Tem algo (estranho) no ar

Hoje pela manhã respondi de forma dura o tweet do secretário de saúde que informou não haver problema com Covid no Rio exceto por 2% das pessoas que não vacinaram.

Ele não se importa.

O alerta esta no fato que pessoas 100 por cento vacinadas em 2-3 doses estão com Covid e isso não esta legal. Nesse contexto em que é normal ter Covid sem sintoma mais grave não descarto o surgimento de nova variante cujo nome ja sugiro: variante paes.

A propagação do virus não tem sido bem aceita. Diz o mundo que isso não esta legal. Vários países se fecharam por conta do alto grau de contágio. Nenhum tem por base a mortalidade ou internação.

Enquanto isso, estamos bombando, o Rio esta aberto as festas e recebendo turistas.

Não há distinção entre o alegado negacionismo do presidente com o liberalismo do governador e prefeito do Rio de Janeiro.

Comum entre eles, ambos são coniventes com a transmissão comunitária para tentar criar a imunização de rebanho.

No Rio fiquei estarrecido com a forma pela qual o setor hoteleiro pressionou para manter a cidade aberta no Reveillon e Carnaval. Porque? Qual o interesse desse setor? O que representa em número? Tem dinheiro na mesa? São alertas e perguntas que ficam no ar a partir do momento em que a política pública se volta para esse setor. Outra coincidência, disseam que este ano seria pautado o projeto de Lei que autoriza Bingo.

Fato que ano passado, enquanto a guarda estava alta, e as pessoas mais isoladas, não havia papo de gripe, nem preocupação com a transmissão.

Hoje é comum ouvir relato de pessoas que estão gripadas, algumas sem querer saber se tiveram ou não Covid.

Porque?

Sera porque se deram conta, dois anos depois, que tomaram vacina e isso não resolveu a questão do Covid? Ou talvez porque nem mesmo depois de vacinados estão dispensados de usar máscara?

Bom lembrar que contra essa doença estamos em guerra. Somos soldados de guerra cujo inimigo é invisível.

A percepção que muitos estão cansados da batalha é visível. Não estou nem a considerar os que usam máscara com a napa para fora. Ainda que os ignore porque talvez tenham bafo, ou sejam mal educados, é alarmante o fato que nossos soldados cansaram.

No caos aumenta ainda mais o efeito Bird Box daqueles que, vacinados ou não, de direita ou esquerda, conclamam os outros a sair, viver e sentir a realidade. Vem ca. Saia de casa. Vem ver. Que lindo. Não tenha medo. Esta tudo bem…. Até você pegar, entender que não vai embora rápido, que demora, que parou de sentir cheiro e/ou gosto, se não tiver outro pehengue até melhorar.

O tweet da minha amiga e reporter adaptando a expressão segura peão para segura Covid em comemoração a cidade que esta cheia e bombando é infeliz. De extremo mal gosto. Mal colocado. Por outro lado reflete a forma perdulária pela qual aqueles que estamos habituados de ver e ouvir falar do dia-dia estão cansados, botando o povo as ruas.

Lamentavelmente a TV Globo estabeleceu, ao que parece, um pacto com os governos no sentido amplo. A par da comum reclamação do Bolsonaro, que se tornou rotina, o unico foco é falar da internação dos que não foram vacinados. Nenhum juízo de valor no aumento das internações, da contaminação, e dessa política de normalização do contágio.

Estamos na contramão do mundo nesse foco.

Senti bem o aumento de casos quando fui repetir meu exame de sangue no Richet de Botafogo que é sempre vazio.

Desta vez, lotado! Em sete dias a calmaria virou um caos, cenário de guerra. Gente chegando reclamando de febre, visivelmente abatida. Gente aparecendo com e sem marcação. Eu demorei 2h de espera para fazer o cadastro diante de tantos agendamentos e 30 minutos para fazer o exame.

E as seguradoras são perversas, testemunhei a espera de 40 minutos de uma senhora cuja seguradora estava demorando para autorizar. Fiquei pensando, a que ponto chegamos! O agendamento de exame via seguro requer o prévio envio de documentos e solicitação médica. Nem assim a seguradora foi rápida.

Em comum todas as seguradoradoras parece aprenderam bem a lição Prevent Senior relatada na CPI do Covid. Aprovem o básico, apenas o básico. Demorem para fazer uma triagem da manada eficiente e represando a demanda temos uma suposta eficiência ao dosar o gasto.

A senhora com o filho e uma mãe com 91 anos disse que liberou geral depois da terceira vacina, que não tinha sentido se preocupar.

Então porque estava fazendo o exame indaguei se não tem qualquer tipo de precaução em relação a doença.

Só para comprovar se tem ou não para avisar a mãe.

Ou seja, a consciência pesa! talvez a consciência das pessoas seja a única lembrança do dia de hoje na salvação da cidade quando instados a votar, porque os políticos do Rio tanto do executivo quanto do legislativo estão impunes na autorização dessas grandes festas. E alguém precisa ser responsabilizado por isso. Além do cidadão que se prestou a ser idiota util na consecução dessa política pública.

Enquanto isso, do que adianta ter um protocolo de um número que não é chamado? O que ganhamos na fila do sistema quando o sistema não nos chama? Isso porque não dependo do sus. Se dependesse seria muito pior.

De bom agradeço a Deus por estar superando essa doença vivo. Não sei dizer se a vacina ajudou. Tomei porque não vejo nada de ruim e errado em vacina qualquer que seja. Da mesma forma que muitos não morreram sem vacina, outros vacinados estão morrendo.

Minha crítica não é com isso, e sim com aqueles que eventualmente transmitem sem a qualquer exame moral da história. Afinal fosse uma doença venérea tipo siflis ou hiv todo mundo sai correndo para fazer o exame. Porém no Covid a reação é diferente. Ainda que seja crime passar doença a outro voluntariamente, se for covid parede que isso não se aplica.

Considero que isso é decorrente da falta de instrução e educação, vem desde o berço, quando os pais cansados optaram por dar um tablet ao filho com uso irrestrito. Hoje adolescentes/adultos estão acostumados a viver sua realidade, somente o que lhe interessa e nada mais.

Resumo da ópera: ninguém quer morrer por ninguém, que vergonha, de pensar que Deus morreu para nos salvar.