1 ou 0.1 quem da mais

Não é de hoje que meu instinto contestador se rebela contra aqueles que, numa escala de 0 a 10 em atividade judicante pautam suas notas em 1 decimo.

Ora, se é para julgar de 9.9 a 10 porque não mudar a escala de 0.0 até 1? Seria porque nesse caso o resultado final é muito baixo? Ou porque nascemos e somos instruídos a considerar sempre a nota 10 portanto 9.9 é menos pior do que 10. Apesar de que nesse último caso num padrão de notas não estamos julgando nada senão a diferença de 1 décimo.

A busca pela perfeição, ao que parece, é uma constante qualidade ou doença daqueles que estão dando nota no quadro dança dos famosos e tem nesse 01 décimo a solução para um julgamento quase perfeito.

Se .01 décimo é suficiente para estes, para mim não é. Tenho a escala clara de 0 a 10 na cabeça e os quebrados não poderiam jamais virar inteiros. A partir desse décimo se decide a vida de quem é julgado num padrão mediocre, que cria uma pseudo concorrência.

Vejo tanto no carnaval quanto nos quadros da tv, toda vez que se permite fracionar nota de 0 a 10 os critérios são 9.8, 9.9 e 10.

Tanto para quem ganha quanto para quem perde o resultado deveria ser uma frustração. Um ganha por pouco. Outro perde por nada. Insignificante são ambos os resultados.

Agora se o 9.8 fosse 8 e o 9.9 fosse 9 quando somadas varias notas o resultado seria bem diferente. E de igual forma a competição entre os primeiros lugares seria acirradissima.

Então seja pelo prisma que não existe por quem julga vontade de criar animosidade entre quem é julgado, ou em criar critica a si mesmo pelos resultados que profere, sou da opinião que devemos botar abaixo os décimos.

Prefiro os que julgam pela escala, sem medo, por suas livres convicções do que os que ficam no décimo por conveniência.

É sobre isso!

Viva a Natureza, viva a vida.

Hoje pela manhã acordei e entrei na sala matinal da Vanessa Kukul no Clubhouse. A reflexão sobre o tema natureza ao tempo que aguardava o embarque rendeu uma rápida reflexão que transfrevo abaixo

@⁨Vanessa Kukul⁩ chama atenção como no mundo egoista muitos pensam na natureza somente no que diz respeito a si. Ainda estou por ouvir que seria bom para a humanidade. O pensar coletivo esta em falta atualmente. Seja em função da pandemia ou pela amplificação do eu conectado acima de tudo. Temas como o seu que importam em pensar no próximo torna a sala leve ainda que seja a reflexão sobre si. Tudo vale. Meu ponto é que a natureza reage. A cada vez que o homem entra, detona e estraga, ela reage. E natureza não é só o campo, é um bioma. Veja quantas pragas vieram da depredação de animais que tiramos do habitat. Enfim. Parabéns.

Por trás disso reflito o quanto estamos errando ao deixar de valorizar o coletivo antes de nós mesmos.

Tem algo de errado, que doi e machuca. E não estou falando de pessoas, e sim da Humanidade.

Fato é que vivemos num mundo que não é nosso e nem ficaremos aqui por tanto tempo. Olhando para traz percebo que nossos valores, nossa existência e nossos crédulos quando pensado na humanidade correspondem a um grão de areia no mar.

Somos um nada na terra, menos ainda na galáxia. Então larga o telefone, resgate amizades, faça novas. Deixe a midia social de lado. Não viva pelo que esta tela lhe diz e sim pelo que reflete.

Acorde. E seja feliz. Bom dia!

Orgulho hoje e sempre

Pegando carona aqui nos primeiros minutos do after lgbtqia+! day para postar uma foto que diz muito sem muitas palavras.

Fato: a vida, da mesma forma que nos exige trabalhar e enfrentar situações árduas, também permite conhecer, se reinventar e amar.

Tive a sorte de nunca sofrer qualquer tipo de preconceito. Quando juntei as peças do meu quebra cabeça virei a página e passei a escrever de caneta ou lapis sem borracha.

Como tudo tem a sua primeira vez, e hoje comemoro 10 anos que estou escrevendo esse BLOG, faço desse post o meu primeiro em comemoração ao orgulho gay.

Aqui o amor venceu. Vence sempre. Nunca deixou de ter o seu lugar. Vivi de várias formas em varias condições. Todas com a angústia, felicidade, planejamento e sinceridade.

Amem!

Do trabalho ao universitário

Recebi ao longo da semana insana de trabalho (diga-se de passagem ainda não acabou e se estenderá ao longo do final de semana) pedido de ajuda no trabalho universitário de um amigo.

Me senti lisonjeado pela lembrança.

A solicitação foi para responder basicamente três questões que transcrevo a partir do áudio

(1) como vejo o posicionamento do governo em relação a comunidade LGBT depois de tanto comentário e atitude que se vê ai; (2) como vejo a homofobia e transfobia no mercado de trabalho; (3) se o período da pandemia foi propício para ter um boom no movimento LGBT na rede social.

A reflexão sobre o primeiro item foi fácil. Afinal de contas, a comunidade LGBT antes ausente, ao longo dos anos ganhou espaço em todos os governos.

Maior aqui, menor ali, ainda que imperfeito para uns e satisfatório para outros, faz parte do jogo democrático essa luta pela ampliação de espaço.

Em outras palavras porém no mesmo significado, democracia é isso. Todo mundo participa por igual, diretamente ou através da eleição de representantes eleitos.

Seria bom se fosse fácil. Não é. A disputa de ego no debate das ideias num mundo plural, que hoje está conectado democraticamente pelo celular tem cansado muita gente. E tem aqueles que nem celular, água potável, casa e esgoto tem. Derrepente deixaram de ser materia de jornal, por óbvio em consequência a isso não tem midia social, e por ai vai.

Fato é que vejo existe amparo na esfera Municipal, Estadual e Federal considerando a cidade, estado e município do Rio de Janeiro. Ou seja, chegay a fase adulta quando compreendi minha natureza afetiva, com muita coisa arrumada. Pensar o presente 30 anos atrás seria inimaginável, ou que conheceria o amor da minha vida em uma comunidade lgbt então seria impossível.

Ja o item 2 enfrento dificuldade para abordar na medida em que não possuo no meu espectro – e como balizador – a analise da natureza afetiva de quem quer que seja como requisito e finalidade para contratar. Não trabalho olhando para o lado pensando que a vaga tem que ser preenchida por XYZ trans ou homo.

Esse assunto nunca foi pauta pessoal, politica e profissional. Nem dentro nem fora de casa. Sempre fui respeitado pelas ideias ou pelo trabalho. Tive na infância a influência de meus pais o respeito ao próximo antes de qualquer coisa. Se hoje ajudo uma associação de amparo ao próximo, no passado ja vi minha mãe pegar menino de rua para levar em casa dar comida, roupa e banho. Esse acolhimento ao próximo, essa atenção sempre esteve presente em minha vida nunca foi pré-requisito para nada.

Contudo e ainda que distante, reconheço que sou privilegiado. E se pudesse elencar um gênero para ser atendido em prioridade elegeria o trans. No final do dia salvaram a vida de muitos na batalha da liberdade de existir. Foram eles que começaram isso na minha geração. Do cinema a realidade, lembro com facilidade dos filmes alguns dos quais se repetiram na vida.

Finalmente, quanto ao último item, não vejo na pandemia um boom para nada. Vivemos hoje a vida e o vale da morte ao mesmo tempo. Ainda que nos faça refletir sobre como devemos começar e recomeçar a viver quando nossa casa esta em chama, situação que vivi, usar esse momento para expandir um movimento é impensável. Porque nem sempre os que chegam nele nesse tempo assim chegaram para isso. Muitos chegam perdidos, ardendo, pregando, agonizando em suas palavras e preconceito. No final do dia entram uns saem outros talvez em igual ou maior intensidade.

Sim, concordo que em tempos de doença, polarização e ódio disseminado majoritariamente pela falta de paciência de muitos, um movimento vem a calhar. Só que entrar numa comunidade é a porta para várias questões e outros problemas. Vejo o mesmo em relação a igreja. Não é porque esta nela que através dela se resolverá uma questão interna. Por esse motivo tenho uma posição conservadora no que diz respeito a alavancagem (ou boom) do movimento no período de pandemia.

A parábola do predestinado

Ainda que meu longo tempo no divã não tenha sido pautado por questões inerentes a sexualidade, percebo que fui predestinado a ser gay, ainda que não tenha de imediato atendido o chamado.

Naquele tempo, a comunicação se dava por telefone após ouvido o ruído de discar. Para encaminhar mensagem por escrito, se não por carta ou telegrama, restava telex que transmitia ao vivo ou mensagens gravadas por fita perfurada.

De mídia magnética só fita k7 e de rolo, esta última muito complexa e preciosa para mensagens de voz. Ainda que tivesse um microcassette para tal imagina se alguém iria perder tempo para dizer tu é gay que eu sei.

Não é de hoje que predestinados recebem suas mensagens sob enigmas, por diversas formas, até mesmo do além.

Escutei na primeira leitura da missa de hoje, em celebração a Santo Antonio, que jesus se comunicava com os fiéis através de parábolas, e de forma mais explícita aos que lhe acompanhavam no dia a dia, em sua caminhada.

Se até minha adolescência, mesmo com o advento do fax, telefone celular, e-mail, SMS e internet não foi fácil imagino naquela época em que coisas importantes eram escritas em tábuas e/ou pergaminhos.

Resumo da ópera: vivi a vida rolando lero até captar a vossa mensagem.

Ainda que tenha casado no dia do casemento dos meus pais por amor. Ainda que tenha na lua de mel chegado em Amsterdan em plena parada gay tendo optado por dançar e beber cerveja. Ainda que tenha tido um cachorro da raça poodle preto toy chamado Jean Pierre Du Vermont. Não amado mestre não sabia que era gay.

Se tais elementos me fizeram um predestinado hoje sei que nada sei. E ainda que perdido a mensagem, minha infância tinha muito mais emoção.

Naquela época não havia bullying . Gordo, magro, homem, viado, bisha, forte e covarde eram termos usados que não agrediam nem definiam ninguém. Li Fernando Sabino, Jose Alencar, Agatha Christie, Monteiro Lobato sem me influenciar.

A vida naquela época não girava em torno do que estava sentindo, e sim do que tinha que fazer, dos obstáculos que deveria completar. Esse modo de viver moderno em que tudo é sentido, debatido, explicado, contextualizado eh muito chato para não dizer impossível de viver.

Ainda que não tenha percebido minha natureza afetiva por homens, talvez em razão dos amores platônicos, os que deram certo contaram com o protagonismo de mulheres excepcionais, uma das quais inclusive casei.

Quando entendi a mensagem segui e tive a sorte de chegar num ponto em que a humanidade estava bem diferente em relação a isso. Ainda que estejamos vivendo hoje um momento difícil em razão do egoísmo polarizado e imaturo que busca se afirmar e ditar a política do coletivo. Hoje tudo é diferente.

Somos tolerados. Isso é bom. Resolve questões do dia-dia como conviver com um parceiro. Como não vivo buscando aprovação de ninguém, tolerância mantém um nivel minimamente aceitavel de contato com terceiros. Também posso casar no cível, o que é bom, afinal de contas somente quando se tem a segurança da união é que podemos viver através do casamento o conceito e experiência de união para o fim de constituir família e através dela experimentar plenamente a vida.

Casar é bom. Viver sem preconceito em razão de doença também. Apesar da crítica ferrenha a forma pela qual links patrocinados e alguns entendedores simplificam a vida tornando normal questões importantes como DST, seja para dar esperança ou para vender tratamento. Fato que nem isso nem a camisinha ou falta de uso é motivo para alguém deixar de ser gay.

Nem mesmo a santa igreja católica que apesar de recentemente ter mantido em sua tradição milenar o entendimento que o casamento não se aplica aos gays tem sido um empecilho a isso. Afinal seu papa disse que devemos aceitar e respeitar os filhos de deus independente de sua natureza. Não me surpreende se nos próximos anos surgir algum tipo de liturgia nova, que tipo benção ou sacramento para reconhecer isso sem o conflito do casamento tradicional permitido apenas pela união de homem e mulher.

Então chegay no campo com a bola andando no segundo tempo numa partida ganhado com larga escala contra o retrocesso e os problemas do passado.

Isso é garantia de viver tranquilo, num mar de rosa, sem pehengue?!

Claro que não. Superada a parábola do predestinado depois de trinta anos de vida há muito pela frente. E assim espero ideia e sugestões para um post

Boa semana e bom final de domingo para todos!