Serie 50 | Capitulo 17 – O que eu não negocio mais.

Muito recentemente minha vida tomou uma mudança súbita de direção. Meses depois percebi a serie de elos quebrados, que juntos formaram o enredo para tomada da decisão.

Se uma coisa aprendi com o meu pai que é cirurgião foi tomar decisão. Assim é que de certa forma me destaco na advocacia, por decidir melhor ou pior as questões e ter capacidade de reavaliar.

Não foram os elos culpados. Claro que não. A decisão tomei após observar um conjunto de atitudes que retiraram a minha paz.

Foi um conjunto de atitudes, gritos, reclamações, afirmações e ações cujo enredo, pelo que ja escrevi ate agora na reflexão dos cinquenta anos, pouco a pouco sinalizou que eu deveria me afastar, privilegiar a paz, ter confiança no escolher, sobretudo recusar.

Ao privilegiar a paz enterrei tudo que não deu certo.

Passei a negociar apenas o essencial.

Isso incluiu algo que antes parecia impossível. Abrir mão de discutir tudo. Sair em silencio. Atitude bem diferente daquele Pedro de anos atrás.

Evolui.

Pelas reflexões que começaram antes dos cinquenta anos percebi momentos da vida que me fizeram evoluir em questões relacionadas a temas importantes de minha vida, como escolha, limite, relações, silencio, desapego e o que fica.

O que fiz ano passado?

Observei os sinais e parei de reagir a tudo. Isso não significa não negocie. Aprendi a respeitar meus limites.

Apenas, não negocio mais a paz.

Serie 50 | Capitulo 16 – O que fica não é por acaso

Todos os dias acordo cedo por volta das 5 horas da manhã para em seguida viver aquela que para mim é a melhor parte do dia.

É o momento que paro para tomar um cafe com Paulo e rezar antes de começar o dia.

Aprendi que uma dose pequena de religião todo dia muda a gente. Mal comparando a religião em doses homeopáticas proporciona a longo prazo um resultado.

A lucidez aumenta quando aprendo e passo a identificar fatos e circunstâncias que somam.

De igual forma, o que vai embora não deveria ser motivo de tristeza. Se foi é porque Deus quis. Não é mal.

O efeito pratico disso no dia dia é obvio. Hoje em dia não corro atrás de tudo, ha muito ja disse que o importante não era abraçar o mundo e sim viver com qualidade ainda que seletivamente.

A adoção desse critério cria a percepção de que hoje o que existe é o que me faz bem. O que não fazia foi embora.

Logo o que fica nao é por acaso! esta ai porque te respeita, soma e constrói sem invadir. Talvez seja esse o maior sinal de lucidez.

So fico com o que for verdadeiro!

Como por exemplo o momento que escrevo esse capitulo

Serie 50 | Capitulo 12 – O peso de sustentar quem se é

No capitulo anterior escrevi sobre um silencio diferente. Este tem origem único e exclusivamente em mim. Não se relaciona com o medo nem o que vem dos outros.

Aquele silencio, que não pede explicação, justifica nem me impulsiona a voltar atrás foi fundamental. Através dele vivi uma mudança importante que so veio aparecer depois.

Foi quando então me dei conta que precisava me sustentar.

Oh Deus obrigado por sua infinita misericórdia e companhia ao longo da vida. Através de Ti hoje sou quem sou de verdade.

Esse é um compromisso diário que faço comigo mesmo do acordar ao dormir. Curioso, por tempo essa verdade me pareceu mais difícil do que a própria verdade.

Seria porque precisei expulsar demônios de mim?

Talvez.

Ou porque a evolução da mudança, no primeiro momento fez com que tudo parecesse claro. Faz sentido. Acordo todos os dias, abro os olhos portanto enxergo, decido e me posiciono.

Formula essa que me permite viver com leveza, certo?

Perfeito ate chegar o teste silencioso que somos submetidos por todos.

Através dele nos é sugerido fazer concessões, enfrentar situações que não desejamos se repita, tudo isso acontece nesse enredo dos outros que não é obvio, portanto não percebemos imediatamente. Tudo e muito sutil.

E não sao poucos que deixam de resistir a mudança e voltam atrás. Não e porque não aprenderam e sim porque não se sustentam.

Olho para traz e percebo quantas vezes fiz isso e errei. Assim como Thomas Edison que precisou de inúmeras tentativas até chegar a lâmpada, também passei pelo meu proprio processo..

Tentei, falhei e recomecei por muitas vezes.

O que me levou a isto, reflito.

Tres fatores, sendo um deles a confusão da paz com acomodação, situação que zerou a fila do embate. Achei que ser maduro era me silenciar, deixa passar. Tudo isso me permitiu viver com menos conflito.

Hoje sei que essa confusão ai me permitiu entender que na verdade fiz uma grande confusão sem lógica e coerência.

Querido Pedro, ouso lhe dar um conselho que reflete muitas das experiências que voce teve na vida.

Esquece o todo.

Nem todos vão te acompanhar, ficar, nem voce vai se sentir confortável no ambiente passado onde ja nao cabe mais.

E está tudo bem

Hoje não existe espaço para me abandonar e não caber.

Por mais caro que tenha custado ser quem sou, creio e tenho certeza que é infinitamente menor ao que teria se tivesse optado por não ser.

Hoje eu escolho qual conta vou pagar.

Essa decisão é única e exclusivamente minha. O processo é silencioso, se repete todo dia por isso se sustenta.

O que me faz pensar, o que faço com o espaço que sobra quando finalmente conseguir ocupar o meu lugar?

Ja sei qual sera o tema do proximo capitulo.

Ate.

Serie 50 | Capitulo 11 – O silencio depois da ruptura.

Depois de escrever sobre o desconforto que temos uns pelos outros e o impacto nas decisões do dia-dia no capitulo anterior, me perguntei algo simples e trivial, o que vem em seguida?

Silencio…

Mas não é aquele cantado por Simon & Garfunkel que saúda a escuridão como velho conhecido de prosa. Definitivamente não é o caso, esse silencio não se assemelha em absolutamente nada do que disse a musica.

Pensando bem, talvez aquela circunstância descrita na musica, de pessoas falando sem dizer, ouvindo sem escutar, escrever canção sem compartilhar, sem ousar, tenha sido o rastro da escuridão que vivia ao me censurar e não decidir.

Esse silencio é diferente.

Não tem relação com a escuridão que ja vivi nem com o desconforto dos outros. Também não tem relação com o conflito que antecedeu a tomada de decisão.

O silencio é do tipo que não exige explicação ou justificativa. Com a seguinte e importante vantagem, não tem o impulso para voltar atrás.

Para evoluir e chegar aqui, precisei entender que não era necessário ser compreendido pelos outros, ou mesmo que as minhas escolhas deveriam fazer sentido para eles.

Na-na-ni-na-não.

Hoje entendo que não preciso permanecer no olhar alheio como forma de validação para manter algum tipo de pertencimento.

Esse capitulo não foi simples de assimilar. Para vive-lo foi preciso pagar seu preço: a ruptura e o fim do antigo lugar.

Se voce estiver passando por isso, me permita um conselho, aproveite e enterra, por definitivo, a necessidade de ser entendido.

Esse passo não tem nada haver com os outros. Ele aconteceu simplesmente porque o que vivi no passado não mais me sustenta.

Dai vem o silencio.

Qualquer silencio? Não, vem esse tipo de silencio.

Diferente do que já senti na solidão por omissão ou rejeição, esse silencio decorre do fato que não preciso explicar.

Isso muda tudo.

Esse silencio me trouxe paz. Essa fase me permitiu organizar e reorganizar a vida.

Então digo que através dele criei espaço… para existir sem ajuste, mediação, tradução.

Lição essa que ate hoje não ouvi de ninguém.

O silencio não é sobre perder versões de si, de pessoas e lugares. Isso não existe mais, nem mesmo a necessidade de caber.

Por isso é um caminho sem volta.

O silencio de hoje não me permite voltar atrás pela ausência de identidade com o que passou.

E pela primeira vez, eu não preciso explicar.

No silencio do caminho para academia

Serie 50 | Capitulo 9 – O Tempo de Não Pedir Licença.

Se o Raimundos pensa que só existem mulheres de fase, estão redondamente enganados.

Claro, com bem menos intensidade e rancor, nos diversos capítulos desta serie coloquei o foco nas fases mais variadas da vida.

Fase de amar, de casar, de separar, de recomeçar, de encontrar denovo, casar novamente e de entender que todas as fases vividas, são o alicerce dessa nova fase da vida, que chega sem alarde.

Essa é a que estou hoje e que vivo silenciosamente todos os dias.

O que tem de diferente?

Bem, não preciso pedir licença a ninguém para falar, concordar ou discordar. Nem para fazer o necessário para ocupar o meu espaço.

Porque fui tao diferente no passado?

Teria sentido um medo que me enterrou vivo? Seria prudência demais na tentativa de manter as situações existentes funcionando sem incomodar, sem perturbar o entorno que sao as pessoas ao redor?

Fato: Todas as vezes que pedi licença fiquei de fora.

Esse foi o tamanho do processo de auto anulação vivido. Fiquei fora de mim, por isso também não aprofundei algumas amizades e vivi um ecossistema paterno que para minha idade era artificial.

Como pude?

Para viver nunca foi necessário pedir autorização. Sempre foi uma condição humana cuja alternativa é certamente muito pior.

Para viver a minha história, nem eu, voce e ninguém deveria ter que pedir licença. Demorei muito tempo para entender isso. Hoje, aqui, nessas linhas e fora delas, vivo plenamente.

Foi somente assim que consegui superar alguns defeitos, historias e contradições que, reunidas, sao o ingrediente que formam a minha presença.

A idade chegou e percebo que não preciso ser agressivo para mostrar firmeza. Da mesma forma ocupo naturalmente o meu espaço sem arrogância e com elegância falando o que penso.

Hoje aos 50 não preciso mais esconder-me dentro de mim, a vida se resume ao que vivo por dentro e para fora.

Depois do livre arbítrio talvez esta seja uma das poucas e valiosas liberdade que todos nos temos.

Ao viver assim, curiosamente, o mundo fica mais simples.