Elite do Nada: Retrato da Dondoca da Zona Sul

A dondoca da Zona Sul é feminista? Ou apenas feminina quando isso rende likes, aplausos e conveniência?

Pega pesado no trabalho? ou trabalha exclusivamente para manter o amor confortável, financeiramente estável e socialmente aceitável?

Existe para viver? ou apenas para desfrutar a vida sem jamais se responsabilizar por ela?

Essas mulheres são reféns dos maridos? ou coadjuvantes satisfeitas de um roteiro que jamais escreveram, mas fazem questão de defender?

Brotam dondocas na mesma velocidade em que conseguem ter filhos.

Multiplicam-se rápido, reproduzem o modelo e o chamam de escolha.

Algumas sujam as ruas na mesma intensidade em que deixam os dejetos de seus cachorros em pleno shopping, como se o chão fosse extensão do serviço alheio e a limpeza, obrigação de alguém invisível.

Não parecem democráticas! Passeiam por castas. Circulam entre iguais.

Empregam a tirania quando mandam e chamam de “organização” o que não passa de autoritarismo disfarçado de educação.

Quando acompanhadas do filho que derruba bala no chão, não se movem. Não recolhem. Não pedem desculpa.

Deixam lá.

Não por falta de consciência — mas por excesso de certeza de que alguém recolherá depois.

Na academia, ocupam tempo e espaço discutindo entre si até onde vai o limite ideal do desenvolvimento do trapézio, como se fossem especialistas, personal trainers, nutricionistas e oráculos do próprio espelho.

Também fazem terapia alimentar.

Conversam obsessivamente sobre comida, sobre disposição, sobre performance, sobre controle.

Cada uma mais magra que a outra.

Cada uma mais vazia que a anterior.

A comida se resume a beterraba.

A negociação gira em torno da fruta: pera ou maçã. E a alimentação tem obrigatoriamente que conter Abóbora com alecrim.

E nenhuma fome real.

Nossa como são difíceis as dondocas da Zona Sul.

So mesmo jesus ma causa. AMEM!

O barulho do vazio

No Rio de Janeiro, há algum tempo, tenho notado que conhecer alguém vale mais do que ser alguém.

Esse jeito carioca de ser parece ter sido exportado do Rio de Janeiro para o mundo.

Ser competente, preparado, educado ou íntegro, para quem se espelha no show off, pouco importa. O que vale é o acesso, o sobrenome, o contato certo, o lugar à mesa.

É assim que uma facção constrói e exerce poder por aqui — não pela excelência, mas pela proximidade. Não pela elegância, mas pela vulgaridade. Não pela discrição, mas pela ostentação sem educação.

O enriquecimento desses mal-educados e pouco instruídos passou a ser tratado como algo normal. Não é. Nunca foi.

Não é de hoje que observo, lentamente, a perda de referências. Os símbolos nacionais já não nos representam há muito tempo. Políticos, nem pensar. Nem o futebol se salva.

O mais deprimente, porém, não é o enriquecimento em si — é o que ele não trouxe junto.

A julgar pelos novos ricos cariocas, não vieram com cultura, modos ou conhecimento. O dinheiro não veio acompanhado de aperfeiçoamento, mas de ostentação. Não produziu civilidade, apenas barulho. Não gerou responsabilidade, apenas exibicionismo.

Forma-se, então, um jogo de poder raso e cansativo. Um teatro permanente de carros, relógios caros, vozes altas, roupas chamativas e a necessidade constante de ser visto, reconhecido, temido. Um poder que não se sustenta por conteúdo, apenas por presença.

Quando o costume de casa vai à praça, o retrato fica claro: não houve educação antes do dinheiro. Não houve construção antes da conquista. Houve apenas acesso.

Talvez por isso esses idiotas confundam espaços públicos com territórios privados. Talvez por isso tratem restaurantes como palcos, pessoas como figurantes e regras como sugestões. Talvez por isso precisem reafirmar o tempo todo quem conhecem, onde entram, com quem falam.

No fundo, não se trata de riqueza.

Trata-se de vazio.

E vazio faz barulho.

Muito barulho!!!!!