Alguns constrangimentos chegam em silencio

Alguns constrangimentos chegam gritando.

Outros chegam em silêncio.

E, às vezes, precisamos de algumas horas para entender não apenas que doeu, mas onde doeu.

Talvez a decepção maior não esteja naquilo que foi dito, mas em perceber tudo o que precisou acontecer antes para que determinado assunto chegasse a outras pessoas.

Foi comentado. Interpretado. Compartilhado.

E alguma coisa muda.

Não necessariamente a amizade.

Muda o lugar que aquela pessoa ocupa na nossa vida.

Amadurecer também é não fazer escândalo, não devolver na mesma moeda e não fingir que nada aconteceu.

É simplesmente estabelecer um novo limite.

#Reflexão #Amizade #Expectativas #Frustração #Amadurecimento #Limites #RelaçõesHumanas #Confiança

Costume de casa, vai à praça.

Aprendi com os meus pais, muito mais observando suas escolhas, do que ouvindo discursos sobre ética.

Aprendi a ter limites.

Nem tudo aquilo a que temos acesso nos pertence, nem todo convite deve ser aceito e nem toda oportunidade precisa ser aproveitada.

E talvez uma das maiores demonstrações de liberdade e dignidade seja saber dizer: “Não, obrigado.”

Quando um pai aceita ou recusa alguma coisa, não está tomando uma decisão apenas para si. Há um filho observando e aprendendo qual será o tamanho da sua própria régua.

Por isso pensei: A lei estabelece o mínimo que somos obrigados a respeitar.

Mas o que um pai ensina ao filho não deveria estar muito acima desse mínimo?

Estou sendo radical?

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Serie 50 | Capitulo 18 – O preço da lucidez

Ja ouvi muito de algumas pessoas, à época adultos, que se pudessem voltar no tempo gostariam de ser mais jovens com a cabeça de hoje.

Existe uma falsa sensação de lucidez, geralmente atribuída a quem consegue expressar com clareza suas ideias, como se isso fosse suficiente para lhes atribuir noção de boa compreensão do presente.

Nem tudo é perfeito.

Ainda que discorde em parte dessa premissa, porque conheço muita gente articulada que não compreende bem o que esta a sua frente, a consequência da lucidez não é explorada.

Porque?

A lucidez afasta as pessoas.

Ver demais não agrega, pelo contrário, separa. Quem muito bem vê e consegue enxergar com a lente limpa não consegue ter muitos amigos ao redor.

Pato que mergulha raso não se da com o que mergulha fundo. Simples assim. Nem todos conseguem acompanhar a nossa evolução. Obvio, não temos o habito de descreve-la a quem esta perta.

Resta somente a interpretação dos fragmentos.

A imagem que a lucidez passa é de menos excesso, menos erro. Concordo.

A partir do momento que consigo interagir lúcido, ja me antecipo a determinados movimentos quando percebo determinado padrão.

Isso não vem de graça.

É preciso ter coragem para enfrentar as questões diárias, disciplina para tomar decisão que não é fácil e firmeza para sustentar o limite e a consequência das escolhas.

Por isso a lucidez afasta. Nem todos acompanham nem todos conseguem enxergar. Isso acaba gerando uma solidão seletiva porque não temos paciência para sujar a lente e viver a imagem do passado.

Afinal perder a ilusão daquele tempo dói. Não seria lúcido voltar ao sentimento pela falta de companhia.

Por isso digo que viver é violento e crescer não é fácil, a vida cobra um preço.

Serie 50 | Capitulo 17 – O que eu não negocio mais.

Muito recentemente minha vida tomou uma mudança súbita de direção. Meses depois percebi a serie de elos quebrados, que juntos formaram o enredo para tomada da decisão.

Se uma coisa aprendi com o meu pai que é cirurgião foi tomar decisão. Assim é que de certa forma me destaco na advocacia, por decidir melhor ou pior as questões e ter capacidade de reavaliar.

Não foram os elos culpados. Claro que não. A decisão tomei após observar um conjunto de atitudes que retiraram a minha paz.

Foi um conjunto de atitudes, gritos, reclamações, afirmações e ações cujo enredo, pelo que ja escrevi ate agora na reflexão dos cinquenta anos, pouco a pouco sinalizou que eu deveria me afastar, privilegiar a paz, ter confiança no escolher, sobretudo recusar.

Ao privilegiar a paz enterrei tudo que não deu certo.

Passei a negociar apenas o essencial.

Isso incluiu algo que antes parecia impossível. Abrir mão de discutir tudo. Sair em silencio. Atitude bem diferente daquele Pedro de anos atrás.

Evolui.

Pelas reflexões que começaram antes dos cinquenta anos percebi momentos da vida que me fizeram evoluir em questões relacionadas a temas importantes de minha vida, como escolha, limite, relações, silencio, desapego e o que fica.

O que fiz ano passado?

Observei os sinais e parei de reagir a tudo. Isso não significa não negocie. Aprendi a respeitar meus limites.

Apenas, não negocio mais a paz.

Serie 50 | Capitulo 7 – O Peso Que Não Se Ve. (Parte II)

Lembro-me bem de uma cena de De Volta para o Futuro em que Marty, ao receber uma informação de seu amigo Doc respondeu: “Isso é pesado”.

Volta e meia nos difíceis embates da vida ouvi que Deus não da a ninguém um fardo maior que possa carregar. E não so por isso, ao chegar a exaustão, incontáveis vezes pedi ajuda para carregar o meu.

Assunto pesado, cor que grita, muitos são os adjetivos para descrever um sentimento por trás de uma ação.

Peso a parte, ja escrevi dizendo que aos 20 vivia para provar; aos 30 com o mundo aos meus pés queria conquistar o mundo; ja com 40 procurei me sustentar e quando cheguei, finalmente aos 50 percebi que a fase é de entender.

Ando pensando muito sobre o que não vejo. Nada em relação ao sucesso aparente, menos ainda das viagens apesar de ser o interlúdio um artigo sobre carro.

Não são esses os assuntos que me ocupam, e sim o cansaço invisível que compreende situações e decisões que ninguém soube. Sao um combustível para noite ma dormida e duvida respondida pela frase de consolo “e esta tudo bem”.

Esse tipo de exaustão moral, silenciosa e emocional se nutre do acumulo de expectativas, de pessoas que dependem de mim, tudo regado pelas diferentes versões de minha própria existência aqui classificadas por décadas.

Custei olhar para mim e reconhecer que, com o passar do tempo, a força de mudar não mais protagonista de minha existência.

O momento hoje é de escolher.

Precisei de cinquenta anos e tres casamentos para começar a enxergar padrões. Eles estavam nos relacionamentos que exigiram demais sem oferecer tanto. Também presente nos ambientes cujo peso drenou energia sem oferecer na igual proporção contrapartida.

É tempo de passar a régua, reconhecer a finitude e ter respeito ao que resta. A flor da idade vem com peso embora delicada.

Passei anos resolvendo problemas dos outros e meus para corrigir situações, transformando o que estava quebrado em algo funcional com alguma dignidade. Quem orbita a minha vida bem sabe.

Com o tempo passei a acumular perguntas sem resposta. Se não tenho o habito de pedir, quem vai resolver os meus problemas. Qual é o meu problema? Ainda sem resposta voltei a terapia para relatar pelos assuntos dos textos o que sinto.

A falta de resposta é um peso que não se ve. Some a isso as renuncias silenciosas e o não que dói no momento, ainda que se revele uma especie de livramento no futuro.

Sair de cena, não enfrentar determinadas batalhas também tem seu peso. O conjunto desses argumentos bem demonstra a evolução do poder de selecionar. Não preciso provar nada a ninguém, e sim decidir melhor o que quero.

Pensando nisso acordo, treino, trabalho e durmo diferente. O resultado disso é ter serenidade na batalha. É um sentimento real ainda que em construção.

Olho ao meu entorno e tenho certeza que aos 50 o luxo não é ter mais e sim precisar menos. Isso se aplica ao ruído, a urgência e validação sem a qual não vivo a verdade. Menos é mais.

Engraçado, no começo dessa serie bem escrevi sobre o passado, escolhas que fiz e limites que impus. Agora o momento compreende a inteligência emocional comigo mesmo.

Procuro não ter nada alem do necessário, a sempre buscar o justo e permanecer saudável.

Esse peso, que a gente não vê, pode me dobrar ou ensinar a postura quando aprendemos a conviver.

Estou a escolher a segunda opção.

E sigo!