Alguns constrangimentos chegam em silencio

Alguns constrangimentos chegam gritando.

Outros chegam em silêncio.

E, às vezes, precisamos de algumas horas para entender não apenas que doeu, mas onde doeu.

Talvez a decepção maior não esteja naquilo que foi dito, mas em perceber tudo o que precisou acontecer antes para que determinado assunto chegasse a outras pessoas.

Foi comentado. Interpretado. Compartilhado.

E alguma coisa muda.

Não necessariamente a amizade.

Muda o lugar que aquela pessoa ocupa na nossa vida.

Amadurecer também é não fazer escândalo, não devolver na mesma moeda e não fingir que nada aconteceu.

É simplesmente estabelecer um novo limite.

#Reflexão #Amizade #Expectativas #Frustração #Amadurecimento #Limites #RelaçõesHumanas #Confiança

Serie 50 | Capitulo 15 – O peso que fica

Não foi nada fácil porem consegui entender que viver nāo é so acumular experiência. É saber descartar também.

Tema bom e oportuno para escrever sobre durante a o período da Páscoa.

Afinal, a percepção que por um dia dormimos com o deus morto, ainda que depois de ressuscitado, para mim ja é o suficiente para pensar.

A reflexão que gira em torno da noite de sono nas trevas é também de enterrar tudo o que não é bom e também o que precisamos desapegar.

O peso das discussões, da reação as inúmeras injustiças, precisa ir embora. Aproveito e descarto até mesmo a culpa de coisas que nem são minhas, a propósito leva embora o que falam de mim também.

Vou segurar o que me ensina, o que constrói e me fortalece.

Para quem acredita os sinais sempre aparecem de onde menos esperamos. E quando a gente percebe deus nos cercou de pessoas que nos fazem bem, ajudam, acrescentam.

Eu não preciso de tudo para seguir em frente, so o que me sustenta.

Hoje acordei assim

Serie 50 | Capitulo 3 – Amadurecer é escolher com coragem.

Depois de muito refletir sobre a questão do tempo aos 50, concluí que a vida deixa de pedir pressa. Quem pediu e errou fui eu.

O que o viver pede, é clareza.

Termo simples de compreender, mas de descrição complexa. Algo que só fui alcançar depois de algum tempo.

Por que demorei? Onde errei?

Sabotei a mim mesmo ao confundir amadurecer com suportar. Achei que crescer era aguentar mais, ceder mais, criar mais, explicar mais, movimentar mais, enfim, ir levando.

Hoje percebo que não.

Amadurecer é diminuir. É entender que menos é mais. Diminuir o ruído, as expectativas, as concessões. Aliviar o peso desnecessário.

O tempo não ficou mais curto. Ele apenas ficou mais valioso. O que mudou foram as… escolhas!!!

Em uma retrospectiva breve e apertada da minha vida, percebo que algumas escolhas fiz cedo demais, por medo. Outras, tarde demais, por hábito. Só depois de muita terapia consegui olhar para esse campo das escolhas sem me maltratar, sem fazer de mim mesmo o alvo do erro. Ainda sinto o peso delas ao amanhecer.

No período que antecedeu os 50, algo mudou silenciosamente: passei a escolher não para agradar, não para provar, mas para preservar. Preservar a energia, coerência, paz. Talvez por isso tenha conseguido construir tantos vínculos pessoais e profissionais verdadeiros e que mantenho ate hoje.

Escolher, aos 50, também é aprender a renunciar sem culpa. É dar às pessoas aquilo que desejaram para si e, ainda assim, permanecer ao lado delas depois e sem julgamento.

A vida, através das escolhas, aproxima, e também afasta.

Renunciar a relações que só existiam pela memória foi necessário para, à distância, manter a serenidade.

Cheguei aos 50 renunciando. Renunciando a papéis que visto bem, mas que deixaram de me representar, por fazerem parte de enredos que, por algum tempo, me sabotaram.

Duro? Sim.

Honesto também.

Descobri que dizer “não” não fecha porta, organiza o caminho. Aprendi que limites não afastam quem importa. E que permanecer onde não há reciprocidade cobra um preço alto demais, quase sempre pago em incompreensão, raiva e silêncio e ingratidão.

Aos 50, escolhi estar inteiro onde estou, com tudo ou nada, e também ausente onde já não faz sentido permanecer.

Talvez essa seja a maior mudança: entender que escolher a mim mesmo não é egoísmo, é responsabilidade.

Com o tempo que me resta nessa curta e insignificante passagem pela vida, preciso escolher quem caminha ao meu lado. E, sobretudo, com quem, e com o quê, ainda desejo construir.

O futuro já não é uma promessa distante. É uma decisão diária, feita no passado de hoje para viver o amanhã.

Choices. Choices.

Serie 50 | O inferno astral como rito de passagem

Sempre ouvi dizer que todos os anos atravessamos o chamado inferno astral. Para quem acredita, é o período de fechamento de ciclo, de cansaço, de revisão, e no meu caso, de julgamento e cobrança, por vezes duras no entanto necessárias para manter a lente do óculos limpa.

Ainda que voce não acredite, creio ser difícil negar que nos dias que antecedem o aniversario algo sempre se move de maneira amplificada – por dentro e por fora.

Esse ano tem sido diferente.

Talvez porque não seja apenas mais um aniversário. Talvez porque os 50 anos não permitem erros e distrações. Essa idade chega exigindo algo para muitos custoso que é a verdade.

O inferno astral desse ano coincidiu com muitas mudanças. Um vazio inesperado na rotina de forum, cuja infinidade de prazos exigiam organização diária e que agora esta silencioso. A percepção de ajuste nas relações pessoais – amigos que se afastam, outros que revelam limites e principalmente vínculos familiares ja transformados que se consolidam.

Nada exatamente trágico, mas tudo suficientemente intenso para desestabilizar quem despreparado esta.

Ainda que tenha vivido esse cenário de perdas simbólicas e ajustes forçados, houve algo que não apenas resistiu como também floresceu. O meu amor pelo Paulo.

Isso não é pouco – especialmente porque começamos o ano com a noticia dura da passagem de sua mãe, situação que poderia ensejar o recolhimento do amor e endurecimento do coração. Mas aconteceu o oposto.

O cuidado entre nós cresceu. A presença se aprofundou. O nosso relacionamento se revelou mais sólido no que serão esses cinco anos do que qualquer previsão, de modo que conseguimos com a permissão de Deus acordar todos os dias e viver uma surpresa, ao mesmo tempo, um desafio.

Diria que esse também é o ensinamento que os 50 anos me dão logo de saída. Nem todo vazio é ausência, nem toda dor é perda, nem toda fase difícil é destruição. São apenas transições necessárias, ainda que desconfortáveis.

Se isso for inferno astral, que seja! mas que seja também o lugar onde se aprende o que fica – e o que definitivamente pode ir.

Sigo feliz, ainda que no inferno astral. Não há mal que resista o bem que o Pará e o paraense me traz.

Dois homens sorrindo juntos em frente a um corpo d'água, com um cais e palmeiras ao fundo.

O Carro que Me Encontrou

Há carros que a gente compra.

E há carros que a gente encontra, como se eles já estivessem à nossa espera.

Essa é a história por trás do meu carro.

O meu Mercedes E320 W124 — azul por fora e azul por dentro — não é apenas um veículo.

É uma companhia silenciosa daquelas que não exigem nada, apenas repartem a estrada.

Não é um carro que se apresente.

Ele simplesmente é.

Existe algo quase afetivo na forma como o painel azul reflete a luz da manhã.

No interior azul toque do couro — marcado pelo tempo, mas não cansado.

No ronco baixo e contínuo do motor, que parece respirar junto comigo.

É difícil explicar para quem nunca dirigiu um carro que não é jovem — mas também não envelhece. É confortável, previsível e dinâmico.

Eu só sei dizer uma coisa: é o melhor carro que já tive.

Fato: esse carro não envelhece.

Ele amadurece.

Dirigi-lo é lembrar que há valor no contínuo, no sólido, no tranquilo.

Que existe beleza em não ter pressa.

E, se houver, há motor para chegar — com dignidade.

Esse carro me ensinou que presença não precisa de barulho.

Vivemos cercados de carros rápidos (quase liquidificadores), telas enormes, assistentes automáticos — e, curiosamente, nunca fomos tão distraídos.

E os carros, tão mal construídos!

Esse Mercedes vai na direção contrária.

Ele devolve o volante às mãos.

Devolve o tempo real ao motorista.

Devolve o momento presente.

É um carro que exige respeito, mas não arrogância.

Que entrega conforto, mas não ostentação.

Que foi construído quando o aço ainda era aço — e quando a Mercedes-Benz não competia com ninguém, a não ser consigo mesma.

Quando o preço não determinava o carro — a engenharia determinava.

Talvez eu não saiba explicar tecnicamente o que sinto quando dirijo.

Mas eu sei como me sinto: bem. Muito bem.

Com ele, não há buraco na rua.

Todos os dias são azuis.

Passei a reconhecer quando algo faz sentido na vida.

E esse carro faz.

Sou, de verdade, feliz com ele.

Não pretendo trocá-lo.

E acho que, de algum modo sutil, ele também está feliz comigo — com os consertos, com o cuidado, com a atenção.

O mundo moderno revela dois tipos de pessoas:

quem dirige um carro; e quem convive com o carro.

São coisas muito diferentes.

Esse clássico tem presença sem grito, engenharia sem arrogância, força sem pressa, anda calmo, mas não é lento, elegante sem precisar aparecer.

Tudo o que eu também desejo a todos vocês.

Curiosamente, é o preferido do Nino.

Tal pai, tal filho pet.