Serie 50 | Capitulo 6 – Relações: Quem Vai, Fica ou Permanece por Escolha.

Não raras vezes olho para trás. É um exercício que faço para seguir em frente com a bússola calibrada pelas experiências do passado. Durante algum tempo acreditei que para ser maduro deveria aprender a conviver com todos.

Por isso me obriguei por vezes, e a força, a tolerar mais, explicar mais e relevar mais. Tudo para sustentar aquele filme do que sou, onde e com quem estou e o que faço na linda, leve e bela história da vida. Conto de fadas como a tia ensinou na escola.

Sem tempo para pensar, confundi convivência com permanência.

Hoje, aos 50 percebo que permanecer é escolher. Todos os dias acordo escolhendo edificar o amor que construi la em casa. É tao genuíno que transborda e escuto de muitos como é lindo e boa a energia.

Nada embora natural, é fácil. A escolha exige critério, consistência e permanência. Logo, por obvio e trivial, vejo que nem toda relação atravessa o tempo intacta. Algumas envelhecem mal, outras se transformam.

Cada uma no seu tempo e complexidade, creio ser verdadeira a percepção que muito poucos amadurecem junto com você.

Há quem goste da minha versão antiga, mais disponível, menos criteriosa, mais tolerante, conivente, e porque não, conveniente.

Tudo certo exceto o fato que mudei. Foi quando percebi e me dei conta que o desconforto aparece, a seleção acontece, tudo de forma velada e não declarada. É um processo silencioso e omisso. Derrepente a gente se vê sob ataque.

Coisa de maluco ter que encontrar aquela voz para impor limite e deixar de ser util. Circunstância que ensina.

Ensina que existem pessoas que se dizem próximas e ao mesmo tempo omitem informações, situação que degrada o vinculo. O amadurecimento revela que lealdade não é conveniência.

Sou leal a quem ja foi embora ou permaneceu por habito na tendo saído. Na fase atual, já não insisto e não diminuo quem sou para caber na vida de alguém. Porque? A troca deteriorada desequilibra a relação a ponto que não faz sentido buscar.

Decidir e seguir importa afrontar o medo da ruptura.

Creio por isso muitos vínculos que tenho não vão acabar, e não é pelas relações que fiz e sim pelo caráter através do qual enfrento as questões.

Mesmo em conflito, essa fase decisória acaba com o silencio, me deixa mais sereno e consciente de algumas verdades nisso tudo.

Aos 50, quem fica agora, fica por escolha. Não por dependência, costume e/ou obrigação. Fica porque há verdade.

E talvez essa seja a grande diferença desta fase da vida: Menos gente e ruído, mais profundidade e clareza.

Aos 50, não me preocupo mais em ser aceito por todos. Preocupo-me em ser inteiro com poucos.

E isso basta!!

Série 50 | Capítulo 2 – O Tempo Não Para…

Quando criança, contei os dias para ser adolescente. Até lá, chegar à maioridade parecia demorar uma eternidade.

Depois de formado e já trabalhando, percebi que o tempo corria, e que eu precisava correr com ele. Foi pela noção do tempo que entendi quando ele acelerava, pressionava, cobrava.

Hoje, aos 50, percebo que o tempo não para, mas ensina. E quem aprende, ganha tempo.

Essa não foi uma conclusão súbita.

Decorre de um acúmulo. É a soma de experiências boas e de erros repetidos, de expectativas frustradas, de aprendizados e de sofrimentos silenciosos.

Sim, carrego comigo algumas marcas e dores do passado.

Hoje, com um olhar mais distante, percebo que o tempo não acelera nem desacelera. Fui eu que insisti em caminhar fora do compasso. Paguei o preço do descompasso e com ele aprendi a viver fora da caixa.

A juventude me ensinou a correr, a querer, a fazer, a não desistir, a perseverar. A maturidade me ensinou a perceber a mim mesmo e, mais importante, ao entorno. Ao coletivo.

Aos 50, compreendo que quase nada floresce sob urgência constante porque o solo não sustenta. É preciso tempo de semear para depois colher o que vingar. E isso, não depende de mim. O que floresce de verdade precisa de silêncio, de espera, de espaço.

Só assim também entendi que o tempo revela, mas apenas àqueles que permanecem atentos.

Aprendi que respeitar o tempo é também respeitar a mim mesmo. É aceitar que nem tudo, ou quase nada, se resolve no momento em que desejo. É acreditar em Deus e no propósito que cada existência carrega. Alguns processos pedem paciência; certas respostas surgem no seu tempo próprio.

Hoje, não me angustia chegar depois. Me angustia chegar vazio, sem propósito, sem nada a acrescentar.

O tempo também ensinou a reduzir expectativas. Não no sentido de desistir, mas de ajustar. De compreender que a vida não deve corresponder a uma narrativa idealizada, e sim ser vivida com presença. Quando ajusto o olhar, o peso diminui.

Há uma falsa ideia de que desacelerar é perder. Aos 50, sei que desacelerar é escolher. Escolher onde colocar energia, atenção, trabalho e afeto. O tempo não pede pressa; pede consciência e consistência.

Na vida profissional, isso se traduziu em mais critério e menos impulso. Em ouvir mais, falar menos, observar antes de decidir. Resolver problemas continua sendo o que faço de melhor. Sou procurado para enfrentar a dificuldade como especialidade. Nada menos, nada mais.

Na vida pessoal, o tempo ensinou a valorizar o ordinário: o café da manhã sem ruído, a reza matinal na presença e na comunhão do marido, a conversa sem distrações, o dia que começa simples e termina inteiro. Pequenas rotinas sustentam grandes equilíbrios. Da mesma forma, são os pequenos movimentos que, somados, mudam a trajetória.

Aos 50, finalmente, não corro atrás do tempo.

Caminho com ele.

Essa é uma das maiores lições que o tempo me deu até agora e que pretendo carregar, no mínimo, pela próxima década.

Amém.

Se aos 50 o tempo deixa de ser promessa, no proximo capitulo ele se revela como escolha.