O lado bom da vida 2021

Em meio a tantas dificuldades e desafios no trabalho volto para casa sabendo que o ano esta terminando e apesar de tudo, estou feliz.

Não sinto culpa por essa felicidade apesar do covid e de toda a problemática que este trouxe a humanidade.

Pior do que este vírus são os movimentos sociais criados em torno dele, que julgam e polarizam a questão.

A par desse fato resta hoje a única certeza que cura não há, vamos todos pegar e se muito, uma máscara vai nos ajudar a retardar o avanço até a ciência achar um meio de nos confortar.

Não vislumbro que haverá superação disso. Infelizmente na visão do hoje, teremos que conversar e conviver com isso no dia-dia por muito tempo. E o surgimento de variantes nos faz pensar que isso, de fato, nunca vai acabar.

De tudo o que vi e li com o passar dos anos, restou a percepção que faltou cabeça para pensar fora da caixa como enfrentar essa guerra considerando as peculiaridades da cidade.

Não consigo entender o racional de estabelecer uma faixa de vacinação por idade sem considerar também a faixa de renda da população, afinal os trabalhadores que mais dependem do estado e pagam seus impostos indiretos nos produtos que estão absurdamente caros, essa massa de trabalho ficou para trás. E o aposentado que via de regra fome não passa foi colocado em situação de risco justamente por força da necessidade de estar em contato com pessoas de outras faixas etárias.

O ano passou, o vírus não. Custou. Ainda custa, deprime, causa mal estar e indigestão a qualquer pessoa que tenha sensibilidade de amar, se por no lugar do próximo e compreender a angústia e luta dos que vivem.

Compreendi que home office é bom, nem tanto. A talta de liturgia em torno de tarefa profissional fora do escritório acabou fazendo com que pessoas trabalhassem mais em suas casas do que no local de trabalho.

Porque? Isto é bom? Saudável? Claro que não. Não custa? Claro que sim. Porque o mundo vai girar em torno do tempo de determinadas pessoas em detrimento de normas e regras estipuladas no passado? E porque seu tempo fora do trabalho deve ser valorizado e privilegiado em torno do que o senso comum estipulou por horário de trabalho.

Chamou atenção em uma recente visita a portugal a aglomeração de pessoas em torno da mesa de livros usados na rua. Olhei e me perguntei, se fosse no Brasil o que fariam as pessoas? Porque elas estão agindo dessa forma? É falta de respeito ou excesso de liberdade em relação a responsabilidade que temos com as gerações futuras.

Parece que uma parcela da população esta a deriva, outra cansou de viver e tem aqueles que não tem a menor chance, e aguarda a pátria mal gentil assistir com o pouco de casa, saude e comida porque no Brasil é assim.

O Brasil esta a busca de um grupo de improváveis para ressucitar o que perdemos ao longo de décadas nos mais variados regimes. Se uma coisa todos os regimes implementados ou ao que se submeteu o Brasil tem em comum é que o projeto educacional, de saúde e habitação piorou, e o dinheiro desvalorizou.

Vivemos um sistema de mal feito, corrupto de welfare que se alimenta do assistencialismo em todas as esferas políticas e de poder.

Não importa a instituição pública que trabalha a única certeza que temos é que historicamente são relutantes a corte de cargo e salário. Enquanto na iniciativa privada vejo cliente quebrando e funcionários sem pagamento no setor público tem aumento, e se congelar salario o servidor vira uma máquina antidemocrática. Se for organização social então nem se fala.

O regime é esse, a pessoa para ser compreendida em sua unidade precisa se reunir em comunidade para ter voz na sociedade e fortalecer em última análise sua classe.

E aí vem a grande pergunta: como a percepção de tanta dificuldade pode contribuir um post com o lado bom da vida.

Fácil ainda que o caminho seja difícil. A par das dificuldades no trabalho muito prejudicado pela falta de confiança no poder judiciário que modernamente pela cabeça de alguns mediocres que estão no topo do poder e baseiam suas decisões na comoção social, repercussão internacional como justificativa pessoal para enviezar texto plano de Lei, procurei sair da caixa e organizar a vida atento ao que ela me traz.

Assim como Tom Hanks no filme o Naufrago me vi só. Ao longo do ano procurei no tempo livre reconectar com pessoas que me entendem, ou me respeitam, concordando ou não com o que leio e escrevo. Isto esta bem.

Cultivar o respeito a opinião do próximo é enriquecedor. Tenho vivido meus pais e minha família intensamente. Ainda que o senso comum nos diga que toda família é igual, sim, vivemos todos o imponderável na vida e suas emoções, sinto que sou amado e compreendido por aqueles que me amam, e isso vai além da tolerância e aceitação.

E para estes meu erro é amor da mesma forma.

Aprendi a receber, lição essa que por anos me foi negada aprender e posterior difícil compreensão por sempre ser proativo, sem horário e dotado de uma visão de vida singular, pelo meu lado amoroso e acolhedor feminino.

Não vou ficar de braços cruzados não. Procurei driblar as dificuldades como pude, rodei 50-60 mil kilometros de carro em viagens de 10-12 horas enquanto tinha medo do virus e estava sem vacina, ainda que estritamente necessário. Sou para o meu trabalho, e para aqueles que de mim dependem, pelo que meu trabalho significa ao cliente, o mesmo que o médico foi em hospital de campanha: trabalhador e lutador.

Tenho a felicidade de gerenciar um pequeno grupo de advogados que estão comigo ha mais de 10 anos, todas as dificuldades pessoais e processuais em torno disso, minhas, da justiça e deles.

Consegui com muito esforço e luta devolver a sociedade um pouco do meu trabalho através da associação Amparo na padaria social que faz pão para quem tem fome e da emprego para quem precisa. Através dela me reconectei a cidade, suas diferenças e desigualdades pelas pessoas em alto grau de vulnerabilidade.

Consegui reconstruir minha vida amorosa ao Paulo que entrou no bonde andando, terceiro casamento, cachorros, minha vida e vida dele para cuidar. Por mais que eu faça, melhor, tudo que eu fizer a ele será insignificante diante do que ele representa, faz e me fortalece. E tenho consciência dos meus problemas e soluções tanto na esfera pessoal quanto profissional.

Ate mesmo Alice minha amada e idolatrada filha teve uma doença que durou exatos 10 meses para ser curada conseguimos tirar ela dessa com muito carinho, amor e cuidado.

Me reencontrei com Deus pela terceira vez, quando uma situação de saúde alarmante me incapacitou por um mês ele veio por alguem me dizer “meu filho como esta sua fe diante disso”

Oh Deus não sou digno de sua graça e peço misericórdia pelos meus atos. Milagre em minha vida não se tornou recorrente a toa, tenho consciência embora não saiba a dimensão do que ele tem planejado para mim.

Uma vela para amigos, familia, pessoas especiais e para a humanidade.

Exceto pelo fato que a par de tudo, de todos, menines e por ai vai, como bem cantou e definiu Elton John, estou de pé com a fe, força e sorriso inabalável para o final de 2021. Esse sou eu.

E vivi os 50 anos de casados dos meus pais. Tem felicidade maior do que essa?!

E isso é o que desejo a todos. Prosperidade no sentido amplo da palavra. Foi isso que esse ano tenebroso também me trouxe e mostrou, o lado bom da vida.

Não é nada fácil não, também não é impossível, bora tentar?!

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