Midia social… não, é sentimental mesmo!

Nunca antes imaginei que seriam as emoções o principal arsenal e vilão do mundo moderno.

É por elas que vejo muitos se desconectarem do cotidiano para imergir no que outros estão fazendo e sentindo.

A cobiça a vida alheia vem aos poucos avançando para englobar também a felicidade alheia.

Em comum reparo que muitos quando perguntados o que é isso, que felicidade é essa, respondem sem titubear “ah é instagram” e por aí vai.

Se antes o Facebook me chamou atenção e me impreesionei com a quantidade enorme de sentimentos disponíveis para descrever quem, como e onde estava sendo/fazendo/sentido no dia dia.

Hoje vejo o quanto retrocedemos. De lá para ca tivemos a invasão dos emoticons, dos stickers e até mesmo de tik tok onde tudo é liberado. É ser ridículo sem barreira. Isto é felicidade ou padrão de comportamento?

Aqui nenhuma crítica a quem usa, vale sempre lembrar que isto é uma observação a forma pela qual estamos mudando a forma de expressar senão pelas palavras vamos pelos sentimentos.

Me diga o que voce sente ao ver um vídeo daqueles… não diga, faça um e se engaje, sinta que pertença a este mundo fazendo nada menos do que o que todo mundo faz.

Porque no fundo todo mundo é infeliz e não achou outro meio de evoluir e expressar essa infelicidade? Ou porque faz parte da evolução tocar menos e sentir mais.

Evoluir não é ligar para ouvir sua voz, cuja escuta processa outra emoção ao vivo, instantânea e que requer portanto conteúdo para estabecer, manter e terminar o diálogo.

Não, interações pessoais são coisa do passado. Coisa de quem não usa autocorretor em texto, de quem ainda tem dicionário impresso em casa, ou se quem reluta ter carro elétrico simplesmente porque não valoriza interface e software sobre o que a maravilha da engenharia produziu.

A cada dia que passa sinto que sou menos desse mundo, ou ao menos da geração que ai esta e tenho dúvida se a minha percepção e opinião são mesmo enriquecedoras ou retrato do período que vivi.

A que chamamos a cooptação da emoção sobre qualquer experiência ou ate mesmo sua valorização exacerbada como meio de vida?

Parece burrice, ou mesmo o padrão atual de vida, engajamento, like e por ai vai.

Uma pergunta: da para ser feliz com tantos pensamentos complexos e sem resposta? Claro. Tanto por dentro quanto por fora. E ainda consigo amar, cuidar dos filhos, escutar musica ao passo que escrevo esta reflexão de domingo.

Boa semana!