A responsabilidade começa em nos

Alfred Nobel deixou um prêmio dedicado à paz.

No Brasil, minha preocupação é que continuemos concedendo reconhecimento político a pessoas e estruturas sem exigir delas a correspondente prestação de contas.

Estamos efetivamente defendendo a democracia ou apenas protegendo aqueles que falam em nome dela?

Essa pergunta não se dirige exclusivamente aos políticos. Também exige coerência de quem critica.

É por isso que mantenho meus textos, minhas falas e meus parágrafos.

Não significa que eu jamais tenha errado ou mudado de opinião. Significa que considero mais importante reconhecer minha trajetória do que tentar apagá-la.

Não apago minha história. Eu a vivo todos os dias.

Simples assim.

#Democracia #Nobel #PolíticaBrasileira #Justiça #Transparência 

A vontade popular não tem dono

Sempre me causa espanto quando vejo pessoas tentando se apropriar da vontade popular para encaixá-la em suas próprias narrativas políticas.

Isso vale para a direita, para a esquerda e para o centro.

O recente processo eleitoral no Rio de Janeiro oferece um exemplo dessa discussão.

Um candidato terminou atrás nas urnas. Surgiu uma controvérsia sobre a validade dos votos atribuídos a outro concorrente. O Tribunal Superior Eleitoral decidiu pela anulação desses votos, alterando o cálculo da maioria necessária para a eleição em primeiro turno.

A discussão chegou ao Supremo Tribunal Federal, que rejeitou o pedido por razões processuais, diante da ausência de esgotamento das vias recursais na Justiça Eleitoral.

A partir daí, surgiu o argumento de que a vontade soberana dos eleitores não teria sido respeitada.

Mas quem tem autoridade para falar em nome de todos os eleitores?

Não é justamente por isso que existem regras, prazos, recursos e instituições?

A controvérsia jurídica é legítima. Houve, inclusive, divergência entre ministros do TSE sobre o tratamento dos votos e seus efeitos na definição de um eventual segundo turno.

Entretanto, é preciso distinguir o debate jurídico da apropriação política da ideia de soberania popular.

Democracia não é apenas votar. É também respeitar as regras de apuração, o devido processo legal e os mecanismos institucionais de contestação.

Podemos discordar de decisões judiciais, criticá-las e recorrer pelos meios previstos em lei.

Mas nenhuma candidatura é proprietária da vontade popular.

A soberania pertence aos eleitores inclusive àqueles que votaram em outros candidatos, anularam o voto ou optaram por não comparecer.

O resultado eleitoral não transforma a interpretação de um partido ou candidato na única expressão legítima da democracia.

Princípios democráticos não podem servir apenas quando o resultado nos convém.

Porque princípio de conveniência não é princípio.

Simples assim.

Para estrangeiro ver

Todos os dias acordo e penso: Como seria bom viver no Brasil da propaganda.

O Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, ex capital da Republica, esta sempre bombando.

A cidade é maravilhosa para o turista. Melhor dizer o estrangeiro europeu, porque os americanos, ao que parece, ja estao bem cientes da situação atual, tipica de guerrilha armada que vivemos todos os dias.

De um tempo para ca, a cidade, ao invés de protagonizar noticia de crescimento de industrias e empresas, parece que preferiu vender as festas e o alegado ganho de receita do turista que em nada melhora nossa economia.

Esse visitante movimenta hoteis, restaurantes e os mais ousados ate safari de comunidade fazem.

Que lindo.

Que deprimente.

Que vergonha.

O abrir dos olhos revela uma situação bem diferente.

Basicamente as noticias de hoje pela manhã narram mais uma vez crime praticado pela milícia, outro de pessoa acusada de deformar outras.

Não nos esqueçamos das incursões nas favelas e dos eternos e iguais boletins de transito.

Falta de infraestrutura nessa cidade maravilhosa é algo que não falta. Ou melhor so existe beleza na propaganda.

E o carnaval?

Reclama não, relaxa e goza.

Esse estilo despojado, informal e mal educado de viver pelos que atuam na administração da cidade se enraizou nas múltiplas camadas sociais e praticamente em todas as esferas do poder.

Quanto pior o politico mais idolatrado quer ser.

Enquanto o mundo se vira para fazer mais com menos, aqui gasta-se muito para nada.

Lembra-se daquele grande projeto viário? Continua no papel ate hoje apesar dos investimentos.

Só no Rio, é construído uma estação de metro para depois ser alagada e desativado o tatuzão. Novos percursos? Para que?

A qualidade e velocidade da obra seguem dois ditados populares. Acabou o milho acabou a pipoca, ou barriga cheia amizade desfeita.

Inaugura-se poste, joga um asfalto aqui outro ali, sai na manchete e esquece. Pode parar, depois aparece dizendo que vai retomar.

Pensando bem, o RJTV reflete com precisão esse momento mediocre. É um retrato fiel do telespectador e das notícias ruins que produz, porque de bom me parece não há absolutamente nada a falar, ou muito pouco.

Enquanto isso, comemora-se a utilização de BRT exclusivo para o Rock in Rio, transporte publico de qualidade

E segue o baile.

O Brasil tem dono.

O Brasil tem dono. E não sao os brasileiros.

Nos, e me incluo nisso, fomos renegados ou reduzidos a condicao unica de eleitor.

A degradação da politica e outras tantas instituições publicas, inclusive o poder judiciário, nos aprisionou em um sistema que não oferece melhora de vida.

Pelo contrário, ele se alimenta da inclusão permanente de grupos e pessoas na sociedade. Daí porque não levanto a bandeira de politica inclusiva e sim fomento o pensamento e dever cívico.

Nos, eleitores, não podemos ser marionetes de um show que so acontece na eleição para depois ser posto para dentro do armário. Quando é dia de show? Todo dia.

Os anos se passaram e a vida não melhorou. A situação piora se levar em consideração as promessas nao cumpridas.

Me parece que hoje em dia o prazer de muitos, alem de não votar é assistir da arquibancada quem cai, ao invés de chorar e ate mesmo reagir pela oportunidade gasta.

O fracasso alheio não compensa a perda de oportunidade.

É como me senti quando li a noticia que uma pessoa atua na função estratégica de destinar emendas e não o parlamentar eleito.

Então, o Brasil tem dono.

O mesmo dono que dezena de recursos depois decidiu solta um enquanto outro permanece preso. É o dono que permite pessoas nao investidas formalmente em cargos gerir a maquina.

Curioso é que vivemos mais uma das muitas contradições.

Da mesma forma que o cassino não é permitido, a Bet e a loteria sao. Qual a diferença?

O lobby não é permitido. É com frequência tratado como algo ilicito ou moralmente reprovável quando não criminalizado.

Deveria, ao contrário ser liberado para essas pessoas serem legitimamente identificadas e essa situação obscura ser mais transparente.

Afinal, ja vivem da maquina e a utilizam para suas próprias convicções e objetivos.

Como nos filmes, é o que é, só reforça a noção que o pais tem dono e que esses manobristas não estao ai por acaso e a toa.

FORA CASTRO!

Ha um tempo que reclamo da situação insustentável que de quem vive no Rio de Janeiro. Desordem, violência e serviços públicos ruins não faltam.

Porque?

Porque o Rio vota mal. Tem o prefeito e governador que escolheu.

Ate ai tudo bem. Não concordo, lamento, porém aceito porque faz parte da democracia. Todos tem o direito de votar, de não votar, de comparecer as urnas para gastar nosso tempo e dinheiro anulando o voto fora os que votam em branco.

O que não é admissível, nem democrático, é ter um governo ilegítimo, composto por quem não foi eleito. Esse governador que ai está não recebeu um único voto de ninguém para la estar. Não a toa, e também por isso, deveria ficar interinamente.

Sua missão: convocar o quanto antes uma nova eleição.

Nao foi o que aconteceu.

Quem não se lembra do “fora temer”?

Vivo no Estado do Rio situação análoga a esse período . Se no passado, aceitar o vice, eleito na chapa sucessor do presidente ja foi motivo de critica por muitos, hoje não é diferente.

O vice renunciou, o terceiro foi preso.

No lugar sentou um desembargador cujo trabalho, vida e eleição ao cargo de vice presidente do TJRJ aconteceu sem o voto popular.

Quem diria?

Nunca imaginei viver o coro da ditadura do Poder Judiciário em vida.

Deveriam fazer prevalecer a Lei.

Tivesse assumido interinamente para convocar novas eleições nada disso seria preciso.

Mas não.

Agora sob a desculpa que cumpre ordens, esse marionete dos tribunais superiores la esta, de forma ilegítima.

Ha quem aplaude.

Eu não.

Por ironia do destino, este que la esta hoje sentado tem o mesmo sobrenome de seu antecessor.

FORA CASTRO!

Isto é uma vergonha.