Minha visão política mudou ao longo do tempo?

Gostaria de dizer que sim. No entanto, penso que não.

Em retrospectiva, apresentei-me à sociedade como candidato em 2010 com o propósito de fazer diferente. A chamada nova forma de fazer política, por óbvio, naufragou. Seus pilares não se sustentavam na troca de interesses e favores — pelo contrário — e talvez aí residisse sua maior fragilidade diante do sistema.

Naquele momento, opus-me ao processo de alfabetização conduzido pelo Estado do Rio de Janeiro, chamando atenção para deficiências estruturais que atravessavam toda a formação educacional: da pré-escola ao ensino médio e universitário. Anos depois, aquela percepção inicial não apenas persiste como se agravou. O aluno que ingressa no sistema permanece nele sem o desenvolvimento necessário para realizar a travessia rumo a uma condição de vida melhor. O ensino médio — que considero essencial para qualquer futuro, seja na produção ou na administração — foi deixado para trás, vítima de uma política castradora que ainda insiste em sobreviver.

Também percebi, cedo, que a saúde estava doente. Só então me dei conta do privilégio que sempre tive ao contar com água tratada e esgoto encanado. Hoje, a falta de investimento é tamanha que o cheiro de esgoto se faz presente nas ruas, e temo que uma parcela significativa da população ainda conviva com doenças diretamente ligadas à ausência de saneamento básico. Se o Estado avocou para si a responsabilidade pela saúde, isso deveria ser inegociável. Não foi. A iniciativa privada, por sua vez, transformou os poucos que podem pagar em reféns de uma lógica que faz tudo pelo lucro — exceto cuidar da saúde.

Agora, a poucos dias de completar cinquenta anos, faço uma pergunta inevitável: o que será de mim quando idoso? O que fará o governo, em qualquer de suas esferas, para amparar quem envelhece? Absolutamente nada. Todos nós precisaremos de auxílio nas relações de trabalho e de convívio social. Em troca, parece que receberemos apenas o descarte motivado pela idade. A experiência acumulada não é tratada como ativo nacional, mas como contingência incômoda.

Desde que deixou de ser capital da República, o Rio de Janeiro parece viver uma permanente dor de cotovelo. Apesar da abundância de equipamentos culturais — muitos deles também presentes em cidades próximas, como Petrópolis e Niterói — sua utilização para a difusão da cultura é aquém do possível e do necessário. Optou-se por viver do turismo, dos shows e das sensações, em vez de promover o acesso à cultura como política pública. Não me recordo da última vez em que o poder público incentivou seriamente o uso de bibliotecas. Em contrapartida, não faltam ações de marketing para atrair turistas ou discursos do “nunca antes” para normalizar enchentes, acidentes, roubos e infortúnios.

Apesar de todo esforço, fiquei para trás. Muitos não compreenderam — ou não quiseram compreender — que disputar uma eleição exige, inevitavelmente, um passeio pelo chiqueiro que se tornaram partidos e práticas políticas. Lidar com o peso das escolhas erradas e dos erros de quem domina o sistema é um passo doloroso, porém real e necessário.

Não por acaso, candidatei-me em oposição ao governo que aí está, ainda que tenha sido utilizado oportunamente por circunstâncias alheias à coerência política. A janela de oportunidade surgiu, e nela segui acreditando que, para mudar, era preciso votar.

Ainda é. Não há como falar em redemocratização diante de tamanha abstenção e do crescimento de votos brancos e nulos. Parece que, enfim, o medo venceu a esperança. Muitos acreditam que votar não adianta, que tudo de ruim persistirá independentemente do resultado eleitoral. O mal triunfa porque aqueles que recebem alguma contrapartida do governo estão confortáveis com isso — e, por isso mesmo, lutarão para manter o estado das coisas.

A visão permanece a mesma. O que evoluiu foi a percepção da degradação dos entes públicos, reflexo direto de seus próprios atos. O deputado hoje é uma figura apagada. Sua representatividade diminuiu na mesma proporção em que o processo eleitoral se cristalizou. A República conserva traços de feudo e assistencialismo tão arraigados que impedem qualquer renovação real.

Por isso — e por tantos outros motivos — venho, há muito tempo, questionando se vivemos de fato uma democracia ou apenas sua fachada. Se a institucionalização das relações políticas entre parlamentares não consolidou uma espécie de ditadura democrática, impermeável ao acesso e à mudança. Enfrentar esse sistema parece uma sentença de morte; ser julgado por ele, uma pré-condenação.

O que não havia antes, e hoje encaro com lágrimas e pranto, é a fragilidade do Poder Judiciário. Um Judiciário que age por provocação da imprensa, pela comoção social, e que custa caro — caro demais. Ao longo de mais de vinte anos de formação e exercício profissional, testemunhei o abandono da literatura clássica do direito em favor de reformas que não abreviaram um único dia de julgamento. Apenas deram nome ao ministro cuja regra mudou. Vieram os cursos, os simpósios, os títulos — e o vazio.

Minha visão não mudou. O que mudou foi a experiência — e a percepção amarga que eu, assim como qualquer cidadão atento, carrego ao acompanhar o desdobramento de mais um dia da política nesta cidade.

Sua visão política mudou ao longo do tempo?

Do cinema ao streaming: memórias e filmes que marcaram minha vida

Antes da aceleração na produção de filmes por Hollywood e pelas empresas de streaming — hoje tão comuns quanto um passo a céu aberto — eu tinha o hábito de ir ao cinema.

Alguns filmes eu escolhia só pelo trailer, antes mesmo de decidir a sessão. Outros, pelas críticas que lia no jornal impresso. E quem não se lembra das categorias dos famosos bonequinhos? Aplaudindo, rindo, sentado, dormindo ou saindo do cinema. Confesso que nunca entendi bem os critérios. Muitos filmes de que gostei estavam classificados com o boneco sentado, sem emoção; outros, dormindo; e poucos, aplaudindo.

Vários fatores me levavam ao cinema: a tela grande, o som envolvente, o cheiro de pipoca misturado às luzes apagadas — tudo criava uma imersão única, propícia para aflorar emoções. Ali, já ri, me assustei, me emocionei e até chorei.

Ir ao cinema também era uma forma de encontrar amigos. Mesmo quando não combinávamos, muitas vezes acabávamos nos encontrando na fila.

Hoje isso não acontece mais, pelo menos na minha vida. Aquele “trailer” terminou. Muita gente assiste por streaming, mas a variedade de oferta, aliada à baixa qualidade de muitas produções, acabou me desestimulando. A produção em massa de filmes e séries virou uma espécie de doença moderna: ainda que alguns ganhem prêmios, a velocidade com que são lançados muitas vezes não permite um enredo consistente.

Ainda assim, muitos filmes me marcaram ao longo da vida. Não saberia dizer quais são os 10 melhores, porque nunca organizei uma lista hierárquica. Mas, de forma desordenada, aqui vão alguns:

Xanadu A Fantástica Fábrica de Chocolate Bonequinha de Luxo Alta Sociedade Ben-Hur Mad Max Philadelphia O Senhor dos Anéis Harry Potter De Volta para o Futuro

Isso só para citar dez. Muitos outros ficaram de fora, porque o critério do Blog é escrever de uma só vez, sem filtros.

E você, qual é o seu filme favorito?

What are your top ten favorite movies?

Reflexões de um coração que insiste

No mundo de hoje, percebo que está cada vez mais difícil sustentar, o tempo todo, um comportamento marcado por cuidado, respeito e cortesia nas relações pessoais. Não é à toa que, todas as manhãs, reservo um breve minuto religioso para pedir a Deus discernimento e sabedoria diante da nossa existência falha.

Ao longo dos anos escrevendo aqui, notei que nunca publiquei um texto descrevendo de forma clara um ato de bondade explícita. Antes que alguém atire a primeira pedra, reconheço que isso se deve ao fato de este espaço ser, sobretudo, um território de reflexão introspectiva — e eu sou um crítico de mim mesmo.

O que não falta neste blog são episódios de autoconhecimento e experiências autênticas. Por ser tão pessoal, evitei descrever e personificar gestos de ajuda, consolo ou elogio a outras pessoas. Ainda assim, sei que eles existem.

Sou grato por ter aprendido a dizer “não” quando necessário, como um ato de respeito e valorização de mim mesmo. Nesse caminho, percebo que o cuidado comigo tem prosperado. No texto De olhos bem abertos, escrevi sobre o hábito de ajudar o próximo e sobre como, sem perceber, muitas vezes já estou administrando o problema alheio. Em A melhor versão de mim, compartilhei a importância de estabelecer limites para proteger meu tempo e energia — um gesto de bondade comigo mesmo. Em Mudanças que começam dentro…, convidei o leitor ao diálogo e à compreensão de quem sou. E, em Fatos e fotos, confessei ter me entregado novamente ao amor, depois de algumas derrotas.

Esse calor, mesmo em um coração que já foi petrificado por cicatrizes profundas, me move. Através da gentileza de amar, procuro ser melhor.

Já vivi momentos marcantes, como a experiência simples e reveladora de uma padaria e doceira, onde enxerguei a cidade como ela realmente é. Aprendi, também, que vivo constantemente racionalizando a vida — um pecado, talvez. Demorei a entender que não é preciso temer a morte: basta acreditar em Deus e tentar viver próximo de Seus ensinamentos.

Por aqui, continuo firme no convite ao diálogo interno, sempre acima da defesa de bandeiras ou pautas. Elas não me definem — e não precisam definir você.

Write about a random act of kindness you’ve done for someone.

Mudanças que começam dentro….

Comecei a redigir esse blog dois anos depois da eleição em 2012. Infelizmente muito do que fiz em 2010 e 2011 foi perdido.

Naquela época essa ferramenta exigia a hospedagem de servidor dedicado. Por fim exigia conhecimento de programação para montar plugins e atualizar o sistema. Por não ter esse conhecimento específico perdi a database do primeiro blog.

A ideia inicial sempre foi basicamente a mesma. Procurei um lugar para escrever o que me vinha a cabeça. Depois no YouTube disse que faria o mesmo em video para a posteridade.

Apesar de ser uma ferramenta publica, não tinha ainda muita noção do impacto em nível pessoal e social por oferecer a todos reflexões autenticas.

Falta ao mundo pessoas criticas e receptivas ao diálogo. Se alguma coisa isso me rendeu foi aprimorar o conhecimento que tenho sobre mim. Até então o único meio havia sido a terapia. Ainda sinto saudade das sessões com a Geny.

Fato: Ao me entregar aos textos e ideias de peito aberto descobri muito de mim.

Por exemplo: Aprender a dizer não quando necessário e me valorizar, foi um aprendizado duro que tive e escrevi por aqui no texto como a melhor versão de mim.

Muito recentemente escrevi sobre o apreço que tenho a objetos antigos e com história.

Em tantos outros critico a sociedade. Afinal percebo de um lado que estão passivos ou omissos no entanto querem seus problemas resolvidos. A situação piora quando a pauta dos problemas é mais pessoal do que social.

Nada me impressiona na mídia tradicional hoje em dia. Tudo é artificialmente feito para conseguir engajamento.

Busco através dessas linhas estimular critica ponderada, assim como tento ser na minha vida. Seja consertando carro velho, relógio ou qualquer outro desafio

E como diriam os portugueses: vamos a isto!

What change, big or small, would you like your blog to make in the world?

Curiosidade Não Matou Este Gato!

Ainda que o ditado popular diga que a curiosidade matou o gato, esse aqui — vou me apropriar do elogio pela primeira vez na vida — tem sete vidas.

Das sete, umas três eu já usei sendo curioso com assuntos que poderiam ter me custado a própria vida.

Passada essa fase, a chamada “melhor idade” — termo elegante para evitar assumir a velhice — tem me feito refletir não apenas sobre o que aprendi, mas também sobre o que gostaria de ter feito diferente. Especialmente considerando que não sou deste mundo e que Deus, a qualquer momento, pode me entregar um desafio cuja solução mude muita coisa.

Quando me dei conta disso, passei a viver todos os dias. Simples assim. É o que tenho para hoje.

E aquela curiosidade que antes me colocava em apuros? Ela também mudou. Como eu mudei.

Hoje, ela é voltada para viagens com significado — e, se possível, algum estilo. Não me canso de pesquisar lugares bons para tomar café da manhã. Não precisa ser elegante: se tiver história, estou lá.

Diante da onda de calor que enfrentamos no mundo, tenho me sentido curioso por destinos com clima mais ameno — de preferência saindo de Lisboa, onde estou agora.

Quem me lê há algum tempo já percebeu que tenho interesse — e uma visão crítica — sobre política, tanto nacional quanto internacional. Não é de hoje que venho questionando temas dentro do que consigo enxergar e compreender.

No campo profissional, precisei me interessar por assuntos ligados à economia e finanças para entender e operacionalizar o reenquadramento de Basileia. A curiosidade me levou até aí.

Também nunca deixei de me interessar por pessoas influentes — sejam empresários, políticos, pensadores, ou qualquer um que mova o mundo com ideias ou atitudes.

E onde essa curiosidade me levou?

A redigir textos e e-mails com clareza profissional — alguns com tom formal, outros bilíngues. Me levou a criar conteúdos com estrutura e precisão. E a manter o pensamento afiado.

Mas a vida não se resume ao trabalho e às relações que dele decorrem.

Desde pequeno, sempre tive um olhar estético voltado para a arte. Do clássico que aprendi quando jovem ao contemporâneo, como as obras de David Gerstein, que ainda hoje me surpreendem.

A curiosidade também me levou a olhar com carinho para o carro de 30 anos que uso diariamente e o relógio da década de 40 que funciona à corda — ambos ainda ao meu lado, com firmeza e presença. Percebi, com isso, que há muita coisa boa no mundo que não precisa ter uma marca estampada para ter valor. Da mesma forma, muitas marcas de hoje já não representam mais a excelência de outrora.

Curiosidade, afinal, é o que ainda me move.

What are you curious about?