Comer é um vicio

Comer não é apenas um ato biológico.

É também um gesto existencial.

Come-se por fome, é verdade.

Mas come-se igualmente por sede — não apenas de água, mas também de sentido.

Come-se quando falta o sabor da comida.

Come-se quando sobra o vazio que ela tenta preencher.

Come-se para ocupar a mesa.

Come-se, muitas vezes, para evitar encarar o que ficou fora dela.

Come-se para acompanhar,

Come-se para não estar só,

Come-se para fazer o tempo passar mais rápido

Come-se quando ele pesa demais.

Come-se para celebrar a vida

Come-se para sobreviver a ela.

Come-se para afogar mágoas,

Come-se para enterrar fases,

Come-se para inaugurar outras — como se fosse um rito de passagem.

Come-se quando se está feliz.

Come-se quando a tristeza pede anestesia.

Come-se por hábito,

Come-se por obediência,

Come-se porque alguém manda,

Come-se para existir,

e, talvez, para aprender — ainda que mal — a lidar com aquilo que não se resolve.

O problema é que o comer não conhece limite.

Quanto mais se come, mais se é comido.

O desejo cresce na mesma proporção da tentativa de saciá-lo.

Não há freio natural,

não há ponto final,

não há saciedade definitiva.

Por isso, comer pode deixar de ser necessidade,

e se tornar vício!

Não pelo alimento em si,

Mas pelo que ele silencia.

Daí porque sigo comendo, e fazendo exercício, todos os dias!

Pronto, falei.

Quem ainda tem um dia tipicamente normal?

A pergunta é interessante. Gostaria que fosse simples de responder — e, no entanto, ultimamente venho me questionando o que seria, de fato, um dia tipicamente normal para mim.

Ainda que a normalidade não exista em sentido estrito, gostaria que meu cotidiano se encaixasse dentro de um espectro de situações comuns a todos, por vários motivos. Entre eles, a segurança de viver e ter algum controle sobre os acontecimentos, o que, por sua vez, ajuda a reduzir a ansiedade. Confesso, porém, que minha ansiedade persiste. Tento canalizar essa energia para a dieta e a academia. Quero envelhecer bem — fazendo exercícios e, muitas vezes, morrendo de fome.

Um dia previsível, controlado e seguro tende a despertar também um sentimento de pertencimento. Afinal, quando meu dia se assemelha ao de alguém, ele acaba ganhando um valor a mais — torna-se mais especial.

A conjunção desses fatores forma o alicerce da estabilidade emocional. É isso que me protege do medo do caos.

Mas qual é, então, o problema?

Vivemos em meio a um caos involuntário. Não importa o que façamos, seremos sempre atingidos — pelo humor, pelas decisões, pela especulação de terceiros.

A nova realidade nos obriga a buscar soluções diferentes, muitas vezes não convencionais, diante da exaustão provocada pelos caminhos antigos.

Começo a achar que “dia típico” é uma utopia.

Meu dia é tudo, menos típico. A realidade que enfrento é feita de questões complexas, algumas perturbadoras.

Felizmente, mantenho tipicamente o hábito de escrever aqui — mais do que gravar. Talvez isso seja meu maior ponto em comum com outras pessoas.

Escrever, no fim das contas, é o que mais me aproxima do que pode ser considerado típico para todos nós.

Escrever e agora celebrar o fato que consegui perto dos 50 chegar a minha melhor versão! Enfim magro. Nada típico, nada fácil porem com a rede de apoio que criei com meu marido e muitos que nos assistem no foco a dieta e exercício, esta dando certo.

Melhor desejar bom dia a todos, abaixo a tipicidade. Somente assim sabemos que estamos próximos de Deus, pequenos e humanos.

Tipicamente feliz

Was today typical?