Hoje pela manhã decidi tomar café na sala, aproveitando a temperatura amena, aquele céu cinza — os últimos dias frescos antes do verão.
Logo cedo me apareceu a lembrança de O Dia da Criação, do Vinicius de Moraes.
E, ao mesmo tempo, na foto de uma formatura, um monte de gente gritava, fazendo um grande alvoroço.
Porque hoje é sábado.
Há quem aproveite o flanelinha falso para estacionar em área proibida.
Porque hoje é sábado.
Depois do terceiro assalto, aparece uma viatura da Polícia Militar.
Porque hoje é sábado.
A polícia parece mais perdida do que os bandidos.
Porque hoje é sábado.
Há um monte de gente correndo, cansada.
Porque hoje é sábado.
Muitos outros fingem que correm, só para comer e beber no posto.
Porque hoje é sábado.
Na academia do Shopping Leblon, dezenas de mulheres se reúnem.
Porque hoje é sábado.
Essas mulheres — barulhentas, competitivas, egocêntricas, invasivas, mal-educadas — tomam o ambiente como se o mundo fosse delas.
Porque hoje é sábado.
Há uma certeza de confusão.
Porque hoje é sábado.
Muitos reclamam sem noção.
Porque hoje é sábado.
O trânsito continua um perigo.
Porque hoje é sábado.
A educação continua sumida.
Porque hoje é sábado.
Há uma festa de cachorro no Museu Carmen Miranda.
Porque hoje é sábado.
Tem gente que recebe prêmio sem ter cachorro.
Porque hoje é sábado.
Dois cafés e um pão de queijo custam 60 reais.
Porque hoje é sábado.
Paga-se caro no carro e na comida e depois maltrata os outros.
Porque hoje é sábado.
Por vezes me vejo nessas reflexões, sozinho.
Porque hoje é sábado.
Só Jesus — e a missa — para trazer alguma perspectiva de melhora no domingo…
Porque hoje, é sábado !!!!

