A vontade popular não tem dono

Sempre me causa espanto quando vejo pessoas tentando se apropriar da vontade popular para encaixá-la em suas próprias narrativas políticas.

Isso vale para a direita, para a esquerda e para o centro.

O recente processo eleitoral no Rio de Janeiro oferece um exemplo dessa discussão.

Um candidato terminou atrás nas urnas. Surgiu uma controvérsia sobre a validade dos votos atribuídos a outro concorrente. O Tribunal Superior Eleitoral decidiu pela anulação desses votos, alterando o cálculo da maioria necessária para a eleição em primeiro turno.

A discussão chegou ao Supremo Tribunal Federal, que rejeitou o pedido por razões processuais, diante da ausência de esgotamento das vias recursais na Justiça Eleitoral.

A partir daí, surgiu o argumento de que a vontade soberana dos eleitores não teria sido respeitada.

Mas quem tem autoridade para falar em nome de todos os eleitores?

Não é justamente por isso que existem regras, prazos, recursos e instituições?

A controvérsia jurídica é legítima. Houve, inclusive, divergência entre ministros do TSE sobre o tratamento dos votos e seus efeitos na definição de um eventual segundo turno.

Entretanto, é preciso distinguir o debate jurídico da apropriação política da ideia de soberania popular.

Democracia não é apenas votar. É também respeitar as regras de apuração, o devido processo legal e os mecanismos institucionais de contestação.

Podemos discordar de decisões judiciais, criticá-las e recorrer pelos meios previstos em lei.

Mas nenhuma candidatura é proprietária da vontade popular.

A soberania pertence aos eleitores inclusive àqueles que votaram em outros candidatos, anularam o voto ou optaram por não comparecer.

O resultado eleitoral não transforma a interpretação de um partido ou candidato na única expressão legítima da democracia.

Princípios democráticos não podem servir apenas quando o resultado nos convém.

Porque princípio de conveniência não é princípio.

Simples assim.

Causa e efeito: quando a política dá a volta e chega ao mesmo lugar

O homem que esteve na linha para chegar ao governo sem ter sido eleito diretamente para aquele cargo acabou impedido de assumir naquele momento.

Meses depois, submetido ao voto popular, recebeu mais de quatro milhões de votos.

Daí a César o que é de César.

Quem terminou atrás pode reclamar, judicializar e disputar todas as questões que a lei permitir. Isso também é democracia.

Mas processo nenhum altera um dado daquela votação: o candidato que entrou apontado como favorito terminou atrás.

A capital não é o Estado do Rio.

Popularidade anunciada não é garantia de voto.

Narrativa não faz urna.

Talvez essa seja a maior ironia de todo esse processo eleitoral.

Às vezes a política dá uma volta enorme para chegar exatamente ao mesmo lugar.

Causa e efeito.

Simples assim.

O dinheiro mudou de mao?

Uma propriedade extraordinária do Alto Leblon, avaliada em cerca de R$ 200 milhões, foi demolida.

No lugar, dez novas casas.

Financeiramente, a conta da incorporadora parece excelente.

Mas o que me interessa é o que essa conta revela sobre o Rio.

Se existem vários compradores para imóveis de R$ 30 ou R$ 40 milhões, onde está aquele comprador capaz — e disposto — a colocar R$ 200 milhões numa única propriedade?

Talvez essa demolição não conte apenas a história de uma casa.

Talvez conte a história da mudança da elite e do próprio Rio de Janeiro.

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Para estrangeiro ver

Todos os dias acordo e penso: Como seria bom viver no Brasil da propaganda.

O Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, ex capital da Republica, esta sempre bombando.

A cidade é maravilhosa para o turista. Melhor dizer o estrangeiro europeu, porque os americanos, ao que parece, ja estao bem cientes da situação atual, tipica de guerrilha armada que vivemos todos os dias.

De um tempo para ca, a cidade, ao invés de protagonizar noticia de crescimento de industrias e empresas, parece que preferiu vender as festas e o alegado ganho de receita do turista que em nada melhora nossa economia.

Esse visitante movimenta hoteis, restaurantes e os mais ousados ate safari de comunidade fazem.

Que lindo.

Que deprimente.

Que vergonha.

O abrir dos olhos revela uma situação bem diferente.

Basicamente as noticias de hoje pela manhã narram mais uma vez crime praticado pela milícia, outro de pessoa acusada de deformar outras.

Não nos esqueçamos das incursões nas favelas e dos eternos e iguais boletins de transito.

Falta de infraestrutura nessa cidade maravilhosa é algo que não falta. Ou melhor so existe beleza na propaganda.

E o carnaval?

Reclama não, relaxa e goza.

Esse estilo despojado, informal e mal educado de viver pelos que atuam na administração da cidade se enraizou nas múltiplas camadas sociais e praticamente em todas as esferas do poder.

Quanto pior o politico mais idolatrado quer ser.

Enquanto o mundo se vira para fazer mais com menos, aqui gasta-se muito para nada.

Lembra-se daquele grande projeto viário? Continua no papel ate hoje apesar dos investimentos.

Só no Rio, é construído uma estação de metro para depois ser alagada e desativado o tatuzão. Novos percursos? Para que?

A qualidade e velocidade da obra seguem dois ditados populares. Acabou o milho acabou a pipoca, ou barriga cheia amizade desfeita.

Inaugura-se poste, joga um asfalto aqui outro ali, sai na manchete e esquece. Pode parar, depois aparece dizendo que vai retomar.

Pensando bem, o RJTV reflete com precisão esse momento mediocre. É um retrato fiel do telespectador e das notícias ruins que produz, porque de bom me parece não há absolutamente nada a falar, ou muito pouco.

Enquanto isso, comemora-se a utilização de BRT exclusivo para o Rock in Rio, transporte publico de qualidade

E segue o baile.

FORA CASTRO!

Ha um tempo que reclamo da situação insustentável que de quem vive no Rio de Janeiro. Desordem, violência e serviços públicos ruins não faltam.

Porque?

Porque o Rio vota mal. Tem o prefeito e governador que escolheu.

Ate ai tudo bem. Não concordo, lamento, porém aceito porque faz parte da democracia. Todos tem o direito de votar, de não votar, de comparecer as urnas para gastar nosso tempo e dinheiro anulando o voto fora os que votam em branco.

O que não é admissível, nem democrático, é ter um governo ilegítimo, composto por quem não foi eleito. Esse governador que ai está não recebeu um único voto de ninguém para la estar. Não a toa, e também por isso, deveria ficar interinamente.

Sua missão: convocar o quanto antes uma nova eleição.

Nao foi o que aconteceu.

Quem não se lembra do “fora temer”?

Vivo no Estado do Rio situação análoga a esse período . Se no passado, aceitar o vice, eleito na chapa sucessor do presidente ja foi motivo de critica por muitos, hoje não é diferente.

O vice renunciou, o terceiro foi preso.

No lugar sentou um desembargador cujo trabalho, vida e eleição ao cargo de vice presidente do TJRJ aconteceu sem o voto popular.

Quem diria?

Nunca imaginei viver o coro da ditadura do Poder Judiciário em vida.

Deveriam fazer prevalecer a Lei.

Tivesse assumido interinamente para convocar novas eleições nada disso seria preciso.

Mas não.

Agora sob a desculpa que cumpre ordens, esse marionete dos tribunais superiores la esta, de forma ilegítima.

Ha quem aplaude.

Eu não.

Por ironia do destino, este que la esta hoje sentado tem o mesmo sobrenome de seu antecessor.

FORA CASTRO!

Isto é uma vergonha.