Democracia. Só que não.

Somos governados por um sistema que tem regras claras. De tempos em tempos vamos as urnas para eleger diretamente os representantes dos diversos poderes.

Ainda que muitos não tenham liberdade de escolha, em razão da violência, os números mostram que uma grande parcela da população comparece ao pleito e vota.

À exceção é o Estado do Rio de Janeiro, que vergonhosamente tem uma abstenção alta e por isso elege os piores com menos votos.

Voltando a democracia, uma vez eleitos, deveriam todos observar dentro de suas competências a preservação do Estado de Direito.

Isso vale tanto para politicos, quanto cidadãos e vamos dar o nome aos bois, juizes e empresários.

Estou bastante incomodado com a falta de observação desses preceitos por todos que majoritariamente compõe o governo.

De um lado o presidente e seu chaveirinho, o tal ministro do STF circulam de maos dadas como uma criança no jogo “papai posso ir”.

De outro, empresario arcando diretamente com pagamento milionário em honorários advocatícios e indiretamente com os prazeres de alguns que exercem atividade parlamentar.

Chamo atenção que a liberdade de expressão nessa conjectura é uma ilusão. Os temidos e perseguidos reporters se enchem de razão para levianamente afirmar, taxar, julgar e pre julgar qualquer um que tenha por objetivo chamar atenção dessa distorção.

Assim e que desenharam o estado. Vamos atrelar pessoas a alguma determinada classe e achatar elas ate conseguir a dependência irrestrita do Estado.

Isso não é barato.

Requer uma certa organização politica que implica na criação de partidos, influenciados ou influenciadores de associação, organizar movimentos e exercer influencia nas politicas publicas.

No final do dia o que se acompanha tanto nos julgamentos quanto nas votações de Lei é que vence sempre a maioria.

E a maioria que esta vencendo tem um único propósito, se perpetuar nesse modo de operação do governo, porque esquecida é do que deveria pautar e nortear seu trabalho.

O governo não faz politica publica para equilibrar vontades, ao invés se aproveitou do poderio econômico e da influencia politica para fazer valer a vontade deles.

Deveriam trabalhar para o povo.

Isto seria a democracia classica. A pessoa se reune em comunidade para ter voz na sociedade e contribuir nas politicas publicas que sejam em ultima analise boa para todos, dentro de um espectro de argumentos e situações que podemos prever.

Hoje isto não ocorre dessa forma, ha uma inversão ai.

O parlamentar de uma forma em geral nao trabalha para o povo. Claro que nao. Ele trabalha para si próprio, o eleitorado da sua residência e de sua biografia. Basta andar nas poucas livrarias que se ve a grande quantidade de livros editados por politicos de conteudo… vazio!

Para quem gosta de ler e perdeu discernimento é um prato feito. Se no passado Marimbondos em Chama era uma obra questionável, em breve nao me surpreenderia se ganhasse um prêmio literário.

Se bobear ganhou e não soube.

Voltando a receita do bolo, o povo perdeu saude, escola e com isso educação para formar o senso critico. Ficou tao miserável que elege quem pode lhe dar algum dinheiro, direto e indiretamente. Apesar de cansados do vale leite marca X camisinha marca Y e medicamento generico.

Estamos rumo ao poco.

So vão entender o que é isso, quando perceberem que os politicos so trabalham para eles mesmos.

Sao muitos os exemplos.

Modernamente, o que um determinado protagonista e empresario gastou em viagens, shows e festas mostra isso.

A dopamina do governo é o relaxa e goza das necessidades proprias, e nao do pais. O que um show da taylor swift contribui para atividade parlamentar no Brasil? O quanto é importante ao empresario fundear o prazer do politico e o que a experiência de seus filhos nos agregam?

Nada senao a perpetuidade disso.

Esse vazio se comprova quando ao final temos a sensação que não serviu para nada, somente gastar dinheiro.

Seja do aposentado, pelos empréstimos e descontos indevidos ja industrializados nas manchetes do tipo “voce tem ate o dia de hoje para cancelar”, seja do particular na promessa dos rendimentos

E assim roda o governo e uma parcela da população que se acha esperta.

Uma coisa é certa.

Governo passa, seus representantes e magistrados se aposentam, partidos desaparecem, empresarios somem.

Não ha mal eterno. Vence a história.

Um dia, a conta inevitavelmente chega.

E a casa cai.

Do pote de manteiga ao AI-5: a Justiça que oscila entre perdão e punição

Há muito tempo venho comentando a percepção que tenho de insegurança jurídica no que tange às decisões da Suprema Corte brasileira.

As contradições são amplas e abrangem desde o combate ao crime organizado — leia-se o Comando Vermelho e demais organizações criminosas, que equiparo a facções paramilitares — até as condenações recentes ligadas ao 8 de janeiro, levando-se em consideração o que já foi julgado no passado, coincidentemente no governo do PT.

O ponto nevrálgico dessa inconsistência reside na oscilação de ambas as cortes, STF e STJ, em ampliar e restringir a lei para absolver (favorecendo) ou condenar (prejudicando) alguém.

A par do fato de que muitos julgamentos ali se tornam políticos, pautados e rapidamente impulsionados pelo alegado clamor público noticiado pela imprensa, o que vejo pelos longos e soníferos votos é que suas excelências parecem querer fundamentar uma grande justificativa para a não distribuição de justiça. Ainda que sejam a ultima palavra.

Um olhar pelo prisma de que somos todos iguais perante a lei revela que, quando a Suprema Corte resolve equilibrar as situações, o que surge é um julgamento vergonhoso e tendencioso.

Lembro-me como se fosse ontem, quando passaram a mão na cabeça da Angélica, que furtou um pote de manteiga de aproximadamente R$ 3,10 em um mercado, tendo ficado mais de 100 dias presa, porque era mae, pobre e desempregada.

Não percebi o que estava por vir.

Naquela época me perguntava como um processo de três reais poderia tomar o tempo dos ministros. Afinal, para todo o resto do povo que não tem apoio da imprensa, os julgamentos demoram anos para ser resolvidos. Desculpas não faltam, processo, cartorio, peritos, partes e por ai vai.

A inconsistência não reside apenas na casuística da aplicação da lei, mas também na velocidade: havendo interesse — ou dono — os processos são julgados em qualquer instância a jato. Muitos outros, ficam como vinho em baú de carvalho, em seus gabinetes, seja por medo de decidir, amadurecendo, esperando a conjuntura mudar para chegar ao fim que desejam. O que por si é uma incongruência, afinal não é crível admitir dada a experiência e eloquência das excelências que precisam de anos para estudar.

Quer saber como tudo funciona em ordem pratica?

Basta estar advogando do lado dos desconhecidos, sem holofote, para logo perceber como os julgamentos são demorados, além de mal instruídos por muitos agentes cartorários e, sim, também por advogados.

Justiça no Brasil parece foi desenvolvida para funcionar assim: quanto pior, melhor.

Angélica à parte, no ano de 2010 a Corte, no julgamento da ADPF 153, decidiu — em pleno governo Lula — pela constitucionalidade da anistia dada aos militares.

Ainda estou aqui!

Culpados foram anistiados de um lado. Fato curioso: criou-se uma comissão para apurar os abusos da ditadura e compensar as famílias da tragédia que as abateu. Fato: dinheiro paga tudo. Justo ou injusto é assim que funciona.

De nada adiantou, naquela época, o clamor popular por justiça e liberdade em tempos de repressão. Incontáveis foram os movimentos de combate ao AI-5, todos derrotados pela anistia dos militares.

O que não se esperava, anos depois, seria a rendição da Justiça e a condução de julgamentos por premissas sociais.

Assim é que um recurso rejeitado por mais de trinta vezes ganha força para anular um julgamento sem ter sido retomado a jato — seja pela vergonha, pela consciência ou até mesmo em razão do juramento feito pelos magistrados.

Tudo esquecido.

O enredo resumido a trama seria a venda que não ocorreu, por um papel não assinado em um foro que não seria adequado. Quem diria: anos depois, a mesma situação aconteceu, e todos os ditos envolvidos tiveram pena duríssima e desproporcional em relação às decisões passadas.

Enquanto isso, o crime compensou: quem furtou pouco se livrou; quem, em nome do Estado no passado abusou safou; e, curiosamente, até a Globo se desculpou. Seria porque a moral e os bons costumes estão em baixa?

As inconsistências não se resumem a essas matérias. Recentemente foi retomado o julgamento acerca da legalidade das terceirizações constantes da reforma trabalhista.

O que foi proposto, aprovado e posto em prática agora espera suas excelências decidirem as entrelinhas. É o governo dizendo peraí que agora precisamos distribuir justiça (renda) considerando os grupos envolvidos.

Isso no Brasil é gritante.

Não à toa os advogados cobram caro e precisam diariamente se virar, correndo atrás dos processos como cachorro correndo atrás do próprio rabo. Basta uma notícia, um interesse oculto de alguém, para ter uma decisão diferente.

Essa é a crítica que faço à Justiça brasileira depois de um pouco mais de 24 anos de formado e 1.200 processos conduzidos.

Vejo, por esse prisma, que os julgamentos em terceira instância são políticos, sim: alguns contam com plateia de advogados; outros, quando mais importantes, com a presença de próprios ministros que se escutam, falam muito para se convencer e terminam os julgamentos mais preocupados em saber a repercussão do que na decisão. Se congratulam como muitos se reúnem em ocasiões sociais. Ao que parece não tem vergonha mesmo.

Enquanto isso, nós, cariocas, estamos há dois dias acompanhando no RJTV a máfia dos animais silvestres — certamente por ausência de pauta ou mesmo vergonha da dura realidade que vivemos.

Melhor falar do animal silvestre do que do “Jaé” que não funciona ou da greve dos motoristas de ônibus. Crime organizado so mesmo na Marvel.

Ambas as casas legislativas do Rio são uma vergonha: representam o feudo que nos impõe aceitar o governo como é, como está. Não a toa muitos dizem não ter alternativa de voto ou so gritam quando algo lhe atrapalha.

Dai porque atribuo a falta de crítica ao mesmo medo que, no passado, muitos tinham de falar do Estado.

Podem ficar tranquilos: ainda estou aqui, não vou embora tão cedo e se Deus permitir terei muitos anos de vida.

A que ponto chegamos?

É difícil interpretar o atual momento político brasileiro à distância, sobretudo quando as informações chegam filtradas por noticiários. Ainda que jamais saibamos ao certo os interesses e disputas reais por trás dos acontecimentos, é através dessas narrativas — parciais, editadas, às vezes mal estruturadas — que percebemos alguns movimentos preocupantes.

Na cobertura recente da GloboNews, por exemplo, chamou atenção a falta de rigor informativo. Uma repórter afirmou estar relatando os fatos com base em “alguém me disse”, e logo em seguida reconheceu não ter conhecimento suficiente para fazer uma avaliação política. Ainda assim, produziu uma narrativa embalada como opinião, mas apresentada com a autoridade de quem dita verdades. Esse tipo de conduta evidencia o colapso entre informação e propaganda — e empobrece o debate público.

Mas o problema não é só a imprensa. Se o governo brasileiro confia tanto na democracia que afirma defender, por que a estrutura do Estado age com tanto temor diante de ações supostamente articuladas por figuras sem poder institucional? E mais: por que a Justiça é tão célere e implacável para uns, enquanto outros esperam por anos uma resposta?

A seletividade da atuação institucional é visível. Em nome da soberania, persegue-se com agilidade quem é considerado adversário político, enquanto a população comum segue submetida à morosidade estrutural do Estado. Ainda que envolva um ex-presidente, tribunais e pressões internacionais, o verdadeiro sentido de soberania reside em planejamento, transparência, respeito ao devido processo legal — e isso, infelizmente, está em falta.

Hoje, o Supremo Tribunal Federal parece atuar como extensão do Executivo, adotando medidas que beiram o abuso e rasgam, na prática, os princípios constitucionais que deveria proteger. Cercear o direito de fala, de resposta, de ir e vir — tudo isso configura o esvaziamento do Estado de Direito. O que se vê não é justiça: é intimidação institucionalizada.

Recentemente, o país recebeu uma sinalização externa de preocupação — uma “carta” que, entre linhas diplomáticas, critica arbitrariedades jurídicas relacionadas ao ex-presidente. A reação do Judiciário foi ainda mais grave: restrições adicionais, mais silêncio, mais cancelamento. Bolsonaro, por mais controverso que seja, é hoje uma figura cancelada institucionalmente. E o Brasil, ironicamente, se esforça para materializar — e exportar — essa perseguição.

O mais preocupante é que essa lógica pode se voltar contra os próprios ministros. Se o sistema de compliance das instituições internacionais, que dependem financeiramente do Brasil, for levado a sério, os excessos praticados aqui terão consequências. Afinal, até que ponto a obediência ao “mando” de ministros se sobrepõe ao cumprimento das normas internacionais?

Vivemos um Brasil que ainda opera na lógica da força. Um país que impõe medo para garantir a vontade de poucos sobre a maioria. O mesmo país que a geração dos meus pais evita lembrar — e que agora volta a dar sinais de que nunca deixou de existir.

O tempo mostrará até onde isso será tolerado. E até quando será possível sustentar a democracia no grito.