Serie 50 | Capitulo 7 – A Dor Nāo Tem a Palavra Final. (Parte I)

Eu nunca tive o corpo que gostaria de ter. Hoje bem sei das escolhas ruins feitas no passado, cuja conta no presente e assim como os juros, so aumenta.

Fato: nunca vivi ileso à dor.

Nasci asmático, que saco. Passei grande parte da infância entre crises de asma e balão de oxigênio, até que meu pai, por competência, insistência e cuidado, percebeu que o refluxo fazia parte da raiz do problema.

Aprendi cedo a respirar com dificuldade e a limitação que isso implica. Talvez entre uma e outra crise, no Brasil e nos Estados Unidos, tenha aprendido algo maior: a conviver.

Não fui ensinado formalmente a suportar dor. Mas aprendi objetivamente no trauma o que ela impinge. Me lembro que aos 18, múltiplas protusoes cervicais trouxe uma dor constante que com o passar do tempo me paralisou.

A orientação médica foi simples e seca e se resumiu a seguinte afirmação: “Pare de reclamar. Conviva com isso, quem reclama se torna chato”. O que fiz? convivi.

Nada como um dia após o outro e uma lesão lombar e sacro-lombar entre eles. Num raciocínio leigo penso que horas demais mal sentado e curvado diante de um computador, meu grande amigo fiel e camarada tiveram seu peso.

As vezes me pergunto, será que a postura física refletiu a postura emocional? Ainda que sem resposta, adiante, entendi que nada é tão ruim que não possa piorar.

Aos 29, um apagão e queda no quarto em frente a cama foi um desastre, deixou algumas fissuras em costela e vértebra.

O que eu fiz? absolutamente nada porque ja havia aprendido a não reclamar. Chorei? Sim, e muito. A cada injeção de diprospan sentia o raro efeito colateral emocional dela. Que barra, que sentimento profundo de tristeza.

No fim do dia, é mais uma marca, mais um problema que exige negociação com o próprio limite, seja qual for.

Tempos depois, outro problema a época intransponível. Ali não foi o corpo que doeu, foi a consciência. Embora vivo, senti a finitude pela primeira vez e percebi a morte na esquina.

A vivencia continua de tudo isso mudou significativamente a forma de viver.

Em plena pandemia, sob tensões e problemas que talvez eu ainda nem tenha nomeado e até então me dado conta, o que restou da antiga lesão no pescoço cobrou a conta. Formigamento no braço, perda de força e uma dor que ja não aceitava o silencio apesar das múltiplas injeções a cada 15 dias cobraram a conta.

Sem solução e agonizando entre muitas reclamações sobreveio diagnóstico cirúrgico pelo Neurologista como sentença. Pensa numa pessoa que chorou por dentro, não so pelo medo da cirurgia, mas também pela soma de tanto problema.

Felizmente um anjo me ajudou. Reencontrei o quiro de uma vida, ja sem alternativa, fui me consultar. Surpresa, ao contrário da opinião médica ele me disse: tem solução sim, vai ser um tratamento difícil, doloroso e insistente e voce vai se adaptar a isso sem dor. E depois me traga o exame com tudo resolvido para mostrar.

Luz no fim do túnel. Ainda que não trivial, a sessão doía, entretanto ao final retornava para casa e dormia como quem desmaia, sono dos anjos, não de exaustão, mas de alívio. Nesse pouquíssimo tempo, relaxei.

O que aprendi com isso? Não desperdiçar tempo. Aceitar e fazer ressignificar a fragilidade pela consciência que depois virou responsabilidade. E a responsabilidade virou direção.

Aqui estou, ainda que nunca ileso a dor, procuro estar fortalecido. Sim em alguns momentos o fardo ficou pesado demais, praticamente insuportável. A solução veio como forma de milagre que escrevi alguns textos atras.

Sou testemunha, que não foi metáfora. Eu, e quem a época me acompanhou, tivemos a graça de viver o inexplicável ao homem.

Custei a entender, apesar de tanta dor e cobrança pessoal, que não caminhei sozinho.

E essa mesma fé, discreta, mas inabalável, é o que me permite olhar para frente esperançoso e com serenidade.

O corpo desde o início já me mostrou que sou frágil. Com ajuda, também me mostrou que sou sustentado.

E talvez a relação com o meu corpo e a esperança seja exatamente isso. A dor não passou, entretanto confio que ela não tem a palavra final.

Se Deus quiser.

(Ele quer.)

Hoje vivo a melhor forma física possível dentro de todo esse aprendizado. Que consiga nesse levante dos 50 anos mante-lo bom para as próximas decadas que a julgar pela experiência vão exigir muito mais.

Tem gente que os tem como Personal Trainer, eu os tenho por amigos. Renato, Bruno e Luizinho.

Série 50 | Capítulo 1 … Consegui!!

Então o grande dia chegou… fiz 50 anos!

Durante muito tempo me perguntei se conseguiria chegar a essa idade bem, com saúde, e o que seria de mim ao cruzar esse marco. Cinquenta sempre soou distante, quase abstrato. Hoje é aqui e agora.

O que representa ser um cinquentão? Uma virada de chave? Um novo olhar sobre a vida pessoal e profissional? Novas perspectivas?

Ainda carrego muitas perguntas sem respostas, e talvez esse seja o maior sinal de vitalidade. Quem se pergunta, ainda caminha. Quem busca ainda vive.

Chegar aos 50 me trouxe uma grata surpresa: permitir-me o novo. Novas amizades, novos programas, novos olhares. Não como fuga do passado, mas como continuidade e expansão.

O que não mudou foi a rotina do dia a dia. E percebo que isso não é pouco. Voltei a acordar cedo para rezar e tomar café enquanto vejo o dia clarear. Esse ritual, independentemente do dia anterior, me reorganiza por dentro. Zera os excessos, silencia o ruído e me devolve ao essencial decorrente da fe em Deus. Todos os dias.

Sinto-me privilegiado por ter um marido e por viver nossa vida com liberdade, sem medo e sem as marcas do preconceito. Talvez porque nunca tenha alimentado isso em mim, não carrego esse reflexo nem isso atraio. A vida devolve aquilo que cultivamos.

Aos 50, sigo aprendendo. Aprendendo sobre mim, sobre pessoas, sobre amigos, sobre o tempo. Aprendendo a viver o presente e a acolher tanto as oportunidades quanto os problemas que cada dia traz.

Descobri que toda dificuldade é, também, uma oportunidade de fazer melhor. Esse entendimento me impulsiona nos processos, nas negociações, na vida profissional. Resolver problemas é, afinal, o que faço de melhor e sigo esse caminho com mais calma, mais consciência e menos ansiedade.

Essa é a essência da Série 50.

Não sobre o que ficou para trás, mas sobre o que continua e o que ha por vir. Sobre maturidade sem dureza. Sobre fé sem alarde. Sobre presença.

Aqui estou.

Essa é a minha vida, minha família, meus amigos que fazem parte do pequeno acervo afetivo, e a expressão do que sou como cristão.

Feliz. Grato.

Obrigado.

Que venha mais um ano. Rumo aos 51 escrevendo reflexões que estarão presentes na nova decada.

Serie 50 | O grão, o pão e os sinais

Acordo todos os dias em oração.

É um rito que me move, pulsa e aquece o coração. Talvez por isso eu escute de tantos o quanto sou querido. Tenho Deus em tudo o que sou e em tudo o que faço. E tenho a certeza de que por causa disso, o trabalho frutifica a minha vida e a de quem está ao meu redor.

Cheguei aos cinquenta anos não apenas somando tempo.

Aprendi a escutar melhor. Foi na oração, justamente nesse atravessar de ciclo, que percebi uma lição triste, porém verdadeira. Uma lição que não reflete apenas parte da população, mas revela a ausência de valores cristãos: quando o dinheiro entra, o coração de muitos sai. Nada justo nem certo. É dinheiro.

A reciprocidade desaparece. Ela passa a existir apenas enquanto há interesse. É lamentável, mas é real. E dói mais quando se chega a essa constatação não pela teoria, mas pela pratica.

E então me pergunto com a consciência e honestidade que os cinquenta exigem o que fiz para me colocar nessa situação?

Quais sonhos vivi, quais infernos inconscientemente desejei, que me conduziram a ponto de ser traído da minha natureza dessa forma?

Será que a bênção de Deus é me fazer celebrar cinquenta anos em estado tão pequeno quanto um grão? Ou será justamente nesse grão que mora o mistério da maturidade? Porque, mesmo pequeno, ele se multiplica como o pão, alimenta e sustenta. Não faz barulho, mas cumpre seu propósito.

Os sinais estão aí. E talvez os cinquenta sejam exatamente isso: aprender a enxergar menos com os olhos e mais com o espírito.

Há, sem dúvida, muita coisa boa por vir.

Serie 50 | Do Pedro para o Pedro: Reflexões às vésperas dos 50 anos

Serie 50 | Do Pedro para o Pedro: Reflexões às vésperas dos 50 anos

De tempos em tempos paro e olho para trás. Em breve — e se assim Deus permitir — serei mais um cinquentão no mundo.

Ainda que seja para frente que se anda, o tempo que antecede a chegada dessa idade, somado à porção diária de leitura bíblica, me fez refletir muito.

A consequência prática foi assumir as rédeas da própria vida.

Às vezes olhamos para o lado e ouvimos, muito e incansavelmente, que não somos necessários. A esses digo: seu desejo foi realizado. Sua vontade virou minha coragem.

Não nasci para viver na posição de conforto, é verdade. A percepção disso, aliada à fé, me impôs tomar decisões duras para viver em paz.

Esse foi o presente de cinquenta anos que só eu mesmo poderia me dar: viver a paz de Cristo todos os dias, a despeito das questões do dia a dia.

É tempo de acordar e pensar. Tempo de planejar. De viver o presente e cultivar novas relações. Aproveitar a família e a vida.

Tempo de largar quem vive de preconceito ou o cultiva na conversa de bar — seja amigo ou familiar.

Tempo de fugir de fofoca e de curiosos.

Tempo de prosperar.

Foi olhando para trás que entendi e enxerguei a pintura inteira: o Senhor é meu pastor e nada me faltou. Com ou sem dinheiro, sempre tive onde morar, porque Ele me salvou.

Então, Pedro, o melhor conselho que posso te dar nos dias que antecedem os cinquenta é: permaneça livre. Viva a sua vida. Não aceite o sequestro no trabalho, de processos e contatos, como moeda para existir.

O que realmente é caro na vida, o dinheiro não compra.

Diga sempre o que pensa, ainda que seja inconveniente ou impertinente. Seja verdadeiro consigo mesmo. Não perca tempo tentando corrigir o incorrigível, nem perca sua reputação tentando agradar quem não te prestigia.

É preciso muita força e fé para vencer o medo e encarar o inesperado. Tenho a sorte de viver uma vida plena com um homem que chamo — e sou — marido, sem me importar com o que os outros vão pensar.

Vou virar cinquenta anos com o caderno de contatos — agora aplicativo — renovado.

Na esperança de que esse tempo limitado na Terra me permita continuar a aproveitar a vida, honrar meus pais e cuidar da família que construí ao longo do caminho.

Vai dar certo?

Já deu.

01.01.2026 – fé, amor, renovação, saude e recomeço.

01.01.2026 – fé, amor, renovação, saude e recomeço.

Geralmente escrevemos para nós mesmos, todos os anos, aquilo que desejamos que aconteça ao longo da vida.

Esse gesto quase íntimo costuma surgir logo depois do Natal, quando o silêncio fala mais alto e o ano ainda não começou de verdade.

Para 2026, desejo antes de tudo que Jesus continue me guiando, como fez no ano que passou.

Quero viver mais um ano com fé, amor, trabalho, compreensão e carinho.

Que 2026 seja um ano de renovação e recomeço.

Um ano simbólico: completo 50 anos de vida e celebro 5 anos ao lado do Paulo. Marcas de tempo que não pesam — ensinam.

Começo este ano na leveza de quem aprendeu a não remar contra todas as marés.

Parado, atento, escolhendo apenas a onda que realmente importa surfar.