Todos os anos costumo lembrar que a pascoa é o tempo em que os catolicos celebram a ressurreição de Jesus.
No entanto pouco escrevi sobre o que fiz nesses dias, seja porque estava digerindo problemas, seja porque estava ocupado fazendo o que nada é mais importante do que exercitar a fe.
Talvez por conta das dificuldades em aceitar a natureza afetiva me perdi em um mundo escuro tendo demorado a procurar Deus.
Ou mesmo vivendo o erro com culpa sem considerar que uma pessoa, mais que todas, nos amou portanto temos a chance de errar e superar o erro para então viver o nosso proposito.
Então fui a vigília pascal e no dia seguinte compareci à basílica da cidade para assistir a missa de Orani Tempesta, bispo, arcebispo e cardeal do Rio de Janeiro e que esta nessa missão ha 50 anos!
Onde estive todos esses anos que não dei importância a isso? Como pude me dizer ser um filho com fe se no dia da celebração da missa mais importante da igreja estive longe.
Com esse pensamento olhei para o lado e rapidamente entendi que não fui o único. À basílica não estava cheia. Aqueles políticos que pedem a benção na eleição não estavam la. Nenhum, do prefeito ao governador, membros do legislativo, zero.
Na missa mais importante do calendário cristão presidida com o cardeal estavamos la, feliz por seguir o nosso caminho em cristo apesar de também triste por todos os que essa data ignoraram.
Ainda que a missa seja televisionada ou passada em streaming, quem pode ir nao tem nada mais importante a fazer senão estar la. Esses meios são para levar a palavra a quem não tem condições.
Fato: muitos se dizem religiosos e católicos porém deixam a missa em segundo lugar.
A partida de futebol, o almoço, o ovo de Páscoa não é mais importante do que o comparecimento a missa e aceitação de Jesus.
Feliz por ter conseguido ignorar a tentação de programas alheios para ser mais um dos filhos, sejam quantos forem, para com fé viver e acreditar na infinita misericórdia e vida eterna.
Semana passada os cariocas foram tomados por notícias acerca do envolvimento de políticos com a milícia, escritorio do crime, assassinato de parlamentar e por aí vai.
Nada de novo no cotidiano carioca.
A bem da verdade, o problema na cidade é mais profundo do que o recapeamento de asfalto em bom estado.
Estranhamente a imprensa ficou silente no que diz respeito às relações dos envolvidos com a cidade.
Afinal de contas, partindo da premissa que são milicianos, e que essa organização domina, segundo a imprensa, metade das áreas controladas por grupo armados no Rio de Janeiro, como pode um político se eleger?
Alguém aqui acredita que um político entra livremente em área dominada pelo comando vermelho e terceiro comando para pedir voto sem a autorização ou até mesmo acordo com aqueles que tornaram reféns muitas pessoas?
E a relação desses políticos com os presidentes das casas legislativas a saber Assembleia e Câmara. Quais projetos importantes e relevantes apresentaram esses últimos anos? Quanto de dinheiro destinaram em emendas as áreas de influência.
Parece existir um permissivo legal para isso.
Parece que a imprensa não julga quem sobrevive as custas desse sistema.
Enquanto isso, sou obrigado a ler que a prefeitura do Rio está trocando o asfalto de locais que não tem problema por outro em uma ação de recapeamento profundo.
A quem está servindo o prefeito quando faz uma obra dessa? Seria a escória de seus eleitores que se acham donos do município por terem votado nele?
Talvez por isso, considerando os 2.3 milhões de votos em branco, nulo e abstenções, não lhe resta alternativa senão agradar os 1.6 que nele votaram.
O Rio de Janeiro só deu certo na Globo e infelizmente nas mídias sociais do governo e políticos da base governista.
Para os demais cariocas que andam pela cidade não é preciso muito esforço para perceber que a estratégia de ficar 24 horas no ar por conta das supostas chuvas se deu para evitar falar de bueiro entupido, crateras que se abrem nas ruas dentre outros.
As favelas crescem, a milícia cresce, a violência cresce. Noticiar derrubada de barraco irregular pode agora perguntar sobre a relação de voto do político com a área controlada por terceiros não pode.
Porque?
São muitas as perguntas e reflexões que doravante tomarão o meu tempo.
Desde sempre defendi o pensamento que não devemos anular ou impor aos Russos qualquer tipo de sanção considerando a narrativa da guerra na Ucraniana.
Ciente do ditado popular “falar é facil, fazer é dificil”, contra todas as dificuldades embarquei para lá e aqui estou.
Realmente as sanções dificultaram, e muito, a vida de quem pretende fazer turismo e viajar porque no final do dia, não existe voo direto, poucas companhias fazem baldeação para la e quando se chega, em razão das sanções, não existe integração aos nossos bancos portanto se torna muito difícil ou quase impossível usar cartão de débito ou credito por exemplo.
Logo entendi que o nosso sistema bancário é subordinado aos interesses internacionais. Ora, se o Brasil não entrou na guerra, importa diesel e fertilizante como alias todo o mundo para sobreviver, porque especificamente nosso sistema não esta aberto aquele pais?
Por hora vamos colocar esse pensamento de lado e focar nos fatos que sucederam na viagem. Quando fiz o checkin no hotel, assim como em qualquer outro, fui perguntado a nacionalidade.
Ao dizer que sou brasileiro veio logo uma relação inesperada. Por trás do olhar aparentemente duro percebi um gesto acolhedor, fui bem recebido no hotel mesmo falando inglês?!
Pois é, apesar do idioma ser dificil em relação ao nosso, nem por isso tive dificuldade de me comunicar seja com poucas palavras ou gestos?
Desenvolvi a tecnica de apontar anos atrás quando viajei a República Tcheca logo que passou a integrar a zona do Euro. Ja havia utilizado em outro passado mais distante quando fui a Paris bem no inicio da decada de 90. Comum a ambos enfatizo que naquela epoca melhor era tentar e falar mal frances do que ingles. De igual modo na República Tcheca nem cardápio em outro idioma havia, quando muito, alguns restaurantes beira de praça tinham descrição embaixo dos pratos.
Ou seja enfrentei a mesma dificuldade, com uma variante bem diferente da que vivi ano passado quando retornei a República Tcheca, e percebi naquele lugar que o inglês é amplamente falado. A par disso existem muitos estabelecimentos universais na cultura americana, como Starbucks dentre outros.
O mesmo pode se dizer dos franceses. Se antes ambos os países sofriam com outro idioma hoje digamos assim, estão adaptados e ja possuem alguns estabelecimentos americanos.
Os dias se passaram e percebi que a aparente dureza é mais uma característica linguística do que ideologia ou imposição moral. Essa percepção veio de inúmeras formas. A principal e muito facil foi apontar a câmera, selecionar texto e ir na opção “traduzir”.
Aqui, a exemplo de Portugal, não existe o gerúndio. Ninguém poderia ou gostaria de nada aqui, porque o idioma é curto e objetivo. Eu quero é frequentemente utilizado na administração corriqueira de tarefas.
Outro grande aliado é o “translate”, forma pela qual troquei palavras com residentes que não aprenderam o inglês. Esse programa extraordinário é simples de usar, lembra os rádios nextel, basta apertar o microfone e pedir para pessoa falar, logo depois vem a tradução da palavra ou frase dita anteriormente.
Os dias passaram, ainda que tenha sido confundido com italianos, fui bem recebido tambem, o que mostra serem os russos receptivos aos estrangeiros.
E como ficou o pais do embargo americano?
Praticamente igual ao que era antes. Ao que percebi andando nas ruas todas as grandes marcas estão aqui, não sairam e ficaram, como por exemplo Bentley, Tiffany, KFC, Ferragamo, Ralph Lauren dentre outras. Andei em um Mercedes na Russia, vi alguns Range Rover novos nas ruas e esta tudo bem.
Aquela imagem passada pelos meios de comunicação brasileiros no passado não resiste cinco minutos de estadia nessa cidade. A par da grande confusão gerada, nem mesmo os grandes conglomerados sairam daqui.
Pelas ruas percebi que o povo, católico e ao que parece ortodoxo manifesta sua fe a igreja através de imagens comuns ao que vejo no Brasil, ainda que o ritual da missa seja completamente diferente do que estamos habituados, é respeitoso, genuíno e sincero. Não existem cadeiras, o canto não é do fiel e este não esta la na condição participativa da igreja e sim em um ato de fé.
Ao longo do final de semana percebi que a cidade fomenta conhecimento, quando fui ao museu no sabado e dei conta que haviam muitas famílias no local. Pais explicam aos filhos, guias explicam aos pais e filhos ou para grupos de turistas sem problema.
No campo da arte igual postura se revelou, os teatros lotados, em um deles a opera Don Giovanni. No outro um ballet russo que alias é uma obra prima. Esse povo aqui é dedicado a arte e dança bem. O mesmo pode ser dito a orchestra do teatro.
Ao contrário do Brasil aqui por exemplo não existe lacração. Casais saem e não demonstram afeto na rua, não se agarram nem levantam essa bandeira. Nesse país não existe tempo e cultura para isso.
Mas perai estão em guerra com seus semelhantes haja vista que alguns lideres russos foram ucranianos. Esse fato demonstra o quanto é duro ver povo de mesma origem exercendo a soberania ainda que sob forma de batalha.
Essa circustância nunca vou entender. Afinal ao contrário de muitos povos europeus no Brasil não tivemos muitas guerras, não tivemos o hábito de ir a guerra, defender a soberania e buscar exercê-la antes de tudo.
Onde foi que eu errei? Onde foi que os meus pais e avós erraram?
Porque regra de etiqueta, educação, independência, temas que deveriam ser objeto de reflexão tão somente no ambito da família hoje são de forma superfula e leviana jogados a sociedade brasileira pela imprensa e puxados pela lacração.
Fato é que a história do Brasil mostra que perdemos valores sociais seja pelo que não foi passado ou não conseguimos absorver de nossos pais, avós, bisavós, escolas, universidades e no fim da linha o emprego (ou falta de).
Agora entendo porque penso que à geração seguinte não é melhor do que a antiga, mesmo tendo recebido o melhor tratamento, melhor cultura passada pelos pais.
Não da para negar que nessa cadeia todos tentaram e fracassaram, as vezes com ajuda do Estado que busca se reinventar através de politica supostamente integrativa que a bem da verdade é a mesma sob forma diferente.
Dia 24 de janeiro passado, enquanto dizia sim a convolação em casamento da união estavel que celebramos ha alguns anos, fiquei reflexivo.
Felizmente não fui ate agora privado de viver essa liberdade que me permiti ter. Durante um longo processo de transformação escrito aqui anos atrás, demorei até entender e respeitar essa natureza afetiva que me proporcionou conviver com alguém do mesmo sexo.
Entendi assim o real significado da palavra orgulho, porque consegui experimentar de forma mais ampla a liberdade de viver o que sou com quem estou.
Não preciso viver para outros o que não quero e o que não sou. Nem por isso é facil, não vem de graça e creio todo mundo paga um preço alto por ser quem é.
Iniciei o ano dizendo Sim, sem ativismo, sem festa, sem nada exceto (e o que mais importa) a presença do meu amor.
Depois quem sabe, se tiver tempo, penso em receber alguns amigos para celebrar nao so à união, sobretudo a vida. O tempo passa rapido, não tem replay e não somos desse mundo apesar de ter muita gente apegada a ele.
Ha algum tempo atrás comecei a postar vídeos no YouTube com uma única intenção, a de falar de uma só vez e sem cortes o que penso.
Algo raro no mundo moderno que se guia pelo imediatismo tanto na vida real quanto na virtual.
E ainda assim, como muitos, tive alegrias e desilusões com pessoas, em questões do trabalho e outras preocupações com questões familiares, que felizmente foram resolvidas, da melhor forma possível.
Veio a pandemia e percebi a formação de nichos de pessoas. Algumas produzem vídeo por produzir, outras para vender e fazer merchan e por fim me dei conta que alguns dos vídeos que segui não era pelo conteúdo propriamente dito, e sim pela forma pessoal através do qual seu criador narrou.
E isso esta em falta! conteúdo original.
Lidei com os desafios apresentados a mim com perseverança, qualidade essa passada pelo Pai. Estou aqui para para falar sobre como lido com as questões da vida e inicio o ano com o pé direito.
Tive o privilégio de estar com meus pais nas datas festivas, de ter um Feliz Natal, Feliz Aniversário e Feliz Ano Novo. São três felicidades que só mesmo quem é filho da valor. No fim do dia não importa o problema, a vida passa mais rápido do que desejamos.
Então vamos lá. Feliz 2024, espero manter esse ano o foco no corpo para manter a mente e trabalho em dia.