Há momentos em que a vida nos coloca diante de um vazio que a gente não sabe nomear.
Não é tristeza, não é medo, não é cansaço.
É apenas um silêncio profundo que toma conta por dentro — como se tudo ficasse suspenso.
Hoje acordei assim.
Com um aperto discreto na garganta e uma sensação de algo que precisa ser entendido, não evitado.
Não foi por coincidência que a leitura do Cafe com Deus Pai foi Mateus 6:22–23.
“Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; mas se forem maus, todo o teu corpo estará em trevas.”
É impressionante como esse texto ilumina o que muitas vezes confundimos.
Não fala dos olhos em si, mas do olhar — da direção para onde apontamos a alma.
Há circunstâncias que tentam nos puxar para o velho padrão:
– a reação impulsiva,
– a memória dolorosa,
– a dúvida,
– o medo de repetir o passado.
Mas a palavra de Mateus muda tudo.
Ela nos lembra que a luz e a escuridão não chegam de fora — começam dentro.
E, de repente, aquele vazio ganhou outro significado: ele não era ausência de Deus.
Era espaço.
Espaço para a reconstrução.
Espaço para reorganizar o olhar.
Espaço para deixar a luz entrar sem pressa.
A dificuldade, a inércia que às vezes sentimos não é sinal de fracasso. É apenas o resultado de experiências que ainda pesam.
Mas a direção — a direção verdadeira — continua lá.
Ela não se perde, só fica encoberta.
E é nessa hora que Mateus ensina: se o olhar apontar para o que é bom, mesmo no cansaço, a luz volta.
Se o olhar se fixa no que é mau — ressentimento, medo, culpa — a luz se apaga.
Hoje entendi que o meu trabalho é apenas ajustar o ângulo do olhar.
Continuo de pé.
Um pouco cansado, talvez.
Mas com a certeza de que Deus preenche o vazio com propósito, e que cada silêncio interior é o convite para um recomeço.
Que eu siga assim: enxergando o que é bom, caminhando com luz, e permitindo que Deus conduza, no tempo Dele, o próximo capítulo da minha vida.

