Serie 50 | Capitulo 5 – Escolhas

Antes dos 20, a escolha era ter 18 para entrar nas sessões de cinema, ter habilitação para dirigir e poder sair sem censura, ou seja, escolher… era lidar com ansiedade.

Quando formado e trabalhando, aos 30 veio aquela sensação que o mundo estava aos meus pés, muitas escolhas foram feitas levando em consideração a ambição de ser, fazer e estar.

Não a toa existe um ditado popular que diz o tempo é o senhor da razão. Quando virei 40 as escolhas giravam em torno da responsabilidade. Havia consolidado a minha natureza afetiva pouco tempo antes e ja sentia o peso e responsabilidade dos meus atos e decisões.

Curioso esse sentimento nunca deixou de existir. Foi complementado agora aos 50, quando me dei conta que escolher é renunciar. E isso exige responsabilidade.

E talvez esse seja em apertada síntese o panorama dos meus aprendizados.

Nos textos anteriores ja disse enquanto jovem levei muita coisa para frente na concepção que amadurecer era suportar e somar. O dia dia, no espectro de opções binárias se resumiu a escolher isso, ou aquilo. Ora pensava na carreira, ora na vida social, nunca em mim. Queria ter dinheiro e tempo simultaneamente. Achei que poderia ser perfeitamente possível ter ambição e paz.

A maturidade ensinou algo desconfortável: minhas escolhas carregaram uma renúncia silenciosa. Com o tempo entendi, não dava para estar em todo lugar, agradar a todos, sustentar todas as versões de mim mesmo e através disso manter todas portas abertas.

E agora vejo, foi demais. A frustração foi libertadora também. Muitos que não correspondiam as expectativas foram embora. Quem estava fora do propósito também.

Sem perceber fechei portas, algumas com raiva outras depois de viver um drama para ter serenidade.

Hoje aos 50, percebo que escolha deixou de ser movida pelo medo de perder. Passou a ser guiada pelo desejo de preservar energia, tempo e paz.

E há algo ainda mais profundo: hoje posso escolher quem quero ser daqui para frente.

Das escolhas ja digo, não sera quem fui ou esperava que fosse. Essas paginas estão viradas. Daqui para frente a escolha será consciente em torno do que sou.

Afinal hoje a idade pesou. Talvez a juventude tenha me dado muitas possibilidades que a maturidade adicionou uma pitada de critério ao molho de rejeição.

Hoje entendo que não escolher também é uma escolha e geralmente a pior delas. Daí porque certo ou errado decido e não me omito. Porque a vida decide por nos quando ficamos paralisados. Se o tempo ensina, ele também cobra posicionamento.

Aos 50, percebo que liberdade não é fazer tudo.

É poder dizer: isso eu quero.

E principalmente: isso eu não quero mais.

E há uma paz enorme nisso.

Acredito.

Deixe um comentário