Justiça: quando o Seguro falha só mesmo o judiciário, ate quando?

De tempos em tempos questiono perante o Judiciário a validade de algumas cláusulas contratuais inseridas em apólice de seguro de saúde que considero abusivas, basicamente porque impõe a utilização de tratamento “padrão” ainda que seja ineficaz na cura ou tratamento da doença.

Essa é a ponta do iceberg. Que paciente quer morrer? quantos não buscam a vida e se amparam em tratamentos, datas e ocasiões festivas como desculpa e esperança de mais um dia, mais um mes, mais um ano, enfim, o tempo que for necessário para ter a cura.

Qual a função do seguro de saúde nessa relação, ele não deveria ser o primeiro a empregar todos os meios necessários e indispensáveis para manter o segurado vivo?  quando o seguro não segura, quando o seguro é aquele que perde a esperança e deixa de tratar… deixar de arcar com uma medicação ou deixa de realizar um exame, deixa de tratar uma síndrome incurável… não é o mesmo que não existir? não funcionar? eu acho que isso é o suficiente para impingir ao segurado um dano moralmente indenizável, já o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro nem sempre acha, que sirva de estímulo que pelo menos o tratamento paga, sorte a nossa que ministros, desembargadores, juízes, enfim, todos são pendurados na mesma teia de burocracia e incerteza que é a relação do seguro com o segurado.

…Isto posto, JULGO PARCIALMENTE PROCEDENTE O -PEDIDO contido na inicial e torno definitiva a decisão que antecipou os efeitos da tutela, inclusibve permanecendo o valor e os efeitos da multa diária arbitrada na mesma decisão, para determinar que a ré custeie o tratamento de saúde da autora, bem como para que forneça os medicamentos indicados pelos médicos que assistem, na quantidade necessária, conforme relatório médico, e o que mais for imprescindível apra a conclulsão do tratamento, inclusive internação hospitalar, utilizando-se, se ofr o caso, da continuidade de outro tratamento condizente como que vier a ser requisitado pelo profissional de medicina. Condeno ainda o réu em custas ehonorários advocatícios que arbitro em 10% sobre o valor atribuído à causa. Transitada em julgado e cumpridas as formalidades legais, dê-se baixa e arquivem-se. P.R.I.

Disse Carlos Lacerda “Futuro nao é o que tememos, é o que ousamos” eu com todo respeito digo “Presente é o que vivemos”

Afinal o passado ja foi, futuro a deus pertence e nossas escolhas de hoje refletem no amanha. Simples assim.

entreatos

A semelhança entre a vida e morte é a solidão, com o seguinte detalhe: quando se nasce temos o benefício de evoluir com o nosso corpo e crescer junto com ele, o que já nao ocorre na velhice, pelo contrário, nesta fase a garantia que não existe já passou longe, nos acostumamos com algumas perdas, em todos os sentidos, e convivemos com uma nova realidade.

A morte é singular ao contrário de muitas outras oportunidades da vida, pode-se enriquecer, empobrecer, arrumar um emprego, cair em desemprego, casar e divorciar e tem gente que ainda diz que nasceu varias vezes mais morrer só mesmo uma vez.

Alem disso a conquista por espaço entre gerações no emprego são eternos criadores de coflitos.

Não raramente conhecemos ou ouvimos falar de pessoas que são uma maquina de ajuda e trabalho quando novos e que ao envelhecer se veem ameacados ou meio travados.

viver com calma, não se deixar levar por tendencias histéricas é um caminho para velhice, não garante nada mais permite uma vida mais tranquila e isso ja é um bom começo, digo, ótimo meio.

Trocando o disco…. de freio.

Ao contrario do governo que estimula a compra de carro novo, optei por fazer manutencao nos autos velhos da familia porque entendo, ainda que rodados, cumprem bem a sua funcao. Se viajar em aviao com mais de 20 anos nao tem problema porque teria andar em um carro velho bem mantido? Essa estranha e confiavel relacao me fez ao longo da semana adquirir os discos de freio dianteiros e pastilhas do classe A.

Interessante observar que algumas pecas do classe A que outrora tiveram precos de Mercedes importado hoje em dia, ainda que adquiridas na Intercar, que é o concessionario autorizado para o RJ, tem preço de carros bem mais baratos, quem diria… Um amortecedor por pouco mais de 200 reais e outras pecas por 16… 50… reais! ja estou gostando novamente desse carro, mais agil que o smart, maior que o smart e com o espaco interno invejavel, como segundo carro recomendo!

E assim caminha a humanidade

O tempo é fogo, é frio, previsivel e imprevisivel, passa, passa e passa rapido. O futuro mais rapido do que prevemos e o passado mais lento do que contamos. Tudo passa, somente as açoes ficam, e a vida é curta, certamente mais breve do que pensamos, vem rapido e vai num susto. Viver é um requinte, saber viver, construir e aproveitar o que se tem é uma sabedoria. Podemos aprender, refletir sobre o passado e pensar no futuro através da poesia. Geralmente em um poema pouco se escreve, muito se diz, como por exemplo esse de Carlos Drummond de Andrade.

E voce, para onde?

JOSÉ

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse…
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?