Metralhadora pastoral

Essa semana fui instigado a refletir sobre uma série de reportagens, veiculadas em inúmeros meios de comunicação, que mencionavam a seguinte fala de uma lider religiosa (ou pastora).

“É um absurdo pessoas cristãs levantando bandeiras políticas, bandeiras de pessoas pretas, pessoas de LGBTI, sei lá quantos símbolos têm isso aí. Mas é uma vergonha. Para de ficar postando coisas de preto, de gay, pare!”

https://www.uol.com.br/universa/colunas/nina-lemos/2021/08/04/pastora-viraliza-com-fala-racista-e-homofobica-religioso-pode-ser-hater.htm

Seria bom se pudesse apenas escrever sobre assuntos que fossem leve, de fácil explicação e indubitável compreensão. Porém, assim como a vida, nem tudo é seguro, entendido e simples de explicar. Contudo ainda que seja espinhoso o tema vou enfrentar.

Em primeiro lugar, devo considerar que, a fala da pastora proferida dentro de igreja, ainda que me cause grande desconforto, é protegida pela Constituição de 1988 que, em um de seus incisos do artigo 5 que trata sobre direitos fundamentais garantidos aos cidadãos, garante a liberdade de consciência e crença, da seguinte forma

Inciso VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.

Art 5 inciso VI da CF 1988

Ainda que a vida tenha me mostrado que o exercício desse direito no dia a dia seja facil, a compreensão deste é muito complicado. É fair admitir que por esse princípio podemos e devemos conviver nós cristãos, católicos, evangélicos, umbandistas, até mesmo com quem não tem religião, ou índios e por fim ainda aqueles que por exemplo são devotos ao satanismo? Pelo artigo 5 são todos admitidos. Existe possibilidade de padronizar eles? Não.

Nesse prisma imagine a seguinte situação, uma família esta iniciando seu filho em sua religião. O judeu corta o prepúcio do filho, uma satanica por exemplo faz um marca tipo navalhada. Consideramos isso lesão corporal?

O que chama atenção na reportagem não é o discurso propriamente dito e sim o fato que estamos sem conceito na sociedade sobre quais seriam os limites, e como seres civilizados nos oponos a qualquer tipo de culto e celebração do que, para nossa prática, não é convencional. Ou, contrário senso, que dado o fato que somos únicos em razão e pensamento, não existe possibilidade e chance de normatizar e verticalizar esse conceito. Para o ser religioso, praticante ou não, ainda que ateu, não existe padrão.

De igual forma me pergunto se a um índio seria permitido, nos dias de hoje, levar uma vida a sacrifício em prol de sua religião? Perai, nesse caso, e antes que pense que estou concordando, seria absurdo e inconcebível. Para casos como esse o Estado através de suas doutrinas ja disse no âmbito penal que é proibido matar alguém. Exceto quando o ato ocorre em legitima defesa, único meio segundo o qual a perda de uma vida não implica em responsabilidade para quem a tirou. Opera-se neste caso uma excludente.

No campo religioso alguns tabus merecem ser explorados na medida em que abordo esse tema. É possível conceber que a umbanda, religião criada a partir de um carioca, branco de olho azul, como religião africana ou católica? De outro giro, existe algum permissivo na igreja católica para aceitar o umbandista? Não. São doutrinas e credos diferentes. Nenhuma se mistura e não ha como ter ao pé da religião qualquer interseção entre eles.

Contudo eles se toleram muito bem. Apesar das particularidades de cada uma, vejo e entendo que há no campo religioso uma tolerância essencial a convivência harmônica entre os fiéis.

Isso não significa que os grupos religiosos se aceitem, muito pelo contrário, alguns possuem questionamentos milenares. O que é comum a todos é que pautam suas condutas a partir de anos e anos de doutrina e experiência.

Ou seja, o que esta sendo posto em debate por certo não é novo, não é novidade, nem foi decidido ontem. Porém, para o fim jornalístico, o questionamento veio a tona a partir da alegação de racismo e homofobia.

Aí a questão fica mais complexa. Surge uma pegadinha. Porque toda vez que uma situação for enfrentada sob a ótica de desconstruir, ou não modelo padrão de aceitação, vamos ter problema.

Exemplo. Não é de hoje que escrevo e menciono a sorte que tenho de ser tolerado pela sociedade. Isto não significa nem de perto ser aceito. Tenho plena consciência e convicção que existem muitos que circulam por ai que não aceitam a minha natureza afetiva. No entanto, com o passar dos anos e o avanço do grupo gls, hoje se formou uma sopa de letrinhas ainda maior, que faz jus ao reconhecimento da trans.

Estou submetido, ao andar pela rua, ser julgado a qualquer instante por qualquer pessoa. Fato, aquelas cuja religião prega ser admissível somente a união entre o homem e a mulher não vão aceitar a minha natureza, embora tenha assimilado que comunitariamente deve me tolerar.

Essas pessoas e suas atitudes compoe o estado democrático de direito. Isto é, desde que a postura da pastora seja propagada da porta da igreja para dentro, no momento em que esta, em tese, dentro do lugar que simboliza, numa percepção leiga e realista, o corpo de cristo na sua crença.

Somos desafiados todos os dias a pensar e repensar algumas de nossas crenças. Alguns conceitos mudamos. Outros não. É normal. Se assim não fosse, imagine outra situação: um flamenguista que faz torcida organizada contra o vasco sistematicamente, vinte anos depois acaba socio de um vascaíno. Pode?!

A conjugação do tolerar com aceitar é uma desordem. Assim como também é a apropriação pelo estado colonizado pelos jesuítas da palavra casamento. Na forma em que está, obvio o motivo segundo o qual muita igrejas insurgiram contra a utilização da palavra casamento enquanto simbologia de união para gays. Evidentemente que não gostariam, de forma alguma, que posteriormente viessem a ser compelidos de casar quem não se enquadra nas suas regras milenares.

E isso também não tem problema. O problema ocorre quando a matéria vira debate ja pela deficiência de explicação, talvez até mesmo entendimento do jornalista, optando-se por generalizar uma pregação em comparação a normatização de um indivíduo. A situação piora na medida em que, nos tempos de internet, somos umbilicalmente ligados uns aos outros por telefone celular. E nesse campo a informação trafega muito rápido. Então chegamos muito rapidos ao big bang dos assuntos.

O nesse caso, meu entendimento final sobre isso, ja sabendo e convivendo com pastores de inúmeras religiões, alguns os quais dizem aceitar, outros afirmam que devemos seguir fielmente o que esta escrito lá, cabendo a autoridade do pai sobre o filho explicar o caminho, que esta tudo bem.

Me permito ser tolerado por todos estes. Não tenho na pessoa que acha que devo chamar meu marido de companheiro, porque em sua ótica, não é o casamento e sim a relação de companherismo que se cria com anos de experiência que vale, como alguém que me aceita no sentido amplo e padrão que os movimentos e seus integrantes querem normatizar.

Não! Vou casar, ter o Paulo como marido e seguir a vida. Tolerada por muitos?! Certamente. Aceita por todos? Não. E pouco importa. Essa é a riqueza do ser humano. Isso que importa. Nunca teremos um denominador comum para isso. E desde que haja respeito e tolerância esta tudo bem.

Finalmente, de forma simplória, assim com um pai pode não aceitar a forma inescrupulosa através da qual seu filho vive, vai sempre tolerar sua existencia. Independente do que diz a pastora terá sempre no uso das palavras proferidas na igreja que simboliza ai o corpo de cristo, legitimidade. Desde que pare ali e ensine de igual forma aos fieis a tolerar os outros que não se submetem as suas doutrinas.

A partir dai cada um por si. Que venha a respeitosa diversidade. E que não sejam todos compelidos a formar um padrão, uma unidade compartimentada de conceitos, emburrecida, em detrimento da liberdade de direitos, cujo uso, simbolismo e expressão tem sido cada vez mais deturpado.

Ate quando?

Sai da frente idiota

Ha tempos venho notando e escrevendo sobre alguns dos valores e atitudes que perdemos ao longo da pandemia.

A falta de respeito as leis do trânsito se tornou notória. Igualmente a ausência de qualquer tipo de equipamento de proteção dos motociclistas. Muitos insistem andar de bermuda, chinelo e sem jaqueta, situação em que se deixam completamente vulneráveis em caso de acidente.

Deixando de lado esse caso, o que venho testemunhando com espanto eh a falta de respeito de pessoas uma com as outras.

Depois de muito tempo isolados em casa e vivendo em suas bolhas, algumas tornaram seu mundo isolado na mais perfeita e divina realidade.

Algumas pessoas perderam o básico, que é a noção de respeito. Por favor não existe. Perambulam pelas ruas como se donos fossem daquele espaço, e depois de tanto tempo recluso ou sem interação social o instinto selvagem brotou.

Das coisas mais simples as mais complexas, não queira passar na frente destas, senão o tempo fecha.

A última vez que isto ocorreu estava em uma loja de decoração, seguindo o circuito entre os ambientes quando subitamente surgiu um casal a minha frente. A esposa se fez de desentendida e acelerou o passo em minha direção. Eu que estava olhando para o lado quando vi gelei. Só de pensar em ser trombado me deu arrepio. Pois bem ela desviou de seu proprio devaneio e o marido falou surdamente um “babaca”.

Ainda que sem acreditar em tamanha falta de educação, em alguns momentos realmente eh melhor ser tranquilo e babaca do que esquentado e indignado.

Bom domingo!

Abaixo a perfeição!

Não é de hoje que leio acompanho em blogs, filmes e ate mesmo em música relatos que a sociedade esta muito ligada a valores que não são importantes.

A busca constante pelo belo, perfeito, politicamente correto é o mesmo que submeter-se a plástica para ser aparentemente perfeita apesar da alma deturpada.

Toda essa beleza que é a vida digital e os paradigmas do que esta por vir ofende uma parcela da população, grande parcela que não esta presente, disso não vive e não tem voz.

Precisamos repensar isso. Pior ainda no Brasil que tem aproximadamente 30 por cento de sua população desconectada. Outros tantos aparelhados são analfabetos funcionais e que hoje servem de plateia.

Confesso ando apreensivo com os sinais. Não adianta culpar a polarização quando nos é deixado nenhuma opção. Somos tolhidos das escolhas nesse jogo. Da cor do carro (prata/preto/branco/vermelho) ao eletrodoméstico (branco/inox), seu prédio (areia ou espelhado) vivemos um mundo parametrizado.

Ou somos a parametrização do mundo que anos foi imposto? Quando? Por quem?

Estaria eu dando defeito?!

Porque não gosto mais da Apple! E acho que todos deveriam esquece-la ao menos no Brasil.

Não é de hoje que sou cliente Apple. Lembro bem o primeiro ipod, do notebook que adquiri e que veio instalado com Mac OS Leopard.

Naquela época tudo era mais fácil. Ainda que tivesse menos funcionalidade e extrema incompatibilidade com outros sistemas, havia menos atualização de software, tudo era mais rapido, tranquilo e estável.

Como cliente acompanhei de perto a evolução do iPhone, iPod. Também vibrei e detestei o iTunes. Demorei para acostumar com o menu diferente da suite office e por aí vai.

Depois de algum tempo acostumei e tudo se acomodou. Alguns anos depois vieram os MacBook brancos, grande febre, e junto com eles a maior campanha de migração de plataforma ja visto por mim.

Parecia natural ver a migração. Eu mesmo a epoca comprei e tive duas atualizações do pro, voltei ao AIR e la fiquei até a extinção do modelo de 11 polegadas. Hoje sou um infeliz renegado ao modelo de 13 polegadas que é um trambolho para quem se acostumou com o de 11.

Pior do que perder o elan com a marca pela evolução, e cito por exemplo o teclado que piorou muito na suposta evolução pela falta de profundidade das teclas e agora esta um pouco melhor, é na assistência técnica que somos realmente desvalorizados.

Fato que a Apple trata seus clientes no Brasil como lixo. Nenhum respeito e zelo conosco tem.

Temos muita dificuldade para marcar horário na loja oficial do Rio. Pior frustração que essa (as vezes demora dias) chegamos na loja com horario marcado e aguardamos hora na fila. Não somos importantes, nosso tempo ali não interessa.

Ja na chegada passamos por uma triagem irresponsável, segundo a qual se faz uma falsa fila. Ja cheguei com antecedência e me pediram para sair da fila porque não estava no meu horário. Ja esperei na fila no meu horário e pessoas que estavam na fila depois foram atendidas antes porque estavam retornando.

O atendimento incompetente da Apple se equipara a postura tirana e autoritária do Governo. Os atendentes da porta que nos atendem com poucas palavras, extremamente limitados na argumentação quando questionados se limitam a afirmar que “a ordem veio la de dentro”.

E quando voce está la dentro escuta um singelo desculpa pela atitude do funcionário vamos falar e ponto final. Não há nenhum meio de registro e de reclamação. Sabe porque ? Porque a marca esta pouco se lixando para voce.

Quem mandou você comprar um telefone caro que cheio fica lento e da defeito sem conserto? Quem mandou voce comprar um apple tv que trava, do nada desliga e a única Assistencia é ela vender na base de troca outra unidade pela metade do preço de uma nova e incomparável a sua.

É tudo descartável, um lixo enquanto durar. A empresa passou a doutrinar por serviços e bandeiras seus clientes e os tornou reféns, não de sua tecnologia e sim de da sua politica de uso e serviços.

Olhando para traz de nada adiandou comprar aplicativos que ficaram sem suporte e compatibilidade com sistemas posteriores. Dinheiro jogado fora e ainda tenho equipamentos obsoletos para usar esses apps porém a loja já não tem ne?!

A Apple consegui fazer do trackpad um local enigmático e chato, varias funções inúteis são habilitadas automaticamente em seus sistemas que na realidade não nos ajudam e sim nos prejudica.

Contribui a Apple para a idiotização das pessoas na doutrinação de seus sistemas, mais voltados a venda de serviços do que a função.

Não vejo nada de bom na Apple Music, na chatisse que é dizer não trezentas milhões de vezes a assinatura. Prefiro quando quiser usar música por assinatura usar o Spotify e vou continuar a usar ate a Apple parar de encher o saco.

Itunes match foi na onda da Laura Pausini, se fuè e junto com ele qualquer chance de integração de música minha a biblioteca comprada. Sim, compro música ate hoje porque acredito que valorizando artista pela aquisição de obra é mais produtivo do que torna ele refém da cultura de massa. Ainda que hoje olhe para traz e cada vez mais aumenta a insegurança de quanto tempo terei acesso as músicas pela política inconveniente de massificação de seus outros serviços pela Apple.

Nada se compara ao desleixo pelo qual trata o cliente na hora de assistência tecnica. O minuto que voce precisa usar é o início do fim. Ainda que segregado em filas, a fila de retorno de equipamento para buscar um novo pois o antigo não tem conserto é inadmissível.

De igual forma aguardar 40 minutos para ser atendido para pagar um equipamento velho novo é imperdoável.

E a papelada que se assina para concordar com a política da empresa que é tudo ou nada muito encomoda.

Curioso como uma empresa de tecnologia pode ser tão incompetente e ineficiente para realizar um atendimento pessoal e de assistência técnica.

Talvez não. No fundo a culpa é minha. O sistema é esse. Os produtos pioraram. Os computadores fazem atualização de sistema na mesma frequência que voce olha para o telefone e a noção que por ser cliente de uma marca como a Apple me credenciaria para ter atendimento diferenciado, rapido e eficiente é uma lenda.

Portanto a Apple é uma empresa do passado. Hoje não é melhor que nenhuma outra, e a política de rebanho não agrega nada. Nem mesmo os produtos homologados nas lojas justificam o preço.

Não fui feliz na troca de 2 baterias de iphone 7 pelo tempo e falta de paciência para aturar tamanho desrespeito. Igualmente infeliz na troca de um iphone 5 por estufar a bateria, 3 iphone 6 por igual defeito. Ainda que fosse baratinho a bateria em nenhuma ocasião fui rapidamente atendido.

Levar telefone para o conserto é humilhante. Cheguei a ouvir que teria que pagar, e o telefone poderia não funcionar, correndo o risco ao final de ter um aparelho inoperante. Ou seja, pior do que foi levado.

Hora de abrir o olho, ver o quanto a política de serviço e de apelação a bandeiras esta de fato aprisionando pessoas do que libertando de sua capacidade produtiva. Prefiro fotos nítidas das cameras de outrora do que a doutrinação de efeitos borrados por exemplo.

Pois é, acho que o meu tempo de Apple acabou, a indústria que perceber isso e facilitar a transição ta ganhando.

Por um tempo quando comprei o blackberrie 10 e foi plenamente compatível com o sistema não senti nenhuma falta da empresa. Alegria durou pouco e o telefone descontinuado.

Estou na torcida por dias melhores. Não necessariamente na Apple, uma hora alguém ha de triunfar.

Espero!