O Brasil tem dono.

O Brasil tem dono. E não sao os brasileiros.

Nos, e me incluo nisso, fomos renegados ou reduzidos a condicao unica de eleitor.

A degradação da politica e outras tantas instituições publicas, inclusive o poder judiciário, nos aprisionou em um sistema que não oferece melhora de vida.

Pelo contrário, ele se alimenta da inclusão permanente de grupos e pessoas na sociedade. Daí porque não levanto a bandeira de politica inclusiva e sim fomento o pensamento e dever cívico.

Nos, eleitores, não podemos ser marionetes de um show que so acontece na eleição para depois ser posto para dentro do armário. Quando é dia de show? Todo dia.

Os anos se passaram e a vida não melhorou. A situação piora se levar em consideração as promessas nao cumpridas.

Me parece que hoje em dia o prazer de muitos, alem de não votar é assistir da arquibancada quem cai, ao invés de chorar e ate mesmo reagir pela oportunidade gasta.

O fracasso alheio não compensa a perda de oportunidade.

É como me senti quando li a noticia que uma pessoa atua na função estratégica de destinar emendas e não o parlamentar eleito.

Então, o Brasil tem dono.

O mesmo dono que dezena de recursos depois decidiu solta um enquanto outro permanece preso. É o dono que permite pessoas nao investidas formalmente em cargos gerir a maquina.

Curioso é que vivemos mais uma das muitas contradições.

Da mesma forma que o cassino não é permitido, a Bet e a loteria sao. Qual a diferença?

O lobby não é permitido. É com frequência tratado como algo ilicito ou moralmente reprovável quando não criminalizado.

Deveria, ao contrário ser liberado para essas pessoas serem legitimamente identificadas e essa situação obscura ser mais transparente.

Afinal, ja vivem da maquina e a utilizam para suas próprias convicções e objetivos.

Como nos filmes, é o que é, só reforça a noção que o pais tem dono e que esses manobristas não estao ai por acaso e a toa.

Democracia. Só que não.

Somos governados por um sistema que tem regras claras. De tempos em tempos vamos as urnas para eleger diretamente os representantes dos diversos poderes.

Ainda que muitos não tenham liberdade de escolha, em razão da violência, os números mostram que uma grande parcela da população comparece ao pleito e vota.

À exceção é o Estado do Rio de Janeiro, que vergonhosamente tem uma abstenção alta e por isso elege os piores com menos votos.

Voltando a democracia, uma vez eleitos, deveriam todos observar dentro de suas competências a preservação do Estado de Direito.

Isso vale tanto para politicos, quanto cidadãos e vamos dar o nome aos bois, juizes e empresários.

Estou bastante incomodado com a falta de observação desses preceitos por todos que majoritariamente compõe o governo.

De um lado o presidente e seu chaveirinho, o tal ministro do STF circulam de maos dadas como uma criança no jogo “papai posso ir”.

De outro, empresario arcando diretamente com pagamento milionário em honorários advocatícios e indiretamente com os prazeres de alguns que exercem atividade parlamentar.

Chamo atenção que a liberdade de expressão nessa conjectura é uma ilusão. Os temidos e perseguidos reporters se enchem de razão para levianamente afirmar, taxar, julgar e pre julgar qualquer um que tenha por objetivo chamar atenção dessa distorção.

Assim e que desenharam o estado. Vamos atrelar pessoas a alguma determinada classe e achatar elas ate conseguir a dependência irrestrita do Estado.

Isso não é barato.

Requer uma certa organização politica que implica na criação de partidos, influenciados ou influenciadores de associação, organizar movimentos e exercer influencia nas politicas publicas.

No final do dia o que se acompanha tanto nos julgamentos quanto nas votações de Lei é que vence sempre a maioria.

E a maioria que esta vencendo tem um único propósito, se perpetuar nesse modo de operação do governo, porque esquecida é do que deveria pautar e nortear seu trabalho.

O governo não faz politica publica para equilibrar vontades, ao invés se aproveitou do poderio econômico e da influencia politica para fazer valer a vontade deles.

Deveriam trabalhar para o povo.

Isto seria a democracia classica. A pessoa se reune em comunidade para ter voz na sociedade e contribuir nas politicas publicas que sejam em ultima analise boa para todos, dentro de um espectro de argumentos e situações que podemos prever.

Hoje isto não ocorre dessa forma, ha uma inversão ai.

O parlamentar de uma forma em geral nao trabalha para o povo. Claro que nao. Ele trabalha para si próprio, o eleitorado da sua residência e de sua biografia. Basta andar nas poucas livrarias que se ve a grande quantidade de livros editados por politicos de conteudo… vazio!

Para quem gosta de ler e perdeu discernimento é um prato feito. Se no passado Marimbondos em Chama era uma obra questionável, em breve nao me surpreenderia se ganhasse um prêmio literário.

Se bobear ganhou e não soube.

Voltando a receita do bolo, o povo perdeu saude, escola e com isso educação para formar o senso critico. Ficou tao miserável que elege quem pode lhe dar algum dinheiro, direto e indiretamente. Apesar de cansados do vale leite marca X camisinha marca Y e medicamento generico.

Estamos rumo ao poco.

So vão entender o que é isso, quando perceberem que os politicos so trabalham para eles mesmos.

Sao muitos os exemplos.

Modernamente, o que um determinado protagonista e empresario gastou em viagens, shows e festas mostra isso.

A dopamina do governo é o relaxa e goza das necessidades proprias, e nao do pais. O que um show da taylor swift contribui para atividade parlamentar no Brasil? O quanto é importante ao empresario fundear o prazer do politico e o que a experiência de seus filhos nos agregam?

Nada senao a perpetuidade disso.

Esse vazio se comprova quando ao final temos a sensação que não serviu para nada, somente gastar dinheiro.

Seja do aposentado, pelos empréstimos e descontos indevidos ja industrializados nas manchetes do tipo “voce tem ate o dia de hoje para cancelar”, seja do particular na promessa dos rendimentos

E assim roda o governo e uma parcela da população que se acha esperta.

Uma coisa é certa.

Governo passa, seus representantes e magistrados se aposentam, partidos desaparecem, empresarios somem.

Não ha mal eterno. Vence a história.

Um dia, a conta inevitavelmente chega.

E a casa cai.

Uma criança morreu. O Juri não decidiu. A magistrada soltou.

Não é de hoje que me desgasto ao dizer entre pessoas, amigos e clientes, que a justiça é lenta, tardia e principalmente distante do povo.

De todas as reflexões, talvez a única que seja unânime entre muitos é que a provocação da imprensa tem sido o maior motivador de rapidez e desfecho de muitos julgamentos.

Quando a imprensa esta de olho, não existe demora nem pedido eterno de vista. Todo magistrado explica, ainda que por voto de duas horas, e decide.

Hoje aprendi que ha um grande problema por trás dessa percepção.

É o problema do discurso.

Quando um magistrado palestra estado a fora, torna socialmente publica a sua opinião. Parece que a gente entende ou enxerga racionalidade por trás disso.

Agora sei que não. Quando pequeno minha mae e avo me corrigiam dizendo que o costume de casa vai a praça.

De repente me vejo em oposição à praça dos magistrados que publicamente expõem suas decisões de casa.

Somos levados a associar o que uma pessoa fala com sua conduta na vida, trabalho e casa. Me diga com quem anda e te direi quem é. Essa frase, ou indagação, certamente não é novidade.

Semana passada soube que na abertura do Congresso Internacional Estado de Direito, o Ministro e presidente do Superior Tribunal de Justiça teria afirmado que Juizes não devem temer julgamento da sociedade.

Talvez ele tenha sido vidente, tocado por Chico Xavier do que seria o resultado do maior julgamento de crime contra uma criança a ser realizado no Rio de Janeiro.

A motivação social dos magistrados que buscam aparecer e polemizar mais do que aplicar a Lei e julgar é terrível e danosa a sociedade.

Entre falas, ideias e julgamentos, somos entubados acerca da diferença de homens e mulheres que se manifesta mais latente no ativismo feminino. Também impuseram cotas para reparar a chamada desigualdade histórica. E ate lei para impedir a violência domestica praticada contra a mulher. Não poderia esquecer a sopa de letrinhas em relação a gêneros.

No fundo, diante da tremenda falta de educação e instrução, sinto que não houve outra forma eficiente de ordenar o povo senão dividir para depois supostamente juntar.

Isso não se mostrou o suficiente.

Era uma vez uma mulher, mae, que de acordo com a imprensa, sabia que seu filho era agredido pelo padrasto. Apesar da lei da palmada, na casa dela isso era permitido.

Amor estranho esse. Um manifesta na base da palmada enquanto outro chega em casa, acolhe e se omite dessa situação.

O que me levou a esperar e crer que seria objeto do juri popular a decisão sobre se a omissão, consciente, displicente, irresponsável, indigna da mae concorreu para que fosse julgada pelo crime de homicídio.

Isso, infelizmente não ocorreu.

Estamos hoje vivendo um descompasso entre o que socialmente lemos e escutamos com o que e juridicamente (e costumeiramente) mal decidido pela justiça. Depois reclamam dos advogados que insurgem contra IA.

A percepção ate mesmo de incoerência e nítida. Seja pelas circunstâncias parecidas ou ambas moralmente inadimissiveis.

Quem velho como eu não se recorda do julgamento da Suzane, condenada não por ter matado e sim por ter participado de uma trama contra seus pais que resultou em um homicídio.

Ela pode, deve ser presa, e mesmo solta, ser constantemente vigiada pela opinião publica. Contudo a mae que não deu importância a agressao que levou a morte do seu filho nao.

Por acaso ambas sao femininas. Na minha visão pouco importa. Poderia ser homem, mulher, qualquer genero. o que não pode é admitir que se alguem que trama comete crime, alguém que se omite e vive um crime sai livre.

Ainda que a Lei Penal diga que na duvida prevalece a sociedade, acho que a aplicação desse princípio, pela juíza, foi muito literal.

Se fosse mês passado teria pensado se ela assim não o fez para ser julgada e tardiamente aposentada pelo CNj. Me parece que não.

O que sei é o que percebo e aqui vale a provocação. Imaginemos um pais em que o desejo da Ministra Carmen Lucia fosse realizado e o judiciário fosse socialmente composto por mulheres para reparar a desigualdade socialmente criticada pelo fato de só existir majoritariamente homem.

O que diriam elas sobre esse homicídio? Sobre os presos no dia oito de janeiro com pena muito maior do que a mae omissa?

Sera necessário, diante de tamanha incompetência, reformar a lei para dizer que infanticidio pode não ocorrer logo após o parto e sim durante a criança for menor para agravar a pena disso e não acobertar uma mae ou pai omisso?

Se os pais cometeram ou se omitiram a violência dos filhos deverão ser presos e responder por isso? Vamos dar aos filhos a mesma segurança que damos a mae de poder amamentar a qualquer momento e em qualquer lugar.

Esses direitos não deveriam ser clichês. Entretanto, e infelizmente, são.

A que ponto chegamos?

É difícil interpretar o atual momento político brasileiro à distância, sobretudo quando as informações chegam filtradas por noticiários. Ainda que jamais saibamos ao certo os interesses e disputas reais por trás dos acontecimentos, é através dessas narrativas — parciais, editadas, às vezes mal estruturadas — que percebemos alguns movimentos preocupantes.

Na cobertura recente da GloboNews, por exemplo, chamou atenção a falta de rigor informativo. Uma repórter afirmou estar relatando os fatos com base em “alguém me disse”, e logo em seguida reconheceu não ter conhecimento suficiente para fazer uma avaliação política. Ainda assim, produziu uma narrativa embalada como opinião, mas apresentada com a autoridade de quem dita verdades. Esse tipo de conduta evidencia o colapso entre informação e propaganda — e empobrece o debate público.

Mas o problema não é só a imprensa. Se o governo brasileiro confia tanto na democracia que afirma defender, por que a estrutura do Estado age com tanto temor diante de ações supostamente articuladas por figuras sem poder institucional? E mais: por que a Justiça é tão célere e implacável para uns, enquanto outros esperam por anos uma resposta?

A seletividade da atuação institucional é visível. Em nome da soberania, persegue-se com agilidade quem é considerado adversário político, enquanto a população comum segue submetida à morosidade estrutural do Estado. Ainda que envolva um ex-presidente, tribunais e pressões internacionais, o verdadeiro sentido de soberania reside em planejamento, transparência, respeito ao devido processo legal — e isso, infelizmente, está em falta.

Hoje, o Supremo Tribunal Federal parece atuar como extensão do Executivo, adotando medidas que beiram o abuso e rasgam, na prática, os princípios constitucionais que deveria proteger. Cercear o direito de fala, de resposta, de ir e vir — tudo isso configura o esvaziamento do Estado de Direito. O que se vê não é justiça: é intimidação institucionalizada.

Recentemente, o país recebeu uma sinalização externa de preocupação — uma “carta” que, entre linhas diplomáticas, critica arbitrariedades jurídicas relacionadas ao ex-presidente. A reação do Judiciário foi ainda mais grave: restrições adicionais, mais silêncio, mais cancelamento. Bolsonaro, por mais controverso que seja, é hoje uma figura cancelada institucionalmente. E o Brasil, ironicamente, se esforça para materializar — e exportar — essa perseguição.

O mais preocupante é que essa lógica pode se voltar contra os próprios ministros. Se o sistema de compliance das instituições internacionais, que dependem financeiramente do Brasil, for levado a sério, os excessos praticados aqui terão consequências. Afinal, até que ponto a obediência ao “mando” de ministros se sobrepõe ao cumprimento das normas internacionais?

Vivemos um Brasil que ainda opera na lógica da força. Um país que impõe medo para garantir a vontade de poucos sobre a maioria. O mesmo país que a geração dos meus pais evita lembrar — e que agora volta a dar sinais de que nunca deixou de existir.

O tempo mostrará até onde isso será tolerado. E até quando será possível sustentar a democracia no grito.