Do trabalho ao universitário

Recebi ao longo da semana insana de trabalho (diga-se de passagem ainda não acabou e se estenderá ao longo do final de semana) pedido de ajuda no trabalho universitário de um amigo.

Me senti lisonjeado pela lembrança.

A solicitação foi para responder basicamente três questões que transcrevo a partir do áudio

(1) como vejo o posicionamento do governo em relação a comunidade LGBT depois de tanto comentário e atitude que se vê ai; (2) como vejo a homofobia e transfobia no mercado de trabalho; (3) se o período da pandemia foi propício para ter um boom no movimento LGBT na rede social.

A reflexão sobre o primeiro item foi fácil. Afinal de contas, a comunidade LGBT antes ausente, ao longo dos anos ganhou espaço em todos os governos.

Maior aqui, menor ali, ainda que imperfeito para uns e satisfatório para outros, faz parte do jogo democrático essa luta pela ampliação de espaço.

Em outras palavras porém no mesmo significado, democracia é isso. Todo mundo participa por igual, diretamente ou através da eleição de representantes eleitos.

Seria bom se fosse fácil. Não é. A disputa de ego no debate das ideias num mundo plural, que hoje está conectado democraticamente pelo celular tem cansado muita gente. E tem aqueles que nem celular, água potável, casa e esgoto tem. Derrepente deixaram de ser materia de jornal, por óbvio em consequência a isso não tem midia social, e por ai vai.

Fato é que vejo existe amparo na esfera Municipal, Estadual e Federal considerando a cidade, estado e município do Rio de Janeiro. Ou seja, chegay a fase adulta quando compreendi minha natureza afetiva, com muita coisa arrumada. Pensar o presente 30 anos atrás seria inimaginável, ou que conheceria o amor da minha vida em uma comunidade lgbt então seria impossível.

Ja o item 2 enfrento dificuldade para abordar na medida em que não possuo no meu espectro – e como balizador – a analise da natureza afetiva de quem quer que seja como requisito e finalidade para contratar. Não trabalho olhando para o lado pensando que a vaga tem que ser preenchida por XYZ trans ou homo.

Esse assunto nunca foi pauta pessoal, politica e profissional. Nem dentro nem fora de casa. Sempre fui respeitado pelas ideias ou pelo trabalho. Tive na infância a influência de meus pais o respeito ao próximo antes de qualquer coisa. Se hoje ajudo uma associação de amparo ao próximo, no passado ja vi minha mãe pegar menino de rua para levar em casa dar comida, roupa e banho. Esse acolhimento ao próximo, essa atenção sempre esteve presente em minha vida nunca foi pré-requisito para nada.

Contudo e ainda que distante, reconheço que sou privilegiado. E se pudesse elencar um gênero para ser atendido em prioridade elegeria o trans. No final do dia salvaram a vida de muitos na batalha da liberdade de existir. Foram eles que começaram isso na minha geração. Do cinema a realidade, lembro com facilidade dos filmes alguns dos quais se repetiram na vida.

Finalmente, quanto ao último item, não vejo na pandemia um boom para nada. Vivemos hoje a vida e o vale da morte ao mesmo tempo. Ainda que nos faça refletir sobre como devemos começar e recomeçar a viver quando nossa casa esta em chama, situação que vivi, usar esse momento para expandir um movimento é impensável. Porque nem sempre os que chegam nele nesse tempo assim chegaram para isso. Muitos chegam perdidos, ardendo, pregando, agonizando em suas palavras e preconceito. No final do dia entram uns saem outros talvez em igual ou maior intensidade.

Sim, concordo que em tempos de doença, polarização e ódio disseminado majoritariamente pela falta de paciência de muitos, um movimento vem a calhar. Só que entrar numa comunidade é a porta para várias questões e outros problemas. Vejo o mesmo em relação a igreja. Não é porque esta nela que através dela se resolverá uma questão interna. Por esse motivo tenho uma posição conservadora no que diz respeito a alavancagem (ou boom) do movimento no período de pandemia.

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