Mr. Bean no banco e o Brazil em campo.

Assisti sem muito entusiasmo o primeiro jogo da seleção brasileira. Esse sentimento em nada tem a ver com a baixa performance do time, muito pelo contrário, a partida comprovou muito dos motivos pelos quais há alguns anos não dou importância para isso.

Ainda que eu não seja um torcedor com afinco, do tipo que acompanha da escalada ate a evolução do time, na copa do mundo, assim como muitos brasileiros que ainda tem algum orgulho a patria, tenho o habito que assistir.

Primeiro susto que tomei foi ao saber que o técnico não era brasileiro. De quem foi a ideia de contratar esse Mr. Bean versão italiana? sera que o Brasil, outrora protagonista do futebol no mundo não tem competencia para formar tecnico de time de futebol?

Me veio a pergunta, temos tantos times, equipes de base, várias divisões, todas elas empregando crianças nos diversos campeonatos estaduais de futebol, encubadora de jogadores que serão futuras estrelas e não temos ninguém com aptidão a treinar o time do Brasil.

O que aconteceu com o Brasil que também perdeu o S. Será o Brasil com Z fadado a fracassar?

Se cerca de oitenta por cento da seleção brasileira esta escalada mundo a fora, é fácil concluir que a produção e exportação de jogadores continua forte. Porque nossos jogadores são tão importantes para o mundo ao longo do ano e na copa do mundo jogam como amadores em uma pelada.,

Depois de um certo tempo, comecei a rir. Afinal, todos os comentaristas tem uma explicação para isso. Alguns disseram que o meio de campo não arrancou, outros que os jogadores estavam em voo solo tentando resolver, fiquei impressionado com a quantidade de teorias e formulações que reporteres e comentaristas fizeram para concluir que no fim do dia estavam ansiosos e nervosos.

Ansioso e nervoso é quem precisa de emprego e não tem comida para comer.

No campo a história é outra. Para jogar fora do Brasil desde cedo, é preciso que haja pelo menos um time e empresário para negociar o passe do atleta. Isso não é barato.

Diga-me com quem anda que te direi quem é.

Pudesse fazer uma lista do que contribuiram para chegar até aqui, primeiro da lista seriam os times de futebol.

Muitos são incompetente mesmo, não conseguem treinar seu jogador até chegar a essa fase profissional, e mandam la para fora como forma de desenvolve-lo lucrando.

O jogador outrora faminto por se provar ao mundo agora chega sem a fome de vencer.

Acostumamos eles a vida estável, segura, com salários altos, incompatíveis com a realidade brasileira, mais isso até hoje não importa, desde que vista a camisa do Brasil para jogar a copa esta tudo certo.

Em alguns momentos percebi que as celebridades, entre jogadores da antiga seleção, influencers e até mesmo personalidades la de fora foram mais destacados do que os da partida em si.

Nasci na decada de setenta, na decada de oitenta passei um tempo no exterior. Na decada de noventa que foi o final da adolescencia até a maioridade me recordo perfeitamente que o Brasil enquanto país tinha um time e comprometimento muito diferente do que tem hoje.

Ainda que naquela época tivessemos criticas pontuais a jogadores provavelmente sob o mesmo fundamento, qual seja, falta de comprometimento, sua grande maioria era diferente.

O que fazemos com um time ruim? dado o fato que tudo hoje é politizado, não restam muitas alternativas senão esquecer. Essa seleção aí refletiu mal o momento nacional. Curioso ou coincidência? não vejo a confiança no País crescer, nem mesmo a ousadia dos jogadores em campo.

Vamos trazer o Mr Bean, para restituir a confiança e formar uma boa seleção. Esse técnico estrangeiro é a materialização de um país inseguro, burocrático, que depende do mundo a fora para servir de platéia do seu fracasso.

Importamos técnicos e jogadores brasileiros que estão mundo a fora. Deveriamos importar jogadores estrangeiros como solução a profissionalização do esporte uma vez por todas. Dificil vai ser achar quem opte por abrir mão de sua nação para vestir essa camisa com o mesmo afinco que são obrigados os jogadores… brasileiros.

Milhares de pessoas assistem a copa do mundo, fenomeno que se repete de temporada em temporada. Para isso ocorrer, outras tantas crianças, melhor meninos, assim por dizer passam por um processo extremamente competitivo, duro e violento quanto é viver, que começa na infancia, porque enxergam ali a chance real de mudar de vida.

Não coincidentemente todas as histórias por traz dos jogadores refelete isso. A comitiva chegou, e gastou-se mais tempo falando da roupa, do carro, da joia, do relogio do que do talento de cada um deles.

Sejam os que estão em campo, sejam os aposentados que, como fenix ressurgiram nos bancos, todos levaram uma boa goleada das griffes. Arrisco dizer de dez a zero.

A conclusão obvia que faco hoje é a seguinte.

Se no Brasil tivesse hoje um garato como foram os antigos craques, vale lembrar Romario e Ronaldo, eles ficariam aqui o tempo suficiente para treinar, aperfeiçoar, amadurecer, viver antes de serem exportados?

Enquanto isso, sigo rindo para não chorar. Dos comentarias, dos jornalistas, de todos os cumplices desse modelo e estilo de vida, que explicam tudo, relativiza tudo e não corrige e resolve nada.

Realmente é muito mais fácil motivar a torcida, fazer acreditar que o proximo jogo será melhor, dar uma bronca, exigir um gol ali outra jogada boa ali para justificar essa palhaçada.

A seleção é um desconforto que não cabe mais nos brasileiros, nem o País suporta.

Não a toa somos tomados pela comunicação que vai acabar bem.

Para quem??

Menos trabalho,  mais ilusão.

Não é facil ser voz dissonante em temas de grande repercussão social.

No Brasil, parece que o mais facil é viver a favor da maré, exatamente como fazem alguns políticos, influencers, comentaristas e jornalistas do que pensar as causas que realmente causam problema.

Venho acompanhando a discussão sobre a PEC que busca alterar a constituição para o fim de reduzir a jornada de trabalho.

Pois é. O que diria Ulysses Guimarães, deve estar se remexendo no caixão.

Esse debate, que mais é uma imposição do que discussão, foi a forma que o governo encontrou para se esquivar do verdadeiro problema convenientemente ocultado.

Em outras palavras, fazem do limão uma limonada cujo resultado, parafraseando a grande filosofa Dilma, quem perde e quem ganha nem perde nem ganha, todos perderão ao final.

Decadas apos a edição do Plano Real, nossa moeda perdeu significativamente o poder de compra. Os juros venceram.

Uma parcela grande da população vive de algum tipo de auxilio (do leite, gas e até recentemente veículo de aplicativo) muitos sem perspectiva de saida.

Comum a todos que usam, estão cansados, endividados, perdem horas em transporte público quando precisam se locomover e enfrentam, como eu, a fila do SUS.

Ocupados não nos damos conta do absurdo que é mudar a constituição para o trabalhador ter menos tempo de trabalho e mais tempo para a familia como se isso realmente fosse acontecer.

Justo seria, ao inves dessa “mea culpa” pelo caos social instaurado,  pensar nas garantias constitucionais ate hoje não conferidas ao trabalho.

Seja qual for o trabalho e função, tenho certeza absoluta (tipo aquela que os comentaristas do globonews tem e afirmam para embasar e impor suas próprias conclusões) que nenhum trabalhador ganha um salario capaz de atender necessidades basicas como aquelas enumeradas no artigo 7 da constituição. Algumas as quais garantem a todos o direito a moradia, alimentação, lazer, saúde, educação, transporte, tudo isso com dignidade.

No Brasil, com moeda fraca, juros altos, serviços públicos caros e ineficientes, ficar mais um dia em casa vendo a erosão do poder de compra todos os meses, não vai rolar.

Fica mais barato deixar o povo com o pouco que tem mais um dia em casa, aumentar a carga tributária do empresário taxando ate mesmo os dividendos do que olhar para o próprio umbigo.

Isto é uma vergonha.

Quando a discussão sobre a criação de uma nova carteira de trabalho com menos encargos apareceu foi logo abafada porque era ruim para o trabalhador.

Ele nada ganhou, paga imposto indireto altissimo então vamos fazer o seguinte, aumenta o valor de isenção de IR, deixa ele mais um dia em casa para ser feliz e vamos seguir em frente com a plateia.

Não ha lanche de graça. Trabalhar um dia a menos acarretará invariavelmente em algumas alternativas, dentre elas, o aceleramento da automação que vai gerar desemprego (cujo vilão hoje é a IA), inflação, aumento de preço e ate redução de vaga, fora a contratação informal.

E o destino todo mundo ja conhece, o de cima sobe o de baixo desce.

Me espanto ao ver advogados fazendo posts defendendo esse absurdo, simplesmente para surfar a onda da midia e repercussão, ao inves de pensar e cobrar do Estado onde estão errando.

Empresas existem para dar lucro,  politicos existem para gastar mal e alguns ainda roubam a máquina publica, todos eles estão sempre ganhando… e trabalhador existe para seja qual for o turno ganhar dinheiro que dignifique seu trabalho e sacrifício em prol da coletividade. Tudo isso equivocadamente ignorado, e muitos se reajustarao a escala reclamando da falta de pagamento de hora extra.

Ate quando?

O BBB real que voce vive e não vê.

Parece, nesta segunda-feira passada, que não existe assunto em maior evidencia do que a saída do jogador Pedro do BBB. So depois de analisar os videos e ler alguns comentários é que percebi, a saída dele não me parece muito diferente da cultura e dos costumes impostos aos cariocas e a todos que por exemplo passam na Cidade do Rio de Janeiro.

A leitura diária das notícias confirma isso com uma clareza quase constrangedora e expõe a inconsistência da moral e dos bons costumes tão defendida nas falas e discursos, inexistente no dia-dia.

Não é de hoje que chamo atenção ao novo normal que se tornou a inserção de textos erotizado na vitrine do dia como faz o UOL por exemplo. O GLOBO repete o mesmo padrão de forma mais discreta, na segunda-feira passada revelou a existência de uma plataforma que reúne adeptos ao sexo liberal e conteúdo adulto no Rio de Janeiro.

Confesso que fiquei pasmo, ainda que seja impossível conter a demência de muitos que estão aí no mundo, existem 442 locais apontados como pontos para a prática de sexo público e com desconhecidos.

Não estou diante de algo excepcional. Pelo contrário. Essa prática ja esta organizada, mapeada e amplamente conhecida por quem esse meio frequenta e se expande pela normalização da situação amplamente divulgada como se fosse convite a adesão de novas pessoas.

Sera que as delegacias especializadas para defender mulheres, gays e outros grupos de pessoas vulneráveis vão se manifestar com o mesmo afinco como fizeram em relação aos atos praticados dentro do BBB? Ou, a resposta institucional será seletiva, dependendo da visibilidade, do constrangimento publico que o tema pode potencialmente causar?

Voltando ao BBB, me causou certa estranheza para dizer o mínimo, que o programa ao vivo, com monitoramento integral, em tempo real, levou mais de uma hora para fazer um pronunciamento oficial. O alerta dado pelo Tadeu Schmidt, afirmando que o participante teria sido expulso caso não tivesse apertado o botão, levanta uma questão objetiva para quem opera o direito.

Qual é o tempo que um crime tentado admite para ser tipificado?

Considerando que no direito penal, tentativa não depende de consumação nem de arrependimento posterior, a conduta da pessoa é avaliada desde o momento em que ela se manifesta. O crime de tentativa não absolve o quase. A hesitação não apaga o risco e a demora não transforma o fato menos grave.

Isso é o que fez, e ainda faz, muitos levantar a voz para criticar e reviver a ditadura como se estivesse acontecendo até hoje, no entanto, o que se viu no BBB parece ter sido a benevolência através da qual o interesse privado se sobrepõe ao publico.

Essa postura é tão ineficiente quanto a demora crônica da Justiça brasileira.

Ilustra o quanto muitos, até o dia de hoje, são iludidos pela narrativa de que esta tudo bem no Brasil. O Rio esta bombando. A mais famosa festa de de final do mundo foi palco do maior furto de cabo de luz do mundo, quem diria, copacabana e leme amanheceram sem luz.

Comum a tudo o que vivo é a percepção essa realidade existe por conta da evidente falta de instrução e educação ao povo. A isso soma-se a impunidade que permite aos mal educados afrontar a lei sem medo da consequência de seus atos.

Quando a justiça demora, relativiza ou negocia suas decisões, algumas impulsionadas mais pela imprensa do que pela regra, isso é péssimo. Resta a percepção comum do que é injusto.

Foi justamente a impressão que tive e mantenho no episódio do BBB. Ja é sabido que os participantes da casa são várias vezes chamados atenção a questões cujo audio não é perceptível a quem esta do outro lado da TV.

A rápida edição de imagem na convulsão de um participante existiu. Porém na questão do agressor não. O que ficou parece foi a tentativa de preservar o programa, em claro ato de contenção de danos ao invés de enfrentar o problema.

A ideia que o Pedro teria apertado o botão espontaneamente e sem pressão, renunciando ao premio de cinco milhões pelo despertar súbito de sua consciência me parece impossível. Eu e muitos não compram isso.

Pois é, ao que parece, a situação do BBB é mais corriqueira na realidade de muitos do que se imagina, e principalmente se defende na moral e bons costumes. O discurso pelo certo, sério, moral e justo se tornou em uma narrativa do projeto de sociedade e vida que o poder publico ha anos, independente do partido governante, pretende emplacar.

Não podemos nos acostumar com essas contradições profundas e achar isso normal.

Dai porque percebi que esse BBB diz muito sobre o que somos enquanto sociedade e do que vimos e fazemos para a coletividade.

Deboche não é argumento: sobre arrogância retórica e pobreza intelectual

Há textos que incomodam não pelo tema, mas pela forma. O artigo recente de reinaldo azevedo é um desses casos.

O problema central não está, necessariamente, nas conclusões a que o reporter chega. É possível, sim, que parte do diagnóstico esteja correto. O que causa estranhamento — e rejeição — é o método. A retórica adotada, marcada pelo deboche e por uma suposta classificação “técnica” de fatos e argumentos por meio de siglas, não fortalece a tese. Ao contrário: denuncia sua fragilidade.

Transformar o debate público em uma sequência de rótulos é um recurso antigo. Serve menos para esclarecer e mais para enquadrar, reduzir e deslegitimar o pensamento divergente. Não se trata de análise rigorosa, mas de uma imposição de visão, travestida de didatismo.

Há ainda um equívoco mais profundo: a crença de que o escárnio é instrumento legítimo do convencimento.

Não é.

O sarcasmo pode render aplausos fáceis de quem já concorda, mas empobrece o debate, fecha portas e afasta qualquer possibilidade real de diálogo. Além disso, envelhece mal. O que hoje parece ironia afiada, amanhã soa apenas cafona.

Os fins — ainda que considerados nobres pelo autor — não justificam os meios. Quando o argumento depende do deboche para se sustentar, o problema não está apenas no interlocutor criticado. Está, sobretudo, na segurança de quem escreve.

O debate público brasileiro já sofre demais com gritos, caricaturas e certezas absolutas. Não precisamos de mais textos que trocam reflexão por escárnio. Precisamos de menos arrogância retórica e mais responsabilidade intelectual.

Leia

Onde termina em tinta começa em carater.

Hoje eu vou falar de banheiro.

E não, isso não é um exagero nem uma pauta menor. É justamente o contrário: há temas que só parecem pequenos porque ninguém quer enfrentá-los.

Cheguei em casa e precisei usar o banheiro da garagem. O espaço que, segundo o sindico, foi “reformado”. Reformado, aqui, significa pintado — do chão à pia. Nada além disso.

Que vergonha!!!

Nenhuma preocupação estrutural, nenhuma intenção real de oferecer dignidade. Apenas uma camada de tinta para disfarçar o abandono. É isso que devemos aos funcionários, prestadores de serviço e a nos mesmos?

O curioso é o contexto.

Moro em um prédio que, há pouco tempo, arrecadou mais de um milhão de reais em cotas condominiais em atraso. Um edifício cujo condomínio é caro, e também habitado por pessoas ricas, instruídas.

Aqui residem embaixadores, consul, advogados, profissionais da televisão, gente que fala bem, se veste bem e sabe discursar. Ainda assim, o banheiro destinado a funcionários, prestadores de serviço e também aos próprios moradores permanece indigno.

E foi aí que a reflexão surgiu.

Esse banheiro não é apenas um espaço mal cuidado.

É um retrato social!

Um experimento silencioso que revela algo que raramente é dito: a forma como muitos da elite cuidam dos espaços “dos outros” diz muito sobre como tratam os que lhe atendem. Mais ainda, diz sobre o ambiente que é tolerado aos funcionários e por consequência como deve ser mantido.

Sempre tive dificuldade com discursos ensaiados. Nunca levantei bandeira seja qual for. Da lgbt a esg. Dou a minima para isso.

Também não dou ouvido a esse discurso politicamente correto de fachada, com as risadas fáceis em mesas bem postas. Muitas vezes, essas risadas não são de alegria — são de superioridade. Não se ri com o outro, ri-se do outro. Especialmente de quem trabalha, de quem serve, de quem não aparece na foto.

O banheiro da garagem mostra isso com uma honestidade brutal. Ele mostra que há pessoas capazes de investir tempo, dinheiro e energia em festas, aparências e narrativas públicas, mas incapazes de garantir o mínimo de dignidade a quem circula ao seu redor todos os dias.

E aqui vale uma inversão simples, porém necessária: quem trata o outro como inferior não demonstra superioridade alguma — revela apenas a própria pequenez.

Talvez alguém diga que é exagero. Que é “só um banheiro”. Mas não deveria nem ser pauta eu precisar reclamar disso. O problema é justamente esse: quando o óbvio precisa ser dito, algo está profundamente errado.

Somos dezessete unidades. Um não muda dezessete. Dois ou três também não. O silêncio coletivo acaba sendo o maior aliado da manutenção desse estado de coisas. Talvez o video, esta reflexão, nem chegue ao algoritmo certo. Talvez não incomode quem deveria incomodar. Ainda assim, falar é necessário.

Enquanto isso, sigo fazendo a minha parte.

Estou reformando todos os banheiros da minha casa. Os que eu uso e os que eu uso também — porque faço questão de usar todos. Não por virtude, mas por coerência. Dignidade não se terceiriza. Não se escolhe para quem ela vale. Aqui a prioridade é higiene com dignidade seja em qual banheiro for.

No fim, fica a pergunta que me faço — e faço a quem lê: estou errado por me incomodar com isso ou o verdadeiro problema é termos normalizado demais o que nunca deveria ser normal?