A (triste) realidade de serviços delivery no Rio

Tem gente que faz de tudo na vida. Outros preferem de cara um conforto. Eu até esses dias nunca me vi numa situação de ter que depender dos outros.

E como tudo tem a primeira vez, uma coisa aprendi nessa luta contra o Covid (afora a irresponsabilidade pessoal, ética e moral de quem me passou e sequer teve a dignidade de uma vez comunicado ir testar) é pedir e aceitar ajuda.

E o supermercado passou a ser o meu primeiro desafio!

Entrei no site/app do Zona Sul, para minha surpresa só poderia comprar até 30 ítens! Como assim? Não escolhi ficar doente a vespera do ano novo. Nem eu, nem ninguém. Ainda que pudéssemos escolher o período para adoecer, o que historicamente numa relação de emprego acontece na segunda-feira feira, certamente após o time preferido ganhar ou ter feito aquele programa auspicioso de domingo, creio ser unanimidade que no ano novo, em especial não.

Ainda que exista quem não gosta, este geralmente posta dizendo que dorme. O fanfarrão ta lá abraçado com alguém no bar, ou na festa. Em comum tem aquele papo que todo mundo usa uma cor, da superstição de santo e por aí vai.

Ninguém escolhe ficar doente na véspera de ano novo, nem de covid, nem de gripe ou qualquer outra doença tipo cancer.

Na impossibilidade de fazer uma longa lista de compras para eliminar esse problema, o impulso do jeitinho criativo (brasileiro) deu um jeito e fiz duas listas de compras.

Isso depois do pehengue de conseguir que o app do mercado aceitasse meu cartão, afinal não havia outra alternativa de pagamento e não sei porque razão estava recusado.

Essa tarefa exige tanta paciência quanto tenho de cuidar dos efeitos colaterais e esperar esse virus passar.

Qual não foi a minha surpresa, das duas compras que fiz, a primeira demorou 4 horas para chegar e a segunda demorou 30 minutos.

Não entendi a lógica do zona sul de fracionar a lista de compras. Percebi que não existe ordem de chegada e de montagem da lista. Os itens mais complexos e que em tese exigem mais tempo chegaram antes dos mais óbvios. Nenhum entregador sabe dar informação de qualquer natureza que seja.

Fato: serviço no Rio de Janeiro é ruim mesmo.

Tudo começou quando a cidade se deteriorou a ponto de banalizar sob o rótulo de cultura a educação. Perdemos a chance de capacitar pessoas com uma ferramenta capaz de lhes dar algo que vai muito além da autonomia de trabalhar para ganhar dinheiro e pagar contas. Tiramos deles talvez a única chance de fazer pensar fora da caixa, entender e lidar com as questões complexas do dia-dia e solucionar de modo eficiente através da tecnologia.

Isto não acontece no Zona Sul. A máquina geradora de tarifa que cobra 15 reais para alguém trazer da esquina o pedido funcionou muito bem. Só que o conteúdo do pedido é tão ruim quanto a falta de instrução.

Se antes da covid tarefas simples como a formação de uma fila para uns ja é quase impossível, agora então fila é coisa do passado.

Fila? Ninguém faz fila. O que precisa ta aqui na telinha do celular, voce da um click, joga para cima no instagram, adiciona no carrinho, taca-lhe pau e vai.

Pena que o mundo não gira na vontade, na foto e nos conceitos do virtual. Ler e opinar sobre um serviço, se não for no reclame aqui ou em ação judicial para buscar um trocado esta em falta.

Os efeitos nocivos dessa falta de instrução são por hora permanentes. Em comum se replicam no efeito pandemia nas múltiplas plataformas. Ja pedi no Rappi e meu entregador se perdeu do Jardim Botânico ao Flamengo acabou em Santo Cristo.

Só depois entendi porque muitos me telefonaram para oferecer ajuda na questão do mercado. É senso comum que nenhum desses meios digitais de compra são eficientes. É tudo ruim, para pior. E para azedar, no Rio de Janeiro, comparado a São Paulo por exemplo é um abismo… para pior.

E não esta ok.

Uma tarefa simples quanto receber uma lista por ordem de chegada e separar produtos solicitados independente do contato para substituição em caso de ausência esta exigindo muito de determinadas pessoas e suas instituições, quem dela faz precisa ler, interpretar, seguir o script, no futuro tarefa de iluminati.

Sinto que assim como na vida, na política e na turma do nhem nhem nhem existe um propósito de desconstruir a sociedade através desse comportamento erratico, da polarização tanto da esquerda quanto direita desse lutas em detrimento de assuntos importantes.

E o reflexo da falta de educação e instrução é uma responsabilidade política de todos os grupos. Até então os projetos pedagogicos fracassaram, as ideias foram ótimas no papel e agora o que se tem é gente escrevendo menine, fazendo interpretação literal e pregando pela constante luta e ampliação de direitos sob qualquer bandeira.

Que náusea, vou parar e me recuperar.