Todos os dias acordo cedo por volta das 5 horas da manhã para em seguida viver aquela que para mim é a melhor parte do dia.
É o momento que paro para tomar um cafe com Paulo e rezar antes de começar o dia.
Aprendi que uma dose pequena de religião todo dia muda a gente. Mal comparando a religião em doses homeopáticas proporciona a longo prazo um resultado.
A lucidez aumenta quando aprendo e passo a identificar fatos e circunstâncias que somam.
De igual forma, o que vai embora não deveria ser motivo de tristeza. Se foi é porque Deus quis. Não é mal.
O efeito pratico disso no dia dia é obvio. Hoje em dia não corro atrás de tudo, ha muito ja disse que o importante não era abraçar o mundo e sim viver com qualidade ainda que seletivamente.
A adoção desse critério cria a percepção de que hoje o que existe é o que me faz bem. O que não fazia foi embora.
Logo o que fica nao é por acaso! esta ai porque te respeita, soma e constrói sem invadir. Talvez seja esse o maior sinal de lucidez.
So fico com o que for verdadeiro!
Como por exemplo o momento que escrevo esse capitulo
Não foi nada fácil porem consegui entender que viver nāo é so acumular experiência. É saber descartar também.
Tema bom e oportuno para escrever sobre durante a o período da Páscoa.
Afinal, a percepção que por um dia dormimos com o deus morto, ainda que depois de ressuscitado, para mim ja é o suficiente para pensar.
A reflexão que gira em torno da noite de sono nas trevas é também de enterrar tudo o que não é bom e também o que precisamos desapegar.
O peso das discussões, da reação as inúmeras injustiças, precisa ir embora. Aproveito e descarto até mesmo a culpa de coisas que nem são minhas, a propósito leva embora o que falam de mim também.
Vou segurar o que me ensina, o que constrói e me fortalece.
Para quem acredita os sinais sempre aparecem de onde menos esperamos. E quando a gente percebe deus nos cercou de pessoas que nos fazem bem, ajudam, acrescentam.
Eu não preciso de tudo para seguir em frente, so o que me sustenta.
No capitulo anterior escrevi sobre um silencio diferente. Este tem origem único e exclusivamente em mim. Não se relaciona com o medo nem o que vem dos outros.
Aquele silencio, que não pede explicação, justifica nem me impulsiona a voltar atrás foi fundamental. Através dele vivi uma mudança importante que so veio aparecer depois.
Foi quando então me dei conta que precisava me sustentar.
Oh Deus obrigado por sua infinita misericórdia e companhia ao longo da vida. Através de Ti hoje sou quem sou de verdade.
Esse é um compromisso diário que faço comigo mesmo do acordar ao dormir. Curioso, por tempo essa verdade me pareceu mais difícil do que a própria verdade.
Seria porque precisei expulsar demônios de mim?
Talvez.
Ou porque a evolução da mudança, no primeiro momento fez com que tudo parecesse claro. Faz sentido. Acordo todos os dias, abro os olhos portanto enxergo, decido e me posiciono.
Formula essa que me permite viver com leveza, certo?
Perfeito ate chegar o teste silencioso que somos submetidos por todos.
Através dele nos é sugerido fazer concessões, enfrentar situações que não desejamos se repita, tudo isso acontece nesse enredo dos outros que não é obvio, portanto não percebemos imediatamente. Tudo e muito sutil.
E não sao poucos que deixam de resistir a mudança e voltam atrás. Não e porque não aprenderam e sim porque não se sustentam.
Olho para traz e percebo quantas vezes fiz isso e errei. Assim como Thomas Edison que precisou de inúmeras tentativas até chegar a lâmpada, também passei pelo meu proprio processo..
Tentei, falhei e recomecei por muitas vezes.
O que me levou a isto, reflito.
Tres fatores, sendo um deles a confusão da paz com acomodação, situação que zerou a fila do embate. Achei que ser maduro era me silenciar, deixa passar. Tudo isso me permitiu viver com menos conflito.
Hoje sei que essa confusão ai me permitiu entender que na verdade fiz uma grande confusão sem lógica e coerência.
Querido Pedro, ouso lhe dar um conselho que reflete muitas das experiências que voce teve na vida.
Esquece o todo.
Nem todos vão te acompanhar, ficar, nem voce vai se sentir confortável no ambiente passado onde ja nao cabe mais.
E está tudo bem
Hoje não existe espaço para me abandonar e não caber.
Por mais caro que tenha custado ser quem sou, creio e tenho certeza que é infinitamente menor ao que teria se tivesse optado por não ser.
Hoje eu escolho qual conta vou pagar.
Essa decisão é única e exclusivamente minha. O processo é silencioso, se repete todo dia por isso se sustenta.
O que me faz pensar, o que faço com o espaço que sobra quando finalmente conseguir ocupar o meu lugar?
Depois de escrever sobre o desconforto que temos uns pelos outros e o impacto nas decisões do dia-dia no capitulo anterior, me perguntei algo simples e trivial, o que vem em seguida?
Silencio…
Mas não é aquele cantado por Simon & Garfunkel que saúda a escuridão como velho conhecido de prosa. Definitivamente não é o caso, esse silencio não se assemelha em absolutamente nada do que disse a musica.
Pensando bem, talvez aquela circunstância descrita na musica, de pessoas falando sem dizer, ouvindo sem escutar, escrever canção sem compartilhar, sem ousar, tenha sido o rastro da escuridão que vivia ao me censurar e não decidir.
Esse silencio é diferente.
Não tem relação com a escuridão que ja vivi nem com o desconforto dos outros. Também não tem relação com o conflito que antecedeu a tomada de decisão.
O silencio é do tipo que não exige explicação ou justificativa. Com a seguinte e importante vantagem, não tem o impulso para voltar atrás.
Para evoluir e chegar aqui, precisei entender que não era necessário ser compreendido pelos outros, ou mesmo que as minhas escolhas deveriam fazer sentido para eles.
Na-na-ni-na-não.
Hoje entendo que não preciso permanecer no olhar alheio como forma de validação para manter algum tipo de pertencimento.
Esse capitulo não foi simples de assimilar. Para vive-lo foi preciso pagar seu preço: a ruptura e o fim do antigo lugar.
Se voce estiver passando por isso, me permita um conselho, aproveite e enterra, por definitivo, a necessidade de ser entendido.
Esse passo não tem nada haver com os outros. Ele aconteceu simplesmente porque o que vivi no passado não mais me sustenta.
Dai vem o silencio.
Qualquer silencio? Não, vem esse tipo de silencio.
Diferente do que já senti na solidão por omissão ou rejeição, esse silencio decorre do fato que não preciso explicar.
Isso muda tudo.
Esse silencio me trouxe paz. Essa fase me permitiu organizar e reorganizar a vida.
Então digo que através dele criei espaço… para existir sem ajuste, mediação, tradução.
Lição essa que ate hoje não ouvi de ninguém.
O silencio não é sobre perder versões de si, de pessoas e lugares. Isso não existe mais, nem mesmo a necessidade de caber.
Por isso é um caminho sem volta.
O silencio de hoje não me permite voltar atrás pela ausência de identidade com o que passou.
Percebo algo comum de muitos ao perguntar sobre a minha história: porque demorei tanto a entender e assumir a natureza afetiva que tenho?
Hoje percebo que veio do fato que passei a vida inteira tentando caber.
Queria muito suprir as expectativas depositadas em mim. Obviamente não deu certo, e cansei.
A dificuldade que tive de me entender, portanto conviver e socializar na infância, me tornou adaptável ao ambiente. Adaptar não é uma virtude. Não há mérito nisso.
Hoje percebo que o adaptado nunca sera um profissional pleno, marido presente ou homem forte que resolve as questões do dia-dia. Essa flexibilidade não gera maturidade. Nem o silencio sobre mim foi elegante.
Essa virada de chave dos 50 anos me fez refletir que o importante mesmo é ser quem eu sou, ocupando o próprio espaço sem pedir desculpas.
Isto, ao contrário do que no passado pensei, não é ser arrogante. É presença.
O que aprendi depois de muita dor e do peso que as circunstâncias recaiam sobre mim, é que eu me diminuí, me menosprezei para manter o equilíbrio de situações e problemas que… não eram meus.
Quero viver, se assim Deus permitir, o espaço que ocupo.
Ou seja, não quero ser entendido a força, nem falar ou convencer quem ja decidiu a não escutar. Cada um é o senhor do seu destino. Também não vou disputar espaços que exigem energia demais para pouco sentido. Se você quiser por favor passe a frente e bom caminho.
Hoje, no espaço que ocupo, escolho onde sento, onde falo, onde invisto tempo, com quem falo e também onde me silencio.
São decisões reais provenientes de um alinhamento interno. A presença surge sem ser anunciada, competência, aparece sem ser proclamada. Simplesmente sou, dentro do meu quadrado, percebido.
Saber quem sou, e principalmente quem não mais sou, trouxe uma calma incrível. To be, or not to be, that is the question.
Aquela ideia conquista que no passado que significava mais trabalho, mais responsabilidade, mais compromisso hoje não é vista da mesma forma.
Ouso dizer. Me parece meio raso.
Hoje, aos 50 ocupo meu espaço sem tirar o de ninguém. Pelo contrário, crio relações honestas simplesmente porque não quero mais caber.
Quero viver e ocupar meu espaço sem imposição, sem medo e se possível, sem excessos.