Sempre ouvi dizer que todos os anos atravessamos o chamado inferno astral. Para quem acredita, é o período de fechamento de ciclo, de cansaço, de revisão, e no meu caso, de julgamento e cobrança, por vezes duras no entanto necessárias para manter a lente do óculos limpa.
Ainda que voce não acredite, creio ser difícil negar que nos dias que antecedem o aniversario algo sempre se move de maneira amplificada – por dentro e por fora.
Esse ano tem sido diferente.
Talvez porque não seja apenas mais um aniversário. Talvez porque os 50 anos não permitem erros e distrações. Essa idade chega exigindo algo para muitos custoso que é a verdade.
O inferno astral desse ano coincidiu com muitas mudanças. Um vazio inesperado na rotina de forum, cuja infinidade de prazos exigiam organização diária e que agora esta silencioso. A percepção de ajuste nas relações pessoais – amigos que se afastam, outros que revelam limites e principalmente vínculos familiares ja transformados que se consolidam.
Nada exatamente trágico, mas tudo suficientemente intenso para desestabilizar quem despreparado esta.
Ainda que tenha vivido esse cenário de perdas simbólicas e ajustes forçados, houve algo que não apenas resistiu como também floresceu. O meu amor pelo Paulo.
Isso não é pouco – especialmente porque começamos o ano com a noticia dura da passagem de sua mãe, situação que poderia ensejar o recolhimento do amor e endurecimento do coração. Mas aconteceu o oposto.
O cuidado entre nós cresceu. A presença se aprofundou. O nosso relacionamento se revelou mais sólido no que serão esses cinco anos do que qualquer previsão, de modo que conseguimos com a permissão de Deus acordar todos os dias e viver uma surpresa, ao mesmo tempo, um desafio.
Diria que esse também é o ensinamento que os 50 anos me dão logo de saída. Nem todo vazio é ausência, nem toda dor é perda, nem toda fase difícil é destruição. São apenas transições necessárias, ainda que desconfortáveis.
Se isso for inferno astral, que seja! mas que seja também o lugar onde se aprende o que fica – e o que definitivamente pode ir.
Sigo feliz, ainda que no inferno astral. Não há mal que resista o bem que o Pará e o paraense me traz.


