Vivo administrando decisões — quando não as minhas, as dos outros. Há um ponto em que isso cansa. Nem sempre estou disposto a explicá-las, muito menos a justificá-las.
Ao longo da vida, acumulei escolhas difíceis. Alguns chamam isso de experiência. Eu prefiro chamar de consequência.
Ainda assim, nenhuma decisão foi tão complexa quanto a de ser eu mesmo. Foi um caos libertador. Tomei essa decisão tarde — mas a verdade não tem prazo de validade. Fiz isso sem plateia, sem torcida e, sobretudo, sem garantias. E segui.
Quando finalmente olhei para dentro, encontrei ruínas. Descobri que parte do que eu acreditava ser solidez não passava de um castelo de areia. Precisei derrubá-lo para construir algo que resistisse ao vento, ao tempo e, principalmente, a mim.
Depois da primeira dificuldade veio a segunda — e, como sempre, todas as que a realidade reserva a quem escolhe não fingir. Cada uma com seu preço. E não é barato.
Mas aprendi o essencial: no fim do dia, posso perder tudo — menos a mim.
Isso não tem preço.

