No mundo de hoje, percebo que está cada vez mais difícil sustentar, o tempo todo, um comportamento marcado por cuidado, respeito e cortesia nas relações pessoais. Não é à toa que, todas as manhãs, reservo um breve minuto religioso para pedir a Deus discernimento e sabedoria diante da nossa existência falha.
Ao longo dos anos escrevendo aqui, notei que nunca publiquei um texto descrevendo de forma clara um ato de bondade explícita. Antes que alguém atire a primeira pedra, reconheço que isso se deve ao fato de este espaço ser, sobretudo, um território de reflexão introspectiva — e eu sou um crítico de mim mesmo.
O que não falta neste blog são episódios de autoconhecimento e experiências autênticas. Por ser tão pessoal, evitei descrever e personificar gestos de ajuda, consolo ou elogio a outras pessoas. Ainda assim, sei que eles existem.
Sou grato por ter aprendido a dizer “não” quando necessário, como um ato de respeito e valorização de mim mesmo. Nesse caminho, percebo que o cuidado comigo tem prosperado. No texto De olhos bem abertos, escrevi sobre o hábito de ajudar o próximo e sobre como, sem perceber, muitas vezes já estou administrando o problema alheio. Em A melhor versão de mim, compartilhei a importância de estabelecer limites para proteger meu tempo e energia — um gesto de bondade comigo mesmo. Em Mudanças que começam dentro…, convidei o leitor ao diálogo e à compreensão de quem sou. E, em Fatos e fotos, confessei ter me entregado novamente ao amor, depois de algumas derrotas.
Esse calor, mesmo em um coração que já foi petrificado por cicatrizes profundas, me move. Através da gentileza de amar, procuro ser melhor.
Já vivi momentos marcantes, como a experiência simples e reveladora de uma padaria e doceira, onde enxerguei a cidade como ela realmente é. Aprendi, também, que vivo constantemente racionalizando a vida — um pecado, talvez. Demorei a entender que não é preciso temer a morte: basta acreditar em Deus e tentar viver próximo de Seus ensinamentos.
Por aqui, continuo firme no convite ao diálogo interno, sempre acima da defesa de bandeiras ou pautas. Elas não me definem — e não precisam definir você.

Write about a random act of kindness you’ve done for someone.
