Tempos modernos!

Hoje a tarde, sai da casa de meus pais na Barra, e voltei por Botafogo. A ideia era passar no mercado para comprar alguns itens do café da manhã.

Desde que o preço da comida e da luz disparou, decidi comprar menos, apenas o essencial. Além de manter a geladeira vazia e menos fria, consigo acompanhar o preço da comida no mercado e tomar decisões mais dinâmicas sobre o que comer e quanto gastar.

Sempre que passo em Botafogo e Humaita não consigo deixar de refletir sobre como o bairro mudou ao longo dos anos. Quando nasci os muitos casarões já não mais cumpriam a finalidade de residência.

Tivemos na dita evolução da cidade um processo urbanístico que lamentavelmente privilegiou o capital em detrimento da história. O resultado prático, além da descaracterização da cidade e falta de identidade, foi o adensamento e desordem urbana.

Esse fenômeno de mudar para ganhar, porque o que ai esta é chato ou por demais conhecido, depois da cobiça a vida alheia, tem sido muito presente, e ditado a vida de muita gente.

Na arquitetura descaracterizou bairros, cidades, levantou muros e apagou história, do tipo que se demora anos para escrever senão séculos. Tudo em prol da modernidade, do novo sobre o antigo. Hoje ve-se que o novo não necessariamente é melhor.

Na literatura provocou adaptações de obras literárias consagradas, e que refletiam na linguagem um retrato de época.

Na creche e escola, partindo do pressuposto que a nova geração é incapaz de refletir e entender o passado, decidiu-se alterar algumas das muitas cantigas. Tudo isso para ser politicamente correto.

Nem o Rio que é a cidade do carnaval conseguiu escapar dessa. Ha muito tempo não escuto as marchinhas de carnaval que ouvia na década de 80 talvez porque são proibidas ou ninguém as entenda.

A decepção mais recente foi com a recente história acerca da bissexualidade do Super Homem. Que ridículo, tosco e vazio.

Este personagem, nascido na decada de 30 é um velho conhecido de todos nós. Não conheço ninguém que em algum momento não tenha visto ainda que criança ou ovido falar dele.

O legado deixado por este e muitos dos personagens que vivemos à época da adolescência é enorme. Todos são lembrados por seus feitos e características que os identificam, como roupa e nome por exemplo, e a missão que os define.

Esses atributos históricos são para os super heróis parte indelével de sua historia, assim como seu destino. Ainda que sua existência tenha se limitado a dimensão da ficção, para todos existe um início, meio e fim.

Estender, adaptar e mudar a história dos super-heróis do passado é o mesmo que descaracterizar a nossa história. Alguém consegue imaginar uma neta da vovó anastacia bissexual?

De igual forma inconcebível essa história do super homem. Por outro lado esse puxadinho na história revela o vazio criativo que há nos dias de hoje. Impressionante que com tanta tecnologia e facilidade para criar ninguém tenha conseguido criar um personagem novo e original gay.

Porque não?

Segunda feira passada, em uma das muitas escalas e voos que fiz a trabalho, em autoanálise refleti como é bom poder viver a vida sem medo. Estar vivo para escrever a minha opinião e ponto de vista é um privilégio, ainda que não seja igual a sua. E não concordar em tudo esta ok.

Se hoje trabalho, moro e vivo minha vida com o meu companheiro, e se isso, se essa liberdade e desafio no passado é digna de ser retratada em uma das muitas características de super herói, que seja um original. Que realmente faça sentido.

Não merecemos como super herói uma adaptação sobre o que já existe. Na falta de sugestão indico o capitão gay do jo soares ou ate mesmo o Rage do Queer as Folk.

Qualquer um menos este. Engraçado quando pequeno me perguntavam se eu havia assistido o filme a trança do careca? Maremoto no saara? Disse que não, com convicção. Jamais pensei viver a volta dos que não foram.

Tempos modernos. Aghr!!!

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