Ilegal, e daí?

Fiquei muito triste com a notícia da causa da morte do Boechat. O laudo atestou a forma trágica através da qual sua vida foi terminada… por um trauma! nele, na família e em todos nós.

Boechat foi o argentino mais brasileiro, carioca e patriota que conheço. Choro todos os dias. Aprendi através dos programas que ninguém perde nada por ser certo e sincero em suas opiniões. independente de estar certo ou errado, devemos seguir em frente e viver pelas opiniões e valores que acreditamos.

Para quem mora no país cujo lema é ordem e progresso, chama atenção o pouco caso que muitos fazem do cumprimento de Lei.

Esse comportamento piscopata que fomenta o anarquismo, a sensação de total falta de governo, esta presente na realidade brasileira ha tempos, faz muitas vitimas todos os dias, e são muitos os envolvidos senao o vejamos

1. Governo – No ano de 2008, o então prefeito do Estado do Rio de Janeiro, indagado sobre a desordem urbana que pairava na prefeitura respondeu “ilegal, e daí”. Esta afirmação deu ensejo a uma série de reportagens referentes ao crescimento desordenado da cidade, suas causas e reflexos. Se o exemplo não vem de cima, difícil cobrar em baixo. A aplicação e defesa de Lei é uma obrigação do Estado.

Recentemente houve uma chuva forte na cidade, agua desceu como um rio na favela da rocinha, dentre outras, deixando mortos e desabrigados em comunidades. Não menosprezando a vontade dos cariocas que criaram organizações para receber e doar bem materiais em conforto as famílias, ninguem levantou a voz para exigir do atual prefeito a ordem urbana. como pode????? Fazer vaquinha para dar bens materiais aos necessitados de governo, não resolve o problema.

2. Empresario – Se o governo não cumpre, porque faze-lo? o cumprimento de Lei por alguns empresários só ocorre quando (a) tem medo de perder dinheiro pela multa (b) tem risco de abalar seu negócio ou de ir preso.

Consequência disso, em um país que tudo precisa ser excessivamente regulamentado, é a anarquia, corrupção e muita burocracia para aqueles que querem ser corretos.

Veja, o dono da Kiss não é diferente do presidente da Vale que não é diferente do dono da empresa de táxi aéreo. Este por sua vez não é diferente do dirigente do flamengo que utilizou criativamente a palavra “licença colateral” para justificar seu crime.

O Doutor Bumbum culpou o uso de medicamento de emagrecimento não informado pela paciente, como fator determinante de sua morte, é igual ao prefeito do rio quando afirma que esta tudo bem. Sera que ele também pensa que cuidou das pessoas?

Todos os crimes tem em comum uma coisa, tiraram a vida de pessoas queridas, um pai cuja voz era a voz do brasil, filhos desta nação, adolescentes e familias inteiras.

E se não havia licença para Taxi Aereo remunerado, porque transportou passageiro?

No japao, temos um brasileiro, que ja foi motivo de orgulho, e esta preso por não informar as autoridades daquele pais, de forma clara e objetiva, a origem de seus bens, vide Carlos Gosn, ex presidente da peugeot, renault e citroen. É ilegal, e dai? foi preso.

Nos Eua então não tem perdão. A policia vai la e prende mesmo.

e daí?

Surge então no Brasil um padrão de resposta não aceitável que é comum a todas os envolvidos : no Flamengo querem culpar o tempo, em brumadinho a natureza e súbita liquefação do solo, no boechat seria uma fatalidade.

Grandes bancas de advocacia se especializaram na argumentação dessas fatalidades em justificariva a ilegalidade e o resultado para o brasileiro é vergonhoso e devastador. Não nos esqueçamos do Bateau Mouche, do Palace II, o desabamento de prédio no centro do rio de janeiro ao lado do teatro municipal e muitos outros acidentes que poderiam ter sido evitados se as normas fossem cumpridas ao invés do ilegal, e daí.

A função social da empresa nesses últimos anos tem sido muito valorizada, porque gera emprego e resultado. Não pode se sobrepor a responsabilidade civil inerente a sua atividade.

Não podemos fechar nenhuma delas, agora isso não pode servir de desculpa para permitir quem nela é responsável se safar.

De igual forma, o debate pobre na CPI de brumadinho revela que a classe política, que funciona na base do bate boca, apequena a discussão, e retira qualquer hipótese de ser levado a sério o resultado. Perpetuando novamente à ilegalidade.

Considerando que a vida não tem replay, não conheço quem dela ja partiu e voltou para dizer como é do outro lado, resta escrever, relatar e esperar que novos e melhores tempos virão.

Finalmente, que muitos brasileiros entendam que não é legal viver o ilegal. Não é certo e nem se fará justiça defendendo o injusto, tudo isso custa caro para a humanidade.

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