Nunca antes imaginei que seriam as emoções o principal arsenal e vilão do mundo moderno.
É por elas que vejo muitos se desconectarem do cotidiano para imergir no que outros estão fazendo e sentindo.
A cobiça a vida alheia vem aos poucos avançando para englobar também a felicidade alheia.
Em comum reparo que muitos quando perguntados o que é isso, que felicidade é essa, respondem sem titubear “ah é instagram” e por aí vai.
Se antes o Facebook me chamou atenção e me impreesionei com a quantidade enorme de sentimentos disponíveis para descrever quem, como e onde estava sendo/fazendo/sentido no dia dia.
Hoje vejo o quanto retrocedemos. De lá para ca tivemos a invasão dos emoticons, dos stickers e até mesmo de tik tok onde tudo é liberado. É ser ridículo sem barreira. Isto é felicidade ou padrão de comportamento?
Aqui nenhuma crítica a quem usa, vale sempre lembrar que isto é uma observação a forma pela qual estamos mudando a forma de expressar senão pelas palavras vamos pelos sentimentos.
Me diga o que voce sente ao ver um vídeo daqueles… não diga, faça um e se engaje, sinta que pertença a este mundo fazendo nada menos do que o que todo mundo faz.
Porque no fundo todo mundo é infeliz e não achou outro meio de evoluir e expressar essa infelicidade? Ou porque faz parte da evolução tocar menos e sentir mais.
Evoluir não é ligar para ouvir sua voz, cuja escuta processa outra emoção ao vivo, instantânea e que requer portanto conteúdo para estabecer, manter e terminar o diálogo.
Não, interações pessoais são coisa do passado. Coisa de quem não usa autocorretor em texto, de quem ainda tem dicionário impresso em casa, ou se quem reluta ter carro elétrico simplesmente porque não valoriza interface e software sobre o que a maravilha da engenharia produziu.
A cada dia que passa sinto que sou menos desse mundo, ou ao menos da geração que ai esta e tenho dúvida se a minha percepção e opinião são mesmo enriquecedoras ou retrato do período que vivi.
A que chamamos a cooptação da emoção sobre qualquer experiência ou ate mesmo sua valorização exacerbada como meio de vida?
Parece burrice, ou mesmo o padrão atual de vida, engajamento, like e por ai vai.
Uma pergunta: da para ser feliz com tantos pensamentos complexos e sem resposta? Claro. Tanto por dentro quanto por fora. E ainda consigo amar, cuidar dos filhos, escutar musica ao passo que escrevo esta reflexão de domingo.
Hoje pela manhã respondi de forma dura o tweet do secretário de saúde que informou não haver problema com Covid no Rio exceto por 2% das pessoas que não vacinaram.
Ele não se importa.
O alerta esta no fato que pessoas 100 por cento vacinadas em 2-3 doses estão com Covid e isso não esta legal. Nesse contexto em que é normal ter Covid sem sintoma mais grave não descarto o surgimento de nova variante cujo nome ja sugiro: variante paes.
A propagação do virus não tem sido bem aceita. Diz o mundo que isso não esta legal. Vários países se fecharam por conta do alto grau de contágio. Nenhum tem por base a mortalidade ou internação.
Enquanto isso, estamos bombando, o Rio esta aberto as festas e recebendo turistas.
Não há distinção entre o alegado negacionismo do presidente com o liberalismo do governador e prefeito do Rio de Janeiro.
Comum entre eles, ambos são coniventes com a transmissão comunitária para tentar criar a imunização de rebanho.
No Rio fiquei estarrecido com a forma pela qual o setor hoteleiro pressionou para manter a cidade aberta no Reveillon e Carnaval. Porque? Qual o interesse desse setor? O que representa em número? Tem dinheiro na mesa? São alertas e perguntas que ficam no ar a partir do momento em que a política pública se volta para esse setor. Outra coincidência, disseam que este ano seria pautado o projeto de Lei que autoriza Bingo.
Fato que ano passado, enquanto a guarda estava alta, e as pessoas mais isoladas, não havia papo de gripe, nem preocupação com a transmissão.
Hoje é comum ouvir relato de pessoas que estão gripadas, algumas sem querer saber se tiveram ou não Covid.
Porque?
Sera porque se deram conta, dois anos depois, que tomaram vacina e isso não resolveu a questão do Covid? Ou talvez porque nem mesmo depois de vacinados estão dispensados de usar máscara?
Bom lembrar que contra essa doença estamos em guerra. Somos soldados de guerra cujo inimigo é invisível.
A percepção que muitos estão cansados da batalha é visível. Não estou nem a considerar os que usam máscara com a napa para fora. Ainda que os ignore porque talvez tenham bafo, ou sejam mal educados, é alarmante o fato que nossos soldados cansaram.
No caos aumenta ainda mais o efeito Bird Box daqueles que, vacinados ou não, de direita ou esquerda, conclamam os outros a sair, viver e sentir a realidade. Vem ca. Saia de casa. Vem ver. Que lindo. Não tenha medo. Esta tudo bem…. Até você pegar, entender que não vai embora rápido, que demora, que parou de sentir cheiro e/ou gosto, se não tiver outro pehengue até melhorar.
O tweet da minha amiga e reporter adaptando a expressão segura peão para segura Covid em comemoração a cidade que esta cheia e bombando é infeliz. De extremo mal gosto. Mal colocado. Por outro lado reflete a forma perdulária pela qual aqueles que estamos habituados de ver e ouvir falar do dia-dia estão cansados, botando o povo as ruas.
Lamentavelmente a TV Globo estabeleceu, ao que parece, um pacto com os governos no sentido amplo. A par da comum reclamação do Bolsonaro, que se tornou rotina, o unico foco é falar da internação dos que não foram vacinados. Nenhum juízo de valor no aumento das internações, da contaminação, e dessa política de normalização do contágio.
Estamos na contramão do mundo nesse foco.
Senti bem o aumento de casos quando fui repetir meu exame de sangue no Richet de Botafogo que é sempre vazio.
Desta vez, lotado! Em sete dias a calmaria virou um caos, cenário de guerra. Gente chegando reclamando de febre, visivelmente abatida. Gente aparecendo com e sem marcação. Eu demorei 2h de espera para fazer o cadastro diante de tantos agendamentos e 30 minutos para fazer o exame.
E as seguradoras são perversas, testemunhei a espera de 40 minutos de uma senhora cuja seguradora estava demorando para autorizar. Fiquei pensando, a que ponto chegamos! O agendamento de exame via seguro requer o prévio envio de documentos e solicitação médica. Nem assim a seguradora foi rápida.
Em comum todas as seguradoradoras parece aprenderam bem a lição Prevent Senior relatada na CPI do Covid. Aprovem o básico, apenas o básico. Demorem para fazer uma triagem da manada eficiente e represando a demanda temos uma suposta eficiência ao dosar o gasto.
A senhora com o filho e uma mãe com 91 anos disse que liberou geral depois da terceira vacina, que não tinha sentido se preocupar.
Então porque estava fazendo o exame indaguei se não tem qualquer tipo de precaução em relação a doença.
Só para comprovar se tem ou não para avisar a mãe.
Ou seja, a consciência pesa! talvez a consciência das pessoas seja a única lembrança do dia de hoje na salvação da cidade quando instados a votar, porque os políticos do Rio tanto do executivo quanto do legislativo estão impunes na autorização dessas grandes festas. E alguém precisa ser responsabilizado por isso. Além do cidadão que se prestou a ser idiota util na consecução dessa política pública.
Enquanto isso, do que adianta ter um protocolo de um número que não é chamado? O que ganhamos na fila do sistema quando o sistema não nos chama? Isso porque não dependo do sus. Se dependesse seria muito pior.
De bom agradeço a Deus por estar superando essa doença vivo. Não sei dizer se a vacina ajudou. Tomei porque não vejo nada de ruim e errado em vacina qualquer que seja. Da mesma forma que muitos não morreram sem vacina, outros vacinados estão morrendo.
Minha crítica não é com isso, e sim com aqueles que eventualmente transmitem sem a qualquer exame moral da história. Afinal fosse uma doença venérea tipo siflis ou hiv todo mundo sai correndo para fazer o exame. Porém no Covid a reação é diferente. Ainda que seja crime passar doença a outro voluntariamente, se for covid parede que isso não se aplica.
Considero que isso é decorrente da falta de instrução e educação, vem desde o berço, quando os pais cansados optaram por dar um tablet ao filho com uso irrestrito. Hoje adolescentes/adultos estão acostumados a viver sua realidade, somente o que lhe interessa e nada mais.
Resumo da ópera: ninguém quer morrer por ninguém, que vergonha, de pensar que Deus morreu para nos salvar.
Tem gente que faz de tudo na vida. Outros preferem de cara um conforto. Eu até esses dias nunca me vi numa situação de ter que depender dos outros.
E como tudo tem a primeira vez, uma coisa aprendi nessa luta contra o Covid (afora a irresponsabilidade pessoal, ética e moral de quem me passou e sequer teve a dignidade de uma vez comunicado ir testar) é pedir e aceitar ajuda.
E o supermercado passou a ser o meu primeiro desafio!
Entrei no site/app do Zona Sul, para minha surpresa só poderia comprar até 30 ítens! Como assim? Não escolhi ficar doente a vespera do ano novo. Nem eu, nem ninguém. Ainda que pudéssemos escolher o período para adoecer, o que historicamente numa relação de emprego acontece na segunda-feira feira, certamente após o time preferido ganhar ou ter feito aquele programa auspicioso de domingo, creio ser unanimidade que no ano novo, em especial não.
Ainda que exista quem não gosta, este geralmente posta dizendo que dorme. O fanfarrão ta lá abraçado com alguém no bar, ou na festa. Em comum tem aquele papo que todo mundo usa uma cor, da superstição de santo e por aí vai.
Ninguém escolhe ficar doente na véspera de ano novo, nem de covid, nem de gripe ou qualquer outra doença tipo cancer.
Na impossibilidade de fazer uma longa lista de compras para eliminar esse problema, o impulso do jeitinho criativo (brasileiro) deu um jeito e fiz duas listas de compras.
Isso depois do pehengue de conseguir que o app do mercado aceitasse meu cartão, afinal não havia outra alternativa de pagamento e não sei porque razão estava recusado.
Essa tarefa exige tanta paciência quanto tenho de cuidar dos efeitos colaterais e esperar esse virus passar.
Qual não foi a minha surpresa, das duas compras que fiz, a primeira demorou 4 horas para chegar e a segunda demorou 30 minutos.
Não entendi a lógica do zona sul de fracionar a lista de compras. Percebi que não existe ordem de chegada e de montagem da lista. Os itens mais complexos e que em tese exigem mais tempo chegaram antes dos mais óbvios. Nenhum entregador sabe dar informação de qualquer natureza que seja.
Fato: serviço no Rio de Janeiro é ruim mesmo.
Tudo começou quando a cidade se deteriorou a ponto de banalizar sob o rótulo de cultura a educação. Perdemos a chance de capacitar pessoas com uma ferramenta capaz de lhes dar algo que vai muito além da autonomia de trabalhar para ganhar dinheiro e pagar contas. Tiramos deles talvez a única chance de fazer pensar fora da caixa, entender e lidar com as questões complexas do dia-dia e solucionar de modo eficiente através da tecnologia.
Isto não acontece no Zona Sul. A máquina geradora de tarifa que cobra 15 reais para alguém trazer da esquina o pedido funcionou muito bem. Só que o conteúdo do pedido é tão ruim quanto a falta de instrução.
Se antes da covid tarefas simples como a formação de uma fila para uns ja é quase impossível, agora então fila é coisa do passado.
Fila? Ninguém faz fila. O que precisa ta aqui na telinha do celular, voce da um click, joga para cima no instagram, adiciona no carrinho, taca-lhe pau e vai.
Pena que o mundo não gira na vontade, na foto e nos conceitos do virtual. Ler e opinar sobre um serviço, se não for no reclame aqui ou em ação judicial para buscar um trocado esta em falta.
Os efeitos nocivos dessa falta de instrução são por hora permanentes. Em comum se replicam no efeito pandemia nas múltiplas plataformas. Ja pedi no Rappi e meu entregador se perdeu do Jardim Botânico ao Flamengo acabou em Santo Cristo.
Só depois entendi porque muitos me telefonaram para oferecer ajuda na questão do mercado. É senso comum que nenhum desses meios digitais de compra são eficientes. É tudo ruim, para pior. E para azedar, no Rio de Janeiro, comparado a São Paulo por exemplo é um abismo… para pior.
E não esta ok.
Uma tarefa simples quanto receber uma lista por ordem de chegada e separar produtos solicitados independente do contato para substituição em caso de ausência esta exigindo muito de determinadas pessoas e suas instituições, quem dela faz precisa ler, interpretar, seguir o script, no futuro tarefa de iluminati.
Sinto que assim como na vida, na política e na turma do nhem nhem nhem existe um propósito de desconstruir a sociedade através desse comportamento erratico, da polarização tanto da esquerda quanto direita desse lutas em detrimento de assuntos importantes.
E o reflexo da falta de educação e instrução é uma responsabilidade política de todos os grupos. Até então os projetos pedagogicos fracassaram, as ideias foram ótimas no papel e agora o que se tem é gente escrevendo menine, fazendo interpretação literal e pregando pela constante luta e ampliação de direitos sob qualquer bandeira.
Tanto se fala em gripe na cidade que acordei pela manhã e resolvi fazer um teste, ja que ontem ao longo do dia fiquei congestionado.
Para minha surpresa, 10 minutos depois, veio o resultado a seco enquanto aguardava o Paulo no laboratório.
A atendente passou e falou, voce que é o Pedro né? Acabamos de fazer o exame duplo… então vai para casa, esta positivo.
Como assim? Positivo? Será que o exame não falhou?. Não respondeu a atendente, esta positivissimo. Cerca de 5 minutos depois retornou dizendo que o Paulo também está covidado.
Modo covid ativar: o que parecia uma simples gripe agora é simplesmente Covid.
E isso não é nada legal.
Mal chegamos ao ano novo, tanta propaganda de vacina, tanta máscara 3M nova, tantas viagens mundo afora e deus quis que eu enfrentasse isso no Brasil, ao lado do meu amor.
E na falta de noção de onde veio tenho como marco o fato que domingo dei carona para alguém que depois revelou estava gripado.
Agora entendo o potencial risco que essa gripezinha pode trazer. Também entendi, quando relatei o que passei a todos que ao longo da semana encontrei, a falta de importância em torno do tema.
Eata muito na moda um filme em cartaz horrível que fala do final do mundo. Tem uma galera de esquerda na imprensa querendo se apropriar da história para fazer um paralelo com o governo.
Hoje tenho convicção que tal paralelo não existe.
Se existe culpa nisso é a falta de amor de pai para filho que começa quando o pai opta por entregar um tablet ao filho ao invés de dar amor, educação e instrução.
Isso criou uma massa de pessoas sem dimensão do alcance da mente e que vivem uma teoria da relatividade segundo a qual tudo pode desde que lhe é relativamente legal, animado e conveniente.
Não é legal ter que confrontar esses fatos para escrever estas palavras enquanto felizmente nenhum sinal maior apareceu. Porém o dever se vigilância impõe que sejam escritas, digeridas por todos.
Agora veja so, ontem comi um sanduíche na rua, ainda que assintomático tirei a máscara para comer e beber. Quantas pessoas podem ter sido postas em risco por isso?
Era minha intenção? Claro que não.
Aconteceu…. E tem gente que defende o reveillon e o carnaval… poderia dizer muito sobre isso porém agora vou pensar na nossa recuperação, pensando no meu companheiro.