Série 50 | Capítulo 2 – O Tempo Não Para…

Quando criança, contei os dias para ser adolescente. Até lá, chegar à maioridade parecia demorar uma eternidade.

Depois de formado e já trabalhando, percebi que o tempo corria, e que eu precisava correr com ele. Foi pela noção do tempo que entendi quando ele acelerava, pressionava, cobrava.

Hoje, aos 50, percebo que o tempo não para, mas ensina. E quem aprende, ganha tempo.

Essa não foi uma conclusão súbita.

Decorre de um acúmulo. É a soma de experiências boas e de erros repetidos, de expectativas frustradas, de aprendizados e de sofrimentos silenciosos.

Sim, carrego comigo algumas marcas e dores do passado.

Hoje, com um olhar mais distante, percebo que o tempo não acelera nem desacelera. Fui eu que insisti em caminhar fora do compasso. Paguei o preço do descompasso e com ele aprendi a viver fora da caixa.

A juventude me ensinou a correr, a querer, a fazer, a não desistir, a perseverar. A maturidade me ensinou a perceber a mim mesmo e, mais importante, ao entorno. Ao coletivo.

Aos 50, compreendo que quase nada floresce sob urgência constante porque o solo não sustenta. É preciso tempo de semear para depois colher o que vingar. E isso, não depende de mim. O que floresce de verdade precisa de silêncio, de espera, de espaço.

Só assim também entendi que o tempo revela, mas apenas àqueles que permanecem atentos.

Aprendi que respeitar o tempo é também respeitar a mim mesmo. É aceitar que nem tudo, ou quase nada, se resolve no momento em que desejo. É acreditar em Deus e no propósito que cada existência carrega. Alguns processos pedem paciência; certas respostas surgem no seu tempo próprio.

Hoje, não me angustia chegar depois. Me angustia chegar vazio, sem propósito, sem nada a acrescentar.

O tempo também ensinou a reduzir expectativas. Não no sentido de desistir, mas de ajustar. De compreender que a vida não deve corresponder a uma narrativa idealizada, e sim ser vivida com presença. Quando ajusto o olhar, o peso diminui.

Há uma falsa ideia de que desacelerar é perder. Aos 50, sei que desacelerar é escolher. Escolher onde colocar energia, atenção, trabalho e afeto. O tempo não pede pressa; pede consciência e consistência.

Na vida profissional, isso se traduziu em mais critério e menos impulso. Em ouvir mais, falar menos, observar antes de decidir. Resolver problemas continua sendo o que faço de melhor. Sou procurado para enfrentar a dificuldade como especialidade. Nada menos, nada mais.

Na vida pessoal, o tempo ensinou a valorizar o ordinário: o café da manhã sem ruído, a reza matinal na presença e na comunhão do marido, a conversa sem distrações, o dia que começa simples e termina inteiro. Pequenas rotinas sustentam grandes equilíbrios. Da mesma forma, são os pequenos movimentos que, somados, mudam a trajetória.

Aos 50, finalmente, não corro atrás do tempo.

Caminho com ele.

Essa é uma das maiores lições que o tempo me deu até agora e que pretendo carregar, no mínimo, pela próxima década.

Amém.

Se aos 50 o tempo deixa de ser promessa, no proximo capitulo ele se revela como escolha.

Série 50 | Capítulo 1 … Consegui!!

Então o grande dia chegou… fiz 50 anos!

Durante muito tempo me perguntei se conseguiria chegar a essa idade bem, com saúde, e o que seria de mim ao cruzar esse marco. Cinquenta sempre soou distante, quase abstrato. Hoje é aqui e agora.

O que representa ser um cinquentão? Uma virada de chave? Um novo olhar sobre a vida pessoal e profissional? Novas perspectivas?

Ainda carrego muitas perguntas sem respostas, e talvez esse seja o maior sinal de vitalidade. Quem se pergunta, ainda caminha. Quem busca ainda vive.

Chegar aos 50 me trouxe uma grata surpresa: permitir-me o novo. Novas amizades, novos programas, novos olhares. Não como fuga do passado, mas como continuidade e expansão.

O que não mudou foi a rotina do dia a dia. E percebo que isso não é pouco. Voltei a acordar cedo para rezar e tomar café enquanto vejo o dia clarear. Esse ritual, independentemente do dia anterior, me reorganiza por dentro. Zera os excessos, silencia o ruído e me devolve ao essencial decorrente da fe em Deus. Todos os dias.

Sinto-me privilegiado por ter um marido e por viver nossa vida com liberdade, sem medo e sem as marcas do preconceito. Talvez porque nunca tenha alimentado isso em mim, não carrego esse reflexo nem isso atraio. A vida devolve aquilo que cultivamos.

Aos 50, sigo aprendendo. Aprendendo sobre mim, sobre pessoas, sobre amigos, sobre o tempo. Aprendendo a viver o presente e a acolher tanto as oportunidades quanto os problemas que cada dia traz.

Descobri que toda dificuldade é, também, uma oportunidade de fazer melhor. Esse entendimento me impulsiona nos processos, nas negociações, na vida profissional. Resolver problemas é, afinal, o que faço de melhor e sigo esse caminho com mais calma, mais consciência e menos ansiedade.

Essa é a essência da Série 50.

Não sobre o que ficou para trás, mas sobre o que continua e o que ha por vir. Sobre maturidade sem dureza. Sobre fé sem alarde. Sobre presença.

Aqui estou.

Essa é a minha vida, minha família, meus amigos que fazem parte do pequeno acervo afetivo, e a expressão do que sou como cristão.

Feliz. Grato.

Obrigado.

Que venha mais um ano. Rumo aos 51 escrevendo reflexões que estarão presentes na nova decada.

Serie 50 | O grão, o pão e os sinais

Acordo todos os dias em oração.

É um rito que me move, pulsa e aquece o coração. Talvez por isso eu escute de tantos o quanto sou querido. Tenho Deus em tudo o que sou e em tudo o que faço. E tenho a certeza de que por causa disso, o trabalho frutifica a minha vida e a de quem está ao meu redor.

Cheguei aos cinquenta anos não apenas somando tempo.

Aprendi a escutar melhor. Foi na oração, justamente nesse atravessar de ciclo, que percebi uma lição triste, porém verdadeira. Uma lição que não reflete apenas parte da população, mas revela a ausência de valores cristãos: quando o dinheiro entra, o coração de muitos sai. Nada justo nem certo. É dinheiro.

A reciprocidade desaparece. Ela passa a existir apenas enquanto há interesse. É lamentável, mas é real. E dói mais quando se chega a essa constatação não pela teoria, mas pela pratica.

E então me pergunto com a consciência e honestidade que os cinquenta exigem o que fiz para me colocar nessa situação?

Quais sonhos vivi, quais infernos inconscientemente desejei, que me conduziram a ponto de ser traído da minha natureza dessa forma?

Será que a bênção de Deus é me fazer celebrar cinquenta anos em estado tão pequeno quanto um grão? Ou será justamente nesse grão que mora o mistério da maturidade? Porque, mesmo pequeno, ele se multiplica como o pão, alimenta e sustenta. Não faz barulho, mas cumpre seu propósito.

Os sinais estão aí. E talvez os cinquenta sejam exatamente isso: aprender a enxergar menos com os olhos e mais com o espírito.

Há, sem dúvida, muita coisa boa por vir.

Serie 50 | Do Pedro para o Pedro: Reflexões às vésperas dos 50 anos

Serie 50 | Do Pedro para o Pedro: Reflexões às vésperas dos 50 anos

De tempos em tempos paro e olho para trás. Em breve — e se assim Deus permitir — serei mais um cinquentão no mundo.

Ainda que seja para frente que se anda, o tempo que antecede a chegada dessa idade, somado à porção diária de leitura bíblica, me fez refletir muito.

A consequência prática foi assumir as rédeas da própria vida.

Às vezes olhamos para o lado e ouvimos, muito e incansavelmente, que não somos necessários. A esses digo: seu desejo foi realizado. Sua vontade virou minha coragem.

Não nasci para viver na posição de conforto, é verdade. A percepção disso, aliada à fé, me impôs tomar decisões duras para viver em paz.

Esse foi o presente de cinquenta anos que só eu mesmo poderia me dar: viver a paz de Cristo todos os dias, a despeito das questões do dia a dia.

É tempo de acordar e pensar. Tempo de planejar. De viver o presente e cultivar novas relações. Aproveitar a família e a vida.

Tempo de largar quem vive de preconceito ou o cultiva na conversa de bar — seja amigo ou familiar.

Tempo de fugir de fofoca e de curiosos.

Tempo de prosperar.

Foi olhando para trás que entendi e enxerguei a pintura inteira: o Senhor é meu pastor e nada me faltou. Com ou sem dinheiro, sempre tive onde morar, porque Ele me salvou.

Então, Pedro, o melhor conselho que posso te dar nos dias que antecedem os cinquenta é: permaneça livre. Viva a sua vida. Não aceite o sequestro no trabalho, de processos e contatos, como moeda para existir.

O que realmente é caro na vida, o dinheiro não compra.

Diga sempre o que pensa, ainda que seja inconveniente ou impertinente. Seja verdadeiro consigo mesmo. Não perca tempo tentando corrigir o incorrigível, nem perca sua reputação tentando agradar quem não te prestigia.

É preciso muita força e fé para vencer o medo e encarar o inesperado. Tenho a sorte de viver uma vida plena com um homem que chamo — e sou — marido, sem me importar com o que os outros vão pensar.

Vou virar cinquenta anos com o caderno de contatos — agora aplicativo — renovado.

Na esperança de que esse tempo limitado na Terra me permita continuar a aproveitar a vida, honrar meus pais e cuidar da família que construí ao longo do caminho.

Vai dar certo?

Já deu.

01.01.2026 – fé, amor, renovação, saude e recomeço.

01.01.2026 – fé, amor, renovação, saude e recomeço.

Geralmente escrevemos para nós mesmos, todos os anos, aquilo que desejamos que aconteça ao longo da vida.

Esse gesto quase íntimo costuma surgir logo depois do Natal, quando o silêncio fala mais alto e o ano ainda não começou de verdade.

Para 2026, desejo antes de tudo que Jesus continue me guiando, como fez no ano que passou.

Quero viver mais um ano com fé, amor, trabalho, compreensão e carinho.

Que 2026 seja um ano de renovação e recomeço.

Um ano simbólico: completo 50 anos de vida e celebro 5 anos ao lado do Paulo. Marcas de tempo que não pesam — ensinam.

Começo este ano na leveza de quem aprendeu a não remar contra todas as marés.

Parado, atento, escolhendo apenas a onda que realmente importa surfar.