Serie 50 | Capitulo 18 – O preço da lucidez

Ja ouvi muito de algumas pessoas, à época adultos, que se pudessem voltar no tempo gostariam de ser mais jovens com a cabeça de hoje.

Existe uma falsa sensação de lucidez, geralmente atribuída a quem consegue expressar com clareza suas ideias, como se isso fosse suficiente para lhes atribuir noção de boa compreensão do presente.

Nem tudo é perfeito.

Ainda que discorde em parte dessa premissa, porque conheço muita gente articulada que não compreende bem o que esta a sua frente, a consequência da lucidez não é explorada.

Porque?

A lucidez afasta as pessoas.

Ver demais não agrega, pelo contrário, separa. Quem muito bem vê e consegue enxergar com a lente limpa não consegue ter muitos amigos ao redor.

Pato que mergulha raso não se da com o que mergulha fundo. Simples assim. Nem todos conseguem acompanhar a nossa evolução. Obvio, não temos o habito de descreve-la a quem esta perta.

Resta somente a interpretação dos fragmentos.

A imagem que a lucidez passa é de menos excesso, menos erro. Concordo.

A partir do momento que consigo interagir lúcido, ja me antecipo a determinados movimentos quando percebo determinado padrão.

Isso não vem de graça.

É preciso ter coragem para enfrentar as questões diárias, disciplina para tomar decisão que não é fácil e firmeza para sustentar o limite e a consequência das escolhas.

Por isso a lucidez afasta. Nem todos acompanham nem todos conseguem enxergar. Isso acaba gerando uma solidão seletiva porque não temos paciência para sujar a lente e viver a imagem do passado.

Afinal perder a ilusão daquele tempo dói. Não seria lúcido voltar ao sentimento pela falta de companhia.

Por isso digo que viver é violento e crescer não é fácil, a vida cobra um preço.