No Rio de Janeiro, há algum tempo, tenho notado que conhecer alguém vale mais do que ser alguém.
Esse jeito carioca de ser parece ter sido exportado do Rio de Janeiro para o mundo.
Ser competente, preparado, educado ou íntegro, para quem se espelha no show off, pouco importa. O que vale é o acesso, o sobrenome, o contato certo, o lugar à mesa.
É assim que uma facção constrói e exerce poder por aqui — não pela excelência, mas pela proximidade. Não pela elegância, mas pela vulgaridade. Não pela discrição, mas pela ostentação sem educação.
O enriquecimento desses mal-educados e pouco instruídos passou a ser tratado como algo normal. Não é. Nunca foi.
Não é de hoje que observo, lentamente, a perda de referências. Os símbolos nacionais já não nos representam há muito tempo. Políticos, nem pensar. Nem o futebol se salva.
O mais deprimente, porém, não é o enriquecimento em si — é o que ele não trouxe junto.
A julgar pelos novos ricos cariocas, não vieram com cultura, modos ou conhecimento. O dinheiro não veio acompanhado de aperfeiçoamento, mas de ostentação. Não produziu civilidade, apenas barulho. Não gerou responsabilidade, apenas exibicionismo.
Forma-se, então, um jogo de poder raso e cansativo. Um teatro permanente de carros, relógios caros, vozes altas, roupas chamativas e a necessidade constante de ser visto, reconhecido, temido. Um poder que não se sustenta por conteúdo, apenas por presença.
Quando o costume de casa vai à praça, o retrato fica claro: não houve educação antes do dinheiro. Não houve construção antes da conquista. Houve apenas acesso.
Talvez por isso esses idiotas confundam espaços públicos com territórios privados. Talvez por isso tratem restaurantes como palcos, pessoas como figurantes e regras como sugestões. Talvez por isso precisem reafirmar o tempo todo quem conhecem, onde entram, com quem falam.
E não, isso não é um exagero nem uma pauta menor. É justamente o contrário: há temas que só parecem pequenos porque ninguém quer enfrentá-los.
Cheguei em casa e precisei usar o banheiro da garagem. O espaço que, segundo o sindico, foi “reformado”. Reformado, aqui, significa pintado — do chão à pia. Nada além disso.
Que vergonha!!!
Nenhuma preocupação estrutural, nenhuma intenção real de oferecer dignidade. Apenas uma camada de tinta para disfarçar o abandono. É isso que devemos aos funcionários, prestadores de serviço e a nos mesmos?
O curioso é o contexto.
Moro em um prédio que, há pouco tempo, arrecadou mais de um milhão de reais em cotas condominiais em atraso. Um edifício cujo condomínio é caro, e também habitado por pessoas ricas, instruídas.
Aqui residem embaixadores, consul, advogados, profissionais da televisão, gente que fala bem, se veste bem e sabe discursar. Ainda assim, o banheiro destinado a funcionários, prestadores de serviço e também aos próprios moradores permanece indigno.
E foi aí que a reflexão surgiu.
Esse banheiro não é apenas um espaço mal cuidado.
É um retrato social!
Um experimento silencioso que revela algo que raramente é dito: a forma como muitos da elite cuidam dos espaços “dos outros” diz muito sobre como tratam os que lhe atendem. Mais ainda, diz sobre o ambiente que é tolerado aos funcionários e por consequência como deve ser mantido.
Sempre tive dificuldade com discursos ensaiados. Nunca levantei bandeira seja qual for. Da lgbt a esg. Dou a minima para isso.
Também não dou ouvido a esse discurso politicamente correto de fachada, com as risadas fáceis em mesas bem postas. Muitas vezes, essas risadas não são de alegria — são de superioridade. Não se ri com o outro, ri-se do outro. Especialmente de quem trabalha, de quem serve, de quem não aparece na foto.
O banheiro da garagem mostra isso com uma honestidade brutal. Ele mostra que há pessoas capazes de investir tempo, dinheiro e energia em festas, aparências e narrativas públicas, mas incapazes de garantir o mínimo de dignidade a quem circula ao seu redor todos os dias.
E aqui vale uma inversão simples, porém necessária: quem trata o outro como inferior não demonstra superioridade alguma — revela apenas a própria pequenez.
Talvez alguém diga que é exagero. Que é “só um banheiro”. Mas não deveria nem ser pauta eu precisar reclamar disso. O problema é justamente esse: quando o óbvio precisa ser dito, algo está profundamente errado.
Somos dezessete unidades. Um não muda dezessete. Dois ou três também não. O silêncio coletivo acaba sendo o maior aliado da manutenção desse estado de coisas. Talvez o video, esta reflexão, nem chegue ao algoritmo certo. Talvez não incomode quem deveria incomodar. Ainda assim, falar é necessário.
Enquanto isso, sigo fazendo a minha parte.
Estou reformando todos os banheiros da minha casa. Os que eu uso e os que eu uso também — porque faço questão de usar todos. Não por virtude, mas por coerência. Dignidade não se terceiriza. Não se escolhe para quem ela vale. Aqui a prioridade é higiene com dignidade seja em qual banheiro for.
No fim, fica a pergunta que me faço — e faço a quem lê: estou errado por me incomodar com isso ou o verdadeiro problema é termos normalizado demais o que nunca deveria ser normal?
Todos nos ja vivemos momentos que subitamente perdemos o norte, situação em que nos encontramos a deriva.
Nada como a religião para nos tirar de la. Sem ela perdemos o norte, ficamos sem saber para onde vamos e nossas acoes ficam meio soltas no espaço. É um navio sem rota, sem porto e sem destino.
Esse sentimento que muitos envolve chega silenciosamente, sem fazer muito alarde e vai desviando a pessoa do destino, da familia, da religião.
Ganha força e predomina em quem esqueceu seu propósito, quem malandramente achou que driblaria a vida e deixou de encarar seus desafios.
A deriva estão todos que desistiram da vida e se contentaram apenas em viver.
Engana-se quem pensa que não ha movimento em quem esta a deriva. Pelo contrário. O que não existe é direção e o que resta é um fardo que presumo pesado.
As vezes encontramos o caminho em silencio e oração. Também uma pitada de coragem desde que acompanhada de verdade.
E justamente nesse ponto, o da honestidade e verdade do que somos, é que achamos o norte magnetico e a bússola volta a funcionar.
Este foi o ano em que minha paciência com a hipocrisia acabou. E eu fiz o mais simples dos gestos radicais: dei unfollow.
Unfollow na narrativa que glamouriza preguiça como lifestyle carioca.
Unfollow na cultura da reunião que ocupa tempo e entrega nada.
Unfollow na justiça que funciona como roleta — eficiente para alguns, lenta para muitos e hostil para quem realmente precisa dela.
Unfollow nesse país que confunde referência com propósito, status com trabalho e opinião com entrega.
Ao mesmo tempo, fiz o contrário do que o ambiente sugeria em novembro: montei minha árvore, recebi gente, celebrei a vida. Não porque tudo esteja bem, mas porque ainda existe algo mais perigoso do que o caos — a crença de que ele é normal.
Fato: A verdade é simples e dolorosa!
O Brasil pela mídia, pelo governo e empresários politicamente engajados não é o país das pessoas que realizam. É o país das pessoas que prometem.
E promessas — como bem sabemos — não pagam contas, não educam crianças, não corrigem injustiças e não sustentam futuro. Um país que não entrega nada é um país que exige demais de quem tenta fazer alguma coisa.
No fim do dia fica a impressão de ser um grande toma-la-da-ca e dane-se a cidade e o povo.
O que importa…. E a propaganda, ou especificamente a foto “somos cenografia” .
Prefiro ficar aqui e acreditar em Jesus. Esses ai mais dia menos dia vão pagar e não vai ser o que o dinheiro pode comprar não… vai ser justamente o contrário.