Experimente antes que acabe

J√° parou para pensar que quarenta anos atr√°s os autom√≥veis no Brasil se resumiam a tr√™s √ļnicas categorias representadas pelo chevette, monza e opala, ou gol, voyage e santana.

Dez anos depois junto com a abertura de mercado as carroças evoluiram. Kadett, Corsa, Astra, Vectra e Omega por exemplo surgiram e fizeram uma revolução no mercado.

Esse fen√īmeno ocorreu em todas as marcas. A Fiat por exemplo trouxe o Tipo, Tempra, coup√© Brava, Bravo e Marea para citar alguns.

Além dos nacionais haviam os importados. Hyundai, Kia, Volvo, Nissan, BMW e por ai vai.

A década de 90 foi próspera tanto para a expansão desse segmento como também na construção de carros.

Até então a engenharia tinha voz ativa nos projetos. Muitos eram concebidos para durar. Não havia a necessidade de sequer contemplar porta copos. Veículos eram projetados para motoristas. Destacavam-se aqueles que tinham refino e excelência na construção e tecnologia.

N√£o a toa v√°rios deles circulam pelas ruas ate hoje.

Infelizmente isso vai mudar. Os fabricantes a cada ano que passa persistem em n√£o ver na durabilidade do produto um item importante. Nem enquanto marca, ou mesmo sob o aspecto ambiental. A aquisi√ß√£o de um meio de transporte, que ja foi um luxo e necessidade, hoje tamb√©m j√° n√£o tem import√Ęncia e est√° relativizado.

O sonho de completar 18 anos e comprar um carro não existe mais. E com a entrada de serviços de transporte tipo uber os modelos premium agora são acessíveis a qualquer um por qualquer preço.

E se for usar um pouco mais a locação esta ai para facilitar. Muito recentemente alguns aplicativos permitem a localização de veículo entre particulares fazendo cair até mesmo a utilização de locadora.

Nesse pouco tempo ganhamos mobilidade. Ainda que seja pela utilização a exaustão de veículos de produção mais simples e barata o mercado ampliou.

Hoje leio as exatas e mesmas revistas automobilísticas de tempos atrás e a análise de produto se resume a dizer que a tela multimídia é maior num do que em outro. Como se esse ponto em automóvel fosse realmente relevante. Chegaram ao ponto de adotar letra de eficiência para classificar determinado carro em relação a concorrência.

Tudo isso é uma grande bobagem. Entenda vc não vai dirigir por 40 anos nenhum desses novos veiculos, nem haverá assistência técnica para reposição de peças. Ainda que as revistas te iludam com argumentos tipo o farol de um e mais barato que de outro. Isso não é garantia que ambos irão ter pecas de reposição, ou ainda que irão durar o prazo da garantia sem alteração no produto.

Ent√£o √© isso. O consumidor de carro zero se contenta com pouco. Sabe que a vida √ļtil de seu ve√≠culo √© inferior, que em pouco tempo sofrer√° altera√ß√Ķes, e que talvez n√£o chegar√° ao final da gatantia com ele em produ√ß√£o.

Além disso, por conta do luxo vai pagar ipva e seguro elevado dependendo do humor da seguradora. O mesmo não acontece com um carro mais antigo.

Ainda que o diagnóstico de eventual defeito exija conhecimento específico do modelo, ainda que não haja a universalização dos códigos de falha na leitura dos computadores, esses veículos tem seu valor construtivo.

Geralmente de rodar macio e silencioso, possuem na carroceria, forro de teto e porta material que absorve bem os barulhos de fora. N√£o tem rod√£o, n√£o s√£o avessos aos buracos, aceitam bem as imperfei√ß√Ķes sem bater ou se desmontar.

E porque voce os esqueceu? Pela facilidade de financiar? Porque a revisão do novo é mais barata? Porque o novo é mais bonito? Porque tem garantia?

Talvez um conjunto de fatores tenha lhe retirado de um segmento que hoje acabou. Assistência técnica em veículos é muito difícil. Quase impossível. Ate voce achar bons profissionais que partilham do seu entusiasmo, e fazem disso uma profissão.

Esse é o ponto que estou hoje. Incontáveis as vezes que fui iludido na cobrança do que não correspondeu ao certo ao que foi feito. Ou que apesar do investimento foi necessário retrabalho.

Fato √© que em um carro antigo voc√™ realmente aprende e entende a evolu√ß√£o da maquina. Do carburador a inje√ß√£o eletr√īnica, no passar do tempo a gente aprende a sentir a diferen√ßa nas constru√ß√Ķes e sistemas. ABS e Air Bag tamb√©m para muitos n√£o √© novidade, nem hoje nem antes. Ha tempos os possuiam com controle de tra√ß√£o, estabilidade e frenagem.

Essa crise da gasolina, se algo de bom vai acontecer para quem desse sistema vive é acelerar a eletrificação dos automóveis. Afinal fabricantes não irão sobreviver vendendo produtos que não se tem reposição de combustível ou que o valor disso seja caro.

O petr√≥leo outrora menina de olhos de ouro de todas as na√ß√Ķes esta caro, sobrevive as custas da estiva de pessoas num mercado que assim como os autom√≥veis est√° se modificando. A especula√ß√£o imobili√°ria est√° ajudando a por fim nos postos de combust√≠veis. A energia esta em qualquer lugar enquanto a gasolina s√≥ tem no posto.

Então se voce quiser entender um veículo além de sua cor, do que faz o APP, da eficiência energética e do tempo para carregar a bateria, agora é a hora! Carros velhos estão depreciados.

Talvez em 10-20 anos nem estes estarão aí para contar…. Bora tentar? Depois me conta. Não irei resistir saber sem perguntar.

A saga da gasolina parte 2 – os usineiros

Ontem escrevi sobre o porque não acredito que o preço da gasolina venha baixar no Brasil. Resumo da ópera está no fato que existem varias bocas na formação do preço que se beneficiam da atual estrutura tributária para lucrar.

Então a recente materia no jornal abaixo so vem a comprovar o conluio dos usineiros com as distribuidoras. No final das contas não estamos discutindo a geração de emprego, desoneração ou reforma do Estado.

√Č um golpe contra o povo. Que ter√° em princ√≠pio na sa√≠da do carro el√©trico uma solu√ß√£o para aniquilar esse setor arcaico de produ√ß√£o de combust√≠vel.

Infelizmente. Estamos perdendo. Pelo menos aqueles que como eu entendem de mec√Ęnica, apreciam autos desvalorizados.

Também perdem todos os consumidores. E não é de se estranhar que os usineiros vetem a entrega direta do combustível sem a distribuidora. Como tudo no Brasil a atividade deve ser exercida com uma cadeia de gastos de forma a tornar atrativo esse método.

N√£o acha?!

A Gasolina, o governo e o que penso sobre isso.

Hoje com 45 anos olho para traz e não consigo achar um momento em que o preço do combustível estivesse fora do debate nacional.

Sempre caro, como tudo no Brasil parece que a moda é justificar o aumento no mercado externo, como fonte e balizador de preço.

Cada vez mais claro, com o passar dos anos, estamos recebendo sempre o pior.

Ja reparou no mercado que as frutas e verduras parece estão em pior qualidade?? E não é de hoje, o que me leva a crer, estamos exportando as melhores.

Algo semelhante ocorre com a gasolina que leva um percentual elevado de álcool. Contudo se ate pouco tempo os usineiros consumiam cerca de 10 por cento do preço final do produto, hoje eles avançaram.

Fato que esse pa√≠s n√£o √© para amador. Bastou o presidente colocar em pauta a discuss√£o sobre a libera√ß√£o dos impostos que li uma reportagem com um quadro justificando a eventual falta de import√Ęncia e peso do icms na gasolina.

O quadro da formação de preço não é diferente do caos que vive o Brasil, senão vejamos.

Esta claro que produtores e distribuidores levam boa parte do pre√ßo. No Brasil quest√Ķes tribut√°rias fizeram a segrega√ß√£o desse neg√≥cio que depende do mesmo fabricante, ou seja, criou-se dois potes para tributar e ganhar da mesma fonte.

Além disso, sim os impostos pesam no preço dia-dia.

Na pandemia, no auge do lockdown em abril de 20 esse grupo que parece um cartel decidiu faturar na distribuição o que não ganhou na produção.

E o estado ta la cobrando uma agiotagem de quase 30 por cento enquanto o governo federal vem reduzindo seu percentual.

Curioso como tanta gente defende o fim da corrup√ß√£o e acha aceit√°vel esse jogo de interesse entre estado, produtor e distribuidor que levam a√≠ 20-30 por cento na cara dura. E os usineiros tamb√©m est√£o a caminho do mesmo percentual afinal o etanol antes na base de 11-12 por cento esta chegando a 15. Ja o produtor e distribuidor comp√Ķem 50 por cento.

Quanta hipocrisia dizer que o icms não influi no preço, basta rodar 200 km e cruzar a fronteira do Rio com São Paulo que tomamos um susto com a diminuição do preço da gasolina.

A equa√ß√£o deveria ser inversa, os estados deveriam reduzir suas participa√ß√Ķes antes do tesouro abrir m√£o de sua parte contudo existe claramente um jogo e interesse pol√≠tico em gastar o assunto colocando o governo federal em evid√™ncia.

Portanto entendo que a leitura da reportagem claramente direcionada a preservação das receitas do estado nos sabota. Nesse pote ai muita gente mama e claramente o governo federal e o que menos manda.

Entendendo esse quadro num olhar amplo o √ļnico que perde a√≠ somos n√≥s. E vamos continuar perdendo por algum tempo‚Ķ

Dia especial! Nasceu a padaria social.

Há dois anos atrás quando conheci o Carlos e falei sobre esse projeto, não sabíamos como iria acontecer nem como fazer.

No início, procurei nas padarias existentes por maquinário. Não funcionou. Tentamos o mercado de usados e também não vingou.

Ai veio a pandemia. E Deus tocou no coração de muitos que vieram nos procurar querendo ajudar. Primeiro veio a ajuda com a entrega de alimentos que iriam estragar e a produção de quentinha acelerou. Depois veio a confiança para ajudar e acreditar o quanto se pode fazer bem ao próximo com tão pouco.

Ajudar o próximo é um ato de amor. Matar a fome é uma benção. Ajudar essa corrente de bem não é fácil quando temos aí tanta propaganda e tanta gente descompromissada.

Então resolvi agir, e conseguimos fazer a comida chegar a quem mais precisa. Com muito pouco. Essa é a multiplicação dos pães, como rende, como é barato, como é mais fácil do que parece e quanto tabu existe para dificultar ajudar o próximo.

Superamos essa dificuldade juntos. Obrigado a quem me ajudou. Nesse projeto descobri que existe carência de profissionais na área da panificação. Espero poder ajudar. Também descobri que existe igual dificuldade para conseguir confeiteiros.

Derrepente tive a ideia de expandir e fazer a confeitaria social. Enquanto isso vamos produzindo pães para todo mundo. A venda de uns financiará a produção daqueles que tem fome.

Estamos aceitando pedidos!

Talib√£ e o contorno pol√≠tico previs√≠vel

Derrepente o Talibã é para o mundo a volta dos que não foram.

Dias atrás enquanto pensava alto e escrevia sobre o que não sabia e os motivos pelos quais a ordem não poderia ser cumprida em hipótese alguma, adotei como uma das justificativas a explicação que a decisão não se baseava no meu desejo, e sim que haveria uma barreira geografica e política para tomar a decisão.

Entendi que aquele lugar tamb√©m simboliza disputa de poder de presumido interesse de outras na√ß√Ķes. Afinal como conseguiram se financiar por tantos anos para comprar aquelas armas?! Tecnologia de guerra e armamento n√£o vende na esquina na economia organizada. √Č item de guerra. Isto os impede de serem livres, pois sempre sujeitos ao controle pol√≠tico e econ√īmico de algu√©m.

Eis que surge um artigo na folha de São Paulo que discorre sobre um comunicado de um líder para que este regime que renasceu para o mundo faminto, e com sede, seja moderado.

R√≥tulos a parte √© dif√≠cil conceituar sob qual outro regime a solu√ß√£o desta equa√ß√£o vira. Ainda que sem informa√ß√£o, entendo que o tra√ßo comunista hist√≥rico daquele pa√≠s que cedeu ao capitalismo que impulsiona o mundo pelas rela√ß√Ķes de consumo esta se mostrando como uma sa√≠da ou interesse.

De forma muito crua e rudimentar, tchau estados unidos, pare de impor a conversão ideológica de sua democracia de forma compulsória. Esse povo vive assim e assim viverá. São meus vizinhos, viverão assim.

A n√≥s restam fragmentos de not√≠cias e relatos que v√£o desde viol√™ncia e intransig√™ncia, morte, fuga e medo. Basicamente pela not√≠cia acerca do quanto √© amea√ßador o fundamentalismo isl√Ęmico.

O Brasil historicamente se alinha aos Estados Unidos na política e na economia. Ate cede para a economia americana. Porém depende igualmente e agora muito mais da chinesa e asiática.

Existe certo e errado nisso? Qual a nossa posição?

Em meio a essa quest√£o do Talib√£ e as negocia√ß√Ķes que suceder√£o com a Russia, o que estamos fazendo com o Brasil violento? Que mata de fome? N√£o oferece servi√ßo p√ļblico decente, enxuto e eficiente contudo critica e opina rapidamente.

Uma nação cujos trabalhadores não vivem bem do salário apesar dos amplos direitos estabelecidos na constituição.

Precisamos entender um pouco mais as motiva√ß√Ķes, as vezes pelas mat√©rias que leio parece que vivemos geograficamente uma guerra de poder na forma√ß√£o de um bloco e reafirma√ß√£o de regime similar ao que seria uma guerra mundia, fomentada n√£o apenas com muni√ß√£o e sim com artigo e m√≠dia de jornal/pessoal.

Se isso fosse ruim porque o congresso e senado aprovaram a possibilidade de estrangeiros adquirirem no CPF terras nacionais? Em qual ponto e posição estamos cedendo aos efeitos reflexos dessa guerra. O que somos?

Mistério.

O que n√£o sabemos sobre a quest√£o do Afeganist√£o.

São a tantas as notícias da tomada de poder pelo Taliban em Cabul e de seus desdobramentos, que não tem sentido sobre isso relatar.

Contudo interessa, em raz√£o do que considero ser um interesse velado de terceiros, sejam esses pessoas e/ou paises comentar.

Sou da opinião que a ordem de retirada, que não é novidade, apesar de ter sido emitida pelo presidente anterior, que teve presença e atuação conturbada do início ao fim de seu governo, não poderia em hipótese alguma ser cumprida.

Entendo perfeitamente o interesse legítimo do atual presidente dos Estados Unidos de não querer deixar para o próximo a responsabilidade e o custo dessa guerra. Sou também ideologicamente a favor do fim da guerra. De modo que é fácil endossar qualquer ação nesse norte.

A din√Ęmica dos fatos que ocorreram ap√≥s a tomada de poder em Cabul, independente de terem sido rapidas demais ou n√£o me fizeram refletir.

Como pode uma nação que há vinte anos é guerreada ressurgir tão rápido com armas tão sofisticadas? Uma guerra não se luta com boa vontade tampouco se ganha com equipamentos velhos. Alguém esta ali financiando isso. E não acredito que seja a economia local, não.

Ficou claro que faltou articula√ß√£o pol√≠tica dos Estados Unidos com o resto do mundo em rela√ß√£o a isso. E porque faltou? Talvez porque os √ļnicos parceiros estrat√©gicos que tem capacidade de ajudar, penso rapidamente na Russia e na China, n√£o est√£o interessados.

As barbaridades estão ai. As fotos são chocantes. Os ditos direitos e garantias conquistadas de igualdade e liberdade entre homens e mulheres em relação as suas famílias e trabalho foram extintos de imediato.

A fuga do antigo presidente e demais membros integrantes do governo a jato so comprova o muito que ali existe n√£o sabemos.

E o que n√£o sabemos sobre aquele povo, aquela terra e aquela guerra? Minimamente que n√£o era novidade a volta do regime. Realisticamente que o regime √© explicitamente financiado por outras na√ß√Ķes.

A partir da√≠ compreendo que estamos diante de uma quest√£o muito complexa. Vai muito al√©m do que entendo por desculpa o suposto v√≠nculo de osama bin laden. Esse conflito permanente simboliza a disputa de poder traduzida por uma guerra local. Sangrou uma na√ß√£o em soldados, tempo e dinheiro em uma luta sem vencedores. Consolidou o isolamento dos Estados Unidos de outras na√ß√Ķes.

Qual ser√° de fato o desdobramento disso, quem viver ver√°!

Eu VOTO e voc√™ ?

Esse mes todos n√≥s vivenciamos a pol√™mica quest√£o inerente a justi√ßa eleitoral no que concerne o voto. De um lado, sob a bandeira do voto audit√°vel, um grupo pleiteou que a reforma agregasse ao dispositivo eletr√īnico o voto impresso. Em oposi√ß√£o, l√≠deres partid√°rios e magistrados disseram, em resposta, que o sistema atual √© seguro o suficiente para se manter sem mudar.

Posto em vota√ß√£o, aqueles que nos representam decidiram por n√≥s manter a vota√ß√£o na forma que esta, ou seja, totalmente eletr√īnica. Ao que parece, e paralelamente est√£o debatendo a reforma do sistema eleitoral para retornar a coliga√ß√£o. Por fim, li tamb√©m que cogitaram mudar o sistema de vota√ß√£o para o chamado distrit√£o.

Fato é que chegamos a um impasse. Ainda que o tema tenha criado entre muitos conhecidos animosidade, não fomos sequer ouvidos ou convocados a refletir sobre o tema. Esse assunto foi tudo, menos delegado ao povo para opinar e indicar a quem nos representa qual caminho a seguir. A questão da urna não foi democrática.

Confesso n√£o tinha muita esperan√ßa que nossa opini√£o faria a diferen√ßa. Afinal, n√£o somos muitos quando o assunto diz respeito a vota√ß√£o. Isto se prova pelo crescente n√ļmero de absten√ß√£o de voto. O candidato absten√ß√£o tem chegado em segundo lugar em todas as elei√ß√Ķes.

Imagina uma coligação do abstenção com branco e nulo. Muitos eleitos perderiam no primeiro e no segundo turno, ainda que o foto fosse impresso ou não.

Estamos nos consolidando como uma na√ß√£o que muitos elegem seus representantes por delega√ß√£o dos poucos que votam. Isso √© preocupante na medida em que o √ļnico dever imposto ao cidad√£o brasileiro pela constitui√ß√£o √© votar. E quanto menos se vota, maior a chance de ter em poucos candidatos a defini√ß√£o do pleito. Em outras palavras, se todos votassem a elei√ß√£o n√£o seria uma mera escolha de representantes, claro que n√£o. Representaria a consolida√ß√£o do processo democr√°tico em pleno funcionamento.

Defender o sistema eletr√īnico n√£o √© facil. T√£o dificil quanto isso √© repudiar. No Brasil tudo √© mais dif√≠cil porque toda hora a gente tem que votar. Decidiu-se intercalar elei√ß√Ķes para atribuir a uma delas a caracter√≠stica de ser majorit√°ria.

Talvez essa quest√£o seja junto com o tema pol√™mico da urna o primeiro e principal problema a enfrentar. Estamos cansados de ter que votar a cada dois anos. Essa obriga√ß√£o gera uma milit√Ęncia constante, eterna busca por poder. Dificulta os que foram eleitos a governar, e gera uma instabilidade tremenda na composi√ß√£o das casas. Gera politicagem.

Ideal seria que uma vez eleito o time funcionasse – ou n√£o – ate a pr√≥xima elei√ß√£o. At√© la senta e trabalha, ou reclama, agora n√£o enche o saco com elei√ß√Ķes que n√£o vai rolar.

E se um dia alguém me perguntar eu digo que não sou contrário a impressão de meu voto e consequentente deposito do mesmo a urna.

Evidente que n√£o estamos preparados para mudan√ßa do sistema. 20 anos depois da inven√ß√£o da urna eletr√īnica vejo muitos indignados com o custo da elei√ß√£o aos cofres p√ļblicos. Em meio a lava jato no passado em plebiscito a maioria proibiu o financiamento privado de campanha. Agora o processo eleitoral √© p√ļblico. E ainda que seja grande talvez seja uma Rubrica pequena em rela√ß√£o as obriga√ß√Ķes do tesouro, ja √© o suficiente para gerar desconforto e briga. Imagina se tivesse a que contemplar a contrata√ß√£o de equipes para uma vez impresso o relat√≥rio da urna comparar com a urna?!

Moro no Estado do Rio de Janeiro, notoriamente dominado por milícias e me pergunto, será que roubo de urna, voto fantasma voltará a surgir? Como fazer com que isso seja contado descentralizado de forma confiável e segura.

Essa √© a grande quest√£o. Porque o Estado n√£o emite c√©dulas e permite a vota√ß√£o antecipada ao pleito? Porque deixamos tudo para o √ļltimo dia? Se uma coisa esse debate me deu foi a reflex√£o que em termos de voto esse servi√ßo esta bem defasado, estagnou-se num sistema do passado retr√≥grado em rela√ß√£o a evolu√ß√£o das pessoas. Quanto maior for o meio de voto maior o engajamento das pessoas, e com isso aumente o n√ļmero de novos parlamentares pela pulveriza√ß√£o do voto. Para mudar tem que votar. N√£o existe solu√ß√£o m√°gica.

E por tr√°s disso pouco importa se a urna √© ou n√£o eletr√īnica. √Č preciso votar, acompanhar e cobrar. Vamos as urnas com vontade. Se todo mundo votar n√£o haver√° margem para manipula√ß√£o de voto. N√£o haver√° ociosidade no livro. Tudo vai andar. E at√© l√°, quando o assunto ficar maduro veremos que indepen da seguran√ßa do sistema de hoje, n√£o h√° prejuizo em aperfei√ßoar. E se isso significa ter o voto impresso ok. S√≥ n√£o perca meu tempo com opini√£o se na hora H voce viaja e se ausenta. Nada contra, √© democr√°tico, apenas n√£o tenho paci√™ncia mesmo!

E da mesma forma que existem ativistas, reserve ao direito de entender que não se mede democracia pelo nivel de ativismo e sim de participação de pessoas no pleito. Tem os que se interessam como eu e outros que não querem saber. Respeitá-los é sinal de maturidade. Chegou a hora né?

More love & less hater

Meu primeiro contato com hater foi em 2012. A √©poca n√£o sabia o que era. Apenas que a pessoa se fazendo por outra come√ßou a me perseguir. Como n√£o dei bola passou a fazer contato e buscar informa√ß√Ķes por meus amigos. A√≠ a coisa come√ßou a ficar seria, quando ent√£o escrevi o seguinte post.

https://pedrolvaz.com/2012/08/13/um-perfil-fake-do-facebook-me-persegue-segue-meus-amigos-e-escreve-como-se-conhecido-fosse/

Ato contínuo fiz o que todo encomodado faz. Parei de responder e adicionei o contato a lista dos bloqueados.

Se dif√≠cil estava depois virou um inferno. O conte√ļdo das mensagens enviadas por e-mail, sempre de cunho pessoal e agressivo era horr√≠vel, falso, desconcertante. Como se n√£o bastasse, uma vez bloqueado o acesso mais frequente a minha midia, o hater passou a se valer de v√°rias outras formas e m√≠dias.

Quando vi estava bloqueando o Facebook, Twitter, e por ai vai. Isto n√£o foi o suficiente, pois logo depois surgiram e-mails. N√£o contente com isso passei a receber SMS. Todos de conte√ļdo ofensivo.

Lembro que sentia um misto de inquietude e ang√ļstia a cada liga√ß√£o atendida de conhecidos para relatar o conte√ļdo da mensagem recebida.

Todas em comum falavam da minha pessoa, sob todos os aspectos, da vida pessoal a profissional, do caráter e aí vai. Nem a minha esposa a época e sua família foram poupados.

Tudo isso é muito desagradável. Não saber quem, quando e como vai acabar é desconcertante. Muito chato. Porém tem um lado positivo.

Aprendi com o hater as seguintes li√ß√Ķes:

1. Não podemos levar a sério ofensa de internet. Ainda mais quando ocorrida por terceiros que não se identificam.

2. Temos menos amigos do que imaginamos e mais conhecidos do que desejamos. Os primeiros nos ajudam, os √ļltimos propagam a not√≠cia na filosofia ‚Äúquem conta um conto aumenta um ponto‚ÄĚ.

3. Saber separar o que é digital do real é fundamental.

4. N√£o h√° mal que seja eterno.

Minha vida eu controlo, minha mídia eu censuro. Não sou obrigado a conviver com esse tipo de gente e sua censura.

Hoje, quando leio que algu√©m se matou por conta de um hater eu entendo. N√£o sou perfeito, estou longe disso. Por√©m sou forte, e fiz trinta anos de terapia. Tudo isso me ajudou a entender e colocar situa√ß√Ķes adversas como essa em seu devido lugar.

Se conhecer alguém que foi vítima de hater, de a ele ombro e ouvido. E espere que passa, tudo passa.

Metralhadora pastoral

Essa semana fui instigado a refletir sobre uma s√©rie de reportagens, veiculadas em in√ļmeros meios de comunica√ß√£o, que mencionavam a seguinte fala de uma lider religiosa (ou pastora).

“√Č um absurdo pessoas crist√£s levantando bandeiras pol√≠ticas, bandeiras de pessoas pretas, pessoas de LGBTI, sei l√° quantos s√≠mbolos t√™m isso a√≠. Mas √© uma vergonha. Para de ficar postando coisas de preto, de gay, pare!”

https://www.uol.com.br/universa/colunas/nina-lemos/2021/08/04/pastora-viraliza-com-fala-racista-e-homofobica-religioso-pode-ser-hater.htm

Seria bom se pudesse apenas escrever sobre assuntos que fossem leve, de fácil explicação e indubitável compreensão. Porém, assim como a vida, nem tudo é seguro, entendido e simples de explicar. Contudo ainda que seja espinhoso o tema vou enfrentar.

Em primeiro lugar, devo considerar que, a fala da pastora proferida dentro de igreja, ainda que me cause grande desconforto, é protegida pela Constituição de 1988 que, em um de seus incisos do artigo 5 que trata sobre direitos fundamentais garantidos aos cidadãos, garante a liberdade de consciência e crença, da seguinte forma

Inciso VI ‚Äď √© inviol√°vel a liberdade de consci√™ncia e de cren√ßa, sendo assegurado o livre exerc√≠cio dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a prote√ß√£o aos locais de culto e a suas liturgias.

Art 5 inciso VI da CF 1988

Ainda que a vida tenha me mostrado que o exerc√≠cio desse direito no dia a dia seja facil, a compreens√£o deste √© muito complicado. √Č fair admitir que por esse princ√≠pio podemos e devemos conviver n√≥s crist√£os, cat√≥licos, evang√©licos, umbandistas, at√© mesmo com quem n√£o tem religi√£o, ou √≠ndios e por fim ainda aqueles que por exemplo s√£o devotos ao satanismo? Pelo artigo 5 s√£o todos admitidos. Existe possibilidade de padronizar eles? N√£o.

Nesse prisma imagine a seguinte situa√ß√£o, uma fam√≠lia esta iniciando seu filho em sua religi√£o. O judeu corta o prep√ļcio do filho, uma satanica por exemplo faz um marca tipo navalhada. Consideramos isso les√£o corporal?

O que chama aten√ß√£o na reportagem n√£o √© o discurso propriamente dito e sim o fato que estamos sem conceito na sociedade sobre quais seriam os limites, e como seres civilizados nos oponos a qualquer tipo de culto e celebra√ß√£o do que, para nossa pr√°tica, n√£o √© convencional. Ou, contr√°rio senso, que dado o fato que somos √ļnicos em raz√£o e pensamento, n√£o existe possibilidade e chance de normatizar e verticalizar esse conceito. Para o ser religioso, praticante ou n√£o, ainda que ateu, n√£o existe padr√£o.

De igual forma me pergunto se a um √≠ndio seria permitido, nos dias de hoje, levar uma vida a sacrif√≠cio em prol de sua religi√£o? Perai, nesse caso, e antes que pense que estou concordando, seria absurdo e inconceb√≠vel. Para casos como esse o Estado atrav√©s de suas doutrinas ja disse no √Ęmbito penal que √© proibido matar algu√©m. Exceto quando o ato ocorre em legitima defesa, √ļnico meio segundo o qual a perda de uma vida n√£o implica em responsabilidade para quem a tirou. Opera-se neste caso uma excludente.

No campo religioso alguns tabus merecem ser explorados na medida em que abordo esse tema. √Č poss√≠vel conceber que a umbanda, religi√£o criada a partir de um carioca, branco de olho azul, como religi√£o africana ou cat√≥lica? De outro giro, existe algum permissivo na igreja cat√≥lica para aceitar o umbandista? N√£o. S√£o doutrinas e credos diferentes. Nenhuma se mistura e n√£o ha como ter ao p√© da religi√£o qualquer interse√ß√£o entre eles.

Contudo eles se toleram muito bem. Apesar das particularidades de cada uma, vejo e entendo que h√° no campo religioso uma toler√Ęncia essencial a conviv√™ncia harm√īnica entre os fi√©is.

Isso não significa que os grupos religiosos se aceitem, muito pelo contrário, alguns possuem questionamentos milenares. O que é comum a todos é que pautam suas condutas a partir de anos e anos de doutrina e experiência.

Ou seja, o que esta sendo posto em debate por certo não é novo, não é novidade, nem foi decidido ontem. Porém, para o fim jornalístico, o questionamento veio a tona a partir da alegação de racismo e homofobia.

Aí a questão fica mais complexa. Surge uma pegadinha. Porque toda vez que uma situação for enfrentada sob a ótica de desconstruir, ou não modelo padrão de aceitação, vamos ter problema.

Exemplo. Não é de hoje que escrevo e menciono a sorte que tenho de ser tolerado pela sociedade. Isto não significa nem de perto ser aceito. Tenho plena consciência e convicção que existem muitos que circulam por ai que não aceitam a minha natureza afetiva. No entanto, com o passar dos anos e o avanço do grupo gls, hoje se formou uma sopa de letrinhas ainda maior, que faz jus ao reconhecimento da trans.

Estou submetido, ao andar pela rua, ser julgado a qualquer instante por qualquer pessoa. Fato, aquelas cuja religião prega ser admissível somente a união entre o homem e a mulher não vão aceitar a minha natureza, embora tenha assimilado que comunitariamente deve me tolerar.

Essas pessoas e suas atitudes compoe o estado democrático de direito. Isto é, desde que a postura da pastora seja propagada da porta da igreja para dentro, no momento em que esta, em tese, dentro do lugar que simboliza, numa percepção leiga e realista, o corpo de cristo na sua crença.

Somos desafiados todos os dias a pensar e repensar algumas de nossas cren√ßas. Alguns conceitos mudamos. Outros n√£o. √Č normal. Se assim n√£o fosse, imagine outra situa√ß√£o: um flamenguista que faz torcida organizada contra o vasco sistematicamente, vinte anos depois acaba socio de um vasca√≠no. Pode?!

A conjugação do tolerar com aceitar é uma desordem. Assim como também é a apropriação pelo estado colonizado pelos jesuítas da palavra casamento. Na forma em que está, obvio o motivo segundo o qual muita igrejas insurgiram contra a utilização da palavra casamento enquanto simbologia de união para gays. Evidentemente que não gostariam, de forma alguma, que posteriormente viessem a ser compelidos de casar quem não se enquadra nas suas regras milenares.

E isso também não tem problema. O problema ocorre quando a matéria vira debate ja pela deficiência de explicação, talvez até mesmo entendimento do jornalista, optando-se por generalizar uma pregação em comparação a normatização de um indivíduo. A situação piora na medida em que, nos tempos de internet, somos umbilicalmente ligados uns aos outros por telefone celular. E nesse campo a informação trafega muito rápido. Então chegamos muito rapidos ao big bang dos assuntos.

O nesse caso, meu entendimento final sobre isso, ja sabendo e convivendo com pastores de in√ļmeras religi√Ķes, alguns os quais dizem aceitar, outros afirmam que devemos seguir fielmente o que esta escrito l√°, cabendo a autoridade do pai sobre o filho explicar o caminho, que esta tudo bem.

Me permito ser tolerado por todos estes. Não tenho na pessoa que acha que devo chamar meu marido de companheiro, porque em sua ótica, não é o casamento e sim a relação de companherismo que se cria com anos de experiência que vale, como alguém que me aceita no sentido amplo e padrão que os movimentos e seus integrantes querem normatizar.

N√£o! Vou casar, ter o Paulo como marido e seguir a vida. Tolerada por muitos?! Certamente. Aceita por todos? N√£o. E pouco importa. Essa √© a riqueza do ser humano. Isso que importa. Nunca teremos um denominador comum para isso. E desde que haja respeito e toler√Ęncia esta tudo bem.

Finalmente, de forma simplória, assim com um pai pode não aceitar a forma inescrupulosa através da qual seu filho vive, vai sempre tolerar sua existencia. Independente do que diz a pastora terá sempre no uso das palavras proferidas na igreja que simboliza ai o corpo de cristo, legitimidade. Desde que pare ali e ensine de igual forma aos fieis a tolerar os outros que não se submetem as suas doutrinas.

A partir dai cada um por si. Que venha a respeitosa diversidade. E que n√£o sejam todos compelidos a formar um padr√£o, uma unidade compartimentada de conceitos, emburrecida, em detrimento da liberdade de direitos, cujo uso, simbolismo e express√£o tem sido cada vez mais deturpado.

Ate quando?