Lembro-me bem de uma cena de De Volta para o Futuro em que Marty, ao receber uma informação de seu amigo Doc respondeu: “Isso é pesado”.
Volta e meia nos difíceis embates da vida ouvi que Deus não da a ninguém um fardo maior que possa carregar. E não so por isso, ao chegar a exaustão, incontáveis vezes pedi ajuda para carregar o meu.
Assunto pesado, cor que grita, muitos são os adjetivos para descrever um sentimento por trás de uma ação.
Peso a parte, ja escrevi dizendo que aos 20 vivia para provar; aos 30 com o mundo aos meus pés queria conquistar o mundo; ja com 40 procurei me sustentar e quando cheguei, finalmente aos 50 percebi que a fase é de entender.
Ando pensando muito sobre o que não vejo. Nada em relação ao sucesso aparente, menos ainda das viagens apesar de ser o interlúdio um artigo sobre carro.
Não são esses os assuntos que me ocupam, e sim o cansaço invisível que compreende situações e decisões que ninguém soube. Sao um combustível para noite ma dormida e duvida respondida pela frase de consolo “e esta tudo bem”.
Esse tipo de exaustão moral, silenciosa e emocional se nutre do acumulo de expectativas, de pessoas que dependem de mim, tudo regado pelas diferentes versões de minha própria existência aqui classificadas por décadas.
Custei olhar para mim e reconhecer que, com o passar do tempo, a força de mudar não mais protagonista de minha existência.
O momento hoje é de escolher.
Precisei de cinquenta anos e tres casamentos para começar a enxergar padrões. Eles estavam nos relacionamentos que exigiram demais sem oferecer tanto. Também presente nos ambientes cujo peso drenou energia sem oferecer na igual proporção contrapartida.
É tempo de passar a régua, reconhecer a finitude e ter respeito ao que resta. A flor da idade vem com peso embora delicada.
Passei anos resolvendo problemas dos outros e meus para corrigir situações, transformando o que estava quebrado em algo funcional com alguma dignidade. Quem orbita a minha vida bem sabe.
Com o tempo passei a acumular perguntas sem resposta. Se não tenho o habito de pedir, quem vai resolver os meus problemas. Qual é o meu problema? Ainda sem resposta voltei a terapia para relatar pelos assuntos dos textos o que sinto.
A falta de resposta é um peso que não se ve. Some a isso as renuncias silenciosas e o não que dói no momento, ainda que se revele uma especie de livramento no futuro.
Sair de cena, não enfrentar determinadas batalhas também tem seu peso. O conjunto desses argumentos bem demonstra a evolução do poder de selecionar. Não preciso provar nada a ninguém, e sim decidir melhor o que quero.
Pensando nisso acordo, treino, trabalho e durmo diferente. O resultado disso é ter serenidade na batalha. É um sentimento real ainda que em construção.
Olho ao meu entorno e tenho certeza que aos 50 o luxo não é ter mais e sim precisar menos. Isso se aplica ao ruído, a urgência e validação sem a qual não vivo a verdade. Menos é mais.
Engraçado, no começo dessa serie bem escrevi sobre o passado, escolhas que fiz e limites que impus. Agora o momento compreende a inteligência emocional comigo mesmo.
Procuro não ter nada alem do necessário, a sempre buscar o justo e permanecer saudável.
Esse peso, que a gente não vê, pode me dobrar ou ensinar a postura quando aprendemos a conviver.
Estou a escolher a segunda opção.
E sigo!
