O BBB real que voce vive e não vê.

Parece, nesta segunda-feira passada, que não existe assunto em maior evidencia do que a saída do jogador Pedro do BBB. So depois de analisar os videos e ler alguns comentários é que percebi, a saída dele não me parece muito diferente da cultura e dos costumes impostos aos cariocas e a todos que por exemplo passam na Cidade do Rio de Janeiro.

A leitura diária das notícias confirma isso com uma clareza quase constrangedora e expõe a inconsistência da moral e dos bons costumes tão defendida nas falas e discursos, inexistente no dia-dia.

Não é de hoje que chamo atenção ao novo normal que se tornou a inserção de textos erotizado na vitrine do dia como faz o UOL por exemplo. O GLOBO repete o mesmo padrão de forma mais discreta, na segunda-feira passada revelou a existência de uma plataforma que reúne adeptos ao sexo liberal e conteúdo adulto no Rio de Janeiro.

Confesso que fiquei pasmo, ainda que seja impossível conter a demência de muitos que estão aí no mundo, existem 442 locais apontados como pontos para a prática de sexo público e com desconhecidos.

Não estou diante de algo excepcional. Pelo contrário. Essa prática ja esta organizada, mapeada e amplamente conhecida por quem esse meio frequenta e se expande pela normalização da situação amplamente divulgada como se fosse convite a adesão de novas pessoas.

Sera que as delegacias especializadas para defender mulheres, gays e outros grupos de pessoas vulneráveis vão se manifestar com o mesmo afinco como fizeram em relação aos atos praticados dentro do BBB? Ou, a resposta institucional será seletiva, dependendo da visibilidade, do constrangimento publico que o tema pode potencialmente causar?

Voltando ao BBB, me causou certa estranheza para dizer o mínimo, que o programa ao vivo, com monitoramento integral, em tempo real, levou mais de uma hora para fazer um pronunciamento oficial. O alerta dado pelo Tadeu Schmidt, afirmando que o participante teria sido expulso caso não tivesse apertado o botão, levanta uma questão objetiva para quem opera o direito.

Qual é o tempo que um crime tentado admite para ser tipificado?

Considerando que no direito penal, tentativa não depende de consumação nem de arrependimento posterior, a conduta da pessoa é avaliada desde o momento em que ela se manifesta. O crime de tentativa não absolve o quase. A hesitação não apaga o risco e a demora não transforma o fato menos grave.

Isso é o que fez, e ainda faz, muitos levantar a voz para criticar e reviver a ditadura como se estivesse acontecendo até hoje, no entanto, o que se viu no BBB parece ter sido a benevolência através da qual o interesse privado se sobrepõe ao publico.

Essa postura é tão ineficiente quanto a demora crônica da Justiça brasileira.

Ilustra o quanto muitos, até o dia de hoje, são iludidos pela narrativa de que esta tudo bem no Brasil. O Rio esta bombando. A mais famosa festa de de final do mundo foi palco do maior furto de cabo de luz do mundo, quem diria, copacabana e leme amanheceram sem luz.

Comum a tudo o que vivo é a percepção essa realidade existe por conta da evidente falta de instrução e educação ao povo. A isso soma-se a impunidade que permite aos mal educados afrontar a lei sem medo da consequência de seus atos.

Quando a justiça demora, relativiza ou negocia suas decisões, algumas impulsionadas mais pela imprensa do que pela regra, isso é péssimo. Resta a percepção comum do que é injusto.

Foi justamente a impressão que tive e mantenho no episódio do BBB. Ja é sabido que os participantes da casa são várias vezes chamados atenção a questões cujo audio não é perceptível a quem esta do outro lado da TV.

A rápida edição de imagem na convulsão de um participante existiu. Porém na questão do agressor não. O que ficou parece foi a tentativa de preservar o programa, em claro ato de contenção de danos ao invés de enfrentar o problema.

A ideia que o Pedro teria apertado o botão espontaneamente e sem pressão, renunciando ao premio de cinco milhões pelo despertar súbito de sua consciência me parece impossível. Eu e muitos não compram isso.

Pois é, ao que parece, a situação do BBB é mais corriqueira na realidade de muitos do que se imagina, e principalmente se defende na moral e bons costumes. O discurso pelo certo, sério, moral e justo se tornou em uma narrativa do projeto de sociedade e vida que o poder publico ha anos, independente do partido governante, pretende emplacar.

Não podemos nos acostumar com essas contradições profundas e achar isso normal.

Dai porque percebi que esse BBB diz muito sobre o que somos enquanto sociedade e do que vimos e fazemos para a coletividade.

Minha visão política mudou ao longo do tempo?

Gostaria de dizer que sim. No entanto, penso que não.

Em retrospectiva, apresentei-me à sociedade como candidato em 2010 com o propósito de fazer diferente. A chamada nova forma de fazer política, por óbvio, naufragou. Seus pilares não se sustentavam na troca de interesses e favores — pelo contrário — e talvez aí residisse sua maior fragilidade diante do sistema.

Naquele momento, opus-me ao processo de alfabetização conduzido pelo Estado do Rio de Janeiro, chamando atenção para deficiências estruturais que atravessavam toda a formação educacional: da pré-escola ao ensino médio e universitário. Anos depois, aquela percepção inicial não apenas persiste como se agravou. O aluno que ingressa no sistema permanece nele sem o desenvolvimento necessário para realizar a travessia rumo a uma condição de vida melhor. O ensino médio — que considero essencial para qualquer futuro, seja na produção ou na administração — foi deixado para trás, vítima de uma política castradora que ainda insiste em sobreviver.

Também percebi, cedo, que a saúde estava doente. Só então me dei conta do privilégio que sempre tive ao contar com água tratada e esgoto encanado. Hoje, a falta de investimento é tamanha que o cheiro de esgoto se faz presente nas ruas, e temo que uma parcela significativa da população ainda conviva com doenças diretamente ligadas à ausência de saneamento básico. Se o Estado avocou para si a responsabilidade pela saúde, isso deveria ser inegociável. Não foi. A iniciativa privada, por sua vez, transformou os poucos que podem pagar em reféns de uma lógica que faz tudo pelo lucro — exceto cuidar da saúde.

Agora, a poucos dias de completar cinquenta anos, faço uma pergunta inevitável: o que será de mim quando idoso? O que fará o governo, em qualquer de suas esferas, para amparar quem envelhece? Absolutamente nada. Todos nós precisaremos de auxílio nas relações de trabalho e de convívio social. Em troca, parece que receberemos apenas o descarte motivado pela idade. A experiência acumulada não é tratada como ativo nacional, mas como contingência incômoda.

Desde que deixou de ser capital da República, o Rio de Janeiro parece viver uma permanente dor de cotovelo. Apesar da abundância de equipamentos culturais — muitos deles também presentes em cidades próximas, como Petrópolis e Niterói — sua utilização para a difusão da cultura é aquém do possível e do necessário. Optou-se por viver do turismo, dos shows e das sensações, em vez de promover o acesso à cultura como política pública. Não me recordo da última vez em que o poder público incentivou seriamente o uso de bibliotecas. Em contrapartida, não faltam ações de marketing para atrair turistas ou discursos do “nunca antes” para normalizar enchentes, acidentes, roubos e infortúnios.

Apesar de todo esforço, fiquei para trás. Muitos não compreenderam — ou não quiseram compreender — que disputar uma eleição exige, inevitavelmente, um passeio pelo chiqueiro que se tornaram partidos e práticas políticas. Lidar com o peso das escolhas erradas e dos erros de quem domina o sistema é um passo doloroso, porém real e necessário.

Não por acaso, candidatei-me em oposição ao governo que aí está, ainda que tenha sido utilizado oportunamente por circunstâncias alheias à coerência política. A janela de oportunidade surgiu, e nela segui acreditando que, para mudar, era preciso votar.

Ainda é. Não há como falar em redemocratização diante de tamanha abstenção e do crescimento de votos brancos e nulos. Parece que, enfim, o medo venceu a esperança. Muitos acreditam que votar não adianta, que tudo de ruim persistirá independentemente do resultado eleitoral. O mal triunfa porque aqueles que recebem alguma contrapartida do governo estão confortáveis com isso — e, por isso mesmo, lutarão para manter o estado das coisas.

A visão permanece a mesma. O que evoluiu foi a percepção da degradação dos entes públicos, reflexo direto de seus próprios atos. O deputado hoje é uma figura apagada. Sua representatividade diminuiu na mesma proporção em que o processo eleitoral se cristalizou. A República conserva traços de feudo e assistencialismo tão arraigados que impedem qualquer renovação real.

Por isso — e por tantos outros motivos — venho, há muito tempo, questionando se vivemos de fato uma democracia ou apenas sua fachada. Se a institucionalização das relações políticas entre parlamentares não consolidou uma espécie de ditadura democrática, impermeável ao acesso e à mudança. Enfrentar esse sistema parece uma sentença de morte; ser julgado por ele, uma pré-condenação.

O que não havia antes, e hoje encaro com lágrimas e pranto, é a fragilidade do Poder Judiciário. Um Judiciário que age por provocação da imprensa, pela comoção social, e que custa caro — caro demais. Ao longo de mais de vinte anos de formação e exercício profissional, testemunhei o abandono da literatura clássica do direito em favor de reformas que não abreviaram um único dia de julgamento. Apenas deram nome ao ministro cuja regra mudou. Vieram os cursos, os simpósios, os títulos — e o vazio.

Minha visão não mudou. O que mudou foi a experiência — e a percepção amarga que eu, assim como qualquer cidadão atento, carrego ao acompanhar o desdobramento de mais um dia da política nesta cidade.

Sua visão política mudou ao longo do tempo?

O barulho do vazio

No Rio de Janeiro, há algum tempo, tenho notado que conhecer alguém vale mais do que ser alguém.

Esse jeito carioca de ser parece ter sido exportado do Rio de Janeiro para o mundo.

Ser competente, preparado, educado ou íntegro, para quem se espelha no show off, pouco importa. O que vale é o acesso, o sobrenome, o contato certo, o lugar à mesa.

É assim que uma facção constrói e exerce poder por aqui — não pela excelência, mas pela proximidade. Não pela elegância, mas pela vulgaridade. Não pela discrição, mas pela ostentação sem educação.

O enriquecimento desses mal-educados e pouco instruídos passou a ser tratado como algo normal. Não é. Nunca foi.

Não é de hoje que observo, lentamente, a perda de referências. Os símbolos nacionais já não nos representam há muito tempo. Políticos, nem pensar. Nem o futebol se salva.

O mais deprimente, porém, não é o enriquecimento em si — é o que ele não trouxe junto.

A julgar pelos novos ricos cariocas, não vieram com cultura, modos ou conhecimento. O dinheiro não veio acompanhado de aperfeiçoamento, mas de ostentação. Não produziu civilidade, apenas barulho. Não gerou responsabilidade, apenas exibicionismo.

Forma-se, então, um jogo de poder raso e cansativo. Um teatro permanente de carros, relógios caros, vozes altas, roupas chamativas e a necessidade constante de ser visto, reconhecido, temido. Um poder que não se sustenta por conteúdo, apenas por presença.

Quando o costume de casa vai à praça, o retrato fica claro: não houve educação antes do dinheiro. Não houve construção antes da conquista. Houve apenas acesso.

Talvez por isso esses idiotas confundam espaços públicos com territórios privados. Talvez por isso tratem restaurantes como palcos, pessoas como figurantes e regras como sugestões. Talvez por isso precisem reafirmar o tempo todo quem conhecem, onde entram, com quem falam.

No fundo, não se trata de riqueza.

Trata-se de vazio.

E vazio faz barulho.

Muito barulho!!!!!

O ano que dei unfollow na hipocrisia

Este foi o ano em que minha paciência com a hipocrisia acabou. E eu fiz o mais simples dos gestos radicais: dei unfollow.

Unfollow na narrativa que glamouriza preguiça como lifestyle carioca.

Unfollow na cultura da reunião que ocupa tempo e entrega nada.

Unfollow na justiça que funciona como roleta — eficiente para alguns, lenta para muitos e hostil para quem realmente precisa dela.

Unfollow nesse país que confunde referência com propósito, status com trabalho e opinião com entrega.

Ao mesmo tempo, fiz o contrário do que o ambiente sugeria em novembro: montei minha árvore, recebi gente, celebrei a vida. Não porque tudo esteja bem, mas porque ainda existe algo mais perigoso do que o caos — a crença de que ele é normal.

Fato: A verdade é simples e dolorosa!

O Brasil pela mídia, pelo governo e empresários politicamente engajados não é o país das pessoas que realizam. É o país das pessoas que prometem.

E promessas — como bem sabemos — não pagam contas, não educam crianças, não corrigem injustiças e não sustentam futuro. Um país que não entrega nada é um país que exige demais de quem tenta fazer alguma coisa.

No fim do dia fica a impressão de ser um grande toma-la-da-ca e dane-se a cidade e o povo.

O que importa…. E a propaganda, ou especificamente a foto “somos cenografia” .

Prefiro ficar aqui e acreditar em Jesus. Esses ai mais dia menos dia vão pagar e não vai ser o que o dinheiro pode comprar não… vai ser justamente o contrário.

Amem!

Porque hoje é Sábado.

Hoje pela manhã decidi tomar café na sala, aproveitando a temperatura amena, aquele céu cinza — os últimos dias frescos antes do verão.

Logo cedo me apareceu a lembrança de O Dia da Criação, do Vinicius de Moraes.

E, ao mesmo tempo, na foto de uma formatura, um monte de gente gritava, fazendo um grande alvoroço.

Porque hoje é sábado.

Há quem aproveite o flanelinha falso para estacionar em área proibida.

Porque hoje é sábado.

Depois do terceiro assalto, aparece uma viatura da Polícia Militar.

Porque hoje é sábado.

A polícia parece mais perdida do que os bandidos.

Porque hoje é sábado.

Há um monte de gente correndo, cansada.

Porque hoje é sábado.

Muitos outros fingem que correm, só para comer e beber no posto.

Porque hoje é sábado.

Na academia do Shopping Leblon, dezenas de mulheres se reúnem.

Porque hoje é sábado.

Essas mulheres — barulhentas, competitivas, egocêntricas, invasivas, mal-educadas — tomam o ambiente como se o mundo fosse delas.

Porque hoje é sábado.

Há uma certeza de confusão.

Porque hoje é sábado.

Muitos reclamam sem noção.

Porque hoje é sábado.

O trânsito continua um perigo.

Porque hoje é sábado.

A educação continua sumida.

Porque hoje é sábado.

Há uma festa de cachorro no Museu Carmen Miranda.

Porque hoje é sábado.

Tem gente que recebe prêmio sem ter cachorro.

Porque hoje é sábado.

Dois cafés e um pão de queijo custam 60 reais.

Porque hoje é sábado.

Paga-se caro no carro e na comida e depois maltrata os outros.

Porque hoje é sábado.

Por vezes me vejo nessas reflexões, sozinho.

Porque hoje é sábado.

Só Jesus — e a missa — para trazer alguma perspectiva de melhora no domingo…

Porque hoje, é sábado !!!!