Computes grilos

8kb, 16kb, 32kb, 64kb, 128kb, 256kb, 384kb, 512kb, 640kb ok.

O tempo que voce demorou para ler os números acima, multiplica por dez, espere um pouco, e talvez assim tenha noção do quanto demorava para iniciar um computador.

Muitas lições aprendi na contagem de memória do 8086/8mHz com 640kb de memória ram, 20mb de armazenamento interno, 16 cores na placa EGA e um modem de 2.400bps.

A primeira delas é que somente devemos adicionar memoria observando a regra de paridade para evitar os indesejados travamentos do computador.

A segunda lição muito importante foi a otimização dos arquivos de inicialização que no ambiente DOS estão contidos nos arquivos Config.sys e Autoexec.bat. Naquela época todo byte economizado em algum jogo ou programa era utilizado.

O que se fazia em tempos pré-windows? Produzia texto no Wordstar, graficos no Harvard Graphics, planilhas no Quattro Pro, Lotus 123 ou Symphony. Também jogava Test Drive, King’s Quest, Prince of Persia, Flight Simulator e outros mais.

Quando não estava imprimindo textos, a impressora matricial capaz de imprimir em formulário contínuo largo, em ate 160 carácteres de largura, botava a cabeça de 16 pinos para trabalhar. A essa altura o barulho embora não ensurdecedor, ja denunciava que alguém estava imprimindo algo em casa.

Vai dormir meu filho, duas horas da manhã e voce acordado…

Sim, me escondi por trás do maravilhoso mundo da hoje obsoleta informática para chegar onde na vida real não conseguia.

Aprendi que um byte tem oito bits. Juntos evoluimos do floppy drive de 5 e 1/4 de 640 para 1.2 megas. Também dobramos a armazenagem do diskette de 3 e 1/2 de 720kb para 1.44mb. A medida que os programas avançaram a quantidade de discos aumentou tremendamente.

Um legado disso é o símbolo 💾 que representa até hoje a função de salvamento de arquivo.

No campo dos processadores, chorei a involução do 8086 para o 8088, vibrei com o lançamento do 286/16mHz, gostei do 386 dx40 e voei baixo no 486 dx2/66. Fiquei batendo bola nesse processador bom tempo ate conseguir ter acesso ao Pentium 90. Curiosamente não aparecia a palavra Pentium no Bios. Comprei de segunda mão um de 90mHz o famoso ip54C que tinha um defeito de fábrica no processamento de equações aritméticas e precisava de um software para ser confiável.

Tudo bem. A partir desse Pentium o Windows 95 reinou e o tal do Plug and Play que ja era uma extensão do DOS passou a funcionar melhor quando surgiu o USB. A conexão com a extinta internet era discada, precisava de um software proprio e as páginas eram bem simples. Ate hoje me lembro a emoção de ter um e-mail 📧.

Isso tudo passou. É uma página virada de um passado pouco distante, porem tornou rapidamente obsoleto muitas coisas, como a utilização do 💿.

Assim como um idioma, saber lidar com os equipamentos eletrônicos é uma arte. Muitos usam, poucos sabem interpretar os sinais dos inúmeros defeitos. Se antes precisava escrever ALT+167 para sair um ç ou algo assim, ou “^B” para indicar o negrito, hoje esta tudo mais fácil.

Essa nível de programação, outrora base de muita interface grafica e de programas bons tipo Corel Draw, Photoshop, foi lentamente extinto. Suponho que ainda exija resquícios dele afinal sobre cada nova plataforma de programa existe uma base codigo fonte e quando voce passa a lupa, o codigo esta la.

Passou.

Estou aqui pensando o quanto estou relutante as novas tecnologias, irrita a substituição de comandos por gestos, detesto usar dispositivo sem teclas, de fato estou velho e obsoleta.

Contudo ainda trabalho, difícil imaginar no futuro que haverá trabalho que não depende de gesto ou o simples cumprimento de tarefas.

Porque em termos práticos por trás de muitos trabalhadores de hoje percebo que no fundo a curiosidade pela aprendizagem e comando de máquina foi trocada pela experiência de uso e até mesmo de jogar.

Incontável o número de pessoas que a qualquer momento param e pegam o celular para jogar. A força que impulsiona essas pessoas é o que faz hoje o mundo girar.

Aí me recordo que naquela época, jogo em computador era uma experiência pessoal, não era coletiva. E usso muda muita coisa. A vida após a deflagração de jogos on-line nunca mais foi a mesma. Questão de segundo alguém para no trabalho para jogar e falar ou fazer tudo o que pensa, quer ou deseja.

Essa relação complexa é a evolução da nova sociedade que agora produziu máquinas pensantes. Somos hoje ditados pela tecnologia e não protagonistas da evolução dela. Nossa vida familiar e profissional é sempre norteada por alguém proximo que tem uma história de jogo ou de quem joga para contar.

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