Serie 50 | O grão, o pão e os sinais

Acordo todos os dias em oração.

É um rito que me move, pulsa e aquece o coração. Talvez por isso eu escute de tantos o quanto sou querido. Tenho Deus em tudo o que sou e em tudo o que faço. E tenho a certeza de que por causa disso, o trabalho frutifica a minha vida e a de quem está ao meu redor.

Cheguei aos cinquenta anos não apenas somando tempo.

Aprendi a escutar melhor. Foi na oração, justamente nesse atravessar de ciclo, que percebi uma lição triste, porém verdadeira. Uma lição que não reflete apenas parte da população, mas revela a ausência de valores cristãos: quando o dinheiro entra, o coração de muitos sai. Nada justo nem certo. É dinheiro.

A reciprocidade desaparece. Ela passa a existir apenas enquanto há interesse. É lamentável, mas é real. E dói mais quando se chega a essa constatação não pela teoria, mas pela pratica.

E então me pergunto com a consciência e honestidade que os cinquenta exigem o que fiz para me colocar nessa situação?

Quais sonhos vivi, quais infernos inconscientemente desejei, que me conduziram a ponto de ser traído da minha natureza dessa forma?

Será que a bênção de Deus é me fazer celebrar cinquenta anos em estado tão pequeno quanto um grão? Ou será justamente nesse grão que mora o mistério da maturidade? Porque, mesmo pequeno, ele se multiplica como o pão, alimenta e sustenta. Não faz barulho, mas cumpre seu propósito.

Os sinais estão aí. E talvez os cinquenta sejam exatamente isso: aprender a enxergar menos com os olhos e mais com o espírito.

Há, sem dúvida, muita coisa boa por vir.

01.01.2026 – fé, amor, renovação, saude e recomeço.

01.01.2026 – fé, amor, renovação, saude e recomeço.

Geralmente escrevemos para nós mesmos, todos os anos, aquilo que desejamos que aconteça ao longo da vida.

Esse gesto quase íntimo costuma surgir logo depois do Natal, quando o silêncio fala mais alto e o ano ainda não começou de verdade.

Para 2026, desejo antes de tudo que Jesus continue me guiando, como fez no ano que passou.

Quero viver mais um ano com fé, amor, trabalho, compreensão e carinho.

Que 2026 seja um ano de renovação e recomeço.

Um ano simbólico: completo 50 anos de vida e celebro 5 anos ao lado do Paulo. Marcas de tempo que não pesam — ensinam.

Começo este ano na leveza de quem aprendeu a não remar contra todas as marés.

Parado, atento, escolhendo apenas a onda que realmente importa surfar.

O ano que dei unfollow na hipocrisia

Este foi o ano em que minha paciência com a hipocrisia acabou. E eu fiz o mais simples dos gestos radicais: dei unfollow.

Unfollow na narrativa que glamouriza preguiça como lifestyle carioca.

Unfollow na cultura da reunião que ocupa tempo e entrega nada.

Unfollow na justiça que funciona como roleta — eficiente para alguns, lenta para muitos e hostil para quem realmente precisa dela.

Unfollow nesse país que confunde referência com propósito, status com trabalho e opinião com entrega.

Ao mesmo tempo, fiz o contrário do que o ambiente sugeria em novembro: montei minha árvore, recebi gente, celebrei a vida. Não porque tudo esteja bem, mas porque ainda existe algo mais perigoso do que o caos — a crença de que ele é normal.

Fato: A verdade é simples e dolorosa!

O Brasil pela mídia, pelo governo e empresários politicamente engajados não é o país das pessoas que realizam. É o país das pessoas que prometem.

E promessas — como bem sabemos — não pagam contas, não educam crianças, não corrigem injustiças e não sustentam futuro. Um país que não entrega nada é um país que exige demais de quem tenta fazer alguma coisa.

No fim do dia fica a impressão de ser um grande toma-la-da-ca e dane-se a cidade e o povo.

O que importa…. E a propaganda, ou especificamente a foto “somos cenografia” .

Prefiro ficar aqui e acreditar em Jesus. Esses ai mais dia menos dia vão pagar e não vai ser o que o dinheiro pode comprar não… vai ser justamente o contrário.

Amem!

Um passo de cada vez

Vivo administrando decisões — quando não as minhas, as dos outros. Há um ponto em que isso cansa. Nem sempre estou disposto a explicá-las, muito menos a justificá-las.

Ao longo da vida, acumulei escolhas difíceis. Alguns chamam isso de experiência. Eu prefiro chamar de consequência.

Ainda assim, nenhuma decisão foi tão complexa quanto a de ser eu mesmo. Foi um caos libertador. Tomei essa decisão tarde — mas a verdade não tem prazo de validade. Fiz isso sem plateia, sem torcida e, sobretudo, sem garantias. E segui.

Quando finalmente olhei para dentro, encontrei ruínas. Descobri que parte do que eu acreditava ser solidez não passava de um castelo de areia. Precisei derrubá-lo para construir algo que resistisse ao vento, ao tempo e, principalmente, a mim.

Depois da primeira dificuldade veio a segunda — e, como sempre, todas as que a realidade reserva a quem escolhe não fingir. Cada uma com seu preço. E não é barato.

Mas aprendi o essencial: no fim do dia, posso perder tudo — menos a mim.

Isso não tem preço.

Enquanto uns desfilam outros agradecem.

Antecipei a montagem da árvore lá em casa.

E confesso: acordar com a expectativa silenciosa do Natal — a celebração do nascimento de Jesus — muda tudo. Irradia bons pensamentos, organiza o espírito, suaviza as urgências. Não apenas em mim, mas em quem passa pela porta, pelo corredor, pelo olhar.

Montar a árvore em novembro é quase um gesto de resistência.

Uma escolha por lembrar que o Natal não é um evento de calendário: é um estado de presença. Um convite ao cuidado, à memória, à gentileza, ao recolhimento.

Mas algo acontece quando viramos o ano.

Janeiro chega e parece que uma parte do país desmonta a própria fé junto com os enfeites. Infelizmente!

A pressa retorna, a urgência volta a dominar, e a busca desenfreada pelo prazer — muitas vezes mascarada de liberdade — toma conta das ruas, das avenidas, dos blocos que tornam a vida de qualquer morador um inferno.

Não é sobre ser contra o Carnaval. Ele tem beleza, história, musicalidade, potência cultural.

É sobre perceber que, para muitos, ele virou anestesia — um alívio rápido para um vazio que dezembro, por algumas semanas, conseguiu acalmar.

E então lembro do Círio de Nazaré, no Pará.

Milhões caminham movidos não por espetáculo, mas por promessa, gratidão, milagre, pertencimento. O que os move é a fé. Uma celebração que não precisa de palco, camarote ou transmissão internacional para ser grandiosa.

Por que o mundo conhece o Carnaval do Rio, mas não a procissão que emociona Belém?

Porque o Brasil concentrou sua indústria cultural no Sudeste. É la que esta a Globo e outras mídias.

Dai a pergunta: Porque fé não gera o mesmo faturamento de publicidade, turista, camarote e streaming.

Porque aquilo que é silencioso raramente vira tendência.

E, no entanto, é justamente esse silêncio que sustenta e cura.

Talvez por isso eu tenha montado a árvore mais cedo.

Para lembrar que ainda existe espaço — dentro e fora da gente — para a espiritualidade cotidiana. Para pequenos rituais que devolvem sentido ao ano que insistimos em atravessar no automático.

Se dezembro nos lembra quem somos, janeiro não precisa nos fazer esquecer o ano inteiro.