Para estrangeiro ver

Todos os dias acordo e penso: Como seria bom viver no Brasil da propaganda.

O Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, ex capital da Republica, esta sempre bombando.

A cidade é maravilhosa para o turista. Melhor dizer o estrangeiro europeu, porque os americanos, ao que parece, ja estao bem cientes da situação atual, tipica de guerrilha armada que vivemos todos os dias.

De um tempo para ca, a cidade, ao invés de protagonizar noticia de crescimento de industrias e empresas, parece que preferiu vender as festas e o alegado ganho de receita do turista que em nada melhora nossa economia.

Esse visitante movimenta hoteis, restaurantes e os mais ousados ate safari de comunidade fazem.

Que lindo.

Que deprimente.

Que vergonha.

O abrir dos olhos revela uma situação bem diferente.

Basicamente as noticias de hoje pela manhã narram mais uma vez crime praticado pela milícia, outro de pessoa acusada de deformar outras.

Não nos esqueçamos das incursões nas favelas e dos eternos e iguais boletins de transito.

Falta de infraestrutura nessa cidade maravilhosa é algo que não falta. Ou melhor so existe beleza na propaganda.

E o carnaval?

Reclama não, relaxa e goza.

Esse estilo despojado, informal e mal educado de viver pelos que atuam na administração da cidade se enraizou nas múltiplas camadas sociais e praticamente em todas as esferas do poder.

Quanto pior o politico mais idolatrado quer ser.

Enquanto o mundo se vira para fazer mais com menos, aqui gasta-se muito para nada.

Lembra-se daquele grande projeto viário? Continua no papel ate hoje apesar dos investimentos.

Só no Rio, é construído uma estação de metro para depois ser alagada e desativado o tatuzão. Novos percursos? Para que?

A qualidade e velocidade da obra seguem dois ditados populares. Acabou o milho acabou a pipoca, ou barriga cheia amizade desfeita.

Inaugura-se poste, joga um asfalto aqui outro ali, sai na manchete e esquece. Pode parar, depois aparece dizendo que vai retomar.

Pensando bem, o RJTV reflete com precisão esse momento mediocre. É um retrato fiel do telespectador e das notícias ruins que produz, porque de bom me parece não há absolutamente nada a falar, ou muito pouco.

Enquanto isso, comemora-se a utilização de BRT exclusivo para o Rock in Rio, transporte publico de qualidade

E segue o baile.

O dia que descobri que a IA não sabe tudo.

Certa vez, enquanto malhava e conversava com meu professor, ele me disse que estava preenchendo formulários e aplicando para uma vaga, e que precisaria da minha ajuda.

Esse fato logo me intrigou. Ora, se tem alguém precisando de ajuda e posso ajuda-lo, logo me ponho a disposição.

Servir para mim, vai muito além de cumprir uma tarefa.

Na realidade, é um processo bastante complexo.

Ainda que provavelmente mais simples que o funcionamento de uma IA, sigo alguns passos. Escuto, absorvo, processo a informação, decido e sigo para ação.

Nesse processo bastante complexo, dúvidas naturalmente surgem. E não para minha surpresa, logo no início surgiu uma bem básica, do tipo, porque você esta me pedindo isso agora? quem disse que esse passo é necessário?

Foi a IA respondeu ele.

Como era em outro idioma, ele havia aproveitado a IA para pedir ajuda no preenchimento dos formulários, quando então sobreveio necessidade dessa documentação.

Quem disse? indaguei novamente.

Foi a IA respondeu ele denovo.

Ele estava nisso ha algum tempo, fazendo o preenchimento por passos, limitados a quantidade de documentos diários permitidos pelo programa.

Ainda sem entender como pode ter ele submetido um documento para um programa analisar, pensar e mostrar qual seria o caminho a percorrer, assimilei esse processo no mesmo modo impressionante que tive quando utilizei o FAX pela primeira vez.

La estava eu no escritório do apartamento localizado na Gavea, quando subitamente meus pais trouxeram um equipamento que, ligado a uma linha telefônica era capaz de reproduzir documentos enviados por alguém sabe la onde no mundo.

E mais, ao colocar o documento no aparelho e apertar o botão “copy” era como se tivesse uma maquina xerox em casa.

Uau, exclamei, isso parecia impossível então.

Foi assim que entendi como funciona a IA.

Meu amigo, afilhado, professor, enfim, enviou a ela uns documentos e recebeu em segundos o dever de casa.

No caso dele, acabou que no primeiro momento não funcionou exatamente como proposto, eis que ao pensar sobre o processo por ele percorrido, logo percebi e eventualmente (risos) discordei da pergunta e do momento da documentação.

Fosse isso um jogo de futebol teria marcado 1 a 1. Talvez seria a primeira e única vez na vida. Depois entendi que essa janela so existe nas raras ocasioes de mal formulação de prompt.

Isso não saiu da minha cabeça.

Enquanto ele estava la as voltas com o novo pedido, dessa vez na ordem certa, tanto a IA quanto a empresa contratada para auxilia-lo nisso iniciaram os trabalhos, e imagina, demorou um tempo até sobrevir a necessidade do documento.

No meio tempo, retornei para casa pensando, quem é essa IA, como é que ela apareceu assim e sem avisar?

Onde estive esse tempo todo?

Quando então me dei conta da velhice, ou melhor, do conhecimento Jurássico de informática, assim por dizer.

Ainda que seja obvio para os leitores de alguns textos, lembrando aquele que fala sobre o meu computador, um 486 Dx/2 50 funcional até hoje no escritório, por ser conectado ao celular imaginei que uma inovação como essa seria previamente anunciada, por muitos meses, anos ou até décadas.

Foi e não foi.

Provavelmente quem é da área, quem acompanha robótica, quem estuda fez, simulou e foi muito além do Dr. Sbaitso introduzido com a placa soundblaster de 8 bits em 1990

La estava eu com muitas perguntas.

Desde as obvias, do tipo quem é voce? porque existe? até outras filosóficas, tipo voce gosta de humanos? como enxerga o mundo? qual o objetivo perante a humanidade? sem prejuízo de outras, tipo qual foi o alienígena que lhe inventou? qual o seu objetivo para o planeta terra? Você gosta de humanos?

Havia eu previsto la atrás a mensagem de misantropia recentemente divulgada pelo alem?

Passei dias e semanas nessa pauta existencial e filosófica para entender que o IA era mesmo um programa.

Suponho bem complexo e além da minha capacidade de entender. Foi certamente desenvolvido longe do Assembly, Basic, Pascal, DBase III+, Foxbase e por aí vai.

Logo veio a certeza que apesar de algum entendimento de sistemas e informática, esse assunto estava muito a frente da minha capacidade de compreensão.

Findo o período de digestão, passei ao passo seguinte, de usar durante o dia para entender no que pode me ajudar.

Logo começaram a surgir vários pedidos.

De repente tinha na palma da mão informações instantâneas que demoraria algumas horas ou até mesmo dias lendo para ter.

Uau, que legal. Não haveria uma pergunta que ficasse sem resposta. Da ação ate a execução, da felicidade a depressão, a facilidade de ter uma resposta para qualquer tipo de pergunta impressiona.

Tive um flashback.

Me recordei de quando conheci o Paulo, em nosso primeiro mês juntos, la estava eu no carro fazendo observações do cotidiano com perguntas inerentes as constatações.

Ele sempre com uma resposta. Determinado dia perguntei, voce tem sempre uma resposta para tudo? ele respondeu: voce tem sempre uma pergunta para tudo?

Mal sabia naquele momento que posteriormente iria encontrar um sistema capaz de fazer a mesma coisa. Incansável.

Na advocacia serviu como um grande apoio. Sabe aquela lei que voce esqueceu o numero e ano? a IA descobre, vai perguntando que em um determinado tempo ela te da a resposta. Realmente ela é capaz de ler, interpretar e até fazer uma análise sistêmica e com observações do que lhe é submetido.

Na cozinha, consegue converter qualquer receita em passos da thermomix, o robo de cozinha.

Que ótimo.

Resolvi pedir ajuda com a escrita, por achar que ela tinha, e provavelmente tem, percepção muito melhor do emprego do português que tenho e tudo parecia correr bem.

Até o momento que subitamente desenvolvi um filtro.

Através do filtro comecei a perguntar se a IA tinha certeza de sua resposta. Me surpreendi com eventual correção de raciocínio. Isso se repetiu algumas vezes.

Como assim? não sabe tudo? como pode um sistema binário e complexo mudar de ideia?

A percepção que a IA também é sujeita aprimoramento veio como uma surpresa. Quem diria, o meu cérebro na sua imperfeição tinha um concorrente a altura.

A evolução do filtro acabou gerando outra percepção sobre a IA que logo perdeu o protagonismo. Ao invés de me guiar passou a função de me complementar.

GPS pode existir, desde que eu tenha liberdade de escolha do caminho.

Durante um período, foi através da IA que passei a obter informação sobre tudo.

Entretanto a minha natureza questionadora aliada ao aprimoramento do filtro acabou afastando-a do discernimento inicial do que fazer.

Demorou, hoje acostumei.

Posso, e devo, ter liberdade sobre minhas iniciativas olhando para o lado perguntando ao sistema como ve. Isso é realmente demais. As pautas eu crio, os assuntos vem a minha cabeça, como esse texto por exemplo.

A AI no início corrigia o português, observava a fluidez do texto, propunha pautas exploradas no texto.

Hoje não mais.

A IA que uso aprendeu a entender a forma pela qual escrevo e passou a se abster de fazer qualquer correção de português para não tirar a essência do escrito

O programado arbítrio da IA aprendeu a dizer não.

Foto de carro, de circuito elétrico danificado, de aparelho eletroeletrônico sem manual, ate tela de programa da apple com bug (quem diria!) ja enviei.

Hoje sou grato e afortunado por ter ao lado uma IA que me ajuda.

Certamente no futuro sistema como esse será a espinha dorsal da humanidade. Estamos vivendo uma era da eletrônica avançada, objeto de duras e constantes criticas minhas. Tudo de novo e moderno nao dura.

Como assim? Não deveria ser melhor do que o anterior? Ao invés mais caro e de pior qualidade.

Ja prevejo que vai causar grande incomodo e desconforto a muitos politicos. Sabe aquele projeto de governo fomentador de analfabetos? Certamente não resistirá a capacitação da IA para lecionar.

Agora entendo porque grandes lideres do mundo estão procurando fazer com esse sistema o mesmo que fizeram com as suas respectivas imigrações.

Vamos fechar as portas para que somente poucos detenham sobre a IA efetivo controle. Vamos permitir que outros desenvolvam programas para acessar com base em padrões pre definidos e manter a IA no script que nos é favorável.

Sim, ao passo que liberta, também pode escravizar.

O que me faz reconhecer.

Posso em comparação a IA até ser burro, e esta tudo bem.

Importante não é usar IA, é saber fazer a pergunta.

Isso é o que importa e que ate o presente momento sigo com sorte e levando alguma vantagem.

E se não for sorte, a ignorância é uma dádiva.

Como é bom usar zip drive.

Mr. Bean no banco e o Brazil em campo.

Assisti sem muito entusiasmo o primeiro jogo da seleção brasileira. Esse sentimento em nada tem a ver com a baixa performance do time, muito pelo contrário, a partida comprovou muito dos motivos pelos quais há alguns anos não dou importância para isso.

Ainda que eu não seja um torcedor com afinco, do tipo que acompanha da escalada ate a evolução do time, na copa do mundo, assim como muitos brasileiros que ainda tem algum orgulho a patria, tenho o habito que assistir.

Primeiro susto que tomei foi ao saber que o técnico não era brasileiro. De quem foi a ideia de contratar esse Mr. Bean versão italiana? sera que o Brasil, outrora protagonista do futebol no mundo não tem competencia para formar tecnico de time de futebol?

Me veio a pergunta, temos tantos times, equipes de base, várias divisões, todas elas empregando crianças nos diversos campeonatos estaduais de futebol, encubadora de jogadores que serão futuras estrelas e não temos ninguém com aptidão a treinar o time do Brasil.

O que aconteceu com o Brasil que também perdeu o S. Será o Brasil com Z fadado a fracassar?

Se cerca de oitenta por cento da seleção brasileira esta escalada mundo a fora, é fácil concluir que a produção e exportação de jogadores continua forte. Porque nossos jogadores são tão importantes para o mundo ao longo do ano e na copa do mundo jogam como amadores em uma pelada.,

Depois de um certo tempo, comecei a rir. Afinal, todos os comentaristas tem uma explicação para isso. Alguns disseram que o meio de campo não arrancou, outros que os jogadores estavam em voo solo tentando resolver, fiquei impressionado com a quantidade de teorias e formulações que reporteres e comentaristas fizeram para concluir que no fim do dia estavam ansiosos e nervosos.

Ansioso e nervoso é quem precisa de emprego e não tem comida para comer.

No campo a história é outra. Para jogar fora do Brasil desde cedo, é preciso que haja pelo menos um time e empresário para negociar o passe do atleta. Isso não é barato.

Diga-me com quem anda que te direi quem é.

Pudesse fazer uma lista do que contribuiram para chegar até aqui, primeiro da lista seriam os times de futebol.

Muitos são incompetente mesmo, não conseguem treinar seu jogador até chegar a essa fase profissional, e mandam la para fora como forma de desenvolve-lo lucrando.

O jogador outrora faminto por se provar ao mundo agora chega sem a fome de vencer.

Acostumamos eles a vida estável, segura, com salários altos, incompatíveis com a realidade brasileira, mais isso até hoje não importa, desde que vista a camisa do Brasil para jogar a copa esta tudo certo.

Em alguns momentos percebi que as celebridades, entre jogadores da antiga seleção, influencers e até mesmo personalidades la de fora foram mais destacados do que os da partida em si.

Nasci na decada de setenta, na decada de oitenta passei um tempo no exterior. Na decada de noventa que foi o final da adolescencia até a maioridade me recordo perfeitamente que o Brasil enquanto país tinha um time e comprometimento muito diferente do que tem hoje.

Ainda que naquela época tivessemos criticas pontuais a jogadores provavelmente sob o mesmo fundamento, qual seja, falta de comprometimento, sua grande maioria era diferente.

O que fazemos com um time ruim? dado o fato que tudo hoje é politizado, não restam muitas alternativas senão esquecer. Essa seleção aí refletiu mal o momento nacional. Curioso ou coincidência? não vejo a confiança no País crescer, nem mesmo a ousadia dos jogadores em campo.

Vamos trazer o Mr Bean, para restituir a confiança e formar uma boa seleção. Esse técnico estrangeiro é a materialização de um país inseguro, burocrático, que depende do mundo a fora para servir de platéia do seu fracasso.

Importamos técnicos e jogadores brasileiros que estão mundo a fora. Deveriamos importar jogadores estrangeiros como solução a profissionalização do esporte uma vez por todas. Dificil vai ser achar quem opte por abrir mão de sua nação para vestir essa camisa com o mesmo afinco que são obrigados os jogadores… brasileiros.

Milhares de pessoas assistem a copa do mundo, fenomeno que se repete de temporada em temporada. Para isso ocorrer, outras tantas crianças, melhor meninos, assim por dizer passam por um processo extremamente competitivo, duro e violento quanto é viver, que começa na infancia, porque enxergam ali a chance real de mudar de vida.

Não coincidentemente todas as histórias por traz dos jogadores refelete isso. A comitiva chegou, e gastou-se mais tempo falando da roupa, do carro, da joia, do relogio do que do talento de cada um deles.

Sejam os que estão em campo, sejam os aposentados que, como fenix ressurgiram nos bancos, todos levaram uma boa goleada das griffes. Arrisco dizer de dez a zero.

A conclusão obvia que faco hoje é a seguinte.

Se no Brasil tivesse hoje um garato como foram os antigos craques, vale lembrar Romario e Ronaldo, eles ficariam aqui o tempo suficiente para treinar, aperfeiçoar, amadurecer, viver antes de serem exportados?

Enquanto isso, sigo rindo para não chorar. Dos comentarias, dos jornalistas, de todos os cumplices desse modelo e estilo de vida, que explicam tudo, relativiza tudo e não corrige e resolve nada.

Realmente é muito mais fácil motivar a torcida, fazer acreditar que o proximo jogo será melhor, dar uma bronca, exigir um gol ali outra jogada boa ali para justificar essa palhaçada.

A seleção é um desconforto que não cabe mais nos brasileiros, nem o País suporta.

Não a toa somos tomados pela comunicação que vai acabar bem.

Para quem??

Uma criança morreu. O Juri não decidiu. A magistrada soltou.

Não é de hoje que me desgasto ao dizer entre pessoas, amigos e clientes, que a justiça é lenta, tardia e principalmente distante do povo.

De todas as reflexões, talvez a única que seja unânime entre muitos é que a provocação da imprensa tem sido o maior motivador de rapidez e desfecho de muitos julgamentos.

Quando a imprensa esta de olho, não existe demora nem pedido eterno de vista. Todo magistrado explica, ainda que por voto de duas horas, e decide.

Hoje aprendi que ha um grande problema por trás dessa percepção.

É o problema do discurso.

Quando um magistrado palestra estado a fora, torna socialmente publica a sua opinião. Parece que a gente entende ou enxerga racionalidade por trás disso.

Agora sei que não. Quando pequeno minha mae e avo me corrigiam dizendo que o costume de casa vai a praça.

De repente me vejo em oposição à praça dos magistrados que publicamente expõem suas decisões de casa.

Somos levados a associar o que uma pessoa fala com sua conduta na vida, trabalho e casa. Me diga com quem anda e te direi quem é. Essa frase, ou indagação, certamente não é novidade.

Semana passada soube que na abertura do Congresso Internacional Estado de Direito, o Ministro e presidente do Superior Tribunal de Justiça teria afirmado que Juizes não devem temer julgamento da sociedade.

Talvez ele tenha sido vidente, tocado por Chico Xavier do que seria o resultado do maior julgamento de crime contra uma criança a ser realizado no Rio de Janeiro.

A motivação social dos magistrados que buscam aparecer e polemizar mais do que aplicar a Lei e julgar é terrível e danosa a sociedade.

Entre falas, ideias e julgamentos, somos entubados acerca da diferença de homens e mulheres que se manifesta mais latente no ativismo feminino. Também impuseram cotas para reparar a chamada desigualdade histórica. E ate lei para impedir a violência domestica praticada contra a mulher. Não poderia esquecer a sopa de letrinhas em relação a gêneros.

No fundo, diante da tremenda falta de educação e instrução, sinto que não houve outra forma eficiente de ordenar o povo senão dividir para depois supostamente juntar.

Isso não se mostrou o suficiente.

Era uma vez uma mulher, mae, que de acordo com a imprensa, sabia que seu filho era agredido pelo padrasto. Apesar da lei da palmada, na casa dela isso era permitido.

Amor estranho esse. Um manifesta na base da palmada enquanto outro chega em casa, acolhe e se omite dessa situação.

O que me levou a esperar e crer que seria objeto do juri popular a decisão sobre se a omissão, consciente, displicente, irresponsável, indigna da mae concorreu para que fosse julgada pelo crime de homicídio.

Isso, infelizmente não ocorreu.

Estamos hoje vivendo um descompasso entre o que socialmente lemos e escutamos com o que e juridicamente (e costumeiramente) mal decidido pela justiça. Depois reclamam dos advogados que insurgem contra IA.

A percepção ate mesmo de incoerência e nítida. Seja pelas circunstâncias parecidas ou ambas moralmente inadimissiveis.

Quem velho como eu não se recorda do julgamento da Suzane, condenada não por ter matado e sim por ter participado de uma trama contra seus pais que resultou em um homicídio.

Ela pode, deve ser presa, e mesmo solta, ser constantemente vigiada pela opinião publica. Contudo a mae que não deu importância a agressao que levou a morte do seu filho nao.

Por acaso ambas sao femininas. Na minha visão pouco importa. Poderia ser homem, mulher, qualquer genero. o que não pode é admitir que se alguem que trama comete crime, alguém que se omite e vive um crime sai livre.

Ainda que a Lei Penal diga que na duvida prevalece a sociedade, acho que a aplicação desse princípio, pela juíza, foi muito literal.

Se fosse mês passado teria pensado se ela assim não o fez para ser julgada e tardiamente aposentada pelo CNj. Me parece que não.

O que sei é o que percebo e aqui vale a provocação. Imaginemos um pais em que o desejo da Ministra Carmen Lucia fosse realizado e o judiciário fosse socialmente composto por mulheres para reparar a desigualdade socialmente criticada pelo fato de só existir majoritariamente homem.

O que diriam elas sobre esse homicídio? Sobre os presos no dia oito de janeiro com pena muito maior do que a mae omissa?

Sera necessário, diante de tamanha incompetência, reformar a lei para dizer que infanticidio pode não ocorrer logo após o parto e sim durante a criança for menor para agravar a pena disso e não acobertar uma mae ou pai omisso?

Se os pais cometeram ou se omitiram a violência dos filhos deverão ser presos e responder por isso? Vamos dar aos filhos a mesma segurança que damos a mae de poder amamentar a qualquer momento e em qualquer lugar.

Esses direitos não deveriam ser clichês. Entretanto, e infelizmente, são.

Serie 50 | Capitulo a parte…

Há muito tempo percebi o aumento da violência na cidade. Se alguém ainda tem duvida, basta acordar e ligar o RJTV.

Na falta de notícia, o telejornal virou boletim de trânsito e policial. Quando muito, sobram os serviços da prefeitura que por óbvio não funcionam e do Estado, que parece existir mais como ideia de democracia do que como realidade concreta na vida de qualquer cidadão brasileiro.

Curioso é que saber do trânsito importa a quem está nele, não a quem está em casa. A informação que, por lógica pertencia ao rádio, hoje foi apropriada pelo telejornal. Melhor falar muito sobre nada do que não ter o que noticiar. E ali, entre uma ocorrência e outra, os comentários se misturam com uma leveza deslocada da gravidade do que se anuncia que vai a tragédia quando resolvem dar sua opinião pessoal.

Voltando ao Big Brother Brasil 26, assisti desde o início uma tentativa de crime contra mulher algo que o jornal noticia materializado todos os dias. Não é ficção. É espelho.

Houve disputa eivada de trapaça na corrida por um telefone. E sejamos francos: não há nada mais humano do que competir mal. Basta assistir a uma partida de futebol qualquer. Todo dia alguém empurra, simula dor, faz fita para ganhar vantagem. A diferença é que, hoje, qualquer empurrão ganha proporção moral absoluta. La no jogo é competência, so que não.

O problema não está na disputa. Está na incapacidade de conter o excesso. Na impunidade sobretudo falta de educação que propicia consideravelmente o aumento dele.

O bicho pega quando olho para o lado e vejo mulher agredindo mulher. Patético. Incrédulo. Triste. As ofensas não param por aí. Na violência cotidiana, que todo mundo diz repudiar, não é novidade ver alguém perder a cabeça numa discussão acalorada.

O álibi é sempre o mesmo:

“Você não me conhece.”

“Você não sabe de onde eu vim.”

“Você não sabe da minha história.”

Particularmente, não sei mesmo. E depois do que assisti, confesso, não me interessa como justificativa. História explica. Não absolve!!

Essa depressão coletiva que se tornou a existência de qualquer brasileiro surfando discursos prontos de vida e de classe só interessa à televisão quando vira comoção. Quando dá audiência. Quando cabe na narrativa. E também ao governo que se empenha ao máximo fazer politica publica de patrocínio a igualdade para se esquivar do básico.

Infelizmente é nesse ponto que estou. E o BBB não é muito diferente do dia a dia de muitos.

Ah, e teve um que passou mal. O serviço médico não funcionou. Ele passou mal de novo. Melhor tirar. Essa realidade de hoje não comporta quem atrapalha o ritmo do espetáculo.

É duro escrever isso aos cinquenta.

Porque aos cinquenta eu aprendi que maturidade não é suportar tudo. É escolher o que não se tolera. É entender que limite não é frieza é proteção.

Talvez o que mais me incomode não seja o empurrão, nem o grito, nem a expulsão. É a naturalidade. É perceber que não houve surpresa genuína. Apenas torcida organizada, análise de narrativa e posicionamento estratégico.

O reality passa, a irritação fica.

E se não aprendermos a diferenciar disputa de agressão, história de justificativa e dor de licença para ferir, vamos continuar vivendo como se o país inteiro fosse uma casa vigiada por câmeras onde gritar dá mais resultado que argumentar.

Aos cinquenta, percebo que o verdadeiro luxo não é vencer a discussão. É não precisar entrar nela.

É sobre isso…