Bad comand or file name, Obitu√°rio.

De tempos em tempos a tecnologia nos leva a crer que estamos cada vez mais seguros e n√£o dependente de outros.

Foi assim que pensando em cortar os custos resolvi 38 anos depois hospedar os meus arquivos em um HD particular em nuvem com tecnologia de espelhamento Raid.

Parecia bom demais, e foi. M√ļsica, filme, arquivos do escrit√≥rio, pessoais, compilei tudo o que tinha coletado ao longo de uma vida e finalmente organizei l√°.

Foi o grande projeto pessoal e profissional que fiz ao longo da pandemia.

S√≥ n√£o estava preparado para um defeito simult√Ęneo em 2 HDs que levariam ao colapso a indexa√ß√£o do sistema e a perda de todos os arquivos.

Bem perdi tudo. Estou de luto. Não sei ainda como seguir adiante depois que toda memória digital de uma vida foi perdida.

Disse um grande amigo que nada esta perdido, pois tudo esta na minha cabeça. Outra amiga disse que se ligar para a nuvem onde tinha os arquivos eles recuperam, uma vez na nuvem, esta no mundo.

Fato que minha história digital e portanto o futuro obituário digital se perdeu.

Rapido demais.

Minha vida não é a mesma estou ainda meio perdido, para compensar fiz um brownie e to imaginando como será o amanhã com zero de arquivos para trabalhar.

E como não poderia deixar de ser, apesar da dor avisei aos clientes. surpreendentemente depois de muitos anos de trabalho todos disseram que vão providenciar um técnico para tentar restaurar.

Essa é a dimensão da minha vida digital, imensa.

Meus pais também disseram que tem foto de família para me ajudar a recompor o acervo. Perdi arquivos deles, todas as aulas, tese e trabalhos do meu pai que datilografei e ajudei desde os 9 anos de idade.

Doi demais. Vai passar, tudo passa. E o que n√£o mata, engorda.

Tempos modernos!

Hoje a tarde, sai da casa de meus pais na Barra, e voltei por Botafogo. A ideia era passar no mercado para comprar alguns itens do café da manhã.

Desde que o pre√ßo da comida e da luz disparou, decidi comprar menos, apenas o essencial. Al√©m de manter a geladeira vazia e menos fria, consigo acompanhar o pre√ßo da comida no mercado e tomar decis√Ķes mais din√Ęmicas sobre o que comer e quanto gastar.

Sempre que passo em Botafogo e Humaita n√£o consigo deixar de refletir sobre como o bairro mudou ao longo dos anos. Quando nasci os muitos casar√Ķes j√° n√£o mais cumpriam a finalidade de resid√™ncia.

Tivemos na dita evolução da cidade um processo urbanístico que lamentavelmente privilegiou o capital em detrimento da história. O resultado prático, além da descaracterização da cidade e falta de identidade, foi o adensamento e desordem urbana.

Esse fen√īmeno de mudar para ganhar, porque o que ai esta √© chato ou por demais conhecido, depois da cobi√ßa a vida alheia, tem sido muito presente, e ditado a vida de muita gente.

Na arquitetura descaracterizou bairros, cidades, levantou muros e apagou história, do tipo que se demora anos para escrever senão séculos. Tudo em prol da modernidade, do novo sobre o antigo. Hoje ve-se que o novo não necessariamente é melhor.

Na literatura provocou adapta√ß√Ķes de obras liter√°rias consagradas, e que refletiam na linguagem um retrato de √©poca.

Na creche e escola, partindo do pressuposto que a nova geração é incapaz de refletir e entender o passado, decidiu-se alterar algumas das muitas cantigas. Tudo isso para ser politicamente correto.

Nem o Rio que é a cidade do carnaval conseguiu escapar dessa. Ha muito tempo não escuto as marchinhas de carnaval que ouvia na década de 80 talvez porque são proibidas ou ninguém as entenda.

A decepção mais recente foi com a recente história acerca da bissexualidade do Super Homem. Que ridículo, tosco e vazio.

Este personagem, nascido na decada de 30 é um velho conhecido de todos nós. Não conheço ninguém que em algum momento não tenha visto ainda que criança ou ovido falar dele.

O legado deixado por este e muitos dos personagens que vivemos à época da adolescência é enorme. Todos são lembrados por seus feitos e características que os identificam, como roupa e nome por exemplo, e a missão que os define.

Esses atributos históricos são para os super heróis parte indelével de sua historia, assim como seu destino. Ainda que sua existência tenha se limitado a dimensão da ficção, para todos existe um início, meio e fim.

Estender, adaptar e mudar a história dos super-heróis do passado é o mesmo que descaracterizar a nossa história. Alguém consegue imaginar uma neta da vovó anastacia bissexual?

De igual forma inconcebível essa história do super homem. Por outro lado esse puxadinho na história revela o vazio criativo que há nos dias de hoje. Impressionante que com tanta tecnologia e facilidade para criar ninguém tenha conseguido criar um personagem novo e original gay.

Porque n√£o?

Segunda feira passada, em uma das muitas escalas e voos que fiz a trabalho, em autoanálise refleti como é bom poder viver a vida sem medo. Estar vivo para escrever a minha opinião e ponto de vista é um privilégio, ainda que não seja igual a sua. E não concordar em tudo esta ok.

Se hoje trabalho, moro e vivo minha vida com o meu companheiro, e se isso, se essa liberdade e desafio no passado é digna de ser retratada em uma das muitas características de super herói, que seja um original. Que realmente faça sentido.

Não merecemos como super herói uma adaptação sobre o que já existe. Na falta de sugestão indico o capitão gay do jo soares ou ate mesmo o Rage do Queer as Folk.

Qualquer um menos este. Engraçado quando pequeno me perguntavam se eu havia assistido o filme a trança do careca? Maremoto no saara? Disse que não, com convicção. Jamais pensei viver a volta dos que não foram.

Tempos modernos. Aghr!!!

O que sei (e penso) sobre o Facebook, Instagram, Twitter e Midia Social.

Olhando para tr√°s, quando estas ferramentas foram criadas n√£o imaginei que teriam impacto t√£o grande na vida de bilh√Ķes de pessoas ao redor do mundo como tem hoje em dia. Me espantei ao ler que teve gente que n√£o conseguiu entrar em pr√©dio, abrir sala de reuni√£o e ate logar e trabalhar em sistema pelo defeito na plataforma.

Todas est√£o no centro da controv√©rsia em torno das fake news, o que me leva a crer que o impulsionamento as not√≠cias que geram desconforto, √≥dio, caos e pol√™mica √© um dos piv√īs da rede.

Todas as redes s√£o geridas por algoritmos que n√£o s√£o transparentes. N√£o temos conhecimento sobre eles, e para quem estamos em √ļltima an√°lise servindo quando utilizamos a plataforma.

Isto √© perigoso, considerando que atrav√©s desses aplicativos muitos usu√°rios exp√Ķe seus sentimentos, se relacionam uns com outros e vivem de links viabilizados atrav√©s das plataformas.

Todas as ferramentas lucram com seus sistemas, não são diferentes da empresa tradicional, tem o lucro em primeiro lugar, e usam a tecnologia para receber rapidamente e com eficiência o seu dinheiro.

Todas as mensagens que recebi em repercuss√£o ao texto anterior em que perguntei o que faziam enquando a m√≠dia social estava fora do ar foram de al√≠vio, desimport√Ęncia e tranquilidade. Felizmente.

Todas as plataformas em algum momento foram impulsionadas por outras empresas de tecnologia. Me recordo que uma das vers√Ķes do iPhone possuia na configura√ß√£o um link direto com a midia social, e a partir dela, todos os contatos, agenda, anivers√°rio eram integrados. Comportamento semelhante a empresa fez em seus computadores, sugerindo at√© mesmo na sua barra de favoritos link para as empresas. Tempo depois muitos se perguntam como o Facebook, Amazon, expedia e por ai vai ficaram t√£o grande‚Ķ poucos se d√£o conta do quanto fomos codificados para aceitar no dia-dia como se parte de n√≥s e da nossa rotina fizesse. Ainda que n√£o tenha nenhuma destas como favorita, nenhuma √© estranha. N√£o √© novidade, foi proposital.

Olhando para traz me recordo que ingressei no Facebook quando estava procurando matricular num curso de extens√£o no exterior. As institui√ß√Ķes e seus usu√°rios estavam presentes.

Hoje essa realidade de adesão não existe. As redes sociais de hoje tem comportamento muito diferente daquele experimentado em sua criação.

N√£o raras vezes me vejo no aplicativo e percebo que as informa√ß√Ķes ali s√£o mais do mesmo. N√£o consigo viver a base de not√≠cias e conte√ļdo sugerido. √Č mon√≥tono, tamb√©m bizarro que capta nossa conversa e sugere midia baseado no que falamos.

Com a expectativa de viver a implementa√ß√£o do 5G tecnologia que permitir√° a comunica√ß√£o aut√īnoma de equipamentos e tomada de decis√£o, a midia social √© uma bomba.

Inimagin√°vel que por tr√°s disso existe um mundo de pessoas que se empregaram e vivem da monetiza√ß√£o de conte√ļdo. Ainda que n√£o seja f√°cil (e n√£o √©) viver de conte√ļdo significa entender e viver de engajamento. Nessa realidade a rede social alimenta-se e promove conte√ļdo recente. De quem? Primeiramente de quem √© popular, posteriormente de quem paga mesmo. Qual tipo de conte√ļdo? Todo e qualquer conte√ļdo. Se isto n√£o fosse verdade n√£o seriam o pivo de esc√Ęndalos em todo o mundo. De quem? Dos usu√°rios que se exp√Ķe seja na busca de relacionamento ou no tipo de conte√ļdo. Qual o tamanho deles? Bilh√Ķes de pessoas, maior do que qualquer pais e governo.

Meu Deus!!!!

Se na d√©cada de 90 o maior vil√£o da humanidade foi a ind√ļstria de cigarro e seus efeitos nocivos perante as pessoas, hoje o protagonista desta hist√≥ria s√£o as redes sociais.

Perdemos a luta contra a ind√ļstria do tabaco, apesar da taxa√ß√£o e das pol√≠ticas p√ļblicas de exclus√£o. Tamb√©m perdemos a luta contra as drogas. Dificil engolir not√≠cia de utiliza√ß√£o medicial como alvar√° a libera√ß√£o.

A hist√≥ria mostra que a ades√£o ao v√≠cio se sobrep√Ķe a cura. A √ļnica porta de saida √© evitar o ingresso de novas pessoas na base da pir√Ęmide.

Enquanto nela, em resposta a hipocrisia da memória curta e conveniente de muitos digo o que penso, não para promover engajamento e sim pensamento em torno de uma cultura que precisa mudar.

Esta dando certo, o tik tok por exemplo que vive da exposição ao ridículo de pessoas não entrei, não vejo. AMEM!

Finalmente!!! As redes sociais precisam mudar. A forma que estão esgotam quem vive delas como ganha pão e quem as utiliza para viver sem opção. Nos que estamos nela para uma opinião e impressão acabamos ficando contra tudo e todos porque estamos cansados de ler desinformação. E tudo termina na polarização. Injustos, porém verdade.

Onde voce estava quando o WhatsApp parou e o mundo recome√ßou!

17 anos depois da criação de uma ferramenta educacional que se tornou no principal meio de engajamento social mundo a fora o Facebook sai do ar.

Oh my god! O que esta acontecendo? Acorda Mark e vai trabalhar. Conserta ai esse sistema, bote o fio no lugar para todo mundo recomeçar pensam muitos.

Eu n√£o.

A vida sem o WhatsApp é possível. Basta se adaptar. Ficou um pouco corrida e distanciou problemas, processos e pessoas.

Ficou normal. Preciso viajar a trabalho, isto não vai mudar. Apenas tenho tido mais tempo para pensar. E também encontrar pessoalmente muita gente que diz oi no WhatsApp por dizer e sequer cogita encontrar.

Bora viver!