Serie 50 | Interlúdio – Entre Maquinas e Silêncios

Todos os anos muitos pais programam as ferias dos filhos. Nem sempre fácil e obvio.

No meu caso, penso que era mais fácil, eu finalmente largava o computador, embarcava em um voo para fortaleza e me enfurnava na concessionária Chevrolet da familia que ficava do outro lado da rua na casa do meu tio.

Do atendimento ao cliente na recepção ao serviço na oficina, me encantei desde cedo com o que o conserto do carro representa. A ideia de trabalhar em algo que não esta bom, por vezes quebrado e retornar corrigido me fascina.

Ha muito o que aprender sobre pessoas na recepção de uma oficina. A forma pela qual relatavam os problemas também mostra a sensibilidade e percepção na condução.

Mal sabia que essa sensação seria o embrião a minha atividade atual. Como advogado procuro acertar o caminho resolvendo problemas tornando a situação ruim em normal.

Os longos dias acabavam ao som de tony bennett, tomy dorsey e frank sinatra.

E ao longo da vida tive a benção de ter veículos que passam ao motorista uma sensação boa de dirigir, maior do que representam.

Em viagens costumo dirigir um Mercedes E 220d. Sou fascinado por esse carro que não pede palco. É confortável, seguro e tem ótima estabilidade.

Surpreende, com sete lugares, tem espaço para tudo o que ainda cabe na minha vida e tem um som que transforma cada minuto na estrada em reflexão.

E graças ao eficiente motor turbodiesel consigo viajar ate 1100 kms com serenidade portanto sem ansiedade.

Ja no Brasil alguns textos atras relatei dirigir o azulão. Aquele carro tem peso nas portas, densidade na construção e um silencio de outra época. Feito para durar.

Entre maquinas e silencios, percebo que a maturidade não é diminuir a paixão e sim refina-la, andar sem ter que provar nada no caminho.

É andar longe, mas sem precisar correr.

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