnas com vontade. Se todo mundo votar não haverá margem para manipulação de voto. Não haverá ociosidade no livro. Tudo vai andar. E até lá, quando o assunto ficar maduro veremos que indepen da segurança do sistema de hoje, não há prejuizo em aperfeiçoar. E se isso significa ter o voto impresso ok. Só não perca meu tempo com opinião se na hora H voce viaja e se ausenta. Nada contra, é democrático, apenas não tenho paciência mesmo!

E da mesma forma que existem ativistas, reserve ao direito de entender que não se mede democracia pelo nivel de ativismo e sim de participação de pessoas no pleito. Tem os que se interessam como eu e outros que não querem saber. Respeitá-los é sinal de maturidade. Chegou a hora né?

More love & less hater

Meu primeiro contato com hater foi em 2012. A época não sabia o que era. Apenas que a pessoa se fazendo por outra começou a me perseguir. Como não dei bola passou a fazer contato e buscar informações por meus amigos. Aí a coisa começou a ficar seria, quando então escrevi o seguinte post.

https://pedrolvaz.com/2012/08/13/um-perfil-fake-do-facebook-me-persegue-segue-meus-amigos-e-escreve-como-se-conhecido-fosse/

Ato contínuo fiz o que todo encomodado faz. Parei de responder e adicionei o contato a lista dos bloqueados.

Se difícil estava depois virou um inferno. O conteúdo das mensagens enviadas por e-mail, sempre de cunho pessoal e agressivo era horrível, falso, desconcertante. Como se não bastasse, uma vez bloqueado o acesso mais frequente a minha midia, o hater passou a se valer de várias outras formas e mídias.

Quando vi estava bloqueando o Facebook, Twitter, e por ai vai. Isto não foi o suficiente, pois logo depois surgiram e-mails. Não contente com isso passei a receber SMS. Todos de conteúdo ofensivo.

Lembro que sentia um misto de inquietude e angústia a cada ligação atendida de conhecidos para relatar o conteúdo da mensagem recebida.

Todas em comum falavam da minha pessoa, sob todos os aspectos, da vida pessoal a profissional, do caráter e aí vai. Nem a minha esposa a época e sua família foram poupados.

Tudo isso é muito desagradável. Não saber quem, quando e como vai acabar é desconcertante. Muito chato. Porém tem um lado positivo.

Aprendi com o hater as seguintes lições:

1. Não podemos levar a sério ofensa de internet. Ainda mais quando ocorrida por terceiros que não se identificam.

2. Temos menos amigos do que imaginamos e mais conhecidos do que desejamos. Os primeiros nos ajudam, os últimos propagam a notícia na filosofia “quem conta um conto aumenta um ponto”.

3. Saber separar o que é digital do real é fundamental.

4. Não há mal que seja eterno.

Minha vida eu controlo, minha mídia eu censuro. Não sou obrigado a conviver com esse tipo de gente e sua censura.

Hoje, quando leio que alguém se matou por conta de um hater eu entendo. Não sou perfeito, estou longe disso. Porém sou forte, e fiz trinta anos de terapia. Tudo isso me ajudou a entender e colocar situações adversas como essa em seu devido lugar.

Se conhecer alguém que foi vítima de hater, de a ele ombro e ouvido. E espere que passa, tudo passa.

Metralhadora pastoral

Essa semana fui instigado a refletir sobre uma série de reportagens, veiculadas em inúmeros meios de comunicação, que mencionavam a seguinte fala de uma lider religiosa (ou pastora).

“É um absurdo pessoas cristãs levantando bandeiras políticas, bandeiras de pessoas pretas, pessoas de LGBTI, sei lá quantos símbolos têm isso aí. Mas é uma vergonha. Para de ficar postando coisas de preto, de gay, pare!”

https://www.uol.com.br/universa/colunas/nina-lemos/2021/08/04/pastora-viraliza-com-fala-racista-e-homofobica-religioso-pode-ser-hater.htm

Seria bom se pudesse apenas escrever sobre assuntos que fossem leve, de fácil explicação e indubitável compreensão. Porém, assim como a vida, nem tudo é seguro, entendido e simples de explicar. Contudo ainda que seja espinhoso o tema vou enfrentar.

Em primeiro lugar, devo considerar que, a fala da pastora proferida dentro de igreja, ainda que me cause grande desconforto, é protegida pela Constituição de 1988 que, em um de seus incisos do artigo 5 que trata sobre direitos fundamentais garantidos aos cidadãos, garante a liberdade de consciência e crença, da seguinte forma

Inciso VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.

Art 5 inciso VI da CF 1988

Ainda que a vida tenha me mostrado que o exercício desse direito no dia a dia seja facil, a compreensão deste é muito complicado. É fair admitir que por esse princípio podemos e devemos conviver nós cristãos, católicos, evangélicos, umbandistas, até mesmo com quem não tem religião, ou índios e por fim ainda aqueles que por exemplo são devotos ao satanismo? Pelo artigo 5 são todos admitidos. Existe possibilidade de padronizar eles? Não.

Nesse prisma imagine a seguinte situação, uma família esta iniciando seu filho em sua religião. O judeu corta o prepúcio do filho, uma satanica por exemplo faz um marca tipo navalhada. Consideramos isso lesão corporal?

O que chama atenção na reportagem não é o discurso propriamente dito e sim o fato que estamos sem conceito na sociedade sobre quais seriam os limites, e como seres civilizados nos oponos a qualquer tipo de culto e celebração do que, para nossa prática, não é convencional. Ou, contrário senso, que dado o fato que somos únicos em razão e pensamento, não existe possibilidade e chance de normatizar e verticalizar esse conceito. Para o ser religioso, praticante ou não, ainda que ateu, não existe padrão.

De igual forma me pergunto se a um índio seria permitido, nos dias de hoje, levar uma vida a sacrifício em prol de sua religião? Perai, nesse caso, e antes que pense que estou concordando, seria absurdo e inconcebível. Para casos como esse o Estado através de suas doutrinas ja disse no âmbito penal que é proibido matar alguém. Exceto quando o ato ocorre em legitima defesa, único meio segundo o qual a perda de uma vida não implica em responsabilidade para quem a tirou. Opera-se neste caso uma excludente.

No campo religioso alguns tabus merecem ser explorados na medida em que abordo esse tema. É possível conceber que a umbanda, religião criada a partir de um carioca, branco de olho azul, como religião africana ou católica? De outro giro, existe algum permissivo na igreja católica para aceitar o umbandista? Não. São doutrinas e credos diferentes. Nenhuma se mistura e não ha como ter ao pé da religião qualquer interseção entre eles.

Contudo eles se toleram muito bem. Apesar das particularidades de cada uma, vejo e entendo que há no campo religioso uma tolerância essencial a convivência harmônica entre os fiéis.

Isso não significa que os grupos religiosos se aceitem, muito pelo contrário, alguns possuem questionamentos milenares. O que é comum a todos é que pautam suas condutas a partir de anos e anos de doutrina e experiência.

Ou seja, o que esta sendo posto em debate por certo não é novo, não é novidade, nem foi decidido ontem. Porém, para o fim jornalístico, o questionamento veio a tona a partir da alegação de racismo e homofobia.

Aí a questão fica mais complexa. Surge uma pegadinha. Porque toda vez que uma situação for enfrentada sob a ótica de desconstruir, ou não modelo padrão de aceitação, vamos ter problema.

Exemplo. Não é de hoje que escrevo e menciono a sorte que tenho de ser tolerado pela sociedade. Isto não significa nem de perto ser aceito. Tenho plena consciência e convicção que existem muitos que circulam por ai que não aceitam a minha natureza afetiva. No entanto, com o passar dos anos e o avanço do grupo gls, hoje se formou uma sopa de letrinhas ainda maior, que faz jus ao reconhecimento da trans.

Estou submetido, ao andar pela rua, ser julgado a qualquer instante por qualquer pessoa. Fato, aquelas cuja religião prega ser admissível somente a união entre o homem e a mulher não vão aceitar a minha natureza, embora tenha assimilado que comunitariamente deve me tolerar.

Essas pessoas e suas atitudes compoe o estado democrático de direito. Isto é, desde que a postura da pastora seja propagada da porta da igreja para dentro, no momento em que esta, em tese, dentro do lugar que simboliza, numa percepção leiga e realista, o corpo de cristo na sua crença.

Somos desafiados todos os dias a pensar e repensar algumas de nossas crenças. Alguns conceitos mudamos. Outros não. É normal. Se assim não fosse, imagine outra situação: um flamenguista que faz torcida organizada contra o vasco sistematicamente, vinte anos depois acaba socio de um vascaíno. Pode?!

A conjugação do tolerar com aceitar é uma desordem. Assim como também é a apropriação pelo estado colonizado pelos jesuítas da palavra casamento. Na forma em que está, obvio o motivo segundo o qual muita igrejas insurgiram contra a utilização da palavra casamento enquanto simbologia de união para gays. Evidentemente que não gostariam, de forma alguma, que posteriormente viessem a ser compelidos de casar quem não se enquadra nas suas regras milenares.

E isso também não tem problema. O problema ocorre quando a matéria vira debate ja pela deficiência de explicação, talvez até mesmo entendimento do jornalista, optando-se por generalizar uma pregação em comparação a normatização de um indivíduo. A situação piora na medida em que, nos tempos de internet, somos umbilicalmente ligados uns aos outros por telefone celular. E nesse campo a informação trafega muito rápido. Então chegamos muito rapidos ao big bang dos assuntos.

O nesse caso, meu entendimento final sobre isso, ja sabendo e convivendo com pastores de inúmeras religiões, alguns os quais dizem aceitar, outros afirmam que devemos seguir fielmente o que esta escrito lá, cabendo a autoridade do pai sobre o filho explicar o caminho, que esta tudo bem.

Me permito ser tolerado por todos estes. Não tenho na pessoa que acha que devo chamar meu marido de companheiro, porque em sua ótica, não é o casamento e sim a relação de companherismo que se cria com anos de experiência que vale, como alguém que me aceita no sentido amplo e padrão que os movimentos e seus integrantes querem normatizar.

Não! Vou casar, ter o Paulo como marido e seguir a vida. Tolerada por muitos?! Certamente. Aceita por todos? Não. E pouco importa. Essa é a riqueza do ser humano. Isso que importa. Nunca teremos um denominador comum para isso. E desde que haja respeito e tolerância esta tudo bem.

Finalmente, de forma simplória, assim com um pai pode não aceitar a forma inescrupulosa através da qual seu filho vive, vai sempre tolerar sua existencia. Independente do que diz a pastora terá sempre no uso das palavras proferidas na igreja que simboliza ai o corpo de cristo, legitimidade. Desde que pare ali e ensine de igual forma aos fieis a tolerar os outros que não se submetem as suas doutrinas.

A partir dai cada um por si. Que venha a respeitosa diversidade. E que não sejam todos compelidos a formar um padrão, uma unidade compartimentada de conceitos, emburrecida, em detrimento da liberdade de direitos, cujo uso, simbolismo e expressão tem sido cada vez mais deturpado.

Ate quando?

Sai da frente idiota

Ha tempos venho notando e escrevendo sobre alguns dos valores e atitudes que perdemos ao longo da pandemia.

A falta de respeito as leis do trânsito se tornou notória. Igualmente a ausência de qualquer tipo de equipamento de proteção dos motociclistas. Muitos insistem andar de bermuda, chinelo e sem jaqueta, situação em que se deixam completamente vulneráveis em caso de acidente.

Deixando de lado esse caso, o que venho testemunhando com espanto eh a falta de respeito de pessoas uma com as outras.

Depois de muito tempo isolados em casa e vivendo em suas bolhas, algumas tornaram seu mundo isolado na mais perfeita e divina realidade.

Algumas pessoas perderam o básico, que é a noção de respeito. Por favor não existe. Perambulam pelas ruas como se donos fossem daquele espaço, e depois de tanto tempo recluso ou sem interação social o instinto selvagem brotou.

Das coisas mais simples as mais complexas, não queira passar na frente destas, senão o tempo fecha.

A última vez que isto ocorreu estava em uma loja de decoração, seguindo o circuito entre os ambientes quando subitamente surgiu um casal a minha frente. A esposa se fez de desentendida e acelerou o passo em minha direção. Eu que estava olhando para o lado quando vi gelei. Só de pensar em ser trombado me deu arrepio. Pois bem ela desviou de seu proprio devaneio e o marido falou surdamente um “babaca”.

Ainda que sem acreditar em tamanha falta de educação, em alguns momentos realmente eh melhor ser tranquilo e babaca do que esquentado e indignado.

Bom domingo!

Abaixo a perfeição!

Não é de hoje que leio acompanho em blogs, filmes e ate mesmo em música relatos que a sociedade esta muito ligada a valores que não são importantes.

A busca constante pelo belo, perfeito, politicamente correto é o mesmo que submeter-se a plástica para ser aparentemente perfeita apesar da alma deturpada.

Toda essa beleza que é a vida digital e os paradigmas do que esta por vir ofende uma parcela da população, grande parcela que não esta presente, disso não vive e não tem voz.

Precisamos repensar isso. Pior ainda no Brasil que tem aproximadamente 30 por cento de sua população desconectada. Outros tantos aparelhados são analfabetos funcionais e que hoje servem de plateia.

Confesso ando apreensivo com os sinais. Não adianta culpar a polarização quando nos é deixado nenhuma opção. Somos tolhidos das escolhas nesse jogo. Da cor do carro (prata/preto/branco/vermelho) ao eletrodoméstico (branco/inox), seu prédio (areia ou espelhado) vivemos um mundo parametrizado.

Ou somos a parametrização do mundo que anos foi imposto? Quando? Por quem?

Estaria eu dando defeito?!