Serie 50 | Capitulo 13 – O dia em que eu quase reagi

A pulada de capitulo anterior não aconteceu por acaso, nem tive eu a intenção de deixar esse para trás. Acabou que fui engolido por situações e emoções causadoras desse retardo

Esse gentil escritor teve o veiculo abalroado por traz em pleno transito. Nada grave, algo banal, situação normal de transito.

Nesse enredo que a princípio não me incomoda, a forma que ocorreu foi muito ruim.

Trafegava na descida da rampa do retorno do shopping rio sul em pleno transito. Ainda assim fui surpreendido pelo impacto decorrente da escolha do condutor que optou por não deixar o carro de trás passar e acelerou.

O que não deveria acontecer veio depois

A condutora não assumiu a responsabilidade. Seu modo de agir deu a entender que a culpa por ela não ter respeitado a distância era minha.

Faltou cuidado e atenção pela motorista negligente.

Isso pela minha criação foi o que mais incomodou. muito mais ate em relação ao dano.

Naquele momento nao reagi e fiz o que deveria fazer, solicitei a identificação e os dados da apolice de seguro uma vez que por obvio teria que acionar a cobertura de terceiro.

O que não ocorreu, tendo o esposo dito que deveria procurar meus direito.

Indignado logo acionei a criminalista e o cível com quem trabalho. Para não advogar em causa própria, conversei com eles os próximos passos e segui, confiante e sem hesitação.

Nos dias seguintes, muito me perguntei se deveria seguir fazendo o certo ja que também senti internamente uma duvida se as acoes seguintes eram suficientes.

Optei por não reagir e lidar internamente com essa agressão. O que dizer? A estagnação me deu a paz. Foi quando aquele rompante de raiva e desejo por justiça foi enterrado.

Lição aprendida de forma amarga porem util e necessária. Nem toda ação cabe uma reação, e nem a falta de reação é sinonimo de fraqueza.

O veiculo foi levado ao concessionário para reparo. Entreguei o assunto a Deus e dias depois ja pronto recebi uma ligação do corretor informando que o proprietário havia aberto um sinistro que posteriormente pagou o reparo.

E aquela sensação desconfortável que senti do incidente.

Numa reflexão mais longa entendo que veio muito mais pela lembrança do que fui no passado do que com o presente.

Agora entendo, não era sobre o acidente nem sobre a grosseria. Era sobre mim. Ser quem eu sou mesmo quando uma parte quer reagir.

O barulho do vazio

No Rio de Janeiro, há algum tempo, tenho notado que conhecer alguém vale mais do que ser alguém.

Esse jeito carioca de ser parece ter sido exportado do Rio de Janeiro para o mundo.

Ser competente, preparado, educado ou íntegro, para quem se espelha no show off, pouco importa. O que vale é o acesso, o sobrenome, o contato certo, o lugar à mesa.

É assim que uma facção constrói e exerce poder por aqui — não pela excelência, mas pela proximidade. Não pela elegância, mas pela vulgaridade. Não pela discrição, mas pela ostentação sem educação.

O enriquecimento desses mal-educados e pouco instruídos passou a ser tratado como algo normal. Não é. Nunca foi.

Não é de hoje que observo, lentamente, a perda de referências. Os símbolos nacionais já não nos representam há muito tempo. Políticos, nem pensar. Nem o futebol se salva.

O mais deprimente, porém, não é o enriquecimento em si — é o que ele não trouxe junto.

A julgar pelos novos ricos cariocas, não vieram com cultura, modos ou conhecimento. O dinheiro não veio acompanhado de aperfeiçoamento, mas de ostentação. Não produziu civilidade, apenas barulho. Não gerou responsabilidade, apenas exibicionismo.

Forma-se, então, um jogo de poder raso e cansativo. Um teatro permanente de carros, relógios caros, vozes altas, roupas chamativas e a necessidade constante de ser visto, reconhecido, temido. Um poder que não se sustenta por conteúdo, apenas por presença.

Quando o costume de casa vai à praça, o retrato fica claro: não houve educação antes do dinheiro. Não houve construção antes da conquista. Houve apenas acesso.

Talvez por isso esses idiotas confundam espaços públicos com territórios privados. Talvez por isso tratem restaurantes como palcos, pessoas como figurantes e regras como sugestões. Talvez por isso precisem reafirmar o tempo todo quem conhecem, onde entram, com quem falam.

No fundo, não se trata de riqueza.

Trata-se de vazio.

E vazio faz barulho.

Muito barulho!!!!!