Onde termina em tinta começa em carater.

Hoje eu vou falar de banheiro.

E não, isso não é um exagero nem uma pauta menor. É justamente o contrário: há temas que só parecem pequenos porque ninguém quer enfrentá-los.

Cheguei em casa e precisei usar o banheiro da garagem. O espaço que, segundo o sindico, foi “reformado”. Reformado, aqui, significa pintado — do chão à pia. Nada além disso.

Que vergonha!!!

Nenhuma preocupação estrutural, nenhuma intenção real de oferecer dignidade. Apenas uma camada de tinta para disfarçar o abandono. É isso que devemos aos funcionários, prestadores de serviço e a nos mesmos?

O curioso é o contexto.

Moro em um prédio que, há pouco tempo, arrecadou mais de um milhão de reais em cotas condominiais em atraso. Um edifício cujo condomínio é caro, e também habitado por pessoas ricas, instruídas.

Aqui residem embaixadores, consul, advogados, profissionais da televisão, gente que fala bem, se veste bem e sabe discursar. Ainda assim, o banheiro destinado a funcionários, prestadores de serviço e também aos próprios moradores permanece indigno.

E foi aí que a reflexão surgiu.

Esse banheiro não é apenas um espaço mal cuidado.

É um retrato social!

Um experimento silencioso que revela algo que raramente é dito: a forma como muitos da elite cuidam dos espaços “dos outros” diz muito sobre como tratam os que lhe atendem. Mais ainda, diz sobre o ambiente que é tolerado aos funcionários e por consequência como deve ser mantido.

Sempre tive dificuldade com discursos ensaiados. Nunca levantei bandeira seja qual for. Da lgbt a esg. Dou a minima para isso.

Também não dou ouvido a esse discurso politicamente correto de fachada, com as risadas fáceis em mesas bem postas. Muitas vezes, essas risadas não são de alegria — são de superioridade. Não se ri com o outro, ri-se do outro. Especialmente de quem trabalha, de quem serve, de quem não aparece na foto.

O banheiro da garagem mostra isso com uma honestidade brutal. Ele mostra que há pessoas capazes de investir tempo, dinheiro e energia em festas, aparências e narrativas públicas, mas incapazes de garantir o mínimo de dignidade a quem circula ao seu redor todos os dias.

E aqui vale uma inversão simples, porém necessária: quem trata o outro como inferior não demonstra superioridade alguma — revela apenas a própria pequenez.

Talvez alguém diga que é exagero. Que é “só um banheiro”. Mas não deveria nem ser pauta eu precisar reclamar disso. O problema é justamente esse: quando o óbvio precisa ser dito, algo está profundamente errado.

Somos dezessete unidades. Um não muda dezessete. Dois ou três também não. O silêncio coletivo acaba sendo o maior aliado da manutenção desse estado de coisas. Talvez o video, esta reflexão, nem chegue ao algoritmo certo. Talvez não incomode quem deveria incomodar. Ainda assim, falar é necessário.

Enquanto isso, sigo fazendo a minha parte.

Estou reformando todos os banheiros da minha casa. Os que eu uso e os que eu uso também — porque faço questão de usar todos. Não por virtude, mas por coerência. Dignidade não se terceiriza. Não se escolhe para quem ela vale. Aqui a prioridade é higiene com dignidade seja em qual banheiro for.

No fim, fica a pergunta que me faço — e faço a quem lê: estou errado por me incomodar com isso ou o verdadeiro problema é termos normalizado demais o que nunca deveria ser normal?

Norte magnetico

Todos nos ja vivemos momentos que subitamente perdemos o norte, situação em que nos encontramos a deriva.

Nada como a religião para nos tirar de la. Sem ela perdemos o norte, ficamos sem saber para onde vamos e nossas acoes ficam meio soltas no espaço. É um navio sem rota, sem porto e sem destino.

Esse sentimento que muitos envolve chega silenciosamente, sem fazer muito alarde e vai desviando a pessoa do destino, da familia, da religião.

Ganha força e predomina em quem esqueceu seu propósito, quem malandramente achou que driblaria a vida e deixou de encarar seus desafios.

A deriva estão todos que desistiram da vida e se contentaram apenas em viver.

Engana-se quem pensa que não ha movimento em quem esta a deriva. Pelo contrário. O que não existe é direção e o que resta é um fardo que presumo pesado.

As vezes encontramos o caminho em silencio e oração. Também uma pitada de coragem desde que acompanhada de verdade.

E justamente nesse ponto, o da honestidade e verdade do que somos, é que achamos o norte magnetico e a bússola volta a funcionar.

O ano que dei unfollow na hipocrisia

Este foi o ano em que minha paciência com a hipocrisia acabou. E eu fiz o mais simples dos gestos radicais: dei unfollow.

Unfollow na narrativa que glamouriza preguiça como lifestyle carioca.

Unfollow na cultura da reunião que ocupa tempo e entrega nada.

Unfollow na justiça que funciona como roleta — eficiente para alguns, lenta para muitos e hostil para quem realmente precisa dela.

Unfollow nesse país que confunde referência com propósito, status com trabalho e opinião com entrega.

Ao mesmo tempo, fiz o contrário do que o ambiente sugeria em novembro: montei minha árvore, recebi gente, celebrei a vida. Não porque tudo esteja bem, mas porque ainda existe algo mais perigoso do que o caos — a crença de que ele é normal.

Fato: A verdade é simples e dolorosa!

O Brasil pela mídia, pelo governo e empresários politicamente engajados não é o país das pessoas que realizam. É o país das pessoas que prometem.

E promessas — como bem sabemos — não pagam contas, não educam crianças, não corrigem injustiças e não sustentam futuro. Um país que não entrega nada é um país que exige demais de quem tenta fazer alguma coisa.

No fim do dia fica a impressão de ser um grande toma-la-da-ca e dane-se a cidade e o povo.

O que importa…. E a propaganda, ou especificamente a foto “somos cenografia” .

Prefiro ficar aqui e acreditar em Jesus. Esses ai mais dia menos dia vão pagar e não vai ser o que o dinheiro pode comprar não… vai ser justamente o contrário.

Amem!

A normalização das relações “sugar” como sintoma ou reflexo de uma sociedade que perdeu a noção do que é futuro…

Ao que parece, a falta de conteúdo e de noção não se restringe mais às revistas automobilísticas — ela se alastrou pelos mais diversos meios de comunicação. Li, com profunda indignação, a coluna de Lu Lacerda na VEJA Rio, que sempre considerei parte de um grande grupo de comunicação do país.

Fiquei estarrecido com a forma pela qual ela decidiu tratar os relacionamentos “sugar” como se fossem uma tendência cultural carioca, e não um problema social grave — sintoma evidente de uma sociedade adoecida pela desigualdade. Nada nisso é normal, glamouroso ou digno de celebração.

A matéria não apenas descreve uma situação: ela molda referências, legitima escolhas e educa pelo torto.

Várias perguntas me ocorreram de imediato. O que a jornalista realmente sabe sobre o assunto? Há alguma semelhança com o estilo de vida que leva? Mera coincidência? Seria este o tema das mesas que frequenta? Isso representa, de fato, a chamada alta sociedade da Zona Sul?

E, em termos mais amplos: que Brasil — e que Rio de Janeiro — estamos exportando?

O país que deveríamos refletir ao mundo é o das pessoas que se aprimoram, estudam, constroem carreira, inovam e transformam. Não o de quem vê, na dependência afetivo-financeira, um estilo de vida — alguém que banca o jantar, a viagem, o aluguel e o look social, enquanto o “afeto” se converte em moeda de troca.

Para quem nasceu nos anos 70, isso tem nome e definição muito claros. Qualquer coincidência pode até ser coincidência. Ou não.

Como se não bastasse vivermos num Estado paternalista, deficitário, cujos programas de transferência de renda são ineficientes e, não raro, utilizados como ferramenta eleitoral, agora assistimos ao setor privado transformar a desigualdade em aspiracional, como se fosse parte do charme local.

O carioca não merece ser reduzido a esse estereótipo, ainda que travestido de romance.

Pergunto: desde quando sucesso é ser sustentado?

Quando uma jornalista legitima esse tipo de arranjo baseado no dinheiro, como algo normal, ela não narra uma tendência — ela consagra a desigualdade como vocação nacional. Eleva o atalho à categoria de plano de carreira com resultado econômico. Faltou-lhe senso de país. Faltou-lhe visão de futuro.

Não há como se orgulhar de uma matéria que exporta o jeito brasileiro de terceirizar a vida afetiva.

O Brasil merece mais que isso — e eu, como tantos cariocas que trabalham, estudam e constroem, mereço exemplos melhores e matérias com responsabilidade social mínima.

É frustrante ver uma coluna que poderia fomentar cultura, arte, inteligência, criação, inovação e sociedade optar por normalizar — e exportar — a economia afetiva como tendência.

Se isso for tendência, então a indignação não é apenas compreensível — ela é obrigatória!!

https://vejario.abril.com.br/coluna/lu-lacerda/carioca-quer-gentileza-sol-e-um-sugar-pra-chamar-de-seu/

#Indignação #Sociedade #CulturaCarioca #ResponsabilidadeSocial #VEJARio #LuLacerda #Sugar #IdentidadeNacional #BrasilQueQueremos #RioDeJaneiro #Comportamento #Desigualdade #EconomiaAfetiva

Um passo de cada vez

Vivo administrando decisões — quando não as minhas, as dos outros. Há um ponto em que isso cansa. Nem sempre estou disposto a explicá-las, muito menos a justificá-las.

Ao longo da vida, acumulei escolhas difíceis. Alguns chamam isso de experiência. Eu prefiro chamar de consequência.

Ainda assim, nenhuma decisão foi tão complexa quanto a de ser eu mesmo. Foi um caos libertador. Tomei essa decisão tarde — mas a verdade não tem prazo de validade. Fiz isso sem plateia, sem torcida e, sobretudo, sem garantias. E segui.

Quando finalmente olhei para dentro, encontrei ruínas. Descobri que parte do que eu acreditava ser solidez não passava de um castelo de areia. Precisei derrubá-lo para construir algo que resistisse ao vento, ao tempo e, principalmente, a mim.

Depois da primeira dificuldade veio a segunda — e, como sempre, todas as que a realidade reserva a quem escolhe não fingir. Cada uma com seu preço. E não é barato.

Mas aprendi o essencial: no fim do dia, posso perder tudo — menos a mim.

Isso não tem preço.