Acordo todos os dias em oração.
É um rito que me move, pulsa e aquece o coração. Talvez por isso eu escute de tantos o quanto sou querido. Tenho Deus em tudo o que sou e em tudo o que faço. E tenho a certeza de que por causa disso, o trabalho frutifica a minha vida e a de quem está ao meu redor.
Cheguei aos cinquenta anos não apenas somando tempo.
Aprendi a escutar melhor. Foi na oração, justamente nesse atravessar de ciclo, que percebi uma lição triste, porém verdadeira. Uma lição que não reflete apenas parte da população, mas revela a ausência de valores cristãos: quando o dinheiro entra, o coração de muitos sai. Nada justo nem certo. É dinheiro.
A reciprocidade desaparece. Ela passa a existir apenas enquanto há interesse. É lamentável, mas é real. E dói mais quando se chega a essa constatação não pela teoria, mas pela pratica.
E então me pergunto com a consciência e honestidade que os cinquenta exigem o que fiz para me colocar nessa situação?
Quais sonhos vivi, quais infernos inconscientemente desejei, que me conduziram a ponto de ser traído da minha natureza dessa forma?
Será que a bênção de Deus é me fazer celebrar cinquenta anos em estado tão pequeno quanto um grão? Ou será justamente nesse grão que mora o mistério da maturidade? Porque, mesmo pequeno, ele se multiplica como o pão, alimenta e sustenta. Não faz barulho, mas cumpre seu propósito.
Os sinais estão aí. E talvez os cinquenta sejam exatamente isso: aprender a enxergar menos com os olhos e mais com o espírito.
Há, sem dúvida, muita coisa boa por vir.


